Review: Entre Facas e Segredos

Oi pessoal, tudo bem?

Com as críticas positivas, somadas ao fato de que amo histórias policiais, fiquei bem curiosa para assistir a Entre Facas e Segredos. Hoje conferi a produção e vou contar pra vocês meu veredicto.

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Sinopse: Após comemorar 85 anos de idade, o famoso escritor de histórias policiais Harlan Thrombey (Christopher Plummer) é encontrado morto dentro de sua propriedade. Logo, o detetive Benoit Blanc (Daniel Craig) é contratado para investigar o caso e descobre que, entre os funcionários misteriosos e a família conflituosa de Harlan, todos podem ser considerados suspeitos do crime.

Entre Facas e Segredos flerta diretamente com o estilo Agatha Christie de construir histórias policiais. Na trama, o chefe de uma família (o famoso escritor Harlan Thrombey) é encontrado morto no que parece ser uma cena de suicídio. Entretanto, o detetive particular Benoit Blanc é anonimamente contratado para investigar o caso, e ele tem vários motivos para acreditar na hipótese de homicídio.

Com um elenco de peso, que reúne nomes como Daniel Craig, Chris Evans, Toni Collette e Jamie Lee Curtis, devo dizer que minhas expectativas pra esse filme eram altas. A premissa é interessante e me lembrou instantaneamente de Ordeal by Innocence, minissérie baseada na obra de Agatha Christie que eu adorei. Contudo, na prática eu acabei achando o filme morno e moroso, me fazendo cochilar lá pelos 50 minutos de duração.

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Há uma abordagem diferente do que costumamos ver em tramas policiais: Entre Facas e Segredos rapidamente revela o que aconteceu com Harlan Thrombley e quem é a pessoa responsável por sua morte. Também diferente da maioria das produções do gênero, o longa discorre por meio da perspectiva da pessoa culpada, e não pela visão do detetive. É interessante por diferir de outras obras similares, mas ao mesmo tempo torna a experiência cansativa e sem causar muita aflição ou urgência pra descobrir o que houve.

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O final, onde todas as peças se encaixam e os segredos são revelados, não impacta. Aliás, nem consegui sentir toda a genialidade do tal detetive Blanc. Por mais que as explicações façam sentido (e isso é algo que eu aprecio e dou o devido mérito), o filme simplesmente não empolga. 😦 Além disso, grande parte do elenco é bastante dispensável. Jamie Lee Curtis, por exemplo, mal e mal tem falas que façam a diferença. Isso pode ser replicado pra quase todos os membros da família Thrombley. A impressão que fica é que usaram nomes de peso pelo marketing, e não porque a trama precisasse de tais talentos (diferente do que acontece em Assassinato no Expresso do Oriente, em que todos os personagens têm um papel importante e cuja presença é justificada).

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Com uma protagonista extremamente sem sal (cujo problema bem besta ao mentir parece só uma conveniência de roteiro), um detetive meio estranho e vários personagens subaproveitados, Entre Facas e Segredos acabou sendo uma decepção. Sigo no aguardo de mais filmes do gênero que realmente me empolguem. :/

Título original: Knives Out
Ano de lançamento: 2019
Direção: Rian Johnson
Elenco: Daniel Craig, Ana de Armas, Chris Evans, Jamie Lee Curtis, Toni Collette, Michael Shannon, Lakeith Stanfield, Christopher Plummer

Review: Para Todos os Garotos: P.S. Ainda Amo Você

Oi galera, tudo bem?

Depois do sucesso de Para Todos Os Garotos Que Já Amei, eu estava ansiosa para conferir P.S. Ainda Amo Você. Depois de 1 ano e meio de espera, o filme finalmente está entre nós! \o/

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Sinopse: Lara Jean (Lana Condor) não esperava se apaixonar por Peter Kavinsky (Noah Centineo) quando eles fingiam namorar, mas a relação entre os dois rapidamente deixou de ser artificial. Só que, ao se reconectar com uma paixão do passado, John Ambrose McClaren (Jordan Fisher), tudo fica ainda mais complicado para a jovem, que precisa entender o que se passa internamente para tomar uma grande decisão.

P.S. Ainda Amo Você inevitavelmente difere de modo considerável de sua contraparte literária, já que um dos principais plots (o vazamento do vídeo no ofurô) é trabalhado no primeiro longa. Isso faz com que a continuação não foque tanto nesse aspecto importante da vida da Lara Jean e de seu relacionamento com Peter, começando já no primeiro encontro oficial deles. Tudo parece ir superbem entre os dois, até que a protagonista recebe a resposta de uma de suas cartas de amor: dessa vez quem entra em contato é John Ambrose McClaren, que balançou o coração da garota no início da adolescência. Quando Lara Jean descobre que o jovem vai trabalhar como voluntário na mesma instituição que ela, seus sentimentos ficam ainda mais confusos.

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Eu não quero focar totalmente em explorar as diferenças do livro e do filme (que são várias), mas para citar rapidamente algumas das principais: aqui John Ambrose não é neto de Stormy, a senhora com quem Lara Jean faz amizade no instituto Belleview; Josh nem é mencionado; Margot tem uma participação minúscula e a maneira como Lara Jean descobre que Peter e Gen estão se vendo também é menos impactante. Essas mudanças têm como consequência um enfraquecimento dos dilemas vividos pelo casal principal e uma conexão mais fraca entre Lara Jean e John Ambrose. E acho que foi isso que fez com que o filme não causasse em mim o mesmo impacto do primeiro: parece que faltou tempero, sabem?

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Felizmente, a adição de John Ambrose foi bem-vinda. O novo ator transmite a gentileza e a timidez do personagem de uma maneira muito fofa e, assim como no livro, me vi torcendo por ele. Eu realmente detesto as atitudes de Peter em P.S. Ainda Amo Você, e sinceramente não sei se perdoaria todo o rolê do vazamento do vídeo do ofurô. No filme a resolução desse conflito acaba sendo morna e fácil demais, e sinto que o personagem não teve a evolução que precisava. Outra coisa da qual senti falta foi a dinâmica familiar de Lara Jean e seu relacionamento com Stormy. Esta, em especial, é uma personagem muito importante para a protagonista, trazendo conselhos sobre a vida e sobre garotos e incitando Lara Jean a se permitir viver mais experiências. No filme ela aparece bem pouco, o que acaba sendo um desperdício.

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O longa, porém, acerta ao mostrar que é impossível se relacionar com alguém estando com o coração 100% seguro. Amar é ser vulnerável, é saber que seu coração pode ser partido e que você não tem controle sobre isso. Lara Jean é uma garota que sonha em viver um grande romance, mas que na prática se coloca na defensiva. Sua insegurança em relação à Gen a impede de ser ela mesma e de viver seu relacionamento plenamente (ainda que as atitudes de Peter não ajudem em nada na insegurança dela rs). Quando ela finalmente entende que precisa deixar certos medos pra trás, ela consegue se abrir para uma relação de verdade, que tem seus altos e baixos.

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Para Todos Os Garotos: P.S. Ainda Amo Você não brilha tanto quanto o primeiro filme, apesar de ser um romance fofo e que entretém. O potencial dos personagens não é explorado ao máximo, mas o carinho que sentimos por eles se mantém. Agora nos resta aguardar o terceiro longa e torcer para que a conclusão dessa trilogia aqueça nosso coração. 🙂

Título original: To All The Boys: P.S. I Still Love You
Ano de lançamento: 2020
Direção: Michael Fimognari
Elenco: Lana Condor, Noah Centineo, Jordan Fisher, Holland Taylor

 

Review: Por Lugares Incríveis

Oi pessoal, tudo bem?

Um dos filmes mais aguardados por mim finalmente chegou à Netflix, e hoje vou contar pra vocês o que achei de Por Lugares Incríveis.

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Sinopse: Devastada pela perda da irmã, a introvertida Violet Markey (Elle Fanning) recupera a vontade de viver ao conhecer Theodore Finch (Justice Smith), um jovem excêntrico e imprevisível.

Quem leu minha resenha sabe que o livro de Jennifer Niven me tocou profundamente e se tornou um dos meus favoritos. A trágica história de amor de Violet Markey e Theodore Finch arrebatou meu coração, arrancou lágrimas e soluços e me causou uma tremenda ressaca literária. Em parte, sua adaptação conseguiu causar sensações semelhantes.

Na história, conhecemos dois adolescentes repletos de cicatrizes emocionais. Violet perdeu a irmã em um acidente e desde então vive num torpor. Finch, por sua vez, se apresenta com uma fachada irreverente e efusiva – que esconde demônios internos e um quadro depressivo do qual ninguém sabe. Unidos por um projeto da escola, os dois precisam conhecer e escrever a respeito de lugares de Indiana, e essas andanças permitem que um amor nasça e certas feridas se fechem.

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Preciso dizer que me apaixonei pela performance de Elle Fanning como Violet. A atriz superou minhas expectativas e conseguiu dar vida às nuances e profundidade da personagem. Suas expressões apáticas lentamente vão sendo substituídas por sorrisos tímidos e, conforme o longa acontece, ela vai desabrochando. Justice Smith, por outro lado, não conseguiu evocar o mesmo apego que senti pelo Finch do livro. Sinto que até houve esforço na atuação mas, para ser justa, o roteiro não favoreceu: o roteiro foca muito mais em Violet e em sua transformação do que nos problemas que Finch mantêm ocultos. Isso faz com que o personagem perca muito de sua riqueza e até dificulta para o espectador entender o quê afinal ele está vivendo. No livro existem vários momentos narrados pela sua perspectiva, e lá fica claro (ainda que nunca escrito explicitamente) que os quadros de depressão que o acometem são frequentes e intensos. O jovem fala sobre a morte em diversas oportunidades, o que não acontece no filme. Essa foi a maior falha da adaptação, na minha opinião: Finch é importante demais pra ficar em segundo plano, apenas como um trampolim para a melhora de Violet.

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Apesar de não ter me apaixonado pela performance de Justice Smith, gostei da sua química com Elle Fanning. As cenas em que os dois jovens passam juntos e pouco a pouco se apaixonam são encantadoras e prometem arrancar sorrisos bobos. Assim como no livro, o romance acontece de maneira natural, conforme Violet vai se abrindo para viver (e se permitir sentir) novamente.

Infelizmente, os temas importantes tratados no livro não ganham o mesmo espaço no filme (o que pode ser lido até como irresponsabilidade da adaptação, devido à gravidade do assunto abordado). Como mencionei anteriormente, os problemas de Finch ficam em segundo plano quando comparados aos de Violet. Acontece que, para entender o final, é imprescindível ter todo o contexto a respeito do personagem: o bullying que ele sofre, sua família disfuncional, a omissão dos adultos ao seu redor. Esse somatório de eventos faz com que Finch se sinta cada vez mais sem esperança, sem conseguir sair sozinho do vazio no qual ele frequentemente se encontra. No filme temos uma única cena que eu considero poderosa nesse sentido: ao conversar com sua irmã, Finch tenta encontrar um modo de acreditar que seu pai (que também enfrentava momentos sombrios) poderia ser salvo. Indiretamente, ao falar sobre o pai, o jovem revela uma vontade dele próprio ser salvo, um desejo de encontrar algum argumento que prove que há saída. 

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Apesar das falhas relacionadas a Finch, Por Lugares Incríveis me emocionou demais (os olhos inchados que o digam). Parte dessa emoção aconteceu por lembrar do livro e da tristeza que eu senti quando cheguei ao fim, mas a outra parte é mérito do longa. O filme consegue trazer a atmosfera das páginas com competência, a fotografia encanta e a trilha sonora é emocionante, sendo crucial para evocar emoções. Apesar das ressalvas, que considero importantes, eu gostei bastante do que vi na tela, e sinto que foi feito um bom trabalho na adaptação. Foi bom lembrar de todas as cores em uma, em pleno brilho, mais uma vez.

Título original: All The Bright Places
Ano de lançamento: 2020
Direção: Brett Haley
Elenco: Elle Fanning, Justice Smith, Alexandre Shipp, Luke Wilson, Kelli O’Hara, Keegan-Michael Key

Review: História de um Casamento

Oi pessoal, tudo certo?

Os feriados de Natal e Ano Novo foram ótimos pra colocar algumas séries e filmes em dia. Uma das produções a que assisti foi História de um Casamento, que concorre ao Oscar como melhor filme.

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Sinopse: Nicole (Scarlett Johansson) e seu marido Charlie (Adam Driver) estão passando por muitos problemas e decidem se divorciar. Os dois concordam em não contratar advogados para tratar do divórcio, mas Nicole muda de ideia após receber a indicação de Nora Fanshaw (Laura Dern), especialista no assunto. Surpreso com a decisão da agora ex-esposa, Charlie precisa encontrar um advogado para tratar da custódia do filho deles, o pequeno Henry (Azhy Robertson).

O longa inicia com uma espécie de declaração de amor, onde um dos protagonistas, Charlie, narra as diversas qualidades de sua esposa, Nicole. Porém, logo a expectativa de um relacionamento feliz é quebrada: os dois estão em uma sessão de terapia de casal, tentando descobrir a melhor forma de lidar com o divórcio iminente e causar o menor impacto psicológico possível ao filho. O longa então desenvolve o processo de divórcio, mostrando as diversas etapas da separação: a tentativa de resolução tranquila, o envolvimento de advogados, as palavras raivosas, as brigas sem fim e a conclusão de tudo.

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O enredo do filme não traz reviravoltas surpreendentes nem conta uma história de amor fantasiosa. História de um Casamento é um retrato verossímil de um relacionamento no qual houve amor, mas que simplesmente deixou de fazer sentido. E apesar dos sentimentos que possam estar envolvidos, isso não os impede de lutar com unhas e dentes pela guarda do filho (já que Nicole deseja morar em Los Angeles e Charlie pretende ficar em Nova York). E é na briga pela custódia que vemos as faces mais sombrias dos personagens, que muitas vezes deixam o respeito mútuo de lado e são tomados pela fúria e pela frustração.

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Nicole é uma atriz promissora e faz parte da companhia de teatro dirigida por Charlie, que vive um momento de ascensão profissional. Ela é a primeira a buscar o apoio de uma advogada (interpretada pela incrível Laura Dern) e, apesar dela ter combinado com Charlie não tomar essa atitude, a verdade é que a cena das duas no escritório é sensacional. Em primeiro lugar, há um monólogo poderoso de Scarlett Johansson, no qual narra a trajetória de seu relacionamento, da paixão ao declínio, até descrever o quanto ela se sente invalidada e insuficiente enquanto indivíduo. Seus desejos de dirigir uma peça e voltar a morar em Los Angeles são sempre negligenciados por Charlie, o que faz a personagem questionar os rumos de sua vida e tomar a decisão de se divorciar. Nessa mesma cena, Nora (a advogada) também oferece um monólogo cheio de verdades sobre as desigualdades no tratamento de homens e mulheres: a verdade é que Nicole não pode ser uma mulher real e com fragilidades perante o juiz; os “double standards” utilizados pra avaliar a conduta masculina e feminina sempre prejudica as mulheres, que precisam ser perfeitas e sem falhas para serem consideradas dignas de qualquer coisa (especialmente quando se fala na custódia de uma criança). Homens imperfeitos conquistam simpatia, mulheres imperfeitas são párias. E expor essa realidade é um dos melhores momentos do filme.

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Charlie tem defeitos mais difíceis de aceitar. Além de ter traído Nicole, o egocentrismo do diretor – que foca apenas na sua própria carreira e interesses – faz com que ele “saia perdendo” na torcida do espectador. Ele inicialmente busca não prejudicar nem desacreditar Nicole no processo do divórcio, mas também nunca se coloca à disposição para verdadeiramente escutá-la. Ele é um pai presente e dedicado, mas não percebe as expectativas que coloca no filho em relação ao tempo que passam juntos. E, por fim, a cena da discussão acalorada dos dois é um dos momentos mais marcantes do longa, onde ambos os atores imprimem forte emoção em cada linha. Porém, é uma cena que também evidencia alguns dos defeitos do Charlie aos quais Nicole se refere: o personagem explode e se recusa a enxergar sua participação na ruína da relação, projetando na esposa a culpa pelo fracasso. Apesar disso, Charlie não é construído como um vilão unidimensional; os bons momentos do personagem servem pra trazer humanidade à sua caracterização.

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As atuações de Scarlett Johansson e Adam Driver brilham do início ao fim. Eu já conhecia o potencial do ator, que tem uma presença que enche a tela e captura o nosso olhar. Scarlett, por sua vez, me surpreendeu: não acompanho muito os trabalhos da atriz, exceto pelos filmes do MCU, e gostei muito de ver essa performance cheia de nuances. A química entre os dois existe e tanto nas cenas de carinho quanto nos embates acalorados.

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História de um Casamento é um filme agridoce, que nos conduz pelos altos e baixos de uma relação que chega ao fim. Quem já vivenciou algo minimamente semelhante pode se identificar com diversos momentos do longa, mas acho que o ponto forte está no olhar esperançoso que o filme lança a um final de relacionamento, evidenciando que o respeito e o amor podem permanecer, ainda que os envolvidos decidam trilhar caminhos diferentes. Recomendo!

Título original: Marriage Story
Ano de lançamento: 2019
Direção: Noah Baumbach
Elenco: Adam Driver, Scarlett Johansson, Laura Dern, Azhy Robertson

Review: Frozen 2

Oi pessoal, tudo bem?

Seis anos depois da estreia do icônico Frozen, finalmente sua sequência chegou aos cinemas, e eu corri pra conferir. Fiquem tranquilos que o review não tem spoilers!

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Sinopse: De volta à infância de Elsa e Anna, as duas garotas descobrem uma história do pai, quando ainda era príncipe de Arendelle. Ele conta às meninas a história de uma visita à floresta dos elementos, onde um acontecimento inesperado teria provocado a separação dos habitantes da cidade com os quatro elementos fundamentais: ar, fogo, terra e água. Esta revelação ajudará Elsa a compreender a origem de seus poderes.

Tudo parece bem em Arendelle. Elsa governa com carinho e sabedoria, Anna (que segue em um relacionamento com Kristoff) está sempre ali para apoiar a irmã e as coisas seguem seu curso em paz. Porém, quando Elsa começa a ouvir uma voz misteriosa e manifestações estranhas da natureza passam a ocorrer em seu reino, as duas irmãs descobrem que há um segredo oculto sobre o passado de Arendelle. Para descobri-lo – e acalmar os elementos que perturbam o reino –, Elsa e Anna terão que adentrar a chamada Floresta Encantada, cuja névoa a separa do resto do mundo desde que seu povo e o povo nativo da floresta guerreou, há muitos e muitos anos. Nesse processo elas aprendem não apenas sobre o conflito de seus ancestrais, mas também sobre si mesmas.

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Frozen 2 traz um novo elemento à mitologia pouco explorada no primeiro filme: agora somos apresentados ao conceito de que existem espíritos da natureza responsáveis pelo fogo, pelo ar, pela terra e pela água. Esses espíritos estão inquietos e demandam de Elsa e Anna que elas descubram a verdade sobre o conflito entre o exército de Arendelle e o povo de Northuldra que, teoricamente, estavam confraternizando em paz. Uma vez dentro da Floresta Encantada, o grupo carismático que tanto nos conquistou no primeiro longa (formado por Elsa, Anna, Kristoff, Sven e Olaf) se depara com as pessoas que estiveram presas durante todos esses anos e percebem que mesmo para elas o motivo do conflito não era claro. Esse plot promove às jovens uma jornada de aprendizado a respeito do passado de seus pais e da sua verdadeira origem.

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Se Frozen é um filme sobre autoaceitação, Frozen 2 é sobre identificação, sobre a busca do seu lugar no mundo. O primeiro longa termina com Elsa em um lugar feliz, mas ainda assim deslocado. Sem saber de onde vem sua magia (e mesmo o porquê dela ser mágica), a jovem não sabe exatamente qual o seu propósito. Em Frozen 2, entretanto, Elsa parte em uma missão própria que não é motivada apenas pelo desejo de salvar Arendelle, mas também para descobrir mais sobre si mesma e seu papel. Essa jornada confere mais complexidade à personagem, que desde o primeiro filme já era interessante. Outro ponto positivo desse plot é que ele serve para romper o cordão umbilical que conecta Elsa a Anna – por mais que o amor entre as irmãs seja lindo e admirável, eu honestamente fico meio cansada da Anna correndo atrás da Elsa que nem uma desesperada. É sufocante!

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Frozen 2 também é um filme muito engraçado. Olaf é, obviamente, um dos pontos altos da sequência, e ele protagoniza a MELHOR CENA de retrospectiva possível. Fica a dica: o filme tem cena pós-créditos e vale a pena esperar! Mas Olaf não é o único responsável pelas minhas risadas; a cena musical do Kristoff é constrangedoramente engraçada e remete a clipes dos anos 80-90 (eu ri pra caramba!). Já Elsa vivencia uma cena que homenageia e ao mesmo tempo brinca com o primeiro longa, ironizando alguns momentos dramáticos e divertindo ao mesmo tempo. Outro aspecto que merece elogios é a direção de arte: Frozen 2 é um filme deslumbrante. Dos novos figurinos aos ricos detalhes do cenário, cada cena é um deleite visual. Os flocos de neve deixam de ser as únicas estrelas e a Floresta Encantada torna-se o palco de momentos incríveis, com suas folhas coloridas pelo outono. Amei cada detalhe!

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Porém, o filme não é perfeito. Existem dois detalhes que preciso pontuar: o primeiro é referente à trilha sonora. Apesar de ter músicas excelentes (e muitas delas usam o mesmo campo harmônico das canções do primeiro filme, ativando a nossa memória afetiva), a verdade é que não existe uma “Let it Go” em Frozen 2. Nenhuma música me desagradou, mas nenhuma marcou o suficiente pra me fazer sair cantando após a sessão. O segundo aspecto é referente à falta de plot twist: não há um vilão em Frozen 2, não há uma revelação que faça cair o queixo ou um momento de aflição que nos faça temer pelos personagens. O filme transita em um terreno muito seguro e acaba sendo um pouco previsível por conta disso (foi fácil descobrir os dois elementos revelados no longa). Apesar disso, a trama não deixa de ter brilho próprio, porque a jornada de crescimento de Elsa e Anna compensa a falta de surpresas.

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Frozen 2 é uma ótima sequência, que aprofunda a mitologia iniciada no primeiro longa e promove a evolução de suas protagonistas. É nítido o quanto Elsa e Anna crescem no final, assumindo papeis que se encaixam com aquilo que elas acreditam e defendem. E, é claro, reforça a ideia de que o amor nos conecta de qualquer lugar, sendo uma força que motiva e impulsiona mesmo nos momentos mais escuros. Apesar de não ser tão marcante quanto o primeiro filme, Frozen 2 é uma experiência que enriquece muito esse universo (não mais tão) congelado que amamos. ❤

Título original: Frozen II
Ano de lançamento: 2020
Direção: Jennifer Lee, Chris Buck
Elenco: Kristen Bell, Idina Menzel, Josh Gad, Jonathan Groff, Sterling K. Brown, Evan Rachel Wood

Review: Star Wars: A Ascensão Skywalker

Oi pessoal, tudo bem?

Finalmente Star Wars: A Ascensão de Skywalker chegou aos cinemas, encerrando a trajetória da família mais problemática da galáxia. 😂 E podem ficar tranquilos que a resenha não tem spoilers!

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Sinopse: Com o retorno do Imperador Palpatine, todos voltam a temer seu poder e, com isso, a Resistência toma a frente da batalha que ditará os rumos da galáxia. Treinando para ser uma completa Jedi, Rey (Daisy Ridley) ainda se encontra em conflito com seu passado e futuro, mas teme pelas respostas que pode conseguir a partir de sua complexa ligação com Kylo Ren (Adam Driver), que também se encontra em conflito pela Força.

Para falar do episódio IX, preciso esclarecer um ponto: eu não espero de Star Wars roteiros mega complexos e disruptivos. Considero a saga um dos exemplos mais clássicos da jornada do herói e, portanto, não me importo muito que existam alguns clichês do gênero. Com isto posto, devo dizer que curti o longa, apesar dele não ser perfeito.

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O terceiro episódio da nova trilogia traz os personagens principais em momentos decisivos de sua jornada: Poe e Finn estão em busca de informações que possam ajudar a derrotar a Primeira Ordem, Rey está treinando com Leia para se tornar uma Jedi e Kylo Ren (agora líder da Primeira Ordem, após o assassinato de Snoke) se torna aliado de um inimigo poderoso que não esperávamos re-encontrar: Palpatine, que de alguma forma conseguiu ressurgir dos mortos graças ao Lado Negro da Força. Porém, os vilões têm planos dissonantes: Palpatine deseja a morte de Rey, enquanto Kylo Ren deseja trazê-la para o Lado Negro. O filme ganha fôlego quando Rey e seu grupo decidem ir atrás do esconderijo dos seus inimigos em um planeta chamado Exegol, a mesma missão que Luke Skywalker um dia tentou cumprir.

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Se tem uma coisa que não falta em A Ascensão de Skywalker é guerra nas estrelas (ba dum tss). O filme conta com muitas cenas de ação, desde batalhas aéreas até ótimas coreografias com sabres de luz. A conexão de Kylo e Rey permanece aqui, e o rapaz insiste em plantar dúvidas na mente da protagonista – especialmente relacionadas à sua verdadeira origem, finalmente revelada. Pra mim, ambos os personagens mantiveram a coerência e traçaram caminhos condizentes com o que foi apresentado até então. Rey enfrenta questionamentos e inseguranças relacionadas à sua identidade, mas a jornada de Kylo acaba sendo mais cheia de camadas e rende uma das cenas mais bonitas do filme (tem uma frase ali que dificilmente não vai emocionar). Seu caminho bifurcado, que poderia ou guiá-lo para a liderança de um novo império ou para a redenção, é bem interessante e vinha sendo trabalhado desde que o personagem decidiu matar o próprio pai no episódio VII. Porém, gostaria que Kylo Ren tivesse tido mais protagonismo e tempo de tela – o que daria ainda mais peso ao seu arco (que é provavelmente meu favorito).

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Devo confessar que logo que Palpatine é revelado como o verdadeiro maestro por trás da Primeira Ordem, torci o nariz. Reciclar um personagem icônico e subitamente dar a ele uma frota de naves poderosíssimas e destruidoras de planetas foi conveniente demais. Porém, acabei decidindo entrar no modo “let it go” quanto a isso, afinal, não é difícil encontrar incoerências no roteiro de todos os filmes de Star Wars. Ainda abordando aspectos que me incomodaram, teve um elemento que eu curti muito e foi abandonado: a ideia apresentada no filme anterior de que a Força pode ser exercida por qualquer um, e não apenas pelas “figurinhas carimbadas” cujo sobrenome tem poder. Essa disrupção do conceito da Força foi algo muito interessante de Os Últimos Jedi, e trazer a linhagem para o centro da narrativa soou como um retrocesso. 😦

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Vale ressaltar que A Ascensão de Skywalker traz um lembrete bem interessante, especialmente quando pensamos sobre a realidade política que vivemos hoje: o mal vence nos fazendo pensar que estamos sozinhos. É a esperança que motiva a Aliança Rebelde, que faz com que exista uma resistência e que pessoas se coloquem em risco pela causa. Ainda que Star Wars nunca aborde com maior profundidade as questões políticas e sociais causadas pelo sistema totalitário (ora do Império, ora da Primeira Ordem), essa mensagem é algo bacana de ser transmitido.

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Eu entendo quem diz que o filme é uma reciclagem de ideias antigas e remonta a mesma estrutura dos longas anteriores. Pra mim, entretanto, isso não chegou a se tornar um problema (ainda que eu tenha gostado muito das ousadias de Os Últimos Jedi, que é menos maniqueísta e transita em uma zona muito mais cinza). Eu curti o ritmo do filme, as ótimas cenas de ação, o desfecho dos personagens e suas decisões. Como disse inicialmente, não espero muito brilhantismo de Star Wars, e sim um filme de ação que me cative e empolgue – o que A Ascensão de Skywalker conseguiu fazer. Saí do cinema satisfeita e já sentindo aquela pontinha de saudades dos personagens – novos e antigos.

Título original: Star Wars: The Rise of Skywalker
Ano de lançamento: 2019
Direção: J. J. Abrams
Elenco: Daisy Ridley, Adam Driver, John Boyega, Oscar Isaac, Mark Hamill, Carrie Fisher, Billy Dee Williams, Jonas Suotamo, Anthony Daniels

Review: Klaus

Oi gente, tudo bem?

Chega o final de ano e a onda de filmes natalinos chega junto. Apesar de eu não curtir muito esse tipo de longa, um deles chamou imediatamente minha atenção: a animação Klaus.

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Sinopse: Um carteiro egoísta e um fabricante de brinquedos solitário cultivam uma amizade improvável e levam alegria a uma cidade fria e sombria.

A primeira coisa que reparei em Klaus é que o traço do filme remete às produções da Disney na década de 90 e início dos anos 2000. E não é pra menos: o responsável por Klaus trabalhou como animador da empresa e, inclusive, fez um dos filmes favoritos, Planeta do Tesouro. ❤ Só nesse aspecto Klaus já ganhou alguns pontos comigo, porque sinto muita falta de animações 2D – e, nesse caso, a arte ainda tem alguns diferenciais em relação àquela época, tornando o filme visualmente encantador.

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A trama acompanha o jovem Jesper, o preguiçoso e mimado herdeiro de uma grande empresa de correios. Seu pai, cansado de dar diversas chances ao filho, decide enviá-lo como carteiro a uma cidade isolada, Smeerensburg, onde Jesper precisa permanecer por um ano trabalhando seriamente caso queira voltar à vida mansa que levava. Chegando lá, o rapaz percebe que seu ofício é desnecessário, já que o ódio e o rancor tomam conta da cidade devido a uma rixa antiga entre duas famílias e, portanto, ninguém envia cartas. Ao conhecer Klaus, um velho marceneiro que vive na floresta, Jesper acaba provocando uma situação inesperada: ao entregar um brinquedo feito por Klaus a uma criança, a notícia se espalha entre os pequenos e todos começam a enviar cartas na esperança de ganhar um presente também. E é assim que a parceria entre os dois começa.

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Klaus é o filme sobre o Papai Noel mais criativo a que já assisti. O longa ressignifica todos os aspectos da mitologia original e, ainda assim, reconhecemos claramente as referências presentes na trama. É muito divertido acompanhar cada cena e entender qual aspecto do personagem está sendo revelado, especialmente pela forma inesperada que muitas delas acontecem. A cena do trenó voador, por exemplo, é de arrancar risadas!

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Os personagens são carismáticos e têm papéis importantes a cumprir. Jesper é o clichê do egoísta que se transforma, mas seu carisma e jeito atrapalhado nos conquistam; Klaus é o personagem cujas dores são apresentadas, mas também seu coração gigante e sua vontade de fazer o bem; Alva é uma professora sem esperança que acaba sendo tocada pelo movimento iniciado (ainda que sem querer) por Jesper; e até a briga dos vilões acaba sendo divertida.

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A trama se desenrola de maneira cativante, e as mudanças que acontecem com os personagens são graduais e críveis. Aos poucos, a própria cidade vai se transformando, sendo tocada pelos atos generosos do homem misterioso que entrega brinquedos às crianças. São elas, inclusive, que aproximam os adultos e mostram que a rixa secular já está mais do que ultrapassada. Os personagens principais não escapam desse processo e, pouco a pouco, se veem como parte daquela comunidade, que abre mão das brigas sem fim em nome da empatia e da generosidade.

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Klaus é um filme doce, engraçado e emocionante, que vai muito além do conceito simplista de ser um filme de Natal. É uma história sobre mudanças (externas e internas) e sobre o poder da gentileza. Da animação à trama, Klaus encanta em cada detalhe, nos levando das risadas às lágrimas e deixando a sensação de que assistimos a algo incrível. O que é a mais pura verdade. ❤

Tìtulo original: Klaus
Ano de lançamento: 2019
Direção: Sergio Pablos
Elenco: Jason Schwartzman, J. K. Simmons, Rashida Jones, Joan Cusack, Will Sasso, Norm Macdonald, Neda Margrethe Labba

Review: Deixe a Neve Cair

Oi pessoal, tudo bem?

E cá estou para mais uma postagem da coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de HistóriasInterrupted Dreamer e Tear de Informações). \o/

uma amiga indicou

Para novembro, escolhemos falar sobre Deixe a Neve Cair, o novo filme da Netflix baseado no romance de mesmo nome.

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Sinopse: Um forte nevasca atinge a cidade de Gracetown na véspera de Natal e a transforma em um inesperado refúgio romântico. Um trem retido no meio do nada, uma corrida com os amigos no frio congelante e lidar com a tristeza da perda do namorado ideal. Três histórias de amor distintas que se conectam entre si. 

Deixe a Neve Cair é um daqueles filmes de romance com histórias paralelas que têm elementos em comum. Nesse caso, os protagonistas provavelmente frequentam a mesma escola (afinal, o longa não deixa isso claro rs) e também uma casa de waffles da cidade (alguns como funcionários e outros como clientes). As histórias se convergem graças a uma festa de Natal que acontece no local.

São três os núcleos principais: Angie (também conhecida como Duke) e Tobin; Dorrie, sua melhor amiga Addie e sua crush; e Julie e Stuart. Angie e Tobin são melhores amigos desde sempre, mas o que a garota não sabe é que Tobin está perdidamente apaixonado por ela. Quando um rapaz parece demonstrar interesse em Angie, Tobin precisa decidir se vai tomar uma atitude e lutar por ela ou não. Dorrie e Addie também são melhores amigas, mas a relação fica complicada quando Addie coloca seu namorado em primeiro lugar. Ela stalkeia o rapaz e tenta controlar seus passos, e quando Dorrie aponta os erros que ela comete, as duas brigam feio. Para completar, Dorrie está interessada em uma garota com quem saiu e, apesar da jovem dizer o quanto gosta dela, na frente das outras pessoas ela finge que nem a conhece. Por último, temos Julie e Stuart: a primeira é uma jovem dividida entre ir para uma faculdade em Nova York ou ficar na cidade para cuidar da mãe doente, enquanto Stuart é um jovem cantor famoso que acaba passando o Natal sozinho por falta de companhia. Ao se conhecerem em um trem, eles acabam passando o dia juntos e uma química inevitável surge.

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A primeira coisa que preciso dizer sobre Deixe a Neve Cair é que ele é um romance clichê. Em geral, isso não é um problema pra mim, desde que os clichês sejam bem desenvolvidos – o que não acontece aqui. Para vocês terem ideia, a crush de Dorrie NEM TEM NOME! Ela aparece pela primeira vez e Dorrie se refere a ela com uma frase tipo “aquela garota e eu tivemos um lance”. E aí o filme passa o tempo todo tentando convencer o espectador de que devemos nos importar com os sentimentos existentes entre elas – sem nem se dar ao trabalho de desenvolver a tal garota. Eu sinceramente só fui descobrir que a jovem tinha nome olhando no IMDB, e não duvido que a informação tenha sido extraída do livro, mas enfim.

O plot de Julie e Stuart também não poderia ter sido mais forçado. O cantor famoso querendo passar o dia com uma desconhecida só porque ela não deu uma de fã louca foi muito “eye rolling” pra mim. A performance de Shameik Moore no papel não ajudou em nada a tornar Stuart um pouco mais verossímil, já que as expressões faciais eram basicamente as mesmas o tempo todo. Não consegui comprar o romance entre eles, infelizmente. 😦 Já a história de Angie e Tobin também é mais do mesmo. Não tenho muito a criticar, tampouco a elogiar. A melhor cena dos dois é quando cantam juntos, mas nada que tenha aquecido meu coração (como sempre espero desse tipo de filme).

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A personagem mais interessante de Deixe a Neve Cair é a mulher que usa roupas de alumínio. Além de engraçada e carismática, ela divide bons momentos com Addie, trazendo algumas verdades que a personagem precisa ouvir. A jovem é autocentrada, insegura e obcecada pelo namorado, o que a torna bastante controladora. Porém, com o passar do tempo, ela percebe a importância das amizades e de dar valor a quem gosta de você de verdade. Tudo isso em meio a várias brigas com a mulher das roupas de alumínio rs.

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Deixe a Neve Cair é um filme que provavelmente vou esquecer em pouco tempo. Pelo trailer, eu tinha expectativas bem mais altas e realmente esperava uma história que me fizesse dizer “own” em algum momento. Infelizmente, não rolou. 😦

Tìtulo original: Let it Snow
Ano de lançamento: 2019
Direção: Luke Snellin
Elenco: Isabela Merced, Shameik Moore, Odeya Rush, Liv Hewson, Mitchell Hope, Kiernan Shipka, Matthew Noszka, Jacob Batalon, Joan Cusack, Anna Akana

Review: Coringa

Oi gente, tudo bem?

Levei alguns dias, mas finalmente consegui organizar os pensamentos para trazer minha opinião sobre Coringa pra vocês. Talvez ela seja um pouco controversa em alguns pontos, então convido vocês pro debate também. 😉

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Sinopse: O comediante falido Arthur Fleck encontra violentos bandidos pelas ruas de Gotham City. Desconsiderado pela sociedade, Fleck começa a ficar louco e se transforma no criminoso conhecido como Coringa.

Acho que é redundante dizer que Coringa é tecnicamente impecável. As inúmeras reações positivas e o frisson da crítica especializada já são suficientes para evidenciar que o longa tem qualidade ímpar. Mas teve um sentimento para o qual as críticas não me prepararam: o desconforto.

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Coringa é um filme que, do início ao fim, da primeira à última cena, causa desconforto. Causa perturbação. Faz você querer olhar pro lado, sabem? A sessão inteira eu mantive minha testa franzida (sério), me sentindo incomodada mesmo em cenas aparentemente inofensivas. Além da óbvia violência explícita, os cenários e a trilha sonora colaboram para uma sensação aflitiva que nos persegue durante toda a exibição. Uma das maiores responsáveis por todas essas sensações é a atuação de Joaquin Phoenix: intensa, visceral e profundamente marcante. O ator dá vida a um Arthur Fleck/Coringa ambíguo: ora digno de pena, ora condenável. Sua expressão corporal e seu olhar revelam a perturbação que é essencial do personagem, e sua risada causa incômodo em todas as circunstâncias em que ocorre.

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E já que mencionei a ambiguidade do protagonista, devo dizer: para falar de Coringa é necessário falar primeiro de Arthur Fleck. Trabalhando como palhaço em diversos bicos, o personagem divide um apartamento caindo aos pedaços com a mãe doente e sofre de um problema neurológico que o faz rir em situações de desconforto (ou seja, quando ele NÃO deseja rir). Seu maior sonho é tornar-se um comediante de stand up, mas os acontecimentos ao longo do filme o afastam cada vez mais da vida “normal” que ele tenta construir. Quando as verbas destinadas à assistência social (que lhe fornecia sessões de terapia e medicamentos) são cortadas pelo governo, o caminho do personagem vai se tornando cada vez mais tortuoso.

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E agora entra a minha opinião possivelmente controversa. Peço que leiam com carinho pra gente debater, tá? Eu acredito que Coringa tenha pecado um pouco na demora para mostrar a “verdadeira face” de Arthur como um psicopata. Qualquer pessoa que conheça o personagem sabe que o vilão é capaz das maiores atrocidades, certo? Mas o filme não é sobre um Coringa já estabelecido, e sim sobre o homem que ele foi antes de tornar-se o Palhaço. E, devido a isso, a verdade é que metade do filme (ou até mais) é dedicada a mostrar as injustiças que Arthur enfrenta e o descaso do governo e da população em relação a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Somos obrigados a ver Arthur apanhando, sendo ridicularizado e hostilizado e confrontando seu passado difícil. O filme me fez sentir revolta em ver Arthur sofrendo tanto. Eu senti empatia por ele. E me senti mal por sentir empatia por um personagem que, eu sei, vai se tornar/se revelar um psicopata. Para mim, faltou explorar mais esse lado de Arthur: a manifestação de psicopatia que independe de sua condição psicológica, aquela que o conduz para o seu “verdadeiro eu”.

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Dito isso, ainda assim devo elogiar o fato do filme abordar com tanta crueza o abandono do Estado e as consequências disso. Arthur, entre outras coisas, é um fruto do meio: tentando se ajustar ao modelo de sociedade existente, quando as coisas que lhe davam suporte são tiradas dele seu autocontrole também se vai. E as pessoas de Gotham (que poderia facilmente ser qualquer outra metrópole, como Nova York) também sentem esse descaso e refletem o caos, causando destruição e agindo com maldade. Além dos aspectos econômicos e sociais abordados por Coringa, o longa também nos obriga a enfrentar uma dura realidade trazida pelo próprio protagonista: a pior parte de se ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você aja como se não a tivesse. Nosso sistema funciona de modo a excluir quem não consegue se adequar a padrões de beleza, de comportamento e de “utilidade”; essas pessoas muitas vezes são forçadas a permanecerem em subempregos e em condições degradantes por terem transtornos psicológicos. E por mais que esse fato não seja algo totalmente novo, vê-lo totalmente sem maquiagem – como foi feito em Coringa – ainda assim é doloroso.

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Resumindo, Coringa é um filme que toca em diversas feridas. A responsabilidade e o descaso do Estado em cuidar de sua população, a exclusão de pessoas com transtornos psicológicos e até mesmo as consequências desse caos fazem parte da narrativa. É um filme que mostra a trajetória de um homem que abraça esse caos e essa destruição e faz disso sua essência, sem pudor e sem remorso. Em suma, é a origem de um dos maiores vilões da cultura pop narrada de forma realista e visceral. Recomendo, mas alerto: vai ser difícil você não se sentir desconfortável enquanto assiste.

Título original: Joker
Ano de lançamento: 2019
Direção: Todd Phillips
Elenco: Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beetz, Frances Conroy, Brett Cullen

Review: El Camino: A Breaking Bad Movie

Oi pessoal, tudo bem?

Quem já leu minha resenha de Breaking Bad sabe que minha relação com a série foi do ódio ao amor, e eu terminei de assisti-la totalmente impressionada com a qualidade narrativa e técnica. Portanto, era óbvia minha ansiedade para conferir El Camino: A Breaking Bad Movie, o longa da Netflix que mostra o desfecho da jornada do meu personagem favorito: Jesse Pinkman. Por tratar-se de um epílogo, há spoilers da série!

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Sinopse: O fugitivo Jesse Pinkman tenta superar o passado. Escrito e dirigido pelo criador de Breaking Bad, Vince Gilligan, e estrelado por Aaron Paul.

Após ser sequestrado, ver a mulher que gostava ser assassinada, ser torturado de todas as formas e finalmente conseguir escapar de Todd, Jack e seus capangas, o último vislumbre que tivemos de Jesse foi dele pilotando o carro que roubou de seus captores (um El Camino, que dá nome ao filme) com os olhos marejados e uma sensação de êxtase. Mas e o que acontece depois? Jesse consegue se recuperar psicologicamente? Ele é preso? Ele foge? São perguntas que o longa vem para esclarecer.

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Ao longo das cinco temporadas de Breaking Bad, sempre ficou nítido para mim que Jesse era uma pessoa que tomou decisões erradas, trilhou um caminho ruim, mas tinha um coração essencialmente bom. Senti muita pena de todas as vezes em que ele tentou se desvencilhar de Walter (conhecido como o personagem mais egoísta do mundo, te odeio Walter White bjs) e fiquei de coração partido quando ele foi capturado e torturado na reta final da trama. Por todos esses motivos, mesmo sabendo que o personagem tem sua parcela de culpa em tudo que aconteceu, eu sempre torci por ele, para que ele conseguisse mudar de vida e encontrar a felicidade. El Camino vem para mostrar como essa jornada se desenrola, afinal, os traumas, o remorso e a culpa que acompanham Jesse são profundos.

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Apesar de descobrirmos mais sobre o tempo de Jesse em cativeiro e também vislumbrarmos as cicatrizes (literais e metafóricas) que toda a vivência do personagem deixou, El Camino não se concentra tempo demais em torno desse drama, evitando superexpor as cenas de sofrimento. A história é ágil, direta, objetiva: são 2h e 2 minutos de duração que têm um ritmo muito semelhante ao da série, fazendo com que o longa pareça um episódio mais duradouro de Breaking Bad. Com adição de alguns flashbacks para contextualizar certas situações, El Camino ainda nos agracia com a possibilidade de matar a saudade de alguns personagens (ou de odiá-los mais um pouquinho rs). Porém, fica um pequeno alerta: mesmo com o resumo no início, há alguns detalhes da trama original que eu não consegui me lembrar tão bem quanto gostaria. O filme contextualiza depois, mas talvez valha a pena assistir à quinta temporada de novo, ou pelo menos aos episódios finais, caso você também fique com a sensação de “hmmm quem é esse mesmo?”. 😛

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Outro aspecto incrível sobre El Camino é a consistência em relação à série. Vince Gilligan conseguiu recriar toda a atmosfera de Breaking Bad mesmo 6 anos após seu fim. E olha que eu não sou a maior entusiasta de spin-offs! Aaron Paul, por sua vez, retoma todo o peso dramático com qual Jesse terminou na series finale e desenvolve os desdobramentos disso com perfeição, até chegar ao ponto de esperança e renovação para o personagem. E o que dizer da fotografia? Assim como sua contraparte televisiva, que trazia cenas icônicas, El Camino também tem momentos tão belos quanto a produção que o antecede. Destaque para um dos cenários finais, que traz toda a sensação de liberdade que a narrativa inteira buscou.

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El Camino é a história que os fãs de Breaking Bad não sabiam que precisavam: um desfecho digno para Jesse, que finalmente teve a chance de tomar as rédeas da própria vida. O longa faz isso com respeito ao legado da série, com consistência em relação a tudo que faz de Breaking Bad o que ela é e, principalmente, dá protagonismo ao personagem que foi usado como um fantoche em diversos momentos da produção original. Ter a chance de ver Jesse como alguém livre da influência de Walter, com a possibilidade de fazer o que quiser com essa liberdade, foi revigorante. Porque, ao contrário de Walter, Jesse é alguém cuja humanidade nunca desapareceu, apesar dos crimes cometidos. E é nessa humanidade que a gente aposta. 🙂

Título original: El Camino: A Breaking Bad Movie
Ano de lançamento: 2019
Direção: Vince Gilligan
Elenco: Aaron Paul, Jonathan Banks, Matt Jones, Charles Baker, Jesse Plemons, Tom Bower