Resenha: Coração Artificial – Viviane L. Ribeiro

Oi gente! Tudo bem?

O post de hoje é super especial, pois trata-se da resenha de um livro de uma parceira do blog, e também do 100º post do Infinitas Vidas! \o/ Estou falando de Coração Artificial, da querida Viviane L. Ribeiro! ❤ A Viviane me procurou há alguns meses, me oferecendo essa leitura, e eu estou muito feliz por poder contar pra vocês as minhas impressões sobre ela! 😀

capa coração artificial viviane l ribeiro

Sinopse: Gabriel é filho de um importante magnata da indústria de órgãos artificiais, e Alicia é apenas uma estudante inteligente o bastante para ter uma bolsa de estudo na mesma faculdade privada que Gabriel frequenta. O fato é que eles nunca teriam se conhecido se Gabriel não tivesse parado para ajudar Alicia com seus livros e muito menos se aproximado tanto se não a tivesse visto cantar em um bar numa noite. Então acontece um acidente de carro. E estranhamente as pessoas próximas a eles estão tentando mantê-los afastados, e enquanto isso, eles vivem a vida naturalmente, acreditando que o acidente não trouxe nenhuma consequência para suas vidas. Mas a verdade é que estão completamente errados.

Já pela sinopse eu fiquei curiosa com Coração Artificial. Li algumas resenhas e sempre ficava intrigada, querendo saber o que afastaria Gabriel e Alícia após o dito acidente. Bolei algumas teorias – algumas eu acertei, outras não. Mas posso dizer que nada me preparou para o final.

O livro começa nos apresentando Gabriel, o protagonista e narrador. Descobrimos que ele é extremamente rico e que seu pai é um bioengenheiro importante, envolvido nos estudos com órgãos artificiais. O relacionamento entre os dois é muito complicado, pois o pai impõe a Gabriel todas as suas escolhas: onde o rapaz deve estudar, o que deve cursar, com quem deve se relacionar, o que precisa fazer. Isso somado ao fato do garoto ter sido abandonado pela mãe na infância, sem nem ao menos saber a razão. As mágoas que o protagonista carrega são inúmeras, mas ele age como se não ligasse pra nada disso. Gabriel se esforça pra passar uma imagem de frieza e indiferença, utilizando isto como escudo. As amizades de Gabriel também não são sólidas, e o protagonista encontra nas corridas clandestinas (os “rachas”) a sua válvula de escape. Ele foge dos problemas por meio da adrenalina, o único fator que causa algum tipo de empolgação em sua vida. Até conhecer Alícia.

Alícia é uma bolsista da Faculdade de Villa Nova, onde Gabriel e seus amigos estudam. Os dois se conhecem por acaso, após Gabriel ajudá-la com uns livros que caíram no chão. O interesse do rapaz na moça só ocorre quando ele a vê cantando em um bar. A música é a paixão oculta de Gabriel, que seu pai insiste em oprimir. E vendo Alícia cantar, ele sente uma necessidade incontrolável de se aproximar dela. A partir dessa aproximação, os dois iniciam um “relacionamento” que é interrompido por um acidente de carro. Após o acidente, tudo fica ainda mais delicado e misterioso. Obviamente eu não vou contar os motivos, vocês terão que ler pra descobrir! 😛

Se eu tiver que escolher um personagem favorito, diria que é Alícia – ainda que eu desaprove a maneira como ela é omissa perante os erros de Gabriel. Ela é determinada, luta pelo que quer e provoca verdadeiras mudanças na vida de Gabriel. Aliás, aproveitando o ensejo, não sou muito fã dele. Eu não gosto da maneira fria e indiferente que o personagem a trata, mas ao mesmo tempo eu sinto um conflito em relação a essa antipatia por saber o que ele realmente pensa, o quanto ela o muda e o quanto isso é importante pro crescimento dele. Por mais que eu não seja a maior admiradora do Gabriel, eu gostei de ver que Viviane escreveu um livro cheio de personagens imperfeitos. Reais. Que poderiam agir daquela maneira fora das páginas, porque o mundo é cheio deles.

Eu não posso fazer uma resenha honesta sem apontar os problemas do livro, até porque eles me incomodaram. O primeiro, e mais gritante, são os erros de concordância (e, em alguns casos, gramática). Por diversas vezes eu tive que “substituir” mentalmente palavras ou expressões que não estavam corretas para que a leitura pudesse fluir. Viviane escreve muito bem e sabe desenvolver a história de maneira a prender a atenção do leitor, mas acredito que o livro teria ficado ainda melhor com uma revisão mais caprichada. O segundo ponto do qual não gostei muito foi a queda de ritmo da narrativa, que acontece lá pelo meio do livro. Durante o desenvolvimento da história e dos personagens, o livro acaba ficando um pouco enrolado, e como eu estava vidrada nas primeiras páginas, isso me desanimou um pouco. Felizmente, mais pro final do livro o ritmo intensifica novamente e muitas coisas importantes acontecem, o que me deixou muito mais satisfeita. Outro aspecto que eu notei é que a capa não traz os personagens conforme a descrição do livro (Alícia, por exemplo, tem cabelos cacheados e volumosos), mas isso é mais um detalhe mesmo.

Falando sobre o final do livro: como eu disse antes, bolei diversas teorias na minha cabeça. O que era mais previsível eu acertei, mas eu errei pelo menos duas ou três vezes em relação ao final. Ele me pegou totalmente desprevenida e me deixou com um nó na garganta que demorou a se desfazer. E eu amei cada detalhe! Eu amei como a Viviane conduziu a história até aquele ponto, e como tudo fez sentido, e como tudo se encaixou. Palmas pro final! Eu adoro quando o desfecho de um livro é coerente – ainda que eu não quisesse que certas coisas acontecessem. Eu gosto de ver que o autor levou sua história de maneira coesa ao ponto final, fechando com chave de ouro aquilo que construiu. E a Viviane fez isso muito bem. A única coisa que eu gostaria que fosse um pouquinho diferente, talvez, seria no epílogo (se você quiser saber o motivo, selecione o trecho a seguir: eu gostaria de saber mais sobre o que acontece entre o capítulo da tempestade, em que Gabriel e Alícia ficam sozinhos e se beijam na casa da mãe dele, e o epílogo, em que ele conta que os dois últimos capítulos foram devaneios da cabeça dele. Acho que pulou muito rápido do “está tudo bem, estamos voltando” pro final de verdade).

Resumindo, Coração Artificial foi uma ótima surpresa! Eu agradeço imensamente à Viviane L. Ribeiro por ter confiado no meu trabalho e ter me permitido conhecer um pouco mais sobre o imperfeito Gabriel e a sonhadora Alícia. É uma leitura super recomendada, especialmente pra quem busca não apenas um romance, mas uma história sobre mudanças. 😀

Título Original: Coração Artificial
Autor: Viviane L. Ribeiro
Editora: Multifoco
Número de páginas: 309