5 livros que falam sobre saúde mental

Oi pessoal, tudo bem?

Para quem não conhece, o Setembro Amarelo é uma iniciativa brasileira que tem como objetivo a prevenção ao suicídio. Falar sobre saúde mental ainda é um tabu para muitas pessoas, e precisamos desestigmatizar esse assunto para que seja cada vez mais natural falar a respeito. 🙂 Pensando nisso, decidi fazer uma lista com 5 livros que recomendo e têm saúde mental como um dos principais pilares.

Por Lugares Incríveis

por lugares incriveis jennifer nivenResenha | Compre aqui

Esse é um dos livros mais tristes que eu já li, e me causou uma ressaca literária gigantesca (além de uma grande quantidade de lágrimas rs). A trama gira em torno de dois personagens depressivos, Violet e Finch, que acabam se conhecendo da maneira mais inusitada: ele a impede de se matar. Porém, o próprio Finch pensa muito no próprio suicídio, ainda que consiga esconder a doença das pessoas que o cercam. É um livro que traz esperança em alguns aspectos, mas também revela as consequências desastrosas da negligência. 😦

A Lista Negra (ou A Lista do Ódio)

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Um livro doloroso, que traz os tiroteios em massa (e suas consequências) como centro da narrativa. Após anos de bullying, Nick Levil decide atirar em seus colegas de escola, suicidando-se logo em seguida. Desolada pela perda e com uma sensação esmagadora de culpa, sua namorada, Val, passa os dias deprimida, tentando entender o que aconteceu. O mais bacana da obra é que ela traz a psicoterapia como algo fundamental no processo de cura, evidenciando como é importante pedir ajuda quando temos uma ferida tão profunda.

Eleanor & Park

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Outro exemplo de livro que traz o bullying como tema, mas também a falta de estrutura familiar. Com diversos problemas de autoestima – e possivelmente um quadro depressivo – Eleanor é uma personagem que sofre muito com a própria aparência e com a situação que enfrenta em casa. A obra aborda como relacionamentos abusivos podem destruir a sensação de segurança de uma pessoa, transformando o que deveria ser um lar em uma verdadeira tortura. Felizmente, a obra ainda consegue manter a doçura ao abordar o relacionamento com Park, um rapaz que enxerga em Eleanor todas as qualidades que ela mesma não vê.

Lendo de Cabeça Para Baixo

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Apesar de ser um chick-lit divertido e cheio de situações engraçadas, o início da trama tem um clima bem pesado: Ros foi abandonada no altar e entrou em depressão. Sem forças para comer, tomar banho, trabalhar e socializar, a personagem chegou ao fundo do poço. Aqui temos um exemplo positivo de como a família e os amigos podem ser essenciais na superação da doença (além de encontrar um propósito de vida que, no caso de Ros, é a livraria).

A Mulher na Cabine 10

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Lo Blacklock tinha uma vida normal, até que uma invasão domiciliar vira sua vida de cabeça para baixo. A personagem desenvolve o Transtorno do Estresse Pós-Traumático, enfrenta problemas para dormir, passa a duvidar de sua sanidade… A doença acaba sendo um recurso literário para causar mais desconfiança no leitor, não tendo um desenvolvimento mais voltado para o processo de cura, mas ainda assim demonstra como um trauma pode reverberar por muito tempo.

Gostaram das indicações, pessoal? Já leram algum dos livros?
Lembrando que, se você estiver precisando de ajuda ou sabe de alguém que precisa, o número do Centro de Valorização da Vida é 188.

Beijos e até o próximo post. 💛

Resenha: Eleanor & Park – Rainbow Rowell

Oi, meu povo! Como estão?

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer por todos os comentários carinhosos e parabenizações pelo meu aniversário no post passado! Vocês são demais! ❤

Agora, em relação ao post de hoje… Lembram que eu comentei na resenha de Anexos que eu estava lendo Eleanor & Park? Pois bem, terminei a leitura e hoje trago minha opinião pra vocês! 😀

eleanor-park-rainbow-rowellGaranta o seu!

Sinopse: Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.

Fiquei muito feliz de ter dado uma segunda chance a Rainbow Rowell, mesmo não gostando muito de Anexos. Confesso que Eleanor & Park nunca me chamou muito a atenção quando eu o via na blogosfera, mas ganhei o livro de presente e foi a oportunidade perfeita para que a obra rompesse com tudo que eu pensava a respeito dela (e da autora).

Em Eleanor & Park conhecemos dois jovens de 16 anos: Eleanor, uma garota ruiva, com baixíssima autoestima (ela vive se chamando de gorda, de imensa, entre outros adjetivos pouco amigáveis), mas super inteligente e dona de um ótimo humor ácido; e Park, um garoto asiático, geek, que se veste sempre de preto e que, apesar de não ser nem um pouco popular, pelo menos consegue se manter longe de problemas. Eleanor é uma aluna nova na escola de Park e sofre bullying desde o primeiro dia, mas uma pequena atitude muda tudo: ela senta ao lado de Park no ônibus escolar. Apesar da agressividade do garoto com ela nos primeiros dias, conforme Eleanor começa a espiar as HQs que Park lê, ele repara que a garota está lendo também e passa a virar as páginas mais devagar, a emprestar algumas revistas a ela sem dizer nada e, quando nos damos conta, eles se tornam amigos. E essa amizade floresce em um primeiro amor da adolescência cheio de descobertas e borboletas no estômago, com muitas referências nerds e rock n’ roll.

O enredo parece clichê, não parece? O casal esquisito que encontra conforto um no outro, o primeiro romance, as primeiras experiências… mas Eleanor & Park é muito mais do que isso. O livro traz temas muito importantes, como bullying, abuso e violência doméstica. Narrado em terceira pessoa, com perspectiva ora de Eleanor, ora de Park, o livro nos dá um panorama muito maior do que realmente acontece com os personagens, mostrando não apenas quando eles estão juntos, mas também seus problemas e inseguranças em casa. Particularmente, adoro narrativas assim. Gosto muito de conhecer os dois lados da moeda e me aprofundar em cada personagem. Acredito que isso dê muito mais emoção e crie uma conexão muito maior com eles. É o que ocorre em Eleanor & Park: eu senti seus medos, suas dúvidas e, principalmente, sofri com eles. Especialmente com Eleanor.

Eleanor é uma personagem muito bem construída. Ela tem qualidades incríveis, mas também falhas. Só que é possível compreender porque ela age da maneira que age, porque ela tem uma postura tão “defensiva” em relação a Park por mais que, por dentro, ela esteja explodindo de tanto amor. Como dizem por aí, nós não somos capazes de dar algo que não recebemos, não é mesmo? E Eleanor não recebe amor, nem carinho, nem cuidado. Então, para ela, é difícil retribuir. Park, por outro lado, vive em uma família bem estruturada. Apesar dos problemas com o pai – situação pela qual muitos de nós passamos, aquela fase em que sentimentos que nossos pais nunca nos entendem –, ele tem uma família com a qual pode contar. E isso faz TODA a diferença na forma com a qual ele expressa seus sentimentos. Ele é um amor, é impossível não se apaixonar por ele! Mas quem realmente roubou a cena, pra mim, foi Eleanor. Foi muito difícil pra mim ler as partes referentes a ela, porque eu senti muita coisa: pena, dor, angústia, revolta e raiva. Senti vontade de chacoalhar a mãe dela inúmeras vezes, mas ao mesmo tempo eu tentava lembrar de que muitas mulheres não conseguem sair de situações de abuso por medo. Ainda assim, foi difícil controlar a minha raiva e revolta em relação a ela.

Enfim, Eleanor & Park foi uma leitura excelente. Eu diria até que foi a segunda melhor do ano, atrás apenas de Como Eu Era Antes de Você. É um livro que toca em temas sensíveis e tem momentos pesados, mas com uma narrativa tranquila, o que equilibra o tom do livro. Rainbow Rowell trouxe uma obra romântica, nostálgica (afinal, quem nunca sentiu borboletas no estômago ao se apaixonar?) e delicada, que realmente mexe com as emoções do leitor. Recomendo muito!

Título Original: Eleanor & Park
Autor: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
Número de páginas: 328
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