Dica de Série: Em Defesa de Jacob

Oi pessoal, tudo bem?

Como boa fã de suspenses que sou, conferi uma série que estava no meu radar há tempos: Em Defesa de Jacob. Bora conhecer?

Sinopse: Uma família sofre um grande baque quando o filho é acusado de matar um colega de classe.

Os Barber são, aparentemente, a família perfeita: Andy, o pai, é um assistente de promotoria bem-sucedido; Laurie, a mãe, trabalha com educação infantil; e Jacob, o filho, é um adolescente de 14 anos tímido e comum. Esse status quo sofre uma ruptura quando Ben Rifkin, colega de Jacob, é encontrado morto – e as evidências apontam para Jacob como autor do crime. A partir desse momento começa a luta contra o tempo dos Barber pra provar a inocência do filho, ao mesmo tempo em que precisam lidar com as próprias dúvidas e questões ao longo do processo.

De modo geral, achei Em Defesa de Jacob um tantinho lenta demais, mas não necessariamente cansativa ou enfadonha. Somos guiados pela trama por Andy que, afastado da promotoria enquanto o caso se desenrola, fica obcecado em investigar por conta própria Leonard Patz, um outro suspeito que poderia inocentar seu filho. Além disso, Andy também precisa lidar com um segredo de seu passado vindo à tona, agora que a mídia caiu em cima de sua família como abutres: ele é filho de um estuprador e assassino conhecido como Billy Sangrento, que cumpre prisão perpétua desde que Andy tinha 5 anos. Esse segredo vem para abalar ainda mais a confiança da família Barber, especialmente a de Laurie, que fica estupefata com uma revelação dessas feita após 15 anos de relacionamento.

Aliás, confiança é a palavra-chave aqui. Laurie se torna a personagem mais interessante da série justamente por conta disso: é ela que fica mais abalada com as revelações sobre o passado de Andy e com as suspeitas sobre seu filho. Mas, indo além, Laurie também teme ter falhado como mãe, ter perdido sinais que apontassem que seu filho pudesse ser um sociopata. As cenas de flashback, em que Laurie relembra um momento potencialmente violento de seu filho na infância, cumprem o papel de evidenciar que, desde sempre, Laurie temia que algo não estivesse certo com Jacob. O fato de que Andy permanece irredutível em sua crença no filho faz com que a esposa se sinta sozinha, culpada e incompreendida, temendo ter errado tanto na criação do filho quanto por desconfiar dele. Essa zona cinzenta dos sentimentos de Laurie me fez lembrar de O Impulso, que também explora a dúvida de uma mãe sobre a inocência de seu filho. Como reagir quando, no fundo do seu coração, você sente que seu filho pode ter feito algo imperdoável? É essa a pergunta que Laurie se faz ao longo dos 8 episódios que compõem a minissérie.

Gostei também da atuação do elenco como um todo. A série se passa no presente, 10 meses após o assassinato de Ben, e no passado, durante o processo de julgamento. No presente Andy está conversando com Neal, o assistente de promotor que o substituiu no caso dos Rifkin. As perguntas parecem pressionar Andy em direção à revelação do veredicto a respeito de Jacob, e é palpável no rosto de Chris Evans que naquele momento o personagem está carregando um fardo muito pesado. É com o passar dos episódios, conforme o interrogatório no presente se aproxima dos acontecimentos da época do julgamento, que entendemos o verdadeiro plot twist que a série nos reserva. Além da atuação de Evans, Michelle Dockery entrega a dor, a confusão e o dilema interno de Laurie com muita competência, sendo a personagem que mais mexeu comigo ao longo da trama. Fica também meu elogio para Jaeden Martell, que deu vida a um Jacob inexpressivo e apático, diria até que com um quê de falta de emoção. Eu gostei muito da performance dele em It e, no filme, eu curti muito o personagem e senti pena por ele ter perdido o irmão, enquanto aqui ele me surpreendeu por conseguir oferecer uma performance fria e totalmente diferente.

O final da série não me chocou tanto quanto poderia e, de certo modo, foi coerente. Porém, achei um tanto quanto covarde. Fui pesquisar o final do livro pra comparar e achei muito melhor do que sua versão televisiva. O resto do parágrafo tem spoiler, selecione se quiser ler: na série, Laurie vinha sendo trabalhada como uma personagem cuja estabilidade emocional estava muito abalada por ter desconfiado do próprio filho, ter se tornado uma pária em sua comunidade e depois ver Jacob sendo inocentado do caso Rifkin – ou seja, percebendo que suas suspeitas foram teoricamente injustas e infundadas. Quando um novo desaparecimento próximo dos Barber acontece (de Hope, uma namoradinha que Jacob faz enquanto a família viaja de férias para o México) e Laurie desconfia novamente de Jacob, a série perde a oportunidade de mostrar que a decisão final dela foi pautada no medo de que seu filho matasse novamente. Enquanto no livro fica 90% claro que Jacob matou Hope, na série a garota desaparece mas é encontrada alguns dias depois (porque algum cara colocou drogas em sua bebida numa festa). Ou seja, na adaptação Laurie descobre que Jacob não matou a menina e ainda assim tenta se matar junto com ele, parecendo que ela deu uma de surtada do nada. Como disse, achei covarde e colocou uma carga de “exagero” injusta na personagem de Laurie. O final do livro, em que ela vê essa atitude como a única forma de parar seu filho, um potencial serial killer, foi muito mais interessante e corajoso pra mim. Fim do spoiler. 😛

Em Defesa de Jacob é uma boa série de suspense, cuja proposta não gira em torno de ter respostas definitivas sobre culpa ou inocência, mas sim sobre quão longe uma família pode ir para defender quem ama – mesmo que isso signifique medidas extremas. Apesar de ser um pouquinho enrolada, o carisma do elenco principal e as dúvidas que cercam os personagens fazem o espectador se manter atento aos desdobramentos que virão. Um outro ponto que adoro são cenas de julgamento, sempre emocionantes e cheias de reviravoltas, e as encontramos em Em Defesa de Jacob. Resumindo: pra quem gosta do gênero, recomendo bastante! 😉

Título original: Defendind Jacob
Ano de lançamento: 2020
Direção: Morten Tyldum
Elenco: Chris Evans, Michelle Dockery, Jaeden Martell, Cherry Jones, Pablo Schreiber, Betty Gabriel, J.K. Simmons