Resenha: Vox – Christina Dalcher

Oi gente, tudo bem?

No final de setembro eu recebi da Editora Arqueiro o convite para ler Vox, um de seus lançamentos mais comentados, e hoje eu vim contar pra vocês o que achei dessa distopia. Aproveito também para agradecer à Editora Arqueiro pelo convite e pela confiança, foi um grande prazer realizar essa leitura. ❤

vox christina dalcher.pngGaranta o seu!

Sinopse: O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade. Esse é só o começo… Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir. Mas não é o fim. Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.

É impossível não notar as semelhanças de Vox com O Conto da Aia, do conteúdo às cores da capa. O primeiro tem nítidas inspirações no segundo: um governo autoritário baseado no extremismo religioso (aqui conhecido como Movimento Puro), a retirada dos direitos civis das mulheres, uma protagonista que rememora o passado e não consegue acreditar como as coisas chegaram àquele ponto. Entretanto, de certo modo, Vox é menos “radical” que a obra de Atwood. Explico: nesta distopia, as mudanças que ocorrem na sociedade são muito mais próximas da nossa realidade. As mulheres são excluídas da força de trabalho e passam a ter uma quantia contada de palavras por dia (caso ultrapassem o número 100, levam choques), mas têm permissão de conversar entre si – com essa limitação, é claro –, manter suas casas e também suas famílias. Essa proximidade com a nossa realidade torna Vox um livro tão assustador quanto O Conto da Aia, justamente porque é muito fácil e possível imaginar as coisas acontecendo do modo como é descrito por Christina Dalcher.

O primeiro terço do livro nos dá muitos tapas na cara. Jean McClellan, a protagonista, foi uma renomada cientista que agora se vê presa aos indesejados afazeres domésticos. Enquanto relembra seu passado, uma personagem muito importante se faz presente em seus pensamentos: Jackie, sua antiga colega de quarto e ativista feminista. Em diversos momentos, as duas tiveram diferenças ideológicas na juventude, especialmente porque Jackie insistia na importância de se posicionar contra o retrocesso, enquanto Jean preferia estudar e focar na própria vida acadêmica. Existe um momento do livro em que Jean relembra, inclusive, que não votou nas eleições para presidente, e agora reflete as consequências disso no governo autoritário que ela é obrigada a aceitar. Ela é a típica cidadã comum que pensa que “não vai dar nada” e que acaba se omitindo para manter a consciência tranquila. Conseguem perceber semelhanças com a realidade? Enquanto eu lia Vox, foi inevitável refletir sobre o contexto político brasileiro e os retrocessos que pairam sobre nós. Pra mim, foi apavorante.

Por mais que o início do livro seja uma sequência de socos no estômago e relatos desconfortáveis, ele provoca e nos faz refletir. Eu fiquei totalmente imersa nos relatos de Jean sobre o presente e sobre o passado, por mais que a inquietude também estivesse ali. Infelizmente, da metade para o final o livro ganha um rumo completamente diferente. Após um acidente, o irmão do Presidente Myers desenvolve afasia de Wernicke (tema do estudo de Jean antes das mudanças políticas), e ela é recrutada para fazer parte da equipe que deve curá-lo. Essa afasia, causada por um dano cerebral, faz com que o indivíduo não consiga interpretar as palavras, muito menos proferi-las de modo que façam sentido. Depois de relutar, Jean aceita a proposta e passa a trabalhar com sua antiga chefe, Lin, e Lorenzo, seu amante. A partir desse momento, Vox perde um pouco de seu tom reflexivo e provocativo, ganhando ares de um livro de espionagem. Jean descobre diversos segredos do governo e, junto de seus colegas (especialmente Lorenzo), decide agir. O terço final do livro destoa completamente do resto: as sequências são corridas, cheias de Deus ex-machina e não trazem a verossimilhança que tanto elogiei no início da trama. Vox acaba deixando de lado as questões morais e políticas para focar em sequências mal desenvolvidas com uma pegada de livro de ação/policial.

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Falando um pouco sobre os personagens agora: eu não aprovo traição e, portanto, não consegui achar certo o relacionamento de Jean e Lorenzo. Porém, esse aspecto da vida da protagonista não me fez odiá-la, ou ao próprio Lorenzo. A Jean é uma personagem cheia de privilégios, mas só se dá conta disso quando é tarde demais. Ela tem defeitos e qualidades, o que faz dela alguém bastante real. Ela sofre ao assistir os homens de sua vida (principalmente o marido, Patrick, e os três filhos) vivendo normalmente, tendo a capacidade de falar sem restrições, enquanto ela e a filha mais nova, Sonia, precisam contar cada palavra. Ela se esforça para não odiá-los, mas irracionalmente a mágoa toma conta dela, especialmente porque Patrick demonstra certa apatia durante boa parte da trama. Somando tudo isso ao fato de que ela vive uma paixão avassaladora por Lorenzo, é fácil perceber que seu casamento é sustentado apenas por obrigação, já que o governo não permite que mulheres vivam sozinhas.

E já que o assunto são os personagens, novamente devo mencionar Jackie. Ela é aquela mulher vista como histérica pelas pessoas, especialmente por sua ênfase discursiva ao falar sobre privilégios masculinos. De certo modo, é o estereótipo de “feminista” que as pessoas costumam utilizar pejorativamente. Entretanto, a verdade é que Jackie tem a visão que faltava a Jean, percebendo muito antes os movimentos da sociedade rumo ao retrocesso. Sua determinação em protestar e abrir os olhos das pessoas à sua volta era extremamente necessária mas, infelizmente, as pessoas se recusaram a ouvir. Pra mim, Jackie é alguém muito lúcida e com motivos muito coerentes para sentir tanta raiva; afinal, como não sentir raiva quando seus direitos são ameaçados?

Vox é um livro com uma premissa excelente e uma narrativa muito boa. Só não dou nota máxima por causa do final mesmo, que é um tanto forçado e abrupto, ainda mais comparado ao início da trama. Apesar disso, recomendo demais a leitura! Os acontecimentos narrados por Jean são incômodos e revoltantes, mas não impossíveis. Livros como Vox são cada vez mais necessários, especialmente quando observamos o conservadorismo ganhando voz em diversas partes do mundo, inclusive aqui. E é nossa responsabilidade não ficar em silêncio.

Título original: Vox
Autor: Christina Dalcher
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.
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Resenha: Um Sedutor Sem Coração – Lisa Kleypas

Oi pessoal, como estão?

E quem diria que eu estaria toda interessada em romances de época, depois de ter demorado tanto para conhecê-los? 😀 Pois é! E hoje vim resenhar Um Sedutor Sem Coração, o primeiro livro da nova série da Lisa Kleypas, Os Ravenels.

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Sinopse: Devon Ravenel, o libertino mais maliciosamente charmoso de Londres, acabou de herdar um condado. Só que a nova posição de poder traz muitas responsabilidades indesejadas – e algumas surpresas. A propriedade está afundada em dívidas e as três inocentes irmãs mais novas do antigo conde ainda estão ocupando a casa. Junto com elas vive Kathleen, a bela e jovem viúva, dona de uma inteligência e uma determinação que só se comparam às do próprio Devon. Assim que o conhece, Kathleen percebe que não deve confiar em um cafajeste como ele. Mas a ardente atração que logo nasce entre os dois é impossível de negar. Ao perceber que está sucumbindo à sedução habilmente orquestrada por Devon, ela se vê diante de um dilema: será que deve entregar o coração ao homem mais perigoso que já conheceu?

Após a morte de um primo, o boêmio Devon Ravenel se vê como herdeiro de um título de nobreza e um condado cheio de dívidas. Agora conde Trenear, seu único objetivo é vender o Priorado Eversby e se livrar das responsabilidades o mais breve possível. Entretanto, seus planos vão por água abaixo quando ele conhece a viúva do primo, lady Kathleen. A moça mora com as três cunhadas na casa do ex-marido, com quem ficou casada apenas três dias antes do fatídico acidente que o matou. E, após algumas discussões acaloradas – e uma atração irresistível –, Devon decide manter o condado e assumir aquilo que sempre temeu: responsabilidades.

Esse livro já me chamou a atenção por ser bem mais longo que os volumes da série As Quatro Estações do Amor (meu primeiro contato com Lisa Kleypas). Portanto, aqui a história se desenrola de modo bem mais gradual. Após ser confrontado por Kathleen, Devon encara o desafio de assumir o condado. Para isso, o personagem – antes um libertino beberrão e inconsequente – precisa amadurecer, estudar, trabalhar muito e se dedicar às suas novas atribuições. Kathleen, por outro lado, é uma personagem bastante obstinada e de espírito vigoroso, mas que precisa assumir um manto de luto e a compostura de uma viúva. O grande problema nisso é que ela foi cortejada pelo falecido marido por poucos meses e ficou casada apenas três dias: ou seja, ela mal o conhecia. Com o passar das páginas, Devon vai sendo influenciado pelo senso de responsabilidade de Kathleen, enquanto ela vai relaxando e abrindo mão de algumas convenções sociais por influência dele.

Outro personagem que vale mencionar é West, irmão de Devon. O rapaz inicia o livro como alguém sem propósito, totalmente contrário à decisão do irmão de manter a propriedade. O desenrolar da trama traz profundas transformações em sua personalidade, que ganha uma nova motivação de vida ao se envolver com o dia a dia dos arrendatários do condado. West é alguém que cresce muito ao longo do livro, e é impossível não se apaixonar por ele! Sua amizade fraternal com Kathleen também é comovente, e eu gosto muito dos dois. As irmãs do falecido conde também são fofas: elas viveram a maior parte da vida reclusas, em função do luto (primeiro, pelos pais; depois, pelo irmão). Helen é uma moça doce, gentil e refinada; as gêmeas, Pandora e Cassandra, são inseparáveis e divertidas.

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Preciso fazer uma ressalva em relação ao título! 😛 Para mim, Devon não tem absolutamente NADA de “sedutor sem coração”. Apesar de ter dificuldade em perceber que deseja se casar, o sentimento dele por Kathleen rapidamente se mostra verdadeiro e intenso. Devon é um homem apaixonado, que se esforça continuamente para fazê-la feliz. Desde a decisão de manter sua propriedade, o Priorado Eversby, até uma cena específica em que ele age como um verdadeiro herói, o protagonista demonstra seu bom coração e sua índole honrada. Pronto, defesa ao Devon feita! 😂 Ele é ótimo, e tenho dito hahaha!

O romance de Devon e Kathleen não foi arrebatador, daqueles que tiram o nosso fôlego. A personagem tem traumas relacionados a abandono e foi muito maltratada pelo marido, mesmo na brevidade de seu casamento. O bonito da relação dela com Devon é a paciência dele em lidar com ela, e o modo como as coisas mudam entre eles conforme o tempo passa e o respeito cresce. Pra mim, é o maior mérito da relação dos dois, muito mais que a paixão arrebatadora.

Acredito que o livro poderia ser um pouco mais curto do que ele é, de modo a tornar os acontecimentos mais ágeis. Entretanto, o lado positivo é que a personalidade e a relação entre os personagens se constrói de modo gradual e verossímil. Isso se aplica ao casal protagonista, mas também a West com as meninas e Helen com Winterborne (um amigo de Devon, com quem o protagonista deseja que Helen se case). Isso demonstra a preocupação de Lisa Kleypas em construir a relação dos personagens dessa e das próximas histórias da série, o que acho ótimo.

Em suma, Um Sedutor Sem Coração inicia com o pé direito a nova série de Lisa Kleypas, trazendo personagens bem construídos, que crescem e amadurecem conforme a história evolui. Recomendo a todos os fãs de romances de época! ❤

Título Original: Cold-Hearted Rake
Série: Os Ravenels
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 320
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Resenha: Uma Noite Inesquecível – Lisa Kleypas

Oi galerinha, tudo bem? 😀

Depois de concluir a história das quatro Flores Secas originais em As Quatro Estações do Amor, Lisa Kleypas trouxe mais um volume a essa série fofíssima: Uma Noite Inesquecível. Vamos conferir o que eu achei? 😉

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Sinopse: O Natal está se aproximando e Rafe Bowman acaba de chegar a Londres para uma união arranjada com Natalie Blandford. Com sua beleza estonteante e o físico imponente, ele tem certeza de que a linda aristocrata logo cairá a seus pés. No entanto, seus terríveis modos americanos e sua péssima reputação de farrista deixam Hannah, a prima da moça, chocada. Determinada a proteger Natalie, ela vai tornar a tarefa de cortejar a jovem muito mais difícil do que Rafe esperava. Hannah, porém, logo começa a se importar mais do que gostaria com o rude pretendente da prima. Rafe, por sua vez, passa a apreciar um pouco demais a companhia de Hannah, uma mulher forte e pragmática com um coração doce e gentil. E quando Daisy, Lillian, Annabelle e Evie, quatro amigas inseparáveis que já conseguiram encontrar o homem de seus sonhos, decidem agir como cupidos, quem sabe o que pode acontecer?

O mocinho dessa história de amor é Rafe Bowman, irmão mais velho de Lillian e Daisy. O rapaz vem à Inglaterra para cortejar a bela Natalie Blandford, uma jovem aristocrata com quem deve se casar. Entretanto, ele encontra um obstáculo em seu caminho: Hannah, a acompanhante e prima da jovem. Hannah cresceu com os Blandford e tem muito carinho por Natalie, desejando que a prima case com alguém à sua altura – e Rafe, com seus modos grosseiros e americanizados, bem como seu histórico libertino, com certeza não se encaixa nos pré-requisitos. Entretanto, uma fagulha inesperada se acende entre Rafe e Hannah, o que pode colocar tudo a perder.

O maior defeito deste livro é ele ser tão curto! Eu adorei Rafe e Hannah, e sua dinâmica de gato e rato é encantadora. Rafe é um homem impulsivo, despreocupado e divertido – entretanto, sofre uma cobrança sem tamanho por parte de seu pai, Thomas Bowman. A pressão para atingir as altas expectativas do pai é algo que sempre o acompanha (sendo também o motivo para ele cortejar Natalie). Hannah, por outro lado, é uma jovem dedicada, modesta e leal. É nítido seu sentimento genuíno por Natalie, ainda que esta seja uma personagem bem temperamental. As passagens em que as duas interagem contêm cenas bem engraçadas, especialmente quando Natalie demonstra o seu lado mais “travesso”, desconcertando Hannah e seus modos “puritanos”.

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O livro acaba focando um pouco demais em Lillian e Westcliff, o que eu julguei desnecessário. Pra mim, não havia motivos para esses personagens terem tanto espaço novamente (ainda mais que eu não tenho mais simpatia por Lillian). Também existe uma questão importante envolvendo os sentimentos de Natalie, mas que me deixou bem satisfeita. Todos os casais que são mostrados ao longo das (poucas) páginas tiveram um desfecho que me deixou contente, o que foi positivo. Mas, em função disso, o casal principal acabou tendo menos destaque do que deveria, o que é uma pena (considerando o quão carismáticos Rafe e Hannah são). 😦 Ah! Outra coisinha que me incomodou durante a leitura, e que eu já havia comentado em Escândalos na Primavera, é a questão da cronologia estranha, algo meio recorrente na série que se repete aqui.

Uma Noite Inesquecível demonstra mais uma vez a habilidade de cupido das Flores Secas, que adotam Hannah nesse grupo tão cativante. O livro também reforça a capacidade de Lisa Kleypas de criar uma história leve, divertida e repleta de muito romance. Apesar de curto, o livro é um spin-off digno da série de origem. 🙂

Título Original: A Wallflower Christmas
Série: As Quatro Estações do Amor
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 144
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Resenha: Sedução da Seda – Loretta Chase

Oi pessoal, tudo bem?

Cá estou, novamente me aventurando pelos romances de época, um gênero que recentemente tem ganhado meu coração. O livro da vez é Sedução da Seda, o primeiro volume da série As Modistas, escrita por Loretta Chase. 😉

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Sinopse: Talentosa e ambiciosa, a modista, Marcelline Noirot, é a mais velha das três irmãs proprietárias de um refinado ateliê londrino. E só mesmo seu requinte impecável pode salvar a dama mais malvestida da cidade: Lady Clara Fairfax, futura noiva do Duque de Clevedon. Tornar-se a modista de Lady Clara significa prestígio instantâneo. Mas, para alcançar esse objetivo, Marcelline primeiro deve convencer o próprio Duque de Clevedon, um homem cuja fama de imoralidade é quase tão grande quanto sua fortuna. O Duque se considera um especialista na arte da sedução, mas Madame Noirot também tem suas cartas na manga e não hesitará em usá-las. Contudo, o que se inicia como um flerte por interesse pode se tornar uma paixão ardente. E Londres talvez seja pequena demais para conter essas chamas.

Marcelline Noirot é uma modista inglesa (ou seja, uma pessoa que desenha e cria roupas, semelhante ao que hoje chamamos de estilista) de grande talento. Junto das três irmãs mais novas, administra a Maison Noirot, um atelier que Marcelline luta para fazer prosperar. Para obter prestígio, a modista parte rumo a Paris, com o objetivo de conhecer e encantar o libertino Duque de Clevedon – com o único e exclusivo objetivo de ser escolhida como a modista que vestirá a futura Duquesa. Porém, durante a viagem, uma atração irresistível surge entre os dois, e Clevedon não mede esforços para seduzi-la, o que pode colocar os planos de Marcelline a perder.

Esse é o plot que guia a trama de Sedução da Seda. Marcelline é uma mulher cheia de responsabilidades: ela tem uma filha pequena (cujo pai já é falecido) e três irmãs mais novas que dependem do sucesso da Maisot Noirot. Vinda de uma família de picaretas, Marcelline e as irmãs nunca tiveram estrutura familiar e amparo, sendo necessário que a protagonista aprendesse desde muito cedo a se virar sozinha. O Duque de Clevedon, por outro lado, está acostumado a ter tudo que deseja, como os típicos nobres da época. Prometido à Lady Clara Fairfax desde a infância, o Duque resolveu passar uma temporada em Paris antes de se casar. Por lá, sua vida era rodeada por mulheres, bebedeiras e extravagâncias. Quando Marcelline, uma mulher misteriosa, bela e graciosa surge em seu caminho, ele fica estupefato e tomado pelo desejo de seduzi-la. E, por mais que Marcelline sinta-se atraída pelo Conde, ela sabe que não pode colocar seu negócio em risco.

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Admito pra vocês que, de início, não curti muito a trama. O fato de Marcelline ficar repetindo “eu sou a maior modista do mundo” o tempo todo me irritou e me fez revirar os olhos para a personagem diversas vezes. Também achei um pouco inverossímil a postura excessivamente pra frentex dela, considerando a época. Se hoje, em pleno século XXI, as mulheres se veem oprimidas por diversos padrões, naquela época, então, nem se fala. Mas ok, dá pra relevar em nome da ficção. 😛 Também não gostei de ler as diversas traições de Clevedon a Clara – por mais que os mocinhos de romances de época sejam experientes sexualmente, em Sedução da Seda ficou mais explícito que Clevedon tinha alguém esperando por ele, o que torna suas aventuras sexuais ainda piores.

Os capítulos iniciais são um pouco confusos. O livro começa em Londres, com as meninas da Maison Noirot descobrindo que o Duque de Clevedon vai ficar noivo de Lady Clara. Repentinamente, Marcelline já viajou para Paris para encontrá-lo! Além disso, achei o livro mais longo do que o necessário, especialmente na reta final. Porém, há um aspecto bem interessante na resolução do conflito amoroso: Lady Clara tem um papel bem mais ativo, o que me fez admirar a personagem e seu crescimento.

Falando em crescimento dos personagens, esse é o ponto positivo de que mais gostei nessa leitura. Apesar das minhas ressalvas nos parágrafos anteriores, eu gostei muito de como Loretta Chase constrói as nuances de seus personagens, que vão amadurecendo ao longo das páginas. Conforme a leitura avança e vamos conhecendo mais sobre o passado de Marcelline e Clevedon, algumas coisas passam a fazer sentido e torna-se possível sentir empatia por eles. Marcelline, por exemplo, deixa de ser uma mera trapaceira ambiciosa; ela se revela como uma mulher que faz o que é necessário para manter sua família viva e seu negócio prosperando, pois é uma mulher sozinha em uma época que não facilitava em nada para jovens solteiras ou viúvas. Esse lado mais “humano” da personagem colaborou para que eu passasse a admirar sua obstinação. Clevedon, por outro lado, também cresce em frente aos nossos olhos: sua futilidade vai dando espaço a uma faceta mais altruísta e heróica, ao mesmo tempo em que vai se dando conta de que seus preconceitos em relação a Marcelline (pelo fato dela ser uma lojista) são infundados. O próprio ofício da personagem passa a ser uma característica que o Duque admira, e eu acho comovente quando ele auxilia a Maison Noirot em um momento de grande dificuldade. ❤

Sedução da Seda não fisgou completamente meu coração, mas trouxe uma história que evolui e personagens que crescem juntos. O final é promissor e eu gostei muito da dinâmica do casal no desfecho do livro. Lembro que também não me apaixonei por Segredos de uma Noite de Verão, da Lisa Kleypas, mas insisti e acabei adorando a maior parte da série. Por isso, acredito que lerei o próximo volume da série As Modistas também. Alguém já leu? Me recomendam? Me contem nos comentários! 😀

Título Original: Silk is For Seduction
Série: As Modistas
Autor: Loretta Chase
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 304
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Resenha: Escândalos na Primavera – Lisa Kleypas

Olá, meu povo! Tudo certinho?

Chegamos ao último livro da série As Quatro Estações do Amor protagonizado por uma das Flores Secas originais: Escândalos na Primavera. ❤

escandalos na primavera lisa kleypas.pngGaranta o seu!

Sinopse: Daisy Bowman sempre preferiu um bom livro a qualquer baile. Talvez por isso já esteja na terceira temporada de eventos sociais em Londres sem encontrar um marido. Cansado da solteirice da filha, Thomas Bowman lhe dá um ultimato: se não conseguir arranjar logo um pretendente adequado, ela será forçada a se casar com Matthew Swift, seu braço direito na empresa. Daisy está horrorizada com a possibilidade de viver para sempre com alguém tão sério e controlador, tão parecido com seu pai. Mas não admitirá a derrota. Com a ajuda de suas amigas, está decidida a se casar com qualquer um, menos o Sr. Swift. Ela só não contava com o charme inesperado de Matthew nem com a ardente atração que nasce entre os dois. Será que o homem ganancioso de quem se lembrava era apenas fachada e ele na verdade é tão romântico quanto os heróis dos livros que ela lê? Ou, como sua irmã Lillian suspeita, o Sr. Swift é apenas um interesseiro com algum segredo escandaloso muito bem guardado? Escândalos Na Primavera é um presente para os leitores, que podem ter certeza de uma coisa: embora as estações do ano sempre terminem, a amizade desse quarteto de amigas é eterna.

Lillian e Daisy foram, de cara, minhas personagens favoritas lá em Segredos de Uma Noite de Verão. Lillian foi perdendo um pouco do meu apreço, então fiquei ansiosa para conferir a história de Daisy. Confesso que me senti um tantinho decepcionada quando soube que Cam Rohan não seria o par da mais jovem irmã Bowman mas, quando conheci Matthew Swift, esse desapontamento sumiu rapidinho!

Thomas Bowman está cansado de investir em Daisy, que segue solteira. Por isso, ele decide resolver a questão de seu próprio jeito: arranjando um casamento com seu funcionário favorito e braço direito, o americano Matthew Swift. O problema é que Daisy odeia o rapaz: ele é um reflexo de seu pai, um homem fechado e voltado apenas aos negócios. Decidida a encontrar um nobre com quem se casar, Daisy acaba sendo surpreendida ao reencontrar um Matthew mais maduro, gentil e bonito do que se lembrava no passado. Matthew, por sua vez, luta para esconder os sentimentos que nutre por Daisy desde que há conhecera, tantos anos atrás. Contudo, o rapaz possui segredos que o impedem de abrir seu coração, o que cria uma barreira entre eles.

Escandâlos na Primavera é, disparado, o meu livro favorito da série. Daisy é encantadora e divertida, uma protagonista que conquista o leitor. Apesar de sonhadora e cheia de imaginação, ela é prática e pé no chão. E o que dizer de Matthew Swift? Simplesmente o protagonista mais apaixonante da série inteira! ❤ Ele é honrado e genuinamente preocupado com Daisy e sua felicidade. Os segredos que mantêm dela são uma tentativa de protegê-la e, quando vêm à tona, fazem com que a gente se emocione com a fragilidade do personagem e com sua capacidade de abrir o coração. Felizmente para nós, leitores, o romance de Daisy e Matthew não demora a acontecer e eles conseguem rapidamente se entender: ela, aceitando seus sentimentos por ele e deixando seus julgamentos errôneos de lado; ele, enfrentando o passado para finalmente estar com ela e viver seu amor.

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O único defeito do livro em si é o fato de ser o mais curto da série. Queria mais de Daisy e Matthew HAHAHA! 😦 Mas há também um problema recorrente em As Quatro Estações do Amor, que é a falta de revisão (os erros são frequentes demais, Arqueiro!) e a cronologia estranha. Em alguns momentos, Lisa Kleypas faz parecer que poucos meses se passaram de um livro para o outro. Em outros, dá a entender que os acontecimentos tem distância de um ano ou mais! Isso acontece no próximo livro também, Uma Noite Inesquecível. Vacilo, hein? 😦

Além de eu ter amado acompanhar a história curtindo os dois protagonistas (algo que não tinha acontecido em nenhum volume até agora), eu me apaixonei completamente por Matthew. Ele é a personificação de um good guy e, particularmente, gosto muito desse tipo de protagonista masculino! ❤ Carinhoso, honrado, incrivelmente bonito e inteligente: são apenas alguns dos atributos do personagem de que mais gostei em As Quatro Estações do Amor. Sua amizade com Westcliff também é muito bacana de acompanhar (Marcus, inclusive, é o personagem que mais aparece na série, tendo participação relevante em todos os livros).

Encerrando As Quatro Estações do Amor com chave de ouro, Escândalos na Primavera foi o volume que mais me fez suspirar. Lisa Kleypas nos presenteia com um romance puro e verdadeiro entre dois jovens que complementam um ao outro com respeito e admiração e traz um enredo que flui e tem reviravoltas emocionantes em sua reta final. Valeu a pena ter chegado até aqui.

(Fun fact/spoiler +18: reparei que o sexo entre os protagonistas segue um padrão. No primeiro livro, rola depois do casamento. No segundo, antes. No terceiro, depois. No quarto, antes. Pelo visto as irmãs Bowman compartilham a ansiedade de transar HAHAHA!)

Título Original: Scandal in Spring
Série: As Quatro Estações do Amor
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 224
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Resenha: Pecados no Inverno – Lisa Kleypas

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje eu trago pra vocês a resenha do livro mais diferentão da série As Quatro Estações do Amor: Pecados no Inverno. 🙂

pecados no inverno lisa kleypas.pngGaranta o seu!

Sinopse: Do quarteto de amigas, Evangeline Jenner é certamente a mais tímida. E se tornará a mais rica quando receber a herança de seu pai, acamado com tuberculose. Mas Evie não se importa com o dinheiro. Tudo o que deseja é estar ao lado do pai em seus últimos dias. Porém isso só será possível se ela puder escapar da casa dos tios que a criaram. E, para isso, sua única alternativa é casar-se – e rápido. Assim, ela foge no meio da noite para a casa do devasso lorde St. Vincent e lhe propõe casamento em troca de poder cuidar do pai. Para um aristocrata que precisa de dinheiro, essa é uma excelente proposta. Afinal, é difícil conquistar uma moça rica e solteira quando se tem a reputação de Sebastian – trinta segundos a sós com ele arruinariam o bom nome de qualquer donzela. Mas há uma condição na proposta de Evie: uma vez consumado o casamento, eles nunca mais dormirão juntos. Ela não será mais uma mulher descartada por ele com o coração partido. Se Sebastian realmente a deseja em sua cama, terá que se esforçar mais em sua sedução… ou entregar seu coração pela primeira vez na vida.

Eu fiquei muito curiosa com esse título quando percebi, ao final de Era Uma Vez no Outono, que o casal protagonista seria Evie e ninguém mais, ninguém menos Lorde St. Vincent (sim, o vilão do livro anterior). Achava que Lisa Kleypas precisaria rebolar muito pra conseguir transformar um homem que sequestrou a noiva do melhor amigo em um mocinho confiável, por quem os leitores pudessem se apaixonar também. E, em partes, ela conseguiu essa façanha.

Evie procura Sebastian, o Lorde St. Vincent, unicamente por interesse. Ela deseja se casar com ele para escapar do controle que sua família exerce sobre ela e, com isso, voltar a visitar o pai (um rico dono de um clube de jogos que está à beira da morte). St. Vincent aceita de imediato, motivado por duas razões principais: 1) ele está quase falido e precisa de uma esposa rica e 2) fica encantando com as curvas voluptuosas de Evie. Contudo, com o passar do tempo, Sebastian não apenas assume o controle do salão de jogos após o falecimento do sogro como também se dá conta de que o afeto pela esposa cresce desenfreadamente. No caminho dos dois, há a família da jovem e um antigo funcionário do clube de jogos que pode ter mais coisas em comum com Evie do que ela imaginava…

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Uma das maiores qualidades de Pecados no Inverno é que ele é o volume que mais se afasta da fórmula da série. Aqui, o cenário não é Hampshire e a bela mansão de Westcliff, mas sim o clube de jogos do pai de Evie. Também não temos um outro homem lutando pelo coração da protagonista, já que ela se casa logo de início. O único outro rapaz charmoso (além de Sebastian, é claro) é Cam Rohan, que tem por Evie uma afeição fraternal. Eu jurava que ele seria o mocinho do volume seguinte, mas descobri que ele faz parte da série Os Hathaways. Enfim… Por outro lado, um dos pontos negativos (mas que, ainda assim, foge da fórmula pronta dos outros livros) é que As Flores Secas não têm uma participação tão expressiva em Pecados no Inverno, à exceção de Lillian (com quem Sebastian tem uma relação complicada devido ao sequestro).

A grande estrela desse livro é, sem dúvidas, o libertino St. Vincent. Ainda acho que Lisa Kleypas pegou pesado no fato do personagem ter pulado de sequestrador para marido exemplar mas, ainda assim, gostei muito de quem ele se tornou. O personagem não mudou completamente: ele segue malicioso, charmoso e galante, e o flerte segue sendo uma de suas características predominantes. Contudo, com o passar do tempo ele passa a enxergar as qualidades de Evie (sua determinação, sua resiliência e sua gentileza) e se permite se apaixonar. Infelizmente eu não consigo ser muito fã de Evie. Ela é uma personagem querida e muito doce mas, pra mim, é totalmente sem sal. 😦 Não consegui “comprar” toda a personalidade da protagonista que Lisa Kleypas tentou “vender”, sabem?

Pecados no Inverno merece o destaque por ser o livro mais singular da série As Quatro Estações do Amor, evitando as fórmulas prontas que Lisa Kleypas vinha utilizando e se mostrando mais ousado e com reviravoltas mais interessantes. Gostei muito mais dele do que de seus predecessores, ainda que Evie não seja uma protagonista tão carismática. E, apesar das ressalvas (e para a minha própria surpresa), Lisa Kleypas conseguiu rebolar o bastante pra tornar Sebastian um mocinho capaz de conquistar meu coração. 😉 Recomendo!

P.S.: tenho profunda agonia da capa desse livro. É a única que mostra o rosto da modelo, fugindo totalmente do padrão das outras capas! Apesar disso combinar com a vibe do livro, que também é diferente, acabou mais me incomodando mesmo. 😛 Prefiro padrões no que diz respeito a capas de séries literárias hahaha!

Título Original: The Devil in Winter
Série: As Quatro Estações do Amor
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 288
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Resenha: Era Uma Vez no Outono – Lisa Kleypas

Oi pessoal, tudo certo?

Segui me aventurando pelos romances de época e, dessa vez, trago a resenha de Era Uma Vez no Outono, o segundo volume da série As Quatro Estações do Amor.

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Sinopse: A jovem e obstinada Lillian Bowman sai dos Estados Unidos em busca de um marido da aristocracia londrina. Contudo nenhum homem parece capaz de fazê-la perder a cabeça. Exceto, talvez, Marcus Marsden, o arrogante lorde Westcliff, que ela despreza mais do que a qualquer outra pessoa. Marcus é o típico britânico reservado e controlado. Mas algo na audaciosa Lillian faz com que ele saia de si. Os dois simplesmente não conseguem parar de brigar. Então, numa tarde de outono, um encontro inesperado faz Lillian perceber que, sob a fachada de austeridade, há o homem apaixonado com que sempre sonhou. Mas será que um conde vai desafiar as convenções sociais a ponto de propor casamento a uma moça tão inapropriada?

Como eu imaginava, o casal desse volume é Lillian Bowman (a personagem de que mais gostei em Segredos de Uma Noite de Verão) e Marcus Marsden, o conde de Westcliff. O interessante nesse casal é que ambos têm personalidades muito parecidas: são teimosos, obstinados e de personalidade forte. Ao mesmo tempo, não poderiam ser mais diferentes: ela é irreverente, atrevida e impulsiva, enquanto ele é comedido, racional e discreto. Como antagonistas, temos o charmoso e encantador lorde St. Vincent um nobre amigo de Westcliff que está afundado em dívidas e precisa da herança de uma esposa rica e a condessa de Westcliff, mãe de Marcus, que não suporta a ideia da união do casal.

Como comentei na resenha do primeiro livro, minhas expectativas eram maiores para esse volume, justamente por trazer Lillian como protagonista. Contudo, o carisma da jovem não foi suficiente para fazer com que o livro ganhasse meu coração. O primeiro motivo é que as Flores Secas tiveram uma participação muito pequena e senti falta das interações entre elas. O segundo é que as desculpas que a autora tinha para que Lillian ficasse sozinha e esbarrasse em Marcus “por acaso” eram muito manjadas (fanfic feelings). De cara, esses aspectos me incomodaram. Outra coisa chatinha nesse volume, que não identifiquei tanto no anterior, foram os erros de revisão. Poxa, gente, não custa nada dar uma lida mais caprichada na hora de revisar, né?

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Agora, minha maior crítica fica por conta da consumação do romance e da postura de Marcus. Pra falar disso, preciso dar spoilers, então pule para o próximo parágrafo se não quiser ler. Lillian e o conde transam quando a moça está… bêbada! E não, não importa se ela consentiu, se ela demonstrou que queria, se ela teve iniciativa: ele era a pessoa que estava sóbria e era o responsável ali. Em determinada passagem a autora inclusive menciona que Lillian acha que está sonhando. Ou seja, ela não estava em posse de suas plenas faculdades mentais. E eu não consigo concordar com essa atitude de Marcus. E, pra piorar, ela era virgem! Achei extremamente indigno do personagem, que é apresentado como alguém honrado e responsável.

Porém, não tenho apenas críticas a Era Uma Vez no Outono. Lillian realmente é uma personagem mais carismática que Annabelle, então foi mais agradável acompanhá-la nessa história. Ela é engraçada e tem personalidade forte, características que costumo apreciar nos personagens. Marcus é muito bem desenvolvido, pois a autora traz muitos aspectos de seu passado e de sua criação que explicam muito de sua personalidade no presente. Outro aspecto bacana foi a reviravolta no final: foi interessante e me deixou ansiosa para conferir seu desfecho. O epílogo também foi excelente, deixando um gancho que me deixou de boca aberta.

Não sei se comecei minha experiência com os romances de época errados, mas até agora não tenho nada muito “uau” para dizer sobre As Quatro Estações do Amor. Por mais que os livros me deixem entretida e sejam gostosos de ler, não me encantei verdadeiramente pela série até o momento. Não é um livro ruim, mas (assim como o anterior) não é inesquecível.

Título Original: It Happened One Autumn
Série: As Quatro Estações do Amor
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 288
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