Review: Mãe!

Oi pessoal, como estão?

Apesar de ter visto Mãe! no cinema, outras pautas acabaram virando prioridade aqui no blog e demorei um pouquinho pra escrever o review. Porém, sem mais delongas, vamos à minha opinião sobre esse filme simbólico e controverso. 😉

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Sinopse: Um casal vive em um imenso casarão no campo. Enquanto a jovem esposa (Jennifer Lawrence) passa os dias restaurando o lugar, afetado por um incêndio no passado, o marido mais velho (Javier Bardem) tenta desesperadamente recuperar a inspiração para voltar a escrever os poemas que o tornaram famoso. Os dias pacíficos se transformam com a chegada de uma série de visitantes que se impõem à rotina do casal e escondem suas verdadeiras intenções.

Infelizmente, eu acabei lendo uma crítica com spoilers (odeio quem não avisa que a resenha tem spoiler) e já sabia qual era a simbologia principal do filme antes de assisti-lo. Achei que isso estragaria minha experiência mas, no fim das contas, fiquei absorta na história mesmo sabendo de antemão qual era a metáfora que o diretor estava fazendo.

Basicamente, Mãe! conta a história de um casal que vive tranquilamente em uma casa isolada. Ele (Javier Barden) é um poeta que enfrenta uma crise criativa; Ela, a Mãe (Jennifer Lawrence), é uma dona de casa devotada ao marido, que está empenhada em reformar a casa onde moram e transformá-la em um paraíso para o casal. A paz da personagem termina quando um visitante misterioso (vou chamá-lo pelo nome do ator, Ed Harris) chega ao local e é convidado pelo anfitrião a passar a noite. Posteriormente, o casal é incomodado novamente: a esposa de “Ed Harris” chega à casa e também se instala – mesmo contra a vontade da Mãe. A chegada dessa dupla misteriosa desencadeia eventos perturbadores.

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O forte de Mãe! não está nessa premissa, mas sim na metáfora e no simbolismo por trás de cada cena. A próxima frase tem spoiler, selecione se quiser ler: o diretor disse que o filme conta a história da Bíblia (de Gênesis ao Apocalipse), mas também existem outras interpretações possíveis. Podemos ver uma crítica ao modo como o ser humano lida com a Terra e os recursos naturais – explorando, machucando, destruindo; podemos também ver também o silenciamento feminino – já que o filme é um grito por socorro por parte da personagem de Jennifer Lawrence, que tem todos os seus pedidos negados. Acredito que cada espectador possa ter tirado uma lição diferente do filme, e isso é o mais interessante sobre o longa: ele te deixa com vontade de falar a respeito depois que você assiste.

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Esse parágrafo tem spoilers, pule para o próximo se não quiser ler. 😉 A metáfora da Bíblia, contudo, é a mais interessante (e óbvia). Ele é um Deus egocêntrico e punitivo, que é apaixonado pela devoção humana. Não sou religiosa e nunca li a Bíblia, mas o pouco que sei e pesquisei me mostrou que no Antigo Testamento essas eram as características de Deus. Depois que a Mãe! engravida e perde o bebê por causa dos seres humanos, vemos o Deus benevolente, que crê que a humanidade merece perdão. No fim, a Mãe (ou a Terra) decide dar um fim a todo aquele ciclo de sofrimento, tortura e massacre.

Tenho que mencionar a atuação de Jennifer Lawrence, que deu tudo de si nesse papel e mostrou do que é capaz. Eu estava um pouco implicante com ela após X-Men: Apocalipse (no qual ela fez da Mística uma versão loira da Katniss), mas em Mãe! ela superou minhas expectativas. Durante todo o filme a expressão da atriz ficou em evidência, já que a câmera acompanhou cada passo seu e toda a narrativa foi dada pelo seu ponto de vista. Com isso, pudemos ver todas as nuances da interpretação: o medo, a fragilidade, a revolta, o sofrimento, a força.

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Mãe! é um filme que não agrada a todos os públicos, principalmente por lidar com tantas simbologias e trazer um tema tão controverso. Pra mim, foi uma experiência instigante e envolvente e, por isso, recomendo! 😉

Título original: Mother!
Ano de lançamento: 2017
Direção: Darren Aronofsky
Elenco:  Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris, Michele Pfeiffer, Brian Gleeson. Domhnall Gleeson, Kristen Wiig