Resenha: Mentirosos – E. Lockhart

Oi pessoal, tudo bem?

Para o post de hoje, trago uma resenha de um livro que estava na minha wishlist há muito tempo (graças às resenhas na blogosfera, que super elogiavam a história): Mentirosos, da E. Lockhart.

mentirosos e lockhart.pngGaranta o seu!

Sinopse: Os Sinclair são uma família rica e renomada, que se recusa a admitir que está em decadência e se agarra a todo custo às tradições. Assim, todo ano eles passam as férias de verão numa ilha particular. Cadence — neta primogênita e principal herdeira —, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat são inseparáveis desde pequenos, e juntos formam um grupo chamado Mentirosos. Cadence admira Gat por suas convicções políticas e, conforme os anos passam, a amizade com aquele garoto intenso evolui para algo mais. Mas tudo desmorona durante o verão de seus quinze anos, quando Cadence sofre um estranho acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, depressão, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos. Toda a família a trata com extremo cuidado e se recusa a dar mais detalhes sobre o ocorrido… até que Cadence finalmente volta à ilha para juntar as lembranças do que realmente aconteceu.

A sinopse de Mentirosos já resume muito bem a trama, então não vou explicá-la novamente pra não tornar essa resenha maior do que precisa ser. Vou partir direto para a minha análise da obra. 🙂

A narrativa em primeira pessoa tem um tom poético, reminiscente e melancólico. Existem dois momentos da vida da protagonista que são mais esmiuçados ao longo do livro: o verão dos quinze (ou o verão do acidente) e o verão dos dezessete (o presente). Com o passar das páginas, vamos descobrindo fatos sobre o verão dos quinze que Cadence esqueceu ao mesmo tempo em que vivenciamos com ela o que acontece com sua família no presente. O livro tem um desenrolar lento, ainda que não seja maçante. O problema é que os finais de capítulo não tinham ganchos imperdíveis, então nem sempre eu tinha vontade de prosseguir a leitura (por mais curiosa que estivesse pra saber o que havia acontecido). Isso me fez demorar mais do que pretendia pra terminar Mentirosos, que é um livro curto. As descrições também vem na medida certa, sem exageros. A autora se preocupa muito em trabalhar as relações familiares e os personagens, o que é fundamental para a trama.

Falando em personagens, preciso comentar sobre os quatro Mentirosos. Infelizmente, a narrativa de Cadence não foi o ponto forte. Não consegui me afeiçoar a ela no verão dos quinze, e tampouco no verão dos dezessete. A personagem era uma adolescente apaixonada como qualquer outra, mas depois do acidente ela se vê num looping de sofrimento e autopiedade que não causou grandes emoções em mim. Gat, outro personagem fundamental, tinha tudo para ser interessante: ele era o primeiro amor de Cadence, era questionador, era o “estranho no ninho” na família Sinclair… mas faltou carisma. Mirren não ganhou minha simpatia nem no passado, nem no presente. A menina não parecia ter vontade alguma de questionar seus privilégios, além do comportamento autoritário e mimado. Johnny, por fim, foi meu Mentiroso favorito. Tudo que faltou nos outros três elementos do quarteto foi reunido nele: Johnny é carismático, divertido e envolvente. Em determinado momento, ele também mostra a força de seu caráter. O resto da família Sinclair, infelizmente, não tenho como elogiar. Harris, o avô, é o exemplo do patriarca da “família tradicional”, preconceituoso e preocupado com seu poder em primeiro lugar. As filhas são mulheres fracassadas que não conseguem sair debaixo da asa do pai e precisam se humilhar constantemente para garantir seu sustento – com os luxos a que estão acostumadas. E as crianças menores são pouco desenvolvidas, não tendo grande impacto durante a narrativa.

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Mentirosos traz alguns temas bem interessantes em suas páginas, como a crítica às aparências. E. Lockhart nos mostra uma família decadente, cada vez mais fracassada em diversos aspectos da vida, mas que se recusa a deixar a soberba de lado. A verdade é que os quatro Mentirosos não são os únicos a merecer esse título. Além da crítica a essa “aristocracia” da família Sinclair, a autora também traz discussões (ainda que superficiais) raciais e de classe – principalmente pela voz de Gat, que é o personagem responsável por levar Cadence à reflexão.

O final é simplesmente… arrebatador. A autora faz você pensar em mil possibilidades, traça uma linha que parece a explicação mais plausível para, na revelação final, te mostrar que você estava completamente errado. Quando li o final, tive que parar na mesma hora e, juro pra vocês, fiquei olhando pro teto e pras paredes, atordoada. Senti como se tivesse levado um soco na boca do estômago e perdi o fôlego, então precisei reler várias vezes pra assimilar não apenas o final – mas toda a trajetória. Na hora eu pude entender porque tudo foi contado tão aos poucos, com tantos detalhes que, em um primeiro momento, poderiam parecer preciosistas. Se durante a leitura eu havia pensado “ok, já entendi que os Sinclair são assim”, ao terminar o livro eu soube as razões da autora pra desenvolver a história – e os personagens – da forma que desenvolveu. E como eu sou fã de bons finais (sim, um final ruim pode estragar uma experiência pra mim), esse livro, que já era bom, subiu de patamar, entrou pra lista de leituras que provavelmente não vou esquecer e me causou uma ressaca literária violenta, já que não consigo parar de pensar nele. Mesmo agora, que já comecei a próxima leitura, Mentirosos segue constantemente na minha cabeça.

Mentirosos é um livro com alguns problemas (como a falta de carisma de Cadence e o desenrolar lento da trama), mas faz um excelente trabalho ao construir as relações familiares e apresentar aos poucos as memórias da protagonista. O final é de tirar o fôlego, junta todas as peças soltas e te faz questionar como você não percebeu a verdade antes. Só por esse final eu já recomendo Mentirosos sem pensar duas vezes: vale a pena!

Título Original: We Were Liars
Autor: E. Lockhart
Editora: Seguinte
Número de páginas: 272
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