Review: Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica

Oi pessoal, tudo bem?

A Prime Video, da Amazon, tem atualizações constantes no catálogo, e recentemente Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica – o filme mais recente da Disney Pixar – chegou por lá. Conferi e vim correndo contar pra vocês o que achei. ❤

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Sinopse: Em um mundo transformado, no qual as criaturas não dependiam mais da magia para viver, dois irmãos elfos recebem um cajado de bruxo de seu falecido pai, capaz de trazê-lo de volta à vida. Inexperientes com qualquer tipo de magia, Ian e Barley não conseguem executar o feitiço e acabam gerando uma criatura sem cabeça. Para passar mais um dia com seu pai, eles embarcam em uma jornada fantástica. Ao perceber a ausência dos filhos, sua mãe se une à uma lendária manticora para encontrá-los.

Sinceramente, acho que a sinopse já diz claramente a trama central do filme, então não vou me estender muito nisso. Mas, basicamente, Dois Irmãos se passa em um universo fantástico em que a magia deixou de existir, sendo substituída pela tecnologia. No aniversário de 16 anos do elfo Ian, sua mãe entrega a ele e seu irmão mais velho, Barley, um presente deixado pelo falecido pai, Wilden: um cajado mágico e um feitiço para trazê-lo de volta por 24h. Entretanto, a gema necessária para fazer o feitiço acontecer explode no meio do processo e Ian e Barley acabam tendo o pai… da cintura pra baixo! Eles partem então na missão de encontrar uma nova gema para completar o feitiço e ter o resto do dia com Wilden.

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Eu não exponho muitos detalhes da minha vida pessoal por aqui, mas eu perdi meu pai aos 12 anos. Com isso, acredito que vocês possam imaginar o quanto a trama de Dois Irmãos mexeu diretamente com as minhas próprias lembranças e cicatrizes. A jornada de Ian e Barley em busca de uma oportunidade de rever seu pai, ainda que por pouco tempo, é possivelmente algo que todo mundo que já perdeu um ente querido consegue compreender. Dois Irmãos é, portanto, uma história sobre o luto – e sobre o quanto ele impacta em nossas vidas.

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Ian, o irmão mais jovem, é um rapaz inseguro, cujo buraco causado pela ausência de Wilden (que faleceu antes dele nascer) ocupa um grande espaço em sua vida. Apesar do carinho e do suporte dados pela mãe e pelo irmão, Ian sente que lhe falta um referencial fundamental para entender quem ele realmente é. Esse vazio sentido pelo personagem nos leva às lágrimas logo nos primeiros momentos do filme e marca o desespero dele durante a trama, motivado a conseguir a todo custo a pedra mágica que lhe permitirá completar o feitiço. Barley, por outro lado, tem uma personalidade praticamente oposta à do caçula: o rapaz é otimista, completamente fascinado pelo universo mágico que um dia fez parte do mundo em que vive e é nitidamente o fã número 1 do irmão mais novo. O elfo mais velho, porém, lida com o luto de uma maneira diferente: ele teve a oportunidade de conhecer e conviver brevemente com Wilden, sendo obrigado a dizer adeus cedo demais. E o longa também trabalha essa nuance do personagem conforme a trama avança.

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Apesar da trama parecer mega pesada, Dois Irmãos é também divertidíssimo. Há muitos personagens engraçados (como a manticora que se torna uma aliada da mãe dos meninos na busca pelos dois) e diversas cenas capazes de arrancar risadas (a maioria protagonizada pelas pernas do pai). A mistura de um cenário contemporâneo a criaturas saídas de um livro de conto de fadas medieval também funciona superbem, e o visual de tudo isso impressiona. O que esperar de uma produção Disney Pixar, não é mesmo? Lindeza em cada detalhe, como sempre. Para completar, o longa ainda traz cenas que causam apreensão e nervosismo, tendo um ótimo combo de elementos para um filme do gênero.

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O amadurecimento dos personagens ao longo da trama vale o destaque. Enquanto Ian precisa enfrentar seus medos e assumir mais protagonismo ao longo da jornada, também fica claro que Barley deseja provar o seu valor. Tido como um encrenqueiro, o irmão mais velho tem em si uma inocência e uma energia contagiantes, mas uma tendência nata a arranjar confusões. Na minha opinião, Ian não tem taaanto carisma, e acabei me afeiçoando mais a Barley; sua vontade genuína de mostrar que não é alguém inútil, assim como o carinho e a confiança depositada no irmão caçula, fizeram com que o personagem me conquistasse.

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Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica mexe com as nossas emoções. Apesar de não ter sido a obra recente da Disney Pixar que eu mais amei, a trama conversa diretamente com minhas experiências pessoais, o que me fez sentir muito carinho pelo filme. O final é surpreendente e comovente, e traz uma lição importante: às vezes a gente já tem todo o amor e o referencial que precisa, mesmo sem se dar conta. O amor incondicional e o apoio podem vir de um lugar menos óbvio, ainda que nada substitua o amor e a presença dos pais. Sensível ao lidar com o luto e colocando o amor fraternal no centro da narrativa, Dois Irmãos é um filme que vale a pena ser visto. 

Título original: Onward
Ano de lançamento: 2020
Direção: Dan Scanlon
Elenco: Tom Holland, Chris Pratt, Julia Louis-Dreyfus, Octavia Spencer, Wilmer Valderrama