Review: El Camino: A Breaking Bad Movie

Oi pessoal, tudo bem?

Quem já leu minha resenha de Breaking Bad sabe que minha relação com a série foi do ódio ao amor, e eu terminei de assisti-la totalmente impressionada com a qualidade narrativa e técnica. Portanto, era óbvia minha ansiedade para conferir El Camino: A Breaking Bad Movie, o longa da Netflix que mostra o desfecho da jornada do meu personagem favorito: Jesse Pinkman. Por tratar-se de um epílogo, há spoilers da série!

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Sinopse: O fugitivo Jesse Pinkman tenta superar o passado. Escrito e dirigido pelo criador de Breaking Bad, Vince Gilligan, e estrelado por Aaron Paul.

Após ser sequestrado, ver a mulher que gostava ser assassinada, ser torturado de todas as formas e finalmente conseguir escapar de Todd, Jack e seus capangas, o último vislumbre que tivemos de Jesse foi dele pilotando o carro que roubou de seus captores (um El Camino, que dá nome ao filme) com os olhos marejados e uma sensação de êxtase. Mas e o que acontece depois? Jesse consegue se recuperar psicologicamente? Ele é preso? Ele foge? São perguntas que o longa vem para esclarecer.

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Ao longo das cinco temporadas de Breaking Bad, sempre ficou nítido para mim que Jesse era uma pessoa que tomou decisões erradas, trilhou um caminho ruim, mas tinha um coração essencialmente bom. Senti muita pena de todas as vezes em que ele tentou se desvencilhar de Walter (conhecido como o personagem mais egoísta do mundo, te odeio Walter White bjs) e fiquei de coração partido quando ele foi capturado e torturado na reta final da trama. Por todos esses motivos, mesmo sabendo que o personagem tem sua parcela de culpa em tudo que aconteceu, eu sempre torci por ele, para que ele conseguisse mudar de vida e encontrar a felicidade. El Camino vem para mostrar como essa jornada se desenrola, afinal, os traumas, o remorso e a culpa que acompanham Jesse são profundos.

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Apesar de descobrirmos mais sobre o tempo de Jesse em cativeiro e também vislumbrarmos as cicatrizes (literais e metafóricas) que toda a vivência do personagem deixou, El Camino não se concentra tempo demais em torno desse drama, evitando superexpor as cenas de sofrimento. A história é ágil, direta, objetiva: são 2h e 2 minutos de duração que têm um ritmo muito semelhante ao da série, fazendo com que o longa pareça um episódio mais duradouro de Breaking Bad. Com adição de alguns flashbacks para contextualizar certas situações, El Camino ainda nos agracia com a possibilidade de matar a saudade de alguns personagens (ou de odiá-los mais um pouquinho rs). Porém, fica um pequeno alerta: mesmo com o resumo no início, há alguns detalhes da trama original que eu não consegui me lembrar tão bem quanto gostaria. O filme contextualiza depois, mas talvez valha a pena assistir à quinta temporada de novo, ou pelo menos aos episódios finais, caso você também fique com a sensação de “hmmm quem é esse mesmo?”. 😛

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Outro aspecto incrível sobre El Camino é a consistência em relação à série. Vince Gilligan conseguiu recriar toda a atmosfera de Breaking Bad mesmo 6 anos após seu fim. E olha que eu não sou a maior entusiasta de spin-offs! Aaron Paul, por sua vez, retoma todo o peso dramático com qual Jesse terminou na series finale e desenvolve os desdobramentos disso com perfeição, até chegar ao ponto de esperança e renovação para o personagem. E o que dizer da fotografia? Assim como sua contraparte televisiva, que trazia cenas icônicas, El Camino também tem momentos tão belos quanto a produção que o antecede. Destaque para um dos cenários finais, que traz toda a sensação de liberdade que a narrativa inteira buscou.

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El Camino é a história que os fãs de Breaking Bad não sabiam que precisavam: um desfecho digno para Jesse, que finalmente teve a chance de tomar as rédeas da própria vida. O longa faz isso com respeito ao legado da série, com consistência em relação a tudo que faz de Breaking Bad o que ela é e, principalmente, dá protagonismo ao personagem que foi usado como um fantoche em diversos momentos da produção original. Ter a chance de ver Jesse como alguém livre da influência de Walter, com a possibilidade de fazer o que quiser com essa liberdade, foi revigorante. Porque, ao contrário de Walter, Jesse é alguém cuja humanidade nunca desapareceu, apesar dos crimes cometidos. E é nessa humanidade que a gente aposta. 🙂

Título original: El Camino: A Breaking Bad Movie
Ano de lançamento: 2019
Direção: Vince Gilligan
Elenco: Aaron Paul, Jonathan Banks, Matt Jones, Charles Baker, Jesse Plemons, Tom Bower

Meus favoritos de 2015

Oi gente, tudo bem? Como foram de Réveillon? 😀

Seguindo o clima de virada de ano, no post de hoje eu resolvi fazer uma retrospectiva de tudo que me marcou em 2015, de livros até música! Teve muita coisa boa no meu ano, e espero que gostem da seleção dos meus favoritos. \o/

Melhor leitura

a queda garth nix

A Queda (Garth Nix): Na verdade, A Queda trata-se de uma releitura. Como expliquei na resenha do livro, eu li essa série há anos, quando era criança, e sempre tive comigo as memórias do quanto eu gostava da história. A releitura foi incrível e eu fiquei com mais vontade ainda de reler todos os volumes. 😀

Melhor filme

poster star wars o despertar da força

Star Wars: O Despertar da Força: O que dizer desse Episódio VII? O filme foi o mais aguardado do ano, bateu recordes como a maior bilheteria e é a continuação de uma das sagas mais icônicas do cinema. Todos esses títulos são justos, porque o filme é sensacional. ❤ Tem review aqui no blog, confiram (sem spoilers). 😉

Melhores animações

poster divertida mente e o pequeno príncipe

Divertida Mente e O Pequeno Príncipe: Libriana indecisa como sou, foi muito difícil escolher de qual animação eu gostei mais. Considerando tramas novas, eu opto por Divertida Mente, mas O Pequeno Príncipe me levou às lágrimas desde o trailer, e trouxe um filme com uma arte incrível, de encher os olhos. Contudo, devo dizer que os personagens e o enredo inovador de Divertida Mente foram os que mais me cativaram em 2015 (juro que não tentei fazer uma piadinha infame). ❤

Melhores séries

poster breaking bad e demolidor

Breaking Bad e Demolidor: Outro caso no qual fiquei absolutamente dividida. Breaking Bad definitivamente mexeu muito mais com as minhas emoções. Conforme expliquei na resenha, foi uma série à qual dei uma segunda chance, que me levou do “ódio” ao amor de forma muito intensa e que me surpreendeu (positivamente) demais. Já Demolidor foi uma série que me agradou desde o primeiro episódio em todos os aspectos (não à toa assisti 7 episódios em um dia). Por isso, as duas foram as melhores séries que assisti esse ano. 😀

Melhores shows

nightwish e tarja turunen

Nightwish e Tarja Turunen: Como comentei nesse post, o ano de 2015 foi recheado de shows incríveis. Dois deles foram da minha banda e cantora favoritos: Nightwish e Tarja Turunen. Em termos de show propriamente dito (playlist, animação do público, vibe) eu diria que Nightwish foi o mais marcante. Porém, o sentimento que a Tarja carrega ao cantar, a atenção que ela dá ao público (gente, ela desceu do palco, sabe!) e, é claro, o quanto eu gosto da sua carreira solo, fizeram com que o show dela fosse muito marcante pra mim. ❤

Melhor descoberta musical

james bay

James Bay: Gente, faz tempo que estou querendo falar desse menino pra vocês (e ainda pretendo). ❤ Conheci James Bay no rádio, ouvindo Hold Back The River. Adorei a música, achei super diferente, e fui procurar mais canções dele no Youtube. Sabem o que é gostar de TODAS? Tipo, sem exceção? Isso raramente acontece comigo! A cada música que eu ia colocando eu ia curtindo mais e mais. E desde então esse rapaz britânico se tornou um dos meus cantores favoritos. ❤

Bom, pessoal, essa foi a minha seleção de tudo que eu mais gostei em 2015. 😀
Me contem nos comentários o que foi mais marcante pra vocês ao longo do ano que passou, vou adorar conhecer as escolhas de vocês!

Beijos e até semana que vem! 😉

Dica de Série: Breaking Bad

Oi, povo! Como estão? 😀

Faz algumas semanas que estou esperando pra fazer o post de hoje. Trata-se de uma Dica de Série que me causou todos os sentimentos possíveis, do ódio ao amor: Breaking Bad!

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Sinopse: Walter White é um professor de química na casa dos 50 anos que trabalha em uma escola secundária no Novo México. Para atender às necessidades de Skyler, sua esposa grávida, e Walt Junior, seu filho deficiente físico, ele tem que trabalhar duplamente. Sua vida fica ainda mais complicada quando descobre que está sofrendo de um câncer de pulmão incurável. Para aumentar rapidamente a quantidade de dinheiro que deixaria para sua família após sua morte, Walter usa seu conhecimento de química para fazer e vender metanfetamina, uma droga sintética. Ele conta com a ajuda do ex-aluno e pequeno traficante Jesse e enfrenta vários desafios, incluindo o fato de seu concunhado ser um importante nome dentro da Agência Anti-Drogas da região.

Breaking Bad é uma série americana que terminou em 2013. Ganhou diversos prêmios durante sua exibição, foi elogiada por todo mundo, enfim, gerou um grande rebuliço. Obviamente, fiquei curiosa pra conferir e dei uma chance à série lá por 2012. Pois bem, eu odiei. HAHAHA! Eu fiz um esforço hercúleo pra terminar a primeira temporada, porque todos os episódios me faziam querer dormir. Eu não me identificava com nenhum personagem e achava o desenrolar da trama extremamente lento. Teimosa como sou, resolvi assistir à segunda temporada e… também não gostei. Porém, os dois últimos episódios da temporada não só me deixaram curiosa como fizeram ver potencial para continuar assistindo. Por vários motivos, eu acabei parando de assistir e só fui retomar a série esse ano. Aí começa a história de amor.

A terceira temporada de Breaking Bad foi um soco no estômago pra mim. Comecei sem muitas expectativas, considerando minha experiência anterior, mas fui arrebatada pra dentro da história de uma maneira sem volta. Devorei os episódios e fui completamente envolvida pela temporada, que tem um ritmo muito mais frenético e uma trama muito mais cheia de reviravoltas em comparação com as suas antecessoras. A partir de então, realmente passei a amar a série e não consegui largar até o último episódio, que fez meu cérebro derreter. Louco, né? 😛 HAHAHA!

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Bom, dito isso, vamos falar um pouquinho da série em si. Breaking Bad basicamente conta a história de Walter White, um professor de química genial e frustrado que descobre ter um câncer terminal. Com um filho com necessidades especiais e uma esposa grávida, Walter fica em desespero e entra em contato com um ex-aluno, Jesse Pinkman, para iniciar no mercado da produção de metanfetamina. Aos poucos, Walter consegue planejar cuidadosamente os seus próximos passos como cozinheiro, produzir a melhor metanfetamina vista no Novo México e fazer o seu nome – Heisenberg – reconhecido e temido no mercado.

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Uma coisa interessante em Breaking Bad é que, pelo fato de ter poucos personagens, todos eles são extremamente bem trabalhados. O elenco como um todo é excelente e as interpretações são impecáveis (o engraçado é que vários atores do elenco aparecem em How I Met Your Mother HAHAHA! Estou assistindo e sempre que aparece alguém de BB eu morro rindo!). Ainda sobre o desenvolvimento dos personagens, é bacana perceber que existem episódios que, apesar de aparentemente inúteis, revelam nuances profundas sobre a personalidade e a mentalidade deles. Com o passar do tempo, não é apenas Walter que passa pelo processo de decadência moral – processo este que dá nome à série, já que “breaking bad” significa quando alguém sai do caminho do bem e passa a fazer o mal. Por diferentes motivos, vários personagens acabam tomando caminhos errados que trazem consequências muitas vezes irreversíveis. Skyler, a esposa de Walter, e Jesse, o parceiro dele, são bons exemplos disso. Já o cunhado de Walter, Hank, um policial dedicado e correto que trabalha no DEA, o Departamento AntiDrogas (sim, irônico), é o exemplo oposto. O personagem se mantém fiel ao seus princípios não importando a situação, mas também se mostra complexo ao enfrentar situações de stress e descontar na esposa, Marie. Mesmo os vilões de Breaking Bad são trabalhados de maneira a mostrar a sua essência ao telespectador. Gus Fring, o maior traficante de metanfetamina do sul dos Estados Unidos, tem várias facetas que são mostradas ao longo das temporadas. Ora diplomático, ora ameaçador, o personagem tem um passado cheio de acontecimentos marcantes que fazem dele um personagem extremamente verossímil.

breaking bad heisenberg e gus fring

Claro, é impossível falar de personagens sem falar de Walter White. Eu odeio o Walter. Odeio de uma maneira que vocês não imaginam. Sim, ele é genial. Sim, ele me deixou de boca aberta inúmeras vezes com seus planos. Sim, ele é complexo e profundo. MAS EU ODEIO ELE, ele é muito FDP HAHAHA! </3 Brincadeiras à parte, a série constrói com maestria a transformação de Walter White em Heisenberg. Se inicialmente ele era motivado por cuidar e proteger sua família, aos poucos percebemos o pai e marido dedicado e professor de química inocente se transformando em um cozinheiro de metanfetamina inescrupuloso e frio. E o mais foda disso tudo: apesar de acontecer em pouco tempo (boa parte de Breaking Bad ocorre em pouco mais de 1 ano), o espectador consegue entender perfeitamente os motivos dele. E é isso que torna a desconstrução do personagem genial. Frustrado financeiramente depois de jogar um projeto bilionário fora, Walter vê no tráfico a saída para tudo aquilo que o oprime: a falta de dinheiro, a falta de reconhecimento, a falta de liberdade para ser quem quiser ser, a falta de poder e a falta de ser o melhor em alguma coisa. Em suma, Walter, um homem condenado à morte, encontra no laboratório de metanfetamina o sentimento de realmente estar vivo. Porém, como eu disse, meu lado emocional odeia ele HAHAHA! E acho que um dos motivos principais é devido a sua capacidade de manipulação, normalmente usada contra Jesse, meu personagem favorito. Jesse é drogado? Sim. Faz coisas erradas? Faz. É um criminoso? É. Mas ao longo da série percebemos o quanto de inocência existe nele, o quão grande o coração dele pode ser e o quanto ele acredita e confia no Walter, sendo influenciado diversas vezes por ele. Jesse também é extremamente verossímil: ele é o garoto com potencial inexplorado que jogou tudo fora por se envolver com drogas, pessoas ruins e más escolhas. Mas, com tudo o que acontece e com todas as cicatrizes psicológicas que a jornada na metanfetamina causa a ele, percebemos que sim, em essência ele é (ou poderia ter sido) uma boa pessoa.

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Outro grande mérito de Breaking Bad é o roteiro. Muitos episódios começam com cenas que parecem totalmente nonsense, mas que fazem todo o sentido no fim do episódio ou no decorrer da temporada. O mesmo acontece com personagens que aparecem lá nas primeiras temporadas e acabam tendo importância (direta ou indiretamente) mais tarde. Sério, não existe nenhuma ponta solta. Eu, pelo menos, não encontrei. TUDO é amarrado, explicado e desenvolvido, fazendo com que a coerência da série seja impecável. Tudo isso combinado a uma trilha sonora super inusitada e uma direção de fotografia maravilhosa.

breaking bad direção de fotografia

Falei bastante, né? Pois é, foi esse o efeito que Breaking Bad causou em mim no fim das contas. Quando parei de assistir, em 2012, eu realmente não conseguia entender porque todo mundo surtava por causa de Breaking Bad. Porém, agora eu entendo. A série conseguiu me levar do “aff, que saco” ao “omg que série foda” de uma maneira que poucas fizeram. Então, meu conselho é: assistam. E, se também não curtirem o início como eu, tentem insistir. Eu demorei três anos pra fazer isso, mas bah… valeu a pena! 😀

Título original: Breaking Bad
Ano de lançamento: 2008
Criador: Vince Gilligan
Elenco: Bryan Cranston, Aaron Paul, Anna Gunn, Giancarlo Esposito, Dean Norris, Bob Odenkirk