Resenha: Coraline (Graphic Novel) – Neil Gaiman e P. Craig Russell

Oi meu povo, tudo certo?

Fazia tempo que eu não lia uma graphic novel, e recentemente pude conferir a adaptação de Coraline (ilustrada por P. Craig Russell, que trabalhou em parceria com Neil Gaiman na adaptação para graphic novels de O Livro do Cemitério – Volume 1 e Volume 2).

Garanta o seu!

Sinopse: O aclamado artista P. Craig Russell dá nova vida ao encantador bestseller Coraline nessa versão adaptada para comics. Primeiro livro de Neil Gaiman escrito especialmente para o público juvenil, Coraline é um conto de fadas às avessas que reconhece a subestimada e, por vezes esquecida, maturidade da maioria dos jovens leitores. Em Coraline, a jovem descobre uma porta para um misterioso apartamento no prédio para onde acabou de se mudar. Uma história arrepiante, que vai além dos tradicionais dragões, príncipes encantados, frágeis princesas ou gigantes padronizados que habitam o universo infantil.

As férias de verão são um verdadeiro tédio para Coraline. A garota recentemente se mudou com seus pais para um casarão dividido em apartamentos, e ela tem como companhia vizinhos idosos pitorescos, um gato preto que sempre foge dela e muito tempo livre, pois seus pais não têm muito tempo para brincar com ela. Para completar, a menina não se sente ouvida, porque frequentemente seus pais lidam com ela daquela forma que adultos muitas vezes fazem: minimizando a opinião das crianças. Com todo esse contexto e cheia de vontade de explorar a nova casa, Coraline se depara com uma porta que dava para uma parede fechada – até que, subitamente, ela revela um corredor escuro, e não mais essa parede. Ao atravessar, Coraline sente arrepios e a presença de algo muito antigo e onipresente, e acaba em um mundo semelhante ao dela, com a exceção de que todas as pessoas têm olhos de botão e uma aparência assustadora. Seus “novos pais” fazem de tudo para que ela permaneça lá, mas Coraline resolve voltar para sua casa original. Ao perceber que seus verdadeiros pais sumiram, ela entende que vai precisar reunir toda a sua coragem para confrontar sua “nova mãe” em busca do paradeiro deles.

Se eu tivesse lido (ou assistido ao filme) Coraline quando era pequena, provavelmente sentiria medo, viu? 😂 A aparência dos “novos pais”, especialmente da mãe, é bastante intimidadora. As unhas em forma de garras, os olhos de botão, o sorriso com dentes que mais parecem presas… tudo isso forma uma imagem ameaçadora na figura da “nova mãe”. Mas de início Coraline não a encara desse modo, e vê com alegria o fato de que seus “novos pais” querem dar atenção a ela e agradá-la. Mas aos poucos a menina entende que as intenções dessas criaturas não são aquelas que demonstram, e dois elementos são de grande ajuda nesse processo: o primeiro deles é um artefato circular que ela ganhou no seu mundo das duas vizinhas idosas e que é usado em suas missões; o segundo é o gato preto, que no mundo depois da porta é capaz de falar e não a apenas alerta Coraline sobre os perigos que ela corre, como também a auxilia.

A trama de Coraline gira em torno da missão da menina de salvar os pais, mas também almas que ela descobre estarem presas no mundo espelhado atrás da porta. Não vou contar muito a respeito para não tirar a graça do livro, mas a protagonista age de forma corajosa e altruísta em uma situação desesperadora. Imagine como é perceber que está sozinha no mundo e seus pais sumiram sem deixar rastros? E que existem criaturas misteriosas que querem manter você presa em seu mundo? Com tudo isso em xeque, fiquei bastante admirada com os nervos de aço que Coraline demonstrou mesmo sendo tão jovem. Além da própria protagonista, gostei muito do gato preto, o aliado fiel cuja sabedoria surge nos momentos mais necessários.

É interessante que, apesar de ser uma história sombria e cheia de aventuras, a obra traz lições muito importantes. Eu, por exemplo, refleti e me incomodei com a postura dos pais verdadeiros de Coraline ao deixarem as opiniões da menina de lado. É como se, apenas por ela ser uma criança, seu gosto pessoal e seus sentimentos pudessem ser tratados com “deixa disso”, sabem? Claro, existem situações que podem ser birra ou pela criança ser mimada, mas ainda assim acredito que há formas diferentes de explicar por que determinado pedido não será atendido sem minimizar os sentimentos da criança. Enfim. O segundo ponto que Coraline aborda com força é a coragem. Em determinado momento, a protagonista se lembra de um episódio em que seu pai a protegeu de um enxame de abelhas e, mesmo com muito medo, ele fez o necessário para zelar por ela. Coraline se vê na mesma posição: tendo que enfrentar uma situação perigosa em nome de pessoas que ela precisa salvar. E é aí que a bela lição fica clara: ter coragem não é sobre não sentir medo, mas sim sobre sentir medo e agir mesmo assim. É algo que eu pessoalmente acredito muito e adorei ver nas páginas da graphic novel. ❤

Tecnicamente falando, as ilustrações de P. Craig Russell são muito bonitas e transmitiram o clima sombrio da história muito bem. Já tinha gostado bastante dos traços dele em O Livro do Cemitério, e aqui não foi diferente. O ritmo da história é ágil e rapidamente você lê os quadrinhos e passa as páginas, tornando a graphic novel de Coraline uma obra perfeita pra consumir em um único dia.

Coraline é um ótimo livro e tem como pilares a imaginação infantil, a coragem e o toque de horror causado por esse novo mundo. É uma história que dá um arrepiozinho, mas também inspira. Além da ótima trama, a graphic novel traz ilustrações que fazem você pousar os olhos com vontade de absorver cada detalhe. Recomendo muito!

Título original: Coraline: The Graphic Novel
Autores:
Neil Gaiman e P. Craig Russell
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 190
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.