Resenha: O Lado Bom da Vida – Matthew Quick

Oi gente, tudo bem?

Mais uma leitura dos “não lidos da estante” cumprida com sucesso! \o/ Finalmente li O Lado Bom da Vida, que eu ganhei de presente em 2014. Até então, eu só tinha assistido ao filme (que deu o Oscar de Melhor Atriz a Jennifer Lawrence) e, no post de hoje, vou aproveitar para compará-los. 😉

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Sinopse: Pat Peoples, um ex-professor na casa dos 30 anos, acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Convencido de que passou apenas alguns meses naquele “lugar ruim”, Pat não se lembra do que o fez ir para lá. O que sabe é que Nikki, sua esposa, quis que ficassem um “tempo separados”. Tentando recompor o quebra-cabeça de sua memória, agora repleta de lapsos, ele ainda precisa enfrentar uma realidade que não parece muito promissora. Com o pai se recusando a falar com ele, a esposa negando-se a aceitar revê-lo e os amigos evitando comentar o que aconteceu antes de sua internação, Pat, agora viciado em exercícios físicos, está determinado a reorganizar as coisas e reconquistar sua mulher, porque acredita em finais felizes e no lado bom da vida.

O Lado Bom da Vida nos apresenta a Pat Peoples, um homem que passou os últimos anos da sua vida em uma instituição psiquiátrica e que precisa lidar com o desafio de estar de volta à sociedade. Ele acredita que ficou apenas alguns meses lá e também não sabe por que teve que ir para “o lugar ruim” (como ele o chama), mas isso tampouco importa, porque Pat tem apenas um objetivo: se reconciliar com a ex-mulher, Nikki. Para Pat, os dois estão vivendo um “tempo separados”, mas que vai chegar ao fim assim que ele terminar de se autoaperfeiçoar, já que no passado não fora um bom marido. O mais estranho na situação é que ninguém da família de Pat menciona Nikki, e sua mãe e seu terapeuta o incentivam a seguir em frente com Tiffany, a cunhada do melhor amigo de Pat.

Narrado em primeira pessoa pelo próprio Pat, O Lado Bom da Vida é fácil de ser lido. Os capítulos são curtos e dão velocidade à história, que flui de maneira muito tranquila. O que mais deixa o leitor curioso é entender o que aconteceu entre Pat e Nikki – pois é evidente desde o início que o personagem vive um grande delírio em relação à possibilidade de voltar com a ex-esposa. Queremos saber o que fez com que Pat fosse levado para a instituição psiquiátrica e também descobrir por que ele perdeu a memória em relação aos últimos anos. E foram esses “mistérios” que me mantiveram curiosa em relação à história, mesmo que eu a achasse um pouco maçante em diversos momentos. Porque sim, apesar da fluidez da narrativa, muitas passagens do livro são cansativas e repetitivas. Vou explicar.

O livro é muito focado em Pat tentando conseguir sua sanidade de volta enquanto busca reconstruir suas relações. A mãe e o irmão o apoiam incondicionalmente, mas o pai é um homem rude que mal lhe dirige a palavra. A única coisa que os dois tem em comum é a paixão pelo time de futebol americano Eagles, e esse é um aspecto de grande importância na trama. Perdi a conta de quantas vezes Pat narra o grito de guerra do time ou conta que ele e os outros torcedores levantaram as mãos pro alto e cantaram o hino dos Birds (como são carinhosamente chamados). Em vários capítulos o autor se dedica a falar a respeito de futebol americano, citando jogadas e nomes de jogadores. E isso, pra mim, é extremamente desinteressante. E mesmo que não fosse, acontece com tanta frequência que acaba ficando enfadonho.

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Em contrapartida, é muito bacana o modo como o autor constrói um protagonista com evidentes problemas psiquiátricos com tanta leveza, por mais que ele aborde assuntos difíceis (não sei dizer exatamente quais são os transtornos de Pat, porque não são ditos abertamente, mas acredito que talvez depressão e bipolaridade estejam entre eles). O único problema é que, por mais que Pat seja carismático, ele também é irritante – especialmente quando insiste na ilusão de que sua vida é um filme e que o final feliz está esperando por ele. Porém, como o livro se passa inteiramente sob a perspectiva do protagonista, acabamos simpatizando com o personagem (que tem um bom coração) e torcendo para que ele consiga se curar das feridas emocionais que o assombram.

Os outros personagens não têm tanta função nas páginas. Tiffany, em teoria, é alguém fundamental na trama, sendo a única amiga de Pat e a única pessoa que é capaz de entendê-lo, mas ainda assim aparece muito pouco (os Eagles acabam tendo mais destaque do que ela). Isso me decepcionou, especialmente por ter visto o filme primeiro.

Eu gostei de O Lado Bom da Vida e acho que foi uma experiência válida. Porém, eu gostei mais do filme, que tem mais carisma. O romance e a comédia presentes no longa me fizeram simpatizar muito mais com Pat (e com Tiffany) do que o livro foi capaz, por mais que Matthew Quick seja talentoso. E, se você já leu o livro (ou não se importa com spoilers), aqui seguem as principais diferenças entre a obra original e o longa:

  • A importância dos Eagles na trama é muito maior no livro do que no filme (o que tornou o livro mais cansativo).
  • Enquanto no filme o concurso de dança é um dos principais acontecimentos, no livro ele é apenas um detalhe que motiva outra situação mais importante: a troca de cartas entre Pat e “Nikki”.
  • Tiffany tem muito menos espaço nas páginas do que na tela. O livro é muito mais focado em Pat e menos no romance entre os dois, que só é sugerido no final.
  • Os sobrenomes dos personagens são diferentes no livro e no filme.
  • A família de Pat é muito mais amigável no filme, em especial seu pai.
  • No livro, Pat não tem o lema “excelsior” para lembrá-lo de ser positivo.
  • A razão pela qual Pat e Nikki romperam, que o levou à instituição psiquiátrica, só é revelada no fim do livro, enquanto no filme isso é dito logo de cara.
  • Danny, o amigo que Pat fez na instituição psiquiátrica, só aparece no fim do livro, enquanto no filme ele tem um papel mais importante.

Pelo que me lembro do filme, essas foram as mudanças mais significativas. Você lembra de mais alguma? Me conte nos comentários! 😉

Título Original: The Silver Linings Playbook
Autor: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 256

Review: Como Eu Era Antes de Você (e diferenças do livro!)

Oi gente, tudo bem?

Um dos filmes mais aguardados pela blogosfera finalmente chegou aos cinemas para nos levar às lágrimas: Como Eu Era Antes de Você! ❤
Terminei de ler o livro ontem de manhã e, à tarde, corri pro cinema pra conferir o longa! Por isso, esse review vai ser um pouquinho diferente dos que costumo fazer: no final do post, farei um comparativo com as principais diferenças entre o livro e o filme! 😉 Espero que gostem!

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Sinopse: Rico e bem sucedido, Will (Sam Claflin) leva uma vida repleta de conquistas, viagens e esportes radicais até ser atingido por uma moto, ao atravessar a rua em um dia chuvoso. O acidente o torna tetraplégico, obrigando-o a permanecer em uma cadeira de rodas. A situação o torna depressivo e extremamente cínico, para a preocupação de seus pais (Janet McTeer e Charles Dance). É neste contexto que Louisa Clark (Emilia Clarke) é contratada para cuidar de Will. De origem modesta, com dificuldades financeiras e sem grandes aspirações na vida, ela faz o possível para melhorar o estado de espírito de Will e, aos poucos, acaba se envolvendo com ele.

No filme, somos apresentados a duas pessoas totalmente diferentes: a pacata e tranquila Louisa Clark, de 26 anos, que vive sem grandes ambições, mora com os pais, namora um rapaz para o qual não liga muito (e vice-versa) e trabalha em um café; e Will Traynor, um homem de 35 anos que sofreu um acidente que o deixou tetraplégico. O destino dos dois se encontra quando o café em que Lou trabalha fecha e ela vai trabalhar como cuidadora de Will. Contudo, a convivência é muito difícil: ele não se conforma com a sua situação atual, pois tinha uma vida extremamente ativa (era sócio de uma grande empresa, namorava garotas lindíssimas e tinha um estilo de vida tomado pela adrenalina). Aos poucos, Lou consegue penetrar as barreiras criadas por Will e, juntos, eles vão descobrindo um ao outro.

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Já falei diversas vezes aqui no blog que eu acredito que filmes e livros são mídias diferentes e, portanto, precisam funcionar isoladamente. Contudo, vai ser impossível não fazer algumas comparações nesse review, já que eu terminei a leitura do livro no mesmo dia em que assisti à adaptação no cinema. E já digo a vocês: MUITO do livro não aparece no filme. O enredo em si é o mesmo, grande parte do desenrolar dos fatos também, mas a maneira como as coisas acontecem é muito mais rápida e superficial. Os dramas dos personagens não são aprofundados e o sentimento entre Lou e Will nasce de maneira muito mais rápida. As discussões morais presentes no livro mal aparecem no filme, fazendo com que a complexidade da situação de Will não seja tão bem explorada. Acredito que parte dessa superficialidade tenha sido consequência da duração do filme, que não chega nem a 2 horas. Por isso, algumas situações tiveram que ser adaptadas para que façam sentido – o que felizmente funcionou, já que o filme não tem pontas soltas. Contudo, senti falta dos diálogos entre Will e Lou, no qual ele sempre a incentiva a crescer e a melhorar, instigando a protagonista a ser mais ambiciosa.

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Emilia Clarke nos apresenta uma Lou extremamente feliz, bobinha e quase etérea. Desde os trailers eu já achava que ela seria uma Lou totalmente diferente da do livro, que é mais ácida e interessante. Porém, dentro da proposta, Emilia desempenhou uma boa atuação (apesar de que fiquei agoniada com as sobrancelhas franzidas all the time). Lou é doce e carismática, arrancando gargalhadas do público em diversas cenas do longa. O Will de Sam Claffin teve mais destaque pra mim. Ele é sarcástico e interessante, exatamente como no livro. A tetraplegia também foi extremamente convincente, desde a posição das mãos até o movimento de cabeça. Uma grande diferença em relação aos personagens é a família Clark: no longa, todos são mais carinhosos com Lou. Enquanto no livro as críticas e as piadas de mau gosto em relação a ela estão sempre presentes, no filme todos são mais amáveis – inclusive Treena, sua irmã mais nova, que no filme realmente é uma amiga para Lou.

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A trilha sonora do filme é INCRÍVEL, assim como a fotografia. Todas as músicas se encaixam nas cenas e foram capazes de me fazer chorar. Além disso, as paisagens mostradas no filme são maravilhosas: vemos a tranquilidade do castelo e também a beleza paradisíaca das Ilhas Maurício.

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Bom, resumindo: Como Eu Era Antes de Você cumpre seu papel de emocionar e contar uma linda e trágica história de amor. Porém, o filme é superficial. Os conflitos não são aprofundados, o passado de Lou não é abordado e tudo acontece rápido demais. A reflexão a respeito do poder de escolha fica quase em segundo plano, sendo o filme muito mais focado no romance e na relação de Will e Lou. Se eu gostei do longa? Claro, a história é incrível! Mas recomendo MUITO que vocês leiam o livro, gostando ou não do filme. Ele é muito mais profundo e interessante, e vou falar sobre ele em breve aqui no blog. 😉 No próximo parágrafo vou fazer uma lista das principais diferenças entre o filme e o livro. Tem spoilers! Leia por sua conta e risco, ok?

  • No livro, Lou tem um passado traumático e profundo, que explica muito sua falta de ambição e sua vontade de viver uma vida pacata e igual todos os dias.
  • A relação de Lou com sua família é MUITO complicada e ela sente raiva da irmã, Treena, em diversos momentos. Por causa da família, a personagem passa por muitos problemas ao longo da história. Já no filme, nada disso é trabalhado.
  • Camilla Traynor, no livro, é a pessoa que concordou em levar Will na Dignitas, enquanto no longa ela se recusa terminantemente a aceitar isso.
  • Georgina Traynor não aparece no filme.
  • Patrick, no filme, parece se importar muito mais com Lou do que no livro. Dá até pra acreditar que ele goste mesmo dela. 😛
  • No filme, não vemos Lou conversando com outros tetraplégicos, buscando maneiras de fazer Will mudar de ideia a respeito do suicídio assistido. Consequentemente, a discussão moral a respeito do poder de escolha também fica em segundo plano.
  • No livro, Will incentiva Lou o tempo todo em diversos assuntos: cinema, literatura, ambições. A diferença que ele faz na vida dela é palpável, enquanto no filme isso é abordado de forma muito rasa.

Bom, pessoal, espero ter conseguido dar um panorama geral do filme pra vocês e fazer um bom comparativo pra quem já leu o livro. 🙂
E vocês, lembram de mais alguma diferença? Me contem nos comentários!

Beijos e até semana que vem! ❤

Título original: Me Before You
Ano de lançamento: 2016
Direção: Thea Sharrock
Elenco: Emilia Clarke, Sam Claffin, Janet McTeer, Charles Dance, Jenna Coleman, Matthew Lewis