O que eu achei do final de Dark

Oi pessoal, tudo bem?

Uma semana e meia depois da estreia, já podemos falar sobre o final de Dark, né? A aclamada série alemã da Netflix chegou à sua última temporada e, mesmo antes de ser disponibilizada, a crítica já a elogiava como uma verdadeira obra-prima. Obviamente meu hype não poderia estar maior, né? Maratonei a série no fim de semana de estreia e agora vim contar pra vocês o que achei do final. Portanto, obviamente esse post está cheio de spoilers. 😉

As árvores genealógicas fizeram todo mundo de trouxa

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Sim, gente: todo o esforço que fizemos pra saber quem era parente de quem ao longo das idas e vindas temporais foi inútil, falando grosseiramente. No fim das contas, essas conexões pouco tinham a ver com a resolução do problema central (encontrar e acabar com a origem do loop), sendo mais consequência do que causa, já que tais incestos e relações só foram possíveis pelo apocalipse. Quem mais sentiu que fez papel de trouxa levanta a mão! o/

Temporada arrastada, episódio final corrido

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A terceira temporada de Dark investe muito tempo em nos apresentar o mundo alternativo, de onde vem a Martha 2 que salva Jonas no episódio final da temporada anterior. Ficam claros os diversos paralelos, ainda que Jonas não exista no segundo mundo, e a série mostra na prática que o loop sempre encontra uma forma de acontecer. A inevitabilidade do apocalipse é algo que vinha sendo trabalhado há bastante tempo, então esses paralelos fizeram todo o sentido. O problema maior reside no episódio final: somos apresentados a um conceito novo, de um terceiro mundo, que originou as duas dimensões de Jonas e Martha 2. Apesar da existência desse terceiro mundo não ser completamente nonsense – afinal, a triquetra foi o elemento principal do Sic Mundus e da série –, o que espanta é que ele seja apresentado só no último episódio. Com isso, temos apenas 1h pra entender esse conceito, acreditar que ele é o caminho para acabar com a origem e ainda conferir o resultado de todo esse esforço. Achei corrido. :/

Jonas confiando no Adam como se nada tivesse acontecido

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Quando Claudia conta a Adam sobre o mundo original, ele finalmente compreende que o mundo dele e de Eva (a versão idosa da Martha 2) nunca deveriam ter existido, e que a única solução para o loop temporal era impedir a origem (sobre a qual falarei em seguida). Desse modo, ele viaja para o momento da morte de Martha e fala com Jonas sobre esse assunto. Me impressionou negativamente quão rápido Jonas acreditou em Adam e no seu novo plano, considerando que não fazia nem dois minutos que o Adam anterior tinha acabado de atirar na sua amada. Sabe conveniência de roteiro? Pareceu uma das grandes. E adivinhem? Acumulada no episódio final.

Quem era o Tannhaus na fila do pão mesmo?

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Tá, brincadeira. Mas eu tive dificuldade de comprar o drama pessoal do personagem, que foi o pivô para a criação dos mundos de Jonas (Adam) e Martha (Eva). Ao perder o filho, a nora e a neta num acidente de carro, Tannhaus fica obcecado com a ideia de voltar no tempo e é responsável pela explosão que dá origem às realidades paralelas. A origem, portanto, nada tem a ver com o filho de Jonas e Martha e tampouco com os personagens envolvidos nas ramificações familiares. Minha primeira impressão foi não curtir muito esse rolê, principalmente por ter sido trazido somente no… isso mesmo, acertaram: episódio final! Percebam que grande parte dos meus ranços em relação ao desfecho da série residem nisso. 😛

Tá, dúvida real: como a Claudia sacou os paranauês?

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Que Claudia Tiedemann é a rainha de Dark não há dúvidas. Acho totalmente plausível que ela tenha conseguido viajar entre os dois mundos e enganar tanto Adam quanto Eva, porque a inteligência da personagem ficou evidente ao longo das temporadas. Mas, na busca da personagem por uma forma de manter a filha viva, em nenhum momento ficou claro pra mim qual foi o estalo que ela teve que levou à descoberta do mundo de origem e da perda pessoal de Tannhaus. Se eu esqueci de algum detalhe ou se alguém aí entendeu esse ponto, fiquem à vontade pra me contar nos comentários! 😂

Vamos falar de coisa boa: o simbolismo do final

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Não apenas decepções me foram causadas pelo final de Dark. Eu gostei muito da coragem de Jonas e Martha 2 de tomarem a atitude necessária para dar fim a tanto sofrimento. A maneira como eles se despedem é bastante comovente, por trazer a frase do “somos um par perfeito, nunca duvide disso” e tudo mais (apesar que né, Jonas e aquela Martha deram só uma transadinha, não deu pra comprar aquele sentimento todo não). Curti muito como toda a cena foi construída, a forma como os personagens que bugaram a nossa mente ao longo de três temporadas foram aceitando o seu fim e transformando-se em uma espécie de poeira cósmica, partículas, átomos, enfim, seja o que for. A cena do jantar também foi interessante, restando apenas os personagens que nada tinham a ver com a árvore genealógica intrincada das outras famílias. Li uma teoria de que o déjà vu de Hannah e a preferência pelo nome “Jonas” foi a forma como o personagem deixou sua marca no universo (ainda que não seja ele a criança que ela espera) e, sinceramente, eu gostei de acreditar nela. ❤

Ufa! Desde o dia 28 eu não paro de falar a respeito de Dark, então foi um alívio botar tudo isso pra fora em único post hahaha! Pra resumir minha opinião, eu diria que Dark é uma série excelente e original, com atuações primorosas e um desenvolvimento instigante, mas que deixa a peteca cair na sua conclusão – que não atinge a grandiosidade das temporadas anteriores. Ainda assim é uma série que eu não hesito em recomendar, porque a qualidade da produção e o desenrolar da história são provocativos e fazem você querer discutir, entender e mergulhar naquele universo. Já são motivos suficientes pra dar uma chance, não é mesmo? 😉

E vocês, o que acharam do final de Dark?
Vamos conversar sobre nos comentários! 🙌

Dica de Série: Dark

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje é véspera de Natal e “nois” tá como? Produzindo conteúdo pra pauta não atrasar, é claro! 😂 Vim contar pra vocês o que achei de Dark, a nova série da Netflix que foi apelidada por alguns como “a Stranger Things alemã”. Já adianto que apenas o plot inicial é parecido, porque a série tem sua própria personalidade e temas bem distintos. 😉

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Sinopse: A história acompanha quatro diferentes famílias que vivem em uma pequena cidade alemã. Suas vidas pacatas são completamente atormentadas quando duas crianças desaparecem misteriosamente e os segredos obscuros das suas famílias começam a ser desvendados.

A série se passa também em 2019 e seu enredo é posto em movimento com o sumiço do jovem Mikkel Nielsen, uma criança que desaparece na floresta da pequena cidade de Winden. Ele não é o primeiro jovem a desaparecer em um curto espaço de tempo, o que intriga os moradores e a polícia local.

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Dark é uma série de ficção científica que fala sobre buracos de minhoca e viagens no tempo, mas também (e talvez principalmente) sobre personagens. Existem quatro famílias que estão interligadas de diversas formas: os Kahnwald, os Nielsen, os Tiedemann e os Doppler. No centro da trama está Jonas Kahnwald, um jovem cujo pai se suicidou recentemente. Ele estava presente no dia em que Mikkel sumiu e passa a investigar os acontecimentos estranhos que acontecem em Winden – que se assemelham muito a fatos ocorridos 33 anos antes. Ulrich Nielsen, pai de Mikkel, é um policial que também resolve investigar a fundo o sumiço de seu filho, explorando a floresta e os túneis de Winden, que ficam próximos à usina nuclear da cidade (um local bem importante na trama). Além do desaparecimento de Mikkel, Ulrich tem outro trauma pessoal: em 1986, seu irmão sumiu em circunstâncias semelhantes. Quanto mais o personagem se aprofunda na investigação, mais o espectador fica confuso (e intrigado).

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A fotografia e a trilha sonora da série são incríveis. O clima sombrio e chuvoso colabora para nos mostrar o estado de espírito da cidade e de seus moradores. Minha única pergunta é: POR QUE NINGUÉM USA GUARDA-CHUVA? Vão todos pegar friagem. Pronto, passou. 😛

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Com três linhas temporais distintas, é muito importante prestar atenção nos nomes e nos rostos dos personagens (aqui tem uma colinha). Dark vai mostrando cada um deles pouco a pouco, até conectá-los de uma forma surpreendente. O episódio 5 é o melhor de todos, com um incrível plot twist realmente mindblowing.

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Dark conclui sua primeira temporada com muitas pontas soltas, e foi isso que me decepcionou. Quando eu achava que a série resolveria suas questões em aberto (ou pelo menos parte delas), ela apresenta mais caminhos e possibilidades. Eu adorei o desenvolvimento da narrativa e a gradual construção de cada personagem, mas senti que que o final da temporada se perdeu. Contudo, é impossível assistir a essa série e ficar sem teorizar mil possibilidades com quem tenha assistido também. 😛 Vale conferir!

Título original: Dark
Ano de lançamento: 2017
Criadores: Baran bo Odar, Jantje Friese
Elenco: Louis Hofmann, Oliver Masucci, Daan Lennard Liebrenz, Karoline Eichhorn, Jördis Triebel, Andreas Pietschmann