Resenha: Uma Herdeira Apaixonada – Lisa Kleypas

Oi meu povo, tudo bem?

Bora seguir com as resenhas de Os Ravenels? Hoje vim contar pra vocês minha opinião sobre o livro que já se transformou no meu favorito da série: Uma Herdeira Apaixonada. ❤

Garanta o seu!

Sinopse: Embora a bela jovem viúva Phoebe, Lady Clare, nunca tenha conhecido West Ravenel, ela sabe uma coisa com certeza: ele é mau e um valentão podre. Quando estava no colégio interno, ele fez da vida de seu falecido marido uma desgraça, e ela nunca o perdoará por isso. Mas quando Phoebe participa de um casamento de família, encontra um estranho arrojado e impossivelmente charmoso, que a abala com um choque de atração de fogo e gelo. E então ele se apresenta como ninguém menos que West Ravenel. West é um homem com um passado manchado. Sem perdão, sem desculpas. No entanto, a partir do momento em que conhece Phoebe, West é consumido por um desejo irresistível, sem mencionar a amarga consciência de que uma mulher como ela está fora de seu alcance. O que West não negocia é que Phoebe não é uma dama aristocrática. Ela é filha de uma Wallflower obstinada que há muito tempo fugiu com Sebastian, lorde St. Vincent – o libertino mais diabolicamente perverso da Inglaterra. Em pouco tempo, Phoebe começa a seduzir o homem que despertou sua natureza ardente e demonstrou um prazer inimaginável. Sua paixão avassaladora será suficiente para superar os obstáculos do passado? Só a filha do diabo sabe…

Fui conquistada por West Ravenel desde Um Sedutor Sem Coração. O antigo libertino preguiçoso acaba se inspirando no irmão mais velho, Devon, e decide ajudá-lo com lealdade e força de vontade a transformar o Priorado Eversby em uma propriedade lucrativa e saudável para os arrendatários. Como não amar esse serzinho? É óbvio que eu ia querer acompanhar sua história de amor, né! E aqui ele encontra alguém à altura: Phoebe, lady Clare, filha de ninguém mais, ninguém menos que um dos casais mais populares da série As Quatro Estações do Amor: Eve e Sebastian (a Lisa não perde a chance de aproveitar esse casal, né? 😂). A jovem é uma viúva que já viveu um grande amor e, por conta disso, não sonha em ter uma experiência assim novamente, pois acredita que já tirou a sorte grande por ter tido essa oportunidade uma vez. Para completar, ela inicia sua relação com West de forma antagônica, pois ele esteve envolvido de forma negativa no passado de Henry, seu falecido marido.

Ai, gente, não sei nem o que dizer. Esse livro me fez suspirar do início ao fim! Phoebe e West se conhecem graças às festividades em celebração do noivado de Pandora (prima de West) com Gabriel (irmão de Phoebe), protagonistas do terceiro livro. Como quase sempre acontece nos romances de época, a atração entre eles logo se torna óbvia. Entretanto, há um obstáculo no coração de Phoebe: quando criança, seu marido, Henry, foi vítima de bullying por West. Ambos estudaram no mesmo colégio interno e o jovem foi muito atormentado, relatando tudo em cartas para Phoebe. Por isso, a primeira reação da moça é se afastar de West em respeito à memória do marido, mas ela não contava com as mudanças profundas pelas quais nosso protagonista masculino passou. Logo fica nítida a afinidade existente entre eles, que se divertem juntos e conversam de igual pra igual.

Uma Herdeira Apaixonada é um livro mais tranquilo, por assim dizer. Diferente da maior parte dos volumes antecessores, que contam com mais riscos, vilões e perigos ao longo da trama, a história de West e Phoebe é mais linear, como um rio tranquilo. Isso é um defeito? Na na ni na não. Essa dinâmica funciona muito bem aqui, porque faz total sentido com o comportamento dos personagens e suas dificuldades, que são muito mais emocionais e subjetivas. Ainda que o final da trama tente trazer um elemento mais aflitivo, a verdade é que ele quase não faz diferença, e o que fisga o leitor é realmente o processo gradual e delicioso pelo qual o casal protagonista se aproxima e se apaixona.

Phoebe é uma jovem altruísta e leal a todos que ela ama. Isso inclui a Henry, que foi seu amor de infância e sofreu de uma doença que o manteve debilitado por toda a vida. Por isso, a viúva se contenta com uma vida pacata, dedicando seu amor e energia aos filhos pequenos e aceitando o galanteio tímido do primo de Henry, que foi um candidato aprovado pelo próprio falecido para desposá-la. Porém, quando conhece West, Phoebe se dá conta de duas coisas: em primeiro lugar, ele não é mais o valentão que infernizou a vida de Henry; em segundo lugar, ele não apenas a respeita e a instiga a controlar as rédeas da própria vida como também demonstra um amor genuíno por seus filhos. Com isso em mente, Phoebe muda de postura e se transforma em uma pessoa que toma as próprias decisões e conduz seu destino: o que inclui transar com West mesmo sabendo que ele não deseja se casar e isso pode trazer consequências à sua reputação.

West, em contrapartida, tem mais camadas de si reveladas nesse livro. Quem acompanha a série já sabe que ele é corajoso, carismático e trabalha duro. Ele respeita os arrendatários e estende a mão para quem precisa. Mas seu passado o assombra: ele foi protagonista de vários vexames e, desde a infância, esteve acostumado a resolver as coisas com violência e alarde. Se já tínhamos alguns sinais do motivo por causa de Devon, aqui Lisa Kleypas os reforça: os dois irmãos não tiveram pais amorosos e, quando eles morreram, foram “jogados de mão em mão” entre os parentes, até irem parar no colégio interno. West não conheceu o amor familiar, exceto o do seu irmão, por isso ele tem um medo enorme de estragar tudo com Phoebe e, principalmente, com seus filhos. Ele se sente tão indigno de tal amor que foge de assumir qualquer compromisso com ela, ainda que fique extremamente deprimido quando precisam se afastar. Felizmente existem personagens secundários muuuito úteis pra desenrolar essa história. ❤

Como pontos negativos, trago uma questão que sempre se repete nos livros da Lisa Kleypas que li até hoje: erros de continuidade e revisão. Um exemplo, pra ficar mais palpável: no início do livro, temos uma página em que Pandora surge descrita como prima e, após 2 páginas, como irmã do West. Isso acontece com datas também: Uma Herdeira Apaixonada se passa entre os livros 2-3, mas o timing não bate. Em determinado momento é dito que a Helen quer apresentar a Garrett pro West e que ela esteve lá com o Ransom, mas o livro 3 (de Pandora e Gabriel) é em 1876 e Uma Herdeira Apaixonada em 1877. Um outro ponto que me decepcionou um pouquinho foi o final apressado. A obra leva mais de 200 páginas pra consumar o romance, e até que isso não é um problema, porque o andamento é bem envolvente e carismático. Porém, nos capítulos finais, tudo acontece em um piscar de olhos, como se o livro nos desse um soco na boca do estômago e nos deixasse sem ar rs. A obra merecia ao menos um epílogo pra contar os próximos passos do novo casal.

Uma Herdeira Apaixonada me lembrou um pouco o meu livro favorito de As Quatro Estações do Amor, Escândalos na Primavera, em termos de estrutura – um romance sólido, tranquilo e com personagens doces e cativantes parece ser a fórmula que mais conquista o meu coração, e Lisa Kleypas conseguiu isso aqui. Que pena que tenha sido o livro mais curto até então, porque comecei a leitura apaixonada pelo West e terminei apaixonada pelo casal, querendo ainda mais dos dois. Recomendo muito! 🥰

Título original: Devil’s Daughter
Série: Os Ravenels
Autora: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 272
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Resenha: Um Estranho Irresistível – Lisa Kleypas

Oi galera, tudo bem?

Hoje vim dividir com vocês minha experiência com Um Estranho Irresistível, o quarto volume da série Os Ravenels!

Garanta o seu!

Sinopse: Uma mulher que desafia seu tempo. Dr. Garret Gibson, a única médica mulher na Inglaterra, é tão ousada e independente quanto qualquer homem – por que não lidar com os próprios desejos como se fosse um? No entanto, ela nunca ficou tentada a se envolver com alguém, até agora. Ethan Ransom, um ex-detetive da Scotland Yard, é tão galante quanto secreto, e sua lealdade é um verdadeiro mistério. Em uma noite emocionante, eles cedem a uma poderosa atração mútua antes de se tornarem estranhos novamente. Um homem que quebra todas as regras. Ethan tem pouco interesse pela alta sociedade, mas é cativado pela preciosa e bela Garrett. Apesar da promessa de resistir um ao outro depois daquela noite sublime, ela logo será atraída para sua tarefa mais perigosa. Quando a missão dá errado, Garret usa toda a sua habilidade e coragem para se salvar. À medida que enfrentam a ameaça de uma traição do governo, Ethan fica disposto a assumir qualquer risco pelo amor da mulher mais extraordinária que já conheceu.

Talvez pelo fato de eu ter demorado bastante pra ler Um Estranho Irresistível após a leitura de Um Acordo Pecaminoso, mas a verdade é que estranhei muito o começo do livro. Ele me soou abrupto e a forma como Garrett se viu envolvida por Ethan foi muito rápida pra mim, especialmente quando pensamos na animosidade que a doutora dirigiu a ele nos volumes anteriores (sim, me prestei a procurar a participação dele). Há também uma série de detalhes que Um Estranho Irresistível retoma que eu havia esquecido, então reler o envolvimento de Ethan foi útil pra me lembrar de pontas soltas que Lisa Kleypas se propôs a fechar a respeito do personagem.

Tirando esse início truncado causado pelo meu lapso de memória, o livro segue a mesma fórmula de sempre: flertes, algo que impede o casal de ficar junto, mais flertes, sexo, resolução dos problemas. E, no geral, eu adoro essa dinâmica dos romances de época e sempre fico animada e suspirante. Com Um Estranho Irresistível, isso não aconteceu. 😦 Eu esperava ser arrebatada por Garrett, que é uma personagem feminina forte e muito à frente de seu tempo, mas acho que o timing não foi favorável e eu não estava no meu melhor momento pra essa leitura (tanto que levei mais dias do que o normal pra concluí-la). Não há nada específico que tenha me incomodado, é mais como se simplesmente não tivéssemos dado match, sabem? Por isso que não quero ser injusta com Um Estranho Irresistível e criticar coisas que, no geral, eu costumo gostar e que dificilmente me incomodam (como os clichês do gênero, por exemplo).

A história de Ethan é mais interessante: ex-investigador da polícia, agora trabalhando diretamente para um homem de alto escalão do Ministério do Interior, o protagonista masculino é cheio de mistérios. Além da relação abusiva que o seu chefe mantém, sabendo que Ethan tem problemas mal resolvidos com seu pai e usando disso para manipulá-lo, existem elementos sobre seu passado que nos deixam curiosos para descobrir. Para ser justa, é bem fácil desvendar esse segredo, mas a ansiedade fica por conta de saber quando e como ele será revelado, assim como as reações dos envolvidos.

Um Estranho Irresistível se afasta bastante do núcleo principal dos Ravenels, e talvez por isso eu não tenha me envolvido tanto quanto poderia. Felizmente existe espaço para um dos meus favoritos, West, que mais uma vez rouba a cena. Não vejo a hora de ler a história focada nele! Mas, em resumo, Um Estranho Irresistível é um bom romance de época e tem tudo pra agradar, só que pra mim acabou sendo só mais uma leitura. Às vezes acontece, né? 🤷‍♀ Eu adoraria de ouvir a opinião de quem já leu: vocês gostaram desse livro? Se sim, me contem nos comentários! Vou adorar ver pontos de vista diferentes, que talvez me façam sentir mais carinho por essa experiência. 😀

Título original: Hello Stranger
Série: Os Ravenels
Autora: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 304
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Resenha: Um Acordo Pecaminoso – Lisa Kleypas

Oi pessoal, tudo bem?

Demorei, mas comprei e li o terceiro volume da série Os Ravenels, Um Acordo Pecaminoso. Eu estava bem curiosa por essa história e já adianto que foi mais uma ótima experiência lendo Lisa Kleypas.

um acordo pecaminosoGaranta o seu!

Sinopse: Lady Pandora Ravenel é muito diferente das debutantes de sua idade. Enquanto a maioria delas não perde uma festa da temporada londrina e sonha encontrar um marido, Pandora prefere ficar em casa idealizando jogos de tabuleiro e planejando se tornar uma mulher independente. Mas certa noite, num baile deslumbrante, ela é flagrada numa situação muito comprometedora com um malicioso e lindo estranho. Gabriel, o lorde St. Vincent, passou anos conseguindo evitar o casamento, até ser conquistado por uma garota rebelde que não quer nada com ele. Só que ele acha Pandora irresistível e fará o que for preciso para possuí-la. Para alcançar seus objetivos, os dois fazem um acordo curioso, e entram em uma batalha de vontades divertida e sensual, como só Lisa Kleypas é capaz de criar.

Pandora Ravenel já tinha roubado a cena nos livros anteriores da série graças ao seu jeito travesso e espontâneo de ser. A jovem é inteligente, perspicaz e curiosa – características que afastam qualquer pretendente da nobreza. Em uma certa noite, ao tentar resgatar o brinco perdido de uma amiga no meio de um baile, Pandora fica com o vestido preso em um banco, precisando ser auxiliada por um rapaz que passava despreocupado. A identidade dele faz qualquer fã de As Quatro Estações do Amor se empolgar: trata-se de Gabriel, lorde St. Vincent, filho de Sebastian e Evie (sim, o casal de Pecados no Inverno). Após serem flagrados, a ideia de um casamento por obrigação vira uma ameaça: Gabriel não tinha o intuito de se prender a uma garota tão selvagem; Pandora tem pânico de se casar e perder sua independência. O que ambos não esperavam, porém, é perceber o quão intrigados e atraídos eles ficaram um pelo outro.

Ai, gente. O que dizer desse livro? É impossível não torcer pela Pandora e pelo Gabriel, de verdade. Começando pela mocinha: a jovem é obstinada e criativa, e um de seus principais objetivos é fazer sucesso desenvolvendo jogos de tabuleiro (contando com o apoio do cunhado, Winterborne, para vendê-los). Para Pandora, o casamento significa prisão, pois ela sabe que todas as posses e direitos da mulher são transferidos imediatamente para o marido. Entretanto, quando Pandora percebe que Gabriel não a julga por falar demais nem se intimida com sua personalidade espevitada (somado o fato de que ele é lindíssimo, é claro), ela inevitavelmente fica balançada. Lorde St. Vincent, por sua vez, é um sonho de protagonista: ao perceber que está atraído por Pandora, ele tenta convencê-la a aceitar o casamento. Para isso, ele busca compreender os medos da jovem e vai em busca de uma solução legal que permita que Pandora empreenda.

Todo o jogo de sedução envolvendo Pandora e Gabriel é muito bacana de conferir. Nesse livro descobrimos características da personagem que até então eram um mistério, como o fato dela ter um péssimo equilíbrio (devido a um trauma no tímpano), o que explica sua falta de vontade de dançar e participar dos eventos sociais. Com toda a paciência, Gabriel vai auxiliando Pandora no processo de adquirir autoconfiança, mostrando-se um parceiro que a apoia em diversos níveis. Porém, apesar de ter herdado o título do pai, o novo lorde St. Vincent é muito diferente de seu antecessor: Gabriel é comedido e racional, buscando sempre a perfeição em tudo que faz (o que por muitas vezes torna sua sufocante). Portanto, ele também aprende com Pandora, sabendo que é necessário deixar o controle de lado em alguns momentos.

um acordo pecaminoso

Outro personagem que vale mencionar é (adivinhem?) Devon Ravenel. Se alguém tem dúvida de que esse cara é perfeito, espero que ela suma ao ler Um Acordo Pecaminoso. O apoio e a proteção que ele oferece a Pandora quando sua reputação está em risco são comoventes e provam o caráter desse personagem que me fez suspirar já em Um Sedutor Sem Coração (de cujo título eu discordo de forma veemente 😂). Outros personagens queridos também fazem aparições bacanas: além dos já citados Sebastian e Evie, temos um breve vislumbre de Westcliff, Winterborne, Dra. Garrett e Ethan Ramson (o detetive de Uma Noiva Para Winterborne).

Existem algumas reviravoltas além do romance que tornam Um Acordo Pecaminoso ainda mais interessante. O plot do casal não demora taaanto a se resolver, e o terço final do livro oferece situações de perigo que visam dar ação à trama. Eu gostei mais do plot de Pandora e Gabriel, mas também curti as escolhas que Lisa Kleypas fez na reta final.

Um Acordo Pecaminoso foi uma ótima leitura, com um casal que conquista e uma trama envolvente. Pra falar a verdade, até agora não teve um livro da série Os Ravenels que eu não tenha gostado (diferente do que ocorreu com As Quatro Estações do Amor, em que só fui me apaixonar no terceiro livro 😂). Então a dica é: se você está em busca de romances de época com ótimos personagens, essa série vai te conquistar.

Título Original: Devil in Spring
Série: Os Ravenels
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 304
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Resenha: A Mulher na Janela – A. J. Finn

Oi gente, tudo bem?

Há muito tempo eu estava com A Mulher na Janela na wishlist, e estava determinada a ler antes da estreia do filme. Mas é como dizem né: não alimente o Monstro da Expectativa. 🤐 E já conto pra vocês porquê!

a mulher na janela aj finn.pngGaranta o seu!

Sinopse: Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e… espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir. Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo? E quem está no controle?

Anna Fox é uma mulher que vive reclusa em sua casa, abusando da mistura de remédios e álcool. A personagem sofre de agorafobia (um transtorno que, no caso dela, está relacionado ao medo de lugares abertos), está separada do marido e da filha e encontra distração para seus dias em hobbies como ajudar estranhos em um fórum para agorafóbicos, jogar partidas de xadrez online e, é claro, em stalkear seus vizinhos pela janela, utilizando o zoom poderoso de sua câmera. Quando os Russells chegam para ocupar a casa em frente à sua, Anna fica obcecada em observar seus passos, sendo eles um reflexo da família feliz que a sua própria costumava ser. Anna rapidamente faz amizade com o filho do casal, Ethan, e sua mãe, Jane; entretanto, em uma noite particularmente cheia de vinho, Anna presencia o assassinato da vizinha. O problema é que, ao chamar a polícia, ninguém acredita nela – e uma mulher que ela nunca viu antes se apresenta como Jane.

O plot de “eu vi um crime acontecer e ninguém acredita em mim” rapidamente me fez lembrar do ótimo A Mulher na Cabine 10. O problema aqui é que Anna não é uma personagem carismática: ela é alguém que sofre de um transtorno que provoca empatia, mas cuja personalidade não causa o mesmo efeito. Durante as primeiras 100 páginas do livro nada acontece, e vemos somente a rotina enclausurada da protagonista, que não faz outra coisa além de beber, assistir a filmes antigos, participar do fórum e jogar xadrez. A verdade é que o início do livro é extremamente enfadonho e, somado ao fato de que Anna é uma teimosa que faz tudo errado (como, por exemplo, mentir para seu psiquiatra e tomar os remédios com álcool – algo proibido em seu tratamento), fica ainda mais difícil criar afeição por ela.

A casa da protagonista é como um personagem próprio: assim como Anna, a casa está caindo aos pedaços. Suja, mal-cuidada e com traços de descaso, a casa não é somente um cenário para o livro, mas uma fonte de apoio para a protagonista. Somente naquele ambiente Anna sente-se protegida e, portanto, quando Anna começa a ter sua privacidade violada, o livro começa a ficar mais interessante. Certa de que um crime foi cometido na casa dos Russells, Anna cria uma situação bastante delicada com a polícia e os vizinhos, que contestam sua sanidade e a fazem duvidar de si mesma. É nesse momento que acontece o plot twist mais interessante do livro (mais precisamente, na página 261). Sim, a coisa mais interessante da trama demora mais de 200 páginas pra acontecer. 😦

resenha a mulher na janela

Entretanto, devo elogiar o cuidado de A. J. Finn em costurar todos os detalhes da trama. Mesmo as partes mais cansativas da rotina de Anna acabam tendo um propósito e explicam detalhes fundamentais do mistério que a personagem vive. Entretanto, isso também gerou outra questão: previsibilidade. A revelação final foi extremamente frustrante pra mim, que já desconfiava de quem era o culpado e como muitas coisas haviam sido feitas muitas e muitas páginas antes. O lado bom é que elas fizeram sentido, o lado ruim é que o livro não me trouxe um pingo de surpresa. E se você ficou curioso pra saber o que estou falando, selecione o spoiler a seguir: pra mim ficou óbvio que Ethan era o culpado quando o gato, Punch, passou a fugir dele. Animais não mudam assim, de graça, portanto atribuí o novo comportamento de Punch à culpa de Ethan. Além disso, desde o início da trama eu desconfiei da GrannyLizzie, do fórum. Quando Anna começou a se abrir com ela e falar demais sobre a vida pessoal (algo que a personagem não costuma fazer), pensei: “ih, isso aí vai dar merda”. Dito e feito.

Não sei se minhas expectativas estavam altas demais, se as resenhas que li não foram diversas o suficiente ou se simplesmente o livro não funcionou comigo. A verdade é que não gostei de A Mulher na Janela, e os motivos são basicamente o fato da primeira metade ser enfadonha e a segunda ser previsível. Como estou acostumada a ler thrillers e livros policiais, está sendo cada vez mais difícil uma obra do gênero me surpreender, então talvez isso tenha influenciado nessa minha experiência de leitura. Ainda assim, acredito que vou gostar da adaptação cinematográfica, especialmente se a direção optar por focar na tensão dentro da casa e em criar um clima de angústia (que, na obra literária, eu quase não senti). Mas, para ser justa, admito que a sequência de ação no final do livro é bem bacana e acho que vai ficar beeem aflitiva no filme. Então, para resumir: não considero A Mulher na Janela imperdível, mas se você não tiver o hábito de ler esse estilo literário, talvez ele possa te surpreender. Arriscar ou não fica a seu critério! 😉

Título Original: The Woman in the Window
Autor: A. J. Finn
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 352
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Resenha: Uma Curva no Tempo – Dani Atkins

Oi gente, tudo bem?

Em fevereiro, o tema da coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer) foi “livros encalhados”. Basicamente, listamos aqueles livros que estavam esperando há um tempão na estante (ou nos e-readers rs) e que nunca ganhavam vez.

uma amiga indicou

A Carol, do Caverna Literária, me indicou a leitura de Uma Curva no Tempo, e hoje vim contar pra vocês o que achei. Preparem os lencinhos!

uma curva no tempo dani atkins.pngGaranta o seu!

Sinopse: A noite do acidente mudou tudo… Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel está desmoronando. Ela mora sozinha em Londres, num apartamento minúsculo, tem um emprego sem nenhuma perspectiva e vive culpada pela morte de seu melhor amigo. Ela daria tudo para voltar no tempo. Mas a vida não funciona assim… Ou funciona? A noite do acidente foi uma grande sorte… Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel é perfeita. Ela tem um noivo maravilhoso, pai e amigos adoráveis e a carreira com que sempre sonhou. Mas por que será que ela não consegue afastar as lembranças de uma vida muito diferente?

Rachel vivia uma vida praticamente perfeita: estava terminando o Ensino Médio, tinha um namorado lindo e em breve iria para a faculdade. Até que, no jantar de despedida com os amigos, um acidente mudou tudo. Um carro desgovernado atingiu o restaurante no qual eles estavam e seu melhor amigo, Jimmy, morreu ao salvar a vida de Rachel. O livro então dá um salto para 5 anos para o futuro (vou chamar de realidade A) e descobrimos que a vida da protagonista saiu totalmente dos trilhos: ela convive com dores de cabeça atordoantes, mora em um apartamento minúsculo e nunca foi para a faculdade. A morte de Jimmy afetou Rachel das mais diferentes maneiras e ela sente o luto com uma intensidade esmagadora. Quando é forçada a voltar à sua cidade natal para o casamento de sua outra melhor amiga, Sarah, Rachel decide confrontar a sua dor e visitar a lápide de Jimmy; entretanto, uma crise de enxaqueca a faz desmaiar e bater a cabeça no chão frio do cemitério. E então o livro nos mostra outra realidade 5 anos depois do acidente – que agora vou chamar de realidade B. Nela, Rachel conquistou tudo o que queria: seu namoro de Ensino Médio transformou-se em noivado, ela formou-se em jornalismo e tem um apartamento incrível. Porém, ao voltar à cidade natal para o casamento de Sarah, um assalto faz com que ela caia no chão e bata a cabeça com força. Quem acorda na realidade B, entretanto, é a Rachel da realidade A, e ela se depara com esse turbilhão de novidades, sendo a principal delas o fato de que Jimmy está vivo. O problema é que ela não tem nenhuma memória dessa linha do tempo e tenta a todo custo provar que as vivências estão trocadas.

Dani Atkins consegue nos deixar tão confusos quanto Rachel quando as realidades paralelas – se é que podemos chamar assim – se misturam. De certa forma, conhecemos a Rachel A (da realidade em que Jimmy morreu), depois Rachel B (da realidade em que Jimmy não morreu) e, por fim, Rachel A inserida na realidade da Rachel B. Deu pra entender, né? 😂 Entretanto, acredito que a autora tenha dedicado tempo demais ao momento de confusão da “Rachel A”, com muitas e muitas páginas desenvolvendo sua estranheza com aquele mundo e sua tentativa de retornar ao velho. Isso torna a reação dela verossímil? Talvez. Mas quando você vive uma vida terrível e tem a chance de recomeçar, você realmente tentaria voltar? Eu, no lugar dela, acho que não. E todo esse plot de Rachel tentando se conectar com sua “verdadeira realidade” acaba sendo um pouco cansativo, porque não ajuda a conferir carisma à protagonista-narradora.

Com o passar das páginas, Rachel tem a oportunidade de se aproximar de uma versão adulta de Jimmy e finalmente confrontar uma situação que todos ao seu redor já tinham percebido, menos ela: o sentimento que o rapaz sempre nutriu a vida toda pela melhor amiga. Na nova realidade, Rachel tem a chance de visualizar como as coisas poderiam ser entre eles e percebe que Jimmy – ou melhor, seus sentimentos por ele – sempre foram a resposta para tudo que ela viveu desde o acidente. E, já que o rapaz está em pauta, devo dizer que o personagem é um amor, mas não causa o mesmo impacto da linha do tempo “original”. Acontece que o relato de Rachel sobre a noite do acidente deixou a importância de Jimmy tão evidentes que o apego foi instantâneo – assim como a dor que sentimos quando descobrimos que ele se foi.

resenha uma curva no tempo

Apesar do romance ser um aspecto importante da trama, meu conselho pra vocês é o seguinte: não se deixem enganar pela capa e pela sinopse, essa não é só uma história de amor. Eu me mantive desconfiada durante a leitura inteira e simplesmente não consegui comprar aquilo que Rachel estava vivendo como real. A verdade é que o livro fala sobre perda, escolhas, a importância da família e o quanto, muitas vezes, gostaríamos de ter uma segunda chance na vida. Além disso, a obra também mostra a importância de abrir o coração, falar o que sente e ser honesto consigo mesmo. Nunca sabemos qual será a próxima oportunidade de fazê-lo, então cada dia importa e cada momento é único, justamente por sua fugacidade. O final do livro é um pouco previsível, pois as pistas estavam todas lá, no decorrer das páginas. Ainda assim, é impossível não concluir a leitura com um misto de tristeza e conformidade, pois ele nos faz pensar que talvez tenha sido melhor daquele jeito. Afinal, na situação apresentada pela obra, o que é melhor: viver uma realidade esmagadora ou aquilo que você sempre sonhou, ainda que com sacrifícios? Portanto, o fim acaba tendo um sabor agridoce.

Falando um pouco sobre o que não curti na obra: existem alguns erros de continuidade ao longo do livro (por exemplo: uma hora a Rachel fala em cinco anos e em outro, sete). Também menciona que jamais revelaria x informação ao pai, e páginas depois ela o faz. São pequenos detalhes que não chegam a atrapalhar a trama, mas os notei. Outro aspecto não tão legal diz respeito ao fato de que as coisas demoram a “pegar no tranco”, especialmente pela confusão experimentada por Rachel A ao acordar na realidade B. O livro se demora muito nisso e, somado ao fato de que a narrativa de Dani Atkins é mais poética e trabalhada, a leitura não foi tão ágil quanto eu esperava.

Em suma, Uma Curva no Tempo me agradou bastante, mesmo não entrando para o meu hall de favoritos. É um livro tocante, que utiliza uma situação triste para trazer belas lições. Se você gosta de romances dramáticos, vale a pena dar uma chance. Porém, prepare-se para as eventuais lágrimas que surgirem pelo caminho. 😉

Título Original: Fractured
Autor: Dani Atkins
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 240
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Resenha: Uma Noiva Para Winterborne – Lisa Kleypas

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim compartilhar minha opinião sobre Uma Noiva Para Winterborne, segundo volume da série Os Ravenels.

uma noiva para winterborne lisa kleypasGaranta o seu!

Sinopse: Rhys Winterborne conquistou uma fortuna incalculável graças a sua ambição ferrenha. Filho de comerciante, ele se acostumou a conseguir exatamente o que quer – nos negócios e em tudo mais. No momento em que conhece a tímida aristocrata lady Helen Ravenel, decide que ela será sua. Se for preciso macular a honra dela para garantir que se case com ele, melhor ainda. Apesar de sua inocência, a sedução perseverante de Rhys desperta em Helen uma intensa e mútua paixão. Só que Rhys tem muitos inimigos que conspiram contra os dois. Além disso, Helen guarda um segredo sombrio que poderá separá-los para sempre. Os riscos ao amor deles são inimagináveis, mas a recompensa é uma vida inteira de felicidade.

No primeiro livro da série, Helen Ravenel e Rhys Winterborne ficaram noivos. Eles se aproximaram após o acidente de trem que Rhys e Devon sofrem, e é Helen quem se dedica a cuidar do visitante. Entretanto, após um mal-entendido, o noivado é rompido e há uma tremenda briga entre Devon e Rhys. No início de Uma Noiva Para Winterborne, Helen está disposta a reverter o que aconteceu e reatar o noivado.

Uma Noiva Para Winterborne já inicia quebrando paradigmas. Helen é uma moça tímida, gentil e delicada, mas vai contra todas as normas sociais ao aceitar dormir com Rhys para garantir a ele que não desistirá do casamento. Essa é a condição que ele impõe para acreditar nas intenções da moça de não abandoná-lo (porque, apesar de não admitir logo de cara, Rhys está perdidamente apaixonado por Helen). Se eu gostei disso? Olha, não muito. Não por motivos puritanos, longe disso, mas sim porque eu não sou muito fã de ultimatos. Acho meio chato que Helen tenha tido que perder a virgindade “coagida” (entre aspas, porque sei que ela queria dormir com ele), de modo a garantir o casamento.

Porém, esse é o único momento em que Rhys se parece com o homem implacável apresentado no volume anterior. Acho que a personalidade do Rhys (de homem de negócios brusco e carrancudo a alguém gentil, atencioso e apaixonado) mudou rápido demais. Ele não demora a se revelar um homem amoroso, cuidadoso e disposto a fazer de tudo para que Helen seja feliz. Isso é apaixonante? Com certeza! Mas achei muito brusco. A personalidade dele muda tanto que eu tenho dificuldade de pensar nele como o tal “comerciante ferrenho e galês incapaz de gentilezas” que a série até então tinha tentado “vender”.

As cenas de romance entre os dois me pareceram mais preguiçosas do que as outras que já li de Lisa, tanto nos Ravenels quanto nas Quatro Estações do Amor. Parecia uma coisa meio “tá, vocês já sabem o que acontece” (mas isso não chegou a me incomodar, é mais uma observação mesmo). Ah, outra coisa que notei (e essa sim me incomodou): erros de revisão. Tem uma cena específica em que uma personagem muda de nome três vezes: é chamada de Agatha, depois Agnes, depois Agatha de novo. Poxa, Arqueiro. 😂

resenha uma noiva para winterborne

Esses pontos foram as únicas coisas que me desagradaram ao longo da leitura. Amei o resto da trama, as interações entre os personagens e, principalmente, Helen! ❤ Que protagonista incrível. Apesar de tímida e negligenciada a vida toda, ela floresceu ao longo do livro e amadureceu muito, tomando as próprias decisões independentemente do que os outros pensariam dela. Ela escolhe seu caminho e vai até o fim, determinada, assumindo as consequências. Helen é admirável, demonstrando como gentileza e delicadeza não impedem atitudes fortes e destemidas.

Os personagens secundários também são ótimos. Adorei Garrett Gibson, uma médica a frente de seu tempo que passa a trabalhar na Winterborne’s (e protagonizará o quarto volume da série). Também amei rever Devon e Kathleen, que estão mais unidos do que nunca. ❤️ Aproveito para repetir: Devon é um homão da porra! Me apaixonei por ele desde o livro anterior. Por fim, foi ótimo rever as gêmeas (grande fonte de apoio a Helen) e o querido primo West.

Falando um pouco sobre a trama, achei muito interessante que ela não seja focada unicamente no romance, trazendo também seus mistérios. Há um grande segredo sobre o passado de Helen que paira acima de sua cabeça durante boa parte do livro, assombrando-a em relação ao futuro. Ficamos com medo pela personagem e curiosos para saber como tudo vai se desenrolar. Mas é justamente essa trama que dá o pontapé a uma das atitudes mais corajosas da protagonista.

Eu gostei DEMAIS de Uma Noiva Para Winterborne, apesar de ainda preferir Um Sedutor Sem Coração. O livro consegue equilibrar cenas românticas com personagens fortes e reviravoltas muito interessantes, que causam grande amadurecimento aos envolvidos. Lisa Kleypas tem ganhado meu coração a cada livro, e a série Os Ravenels é uma ótima pedida se você também gosta de romances de época. Recomendo muito!

P.S.: eu ODIEI essa capa! 😂 A Helen parece um fantasma prestes a assombrar o casarão HAHAHA!

Título Original: Marrying Winterborne
Série: Os Ravenels
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 336
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Resenha: Vox – Christina Dalcher

Oi gente, tudo bem?

No final de setembro eu recebi da Editora Arqueiro o convite para ler Vox, um de seus lançamentos mais comentados, e hoje eu vim contar pra vocês o que achei dessa distopia. Aproveito também para agradecer à Editora Arqueiro pelo convite e pela confiança, foi um grande prazer realizar essa leitura. ❤

vox christina dalcher.pngGaranta o seu!

Sinopse: O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade. Esse é só o começo… Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir. Mas não é o fim. Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.

É impossível não notar as semelhanças de Vox com O Conto da Aia, do conteúdo às cores da capa. O primeiro tem nítidas inspirações no segundo: um governo autoritário baseado no extremismo religioso (aqui conhecido como Movimento Puro), a retirada dos direitos civis das mulheres, uma protagonista que rememora o passado e não consegue acreditar como as coisas chegaram àquele ponto. Entretanto, de certo modo, Vox é menos “radical” que a obra de Atwood. Explico: nesta distopia, as mudanças que ocorrem na sociedade são muito mais próximas da nossa realidade. As mulheres são excluídas da força de trabalho e passam a ter uma quantia contada de palavras por dia (caso ultrapassem o número 100, levam choques), mas têm permissão de conversar entre si – com essa limitação, é claro –, manter suas casas e também suas famílias. Essa proximidade com a nossa realidade torna Vox um livro tão assustador quanto O Conto da Aia, justamente porque é muito fácil e possível imaginar as coisas acontecendo do modo como é descrito por Christina Dalcher.

O primeiro terço do livro nos dá muitos tapas na cara. Jean McClellan, a protagonista, foi uma renomada cientista que agora se vê presa aos indesejados afazeres domésticos. Enquanto relembra seu passado, uma personagem muito importante se faz presente em seus pensamentos: Jackie, sua antiga colega de quarto e ativista feminista. Em diversos momentos, as duas tiveram diferenças ideológicas na juventude, especialmente porque Jackie insistia na importância de se posicionar contra o retrocesso, enquanto Jean preferia estudar e focar na própria vida acadêmica. Existe um momento do livro em que Jean relembra, inclusive, que não votou nas eleições para presidente, e agora reflete as consequências disso no governo autoritário que ela é obrigada a aceitar. Ela é a típica cidadã comum que pensa que “não vai dar nada” e que acaba se omitindo para manter a consciência tranquila. Conseguem perceber semelhanças com a realidade? Enquanto eu lia Vox, foi inevitável refletir sobre o contexto político brasileiro e os retrocessos que pairam sobre nós. Pra mim, foi apavorante.

Por mais que o início do livro seja uma sequência de socos no estômago e relatos desconfortáveis, ele provoca e nos faz refletir. Eu fiquei totalmente imersa nos relatos de Jean sobre o presente e sobre o passado, por mais que a inquietude também estivesse ali. Infelizmente, da metade para o final o livro ganha um rumo completamente diferente. Após um acidente, o irmão do Presidente Myers desenvolve afasia de Wernicke (tema do estudo de Jean antes das mudanças políticas), e ela é recrutada para fazer parte da equipe que deve curá-lo. Essa afasia, causada por um dano cerebral, faz com que o indivíduo não consiga interpretar as palavras, muito menos proferi-las de modo que façam sentido. Depois de relutar, Jean aceita a proposta e passa a trabalhar com sua antiga chefe, Lin, e Lorenzo, seu amante. A partir desse momento, Vox perde um pouco de seu tom reflexivo e provocativo, ganhando ares de um livro de espionagem. Jean descobre diversos segredos do governo e, junto de seus colegas (especialmente Lorenzo), decide agir. O terço final do livro destoa completamente do resto: as sequências são corridas, cheias de Deus ex-machina e não trazem a verossimilhança que tanto elogiei no início da trama. Vox acaba deixando de lado as questões morais e políticas para focar em sequências mal desenvolvidas com uma pegada de livro de ação/policial.

resenha vox christina dalcher.png

Falando um pouco sobre os personagens agora: eu não aprovo traição e, portanto, não consegui achar certo o relacionamento de Jean e Lorenzo. Porém, esse aspecto da vida da protagonista não me fez odiá-la, ou ao próprio Lorenzo. A Jean é uma personagem cheia de privilégios, mas só se dá conta disso quando é tarde demais. Ela tem defeitos e qualidades, o que faz dela alguém bastante real. Ela sofre ao assistir os homens de sua vida (principalmente o marido, Patrick, e os três filhos) vivendo normalmente, tendo a capacidade de falar sem restrições, enquanto ela e a filha mais nova, Sonia, precisam contar cada palavra. Ela se esforça para não odiá-los, mas irracionalmente a mágoa toma conta dela, especialmente porque Patrick demonstra certa apatia durante boa parte da trama. Somando tudo isso ao fato de que ela vive uma paixão avassaladora por Lorenzo, é fácil perceber que seu casamento é sustentado apenas por obrigação, já que o governo não permite que mulheres vivam sozinhas.

E já que o assunto são os personagens, novamente devo mencionar Jackie. Ela é aquela mulher vista como histérica pelas pessoas, especialmente por sua ênfase discursiva ao falar sobre privilégios masculinos. De certo modo, é o estereótipo de “feminista” que as pessoas costumam utilizar pejorativamente. Entretanto, a verdade é que Jackie tem a visão que faltava a Jean, percebendo muito antes os movimentos da sociedade rumo ao retrocesso. Sua determinação em protestar e abrir os olhos das pessoas à sua volta era extremamente necessária mas, infelizmente, as pessoas se recusaram a ouvir. Pra mim, Jackie é alguém muito lúcida e com motivos muito coerentes para sentir tanta raiva; afinal, como não sentir raiva quando seus direitos são ameaçados?

Vox é um livro com uma premissa excelente e uma narrativa muito boa. Só não dou nota máxima por causa do final mesmo, que é um tanto forçado e abrupto, ainda mais comparado ao início da trama. Apesar disso, recomendo demais a leitura! Os acontecimentos narrados por Jean são incômodos e revoltantes, mas não impossíveis. Livros como Vox são cada vez mais necessários, especialmente quando observamos o conservadorismo ganhando voz em diversas partes do mundo, inclusive aqui. E é nossa responsabilidade não ficar em silêncio.

Título original: Vox
Autor: Christina Dalcher
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Um Sedutor Sem Coração – Lisa Kleypas

Oi pessoal, como estão?

E quem diria que eu estaria toda interessada em romances de época, depois de ter demorado tanto para conhecê-los? 😀 Pois é! E hoje vim resenhar Um Sedutor Sem Coração, o primeiro livro da nova série da Lisa Kleypas, Os Ravenels.

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Sinopse: Devon Ravenel, o libertino mais maliciosamente charmoso de Londres, acabou de herdar um condado. Só que a nova posição de poder traz muitas responsabilidades indesejadas – e algumas surpresas. A propriedade está afundada em dívidas e as três inocentes irmãs mais novas do antigo conde ainda estão ocupando a casa. Junto com elas vive Kathleen, a bela e jovem viúva, dona de uma inteligência e uma determinação que só se comparam às do próprio Devon. Assim que o conhece, Kathleen percebe que não deve confiar em um cafajeste como ele. Mas a ardente atração que logo nasce entre os dois é impossível de negar. Ao perceber que está sucumbindo à sedução habilmente orquestrada por Devon, ela se vê diante de um dilema: será que deve entregar o coração ao homem mais perigoso que já conheceu?

Após a morte de um primo, o boêmio Devon Ravenel se vê como herdeiro de um título de nobreza e um condado cheio de dívidas. Agora conde Trenear, seu único objetivo é vender o Priorado Eversby e se livrar das responsabilidades o mais breve possível. Entretanto, seus planos vão por água abaixo quando ele conhece a viúva do primo, lady Kathleen. A moça mora com as três cunhadas na casa do ex-marido, com quem ficou casada apenas três dias antes do fatídico acidente que o matou. E, após algumas discussões acaloradas – e uma atração irresistível –, Devon decide manter o condado e assumir aquilo que sempre temeu: responsabilidades.

Esse livro já me chamou a atenção por ser bem mais longo que os volumes da série As Quatro Estações do Amor (meu primeiro contato com Lisa Kleypas). Portanto, aqui a história se desenrola de modo bem mais gradual. Após ser confrontado por Kathleen, Devon encara o desafio de assumir o condado. Para isso, o personagem – antes um libertino beberrão e inconsequente – precisa amadurecer, estudar, trabalhar muito e se dedicar às suas novas atribuições. Kathleen, por outro lado, é uma personagem bastante obstinada e de espírito vigoroso, mas que precisa assumir um manto de luto e a compostura de uma viúva. O grande problema nisso é que ela foi cortejada pelo falecido marido por poucos meses e ficou casada apenas três dias: ou seja, ela mal o conhecia. Com o passar das páginas, Devon vai sendo influenciado pelo senso de responsabilidade de Kathleen, enquanto ela vai relaxando e abrindo mão de algumas convenções sociais por influência dele.

Outro personagem que vale mencionar é West, irmão de Devon. O rapaz inicia o livro como alguém sem propósito, totalmente contrário à decisão do irmão de manter a propriedade. O desenrolar da trama traz profundas transformações em sua personalidade, que ganha uma nova motivação de vida ao se envolver com o dia a dia dos arrendatários do condado. West é alguém que cresce muito ao longo do livro, e é impossível não se apaixonar por ele! Sua amizade fraternal com Kathleen também é comovente, e eu gosto muito dos dois. As irmãs do falecido conde também são fofas: elas viveram a maior parte da vida reclusas, em função do luto (primeiro, pelos pais; depois, pelo irmão). Helen é uma moça doce, gentil e refinada; as gêmeas, Pandora e Cassandra, são inseparáveis e divertidas.

resenha um sedutor sem coração lisa kleypas.png

Preciso fazer uma ressalva em relação ao título! 😛 Para mim, Devon não tem absolutamente NADA de “sedutor sem coração”. Apesar de ter dificuldade em perceber que deseja se casar, o sentimento dele por Kathleen rapidamente se mostra verdadeiro e intenso. Devon é um homem apaixonado, que se esforça continuamente para fazê-la feliz. Desde a decisão de manter sua propriedade, o Priorado Eversby, até uma cena específica em que ele age como um verdadeiro herói, o protagonista demonstra seu bom coração e sua índole honrada. Pronto, defesa ao Devon feita! 😂 Ele é ótimo, e tenho dito hahaha!

O romance de Devon e Kathleen não foi arrebatador, daqueles que tiram o nosso fôlego. A personagem tem traumas relacionados a abandono e foi muito maltratada pelo marido, mesmo na brevidade de seu casamento. O bonito da relação dela com Devon é a paciência dele em lidar com ela, e o modo como as coisas mudam entre eles conforme o tempo passa e o respeito cresce. Pra mim, é o maior mérito da relação dos dois, muito mais que a paixão arrebatadora.

Acredito que o livro poderia ser um pouco mais curto do que ele é, de modo a tornar os acontecimentos mais ágeis. Entretanto, o lado positivo é que a personalidade e a relação entre os personagens se constrói de modo gradual e verossímil. Isso se aplica ao casal protagonista, mas também a West com as meninas e Helen com Winterborne (um amigo de Devon, com quem o protagonista deseja que Helen se case). Isso demonstra a preocupação de Lisa Kleypas em construir a relação dos personagens dessa e das próximas histórias da série, o que acho ótimo.

Em suma, Um Sedutor Sem Coração inicia com o pé direito a nova série de Lisa Kleypas, trazendo personagens bem construídos, que crescem e amadurecem conforme a história evolui. Recomendo a todos os fãs de romances de época! ❤

Título Original: Cold-Hearted Rake
Série: Os Ravenels
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 320
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Resenha: Uma Noite Inesquecível – Lisa Kleypas

Oi galerinha, tudo bem? 😀

Depois de concluir a história das quatro Flores Secas originais em As Quatro Estações do Amor, Lisa Kleypas trouxe mais um volume a essa série fofíssima: Uma Noite Inesquecível. Vamos conferir o que eu achei? 😉

uma noite inesquecivel lisa kleypasGaranta o seu!

Sinopse: O Natal está se aproximando e Rafe Bowman acaba de chegar a Londres para uma união arranjada com Natalie Blandford. Com sua beleza estonteante e o físico imponente, ele tem certeza de que a linda aristocrata logo cairá a seus pés. No entanto, seus terríveis modos americanos e sua péssima reputação de farrista deixam Hannah, a prima da moça, chocada. Determinada a proteger Natalie, ela vai tornar a tarefa de cortejar a jovem muito mais difícil do que Rafe esperava. Hannah, porém, logo começa a se importar mais do que gostaria com o rude pretendente da prima. Rafe, por sua vez, passa a apreciar um pouco demais a companhia de Hannah, uma mulher forte e pragmática com um coração doce e gentil. E quando Daisy, Lillian, Annabelle e Evie, quatro amigas inseparáveis que já conseguiram encontrar o homem de seus sonhos, decidem agir como cupidos, quem sabe o que pode acontecer?

O mocinho dessa história de amor é Rafe Bowman, irmão mais velho de Lillian e Daisy. O rapaz vem à Inglaterra para cortejar a bela Natalie Blandford, uma jovem aristocrata com quem deve se casar. Entretanto, ele encontra um obstáculo em seu caminho: Hannah, a acompanhante e prima da jovem. Hannah cresceu com os Blandford e tem muito carinho por Natalie, desejando que a prima case com alguém à sua altura – e Rafe, com seus modos grosseiros e americanizados, bem como seu histórico libertino, com certeza não se encaixa nos pré-requisitos. Entretanto, uma fagulha inesperada se acende entre Rafe e Hannah, o que pode colocar tudo a perder.

O maior defeito deste livro é ele ser tão curto! Eu adorei Rafe e Hannah, e sua dinâmica de gato e rato é encantadora. Rafe é um homem impulsivo, despreocupado e divertido – entretanto, sofre uma cobrança sem tamanho por parte de seu pai, Thomas Bowman. A pressão para atingir as altas expectativas do pai é algo que sempre o acompanha (sendo também o motivo para ele cortejar Natalie). Hannah, por outro lado, é uma jovem dedicada, modesta e leal. É nítido seu sentimento genuíno por Natalie, ainda que esta seja uma personagem bem temperamental. As passagens em que as duas interagem contêm cenas bem engraçadas, especialmente quando Natalie demonstra o seu lado mais “travesso”, desconcertando Hannah e seus modos “puritanos”.

resenha uma noite inesquecivel lisa kleypas.png

O livro acaba focando um pouco demais em Lillian e Westcliff, o que eu julguei desnecessário. Pra mim, não havia motivos para esses personagens terem tanto espaço novamente (ainda mais que eu não tenho mais simpatia por Lillian). Também existe uma questão importante envolvendo os sentimentos de Natalie, mas que me deixou bem satisfeita. Todos os casais que são mostrados ao longo das (poucas) páginas tiveram um desfecho que me deixou contente, o que foi positivo. Mas, em função disso, o casal principal acabou tendo menos destaque do que deveria, o que é uma pena (considerando o quão carismáticos Rafe e Hannah são). 😦 Ah! Outra coisinha que me incomodou durante a leitura, e que eu já havia comentado em Escândalos na Primavera, é a questão da cronologia estranha, algo meio recorrente na série que se repete aqui.

Uma Noite Inesquecível demonstra mais uma vez a habilidade de cupido das Flores Secas, que adotam Hannah nesse grupo tão cativante. O livro também reforça a capacidade de Lisa Kleypas de criar uma história leve, divertida e repleta de muito romance. Apesar de curto, o livro é um spin-off digno da série de origem. 🙂

Título Original: A Wallflower Christmas
Série: As Quatro Estações do Amor
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 144
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Resenha: Sedução da Seda – Loretta Chase

Oi pessoal, tudo bem?

Cá estou, novamente me aventurando pelos romances de época, um gênero que recentemente tem ganhado meu coração. O livro da vez é Sedução da Seda, o primeiro volume da série As Modistas, escrita por Loretta Chase. 😉

sedução da seda loretta chase.pngGaranta o seu!

Sinopse: Talentosa e ambiciosa, a modista, Marcelline Noirot, é a mais velha das três irmãs proprietárias de um refinado ateliê londrino. E só mesmo seu requinte impecável pode salvar a dama mais malvestida da cidade: Lady Clara Fairfax, futura noiva do Duque de Clevedon. Tornar-se a modista de Lady Clara significa prestígio instantâneo. Mas, para alcançar esse objetivo, Marcelline primeiro deve convencer o próprio Duque de Clevedon, um homem cuja fama de imoralidade é quase tão grande quanto sua fortuna. O Duque se considera um especialista na arte da sedução, mas Madame Noirot também tem suas cartas na manga e não hesitará em usá-las. Contudo, o que se inicia como um flerte por interesse pode se tornar uma paixão ardente. E Londres talvez seja pequena demais para conter essas chamas.

Marcelline Noirot é uma modista inglesa (ou seja, uma pessoa que desenha e cria roupas, semelhante ao que hoje chamamos de estilista) de grande talento. Junto das três irmãs mais novas, administra a Maison Noirot, um atelier que Marcelline luta para fazer prosperar. Para obter prestígio, a modista parte rumo a Paris, com o objetivo de conhecer e encantar o libertino Duque de Clevedon – com o único e exclusivo objetivo de ser escolhida como a modista que vestirá a futura Duquesa. Porém, durante a viagem, uma atração irresistível surge entre os dois, e Clevedon não mede esforços para seduzi-la, o que pode colocar os planos de Marcelline a perder.

Esse é o plot que guia a trama de Sedução da Seda. Marcelline é uma mulher cheia de responsabilidades: ela tem uma filha pequena (cujo pai já é falecido) e três irmãs mais novas que dependem do sucesso da Maisot Noirot. Vinda de uma família de picaretas, Marcelline e as irmãs nunca tiveram estrutura familiar e amparo, sendo necessário que a protagonista aprendesse desde muito cedo a se virar sozinha. O Duque de Clevedon, por outro lado, está acostumado a ter tudo que deseja, como os típicos nobres da época. Prometido à Lady Clara Fairfax desde a infância, o Duque resolveu passar uma temporada em Paris antes de se casar. Por lá, sua vida era rodeada por mulheres, bebedeiras e extravagâncias. Quando Marcelline, uma mulher misteriosa, bela e graciosa surge em seu caminho, ele fica estupefato e tomado pelo desejo de seduzi-la. E, por mais que Marcelline sinta-se atraída pelo Conde, ela sabe que não pode colocar seu negócio em risco.

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Admito pra vocês que, de início, não curti muito a trama. O fato de Marcelline ficar repetindo “eu sou a maior modista do mundo” o tempo todo me irritou e me fez revirar os olhos para a personagem diversas vezes. Também achei um pouco inverossímil a postura excessivamente pra frentex dela, considerando a época. Se hoje, em pleno século XXI, as mulheres se veem oprimidas por diversos padrões, naquela época, então, nem se fala. Mas ok, dá pra relevar em nome da ficção. 😛 Também não gostei de ler as diversas traições de Clevedon a Clara – por mais que os mocinhos de romances de época sejam experientes sexualmente, em Sedução da Seda ficou mais explícito que Clevedon tinha alguém esperando por ele, o que torna suas aventuras sexuais ainda piores.

Os capítulos iniciais são um pouco confusos. O livro começa em Londres, com as meninas da Maison Noirot descobrindo que o Duque de Clevedon vai ficar noivo de Lady Clara. Repentinamente, Marcelline já viajou para Paris para encontrá-lo! Além disso, achei o livro mais longo do que o necessário, especialmente na reta final. Porém, há um aspecto bem interessante na resolução do conflito amoroso: Lady Clara tem um papel bem mais ativo, o que me fez admirar a personagem e seu crescimento.

Falando em crescimento dos personagens, esse é o ponto positivo de que mais gostei nessa leitura. Apesar das minhas ressalvas nos parágrafos anteriores, eu gostei muito de como Loretta Chase constrói as nuances de seus personagens, que vão amadurecendo ao longo das páginas. Conforme a leitura avança e vamos conhecendo mais sobre o passado de Marcelline e Clevedon, algumas coisas passam a fazer sentido e torna-se possível sentir empatia por eles. Marcelline, por exemplo, deixa de ser uma mera trapaceira ambiciosa; ela se revela como uma mulher que faz o que é necessário para manter sua família viva e seu negócio prosperando, pois é uma mulher sozinha em uma época que não facilitava em nada para jovens solteiras ou viúvas. Esse lado mais “humano” da personagem colaborou para que eu passasse a admirar sua obstinação. Clevedon, por outro lado, também cresce em frente aos nossos olhos: sua futilidade vai dando espaço a uma faceta mais altruísta e heróica, ao mesmo tempo em que vai se dando conta de que seus preconceitos em relação a Marcelline (pelo fato dela ser uma lojista) são infundados. O próprio ofício da personagem passa a ser uma característica que o Duque admira, e eu acho comovente quando ele auxilia a Maison Noirot em um momento de grande dificuldade. ❤

Sedução da Seda não fisgou completamente meu coração, mas trouxe uma história que evolui e personagens que crescem juntos. O final é promissor e eu gostei muito da dinâmica do casal no desfecho do livro. Lembro que também não me apaixonei por Segredos de uma Noite de Verão, da Lisa Kleypas, mas insisti e acabei adorando a maior parte da série. Por isso, acredito que lerei o próximo volume da série As Modistas também. Alguém já leu? Me recomendam? Me contem nos comentários! 😀

Título Original: Silk is For Seduction
Série: As Modistas
Autor: Loretta Chase
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 304
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