Resenha: Roube Como Um Artista – Austin Kleon

Oi pessoal, tudo bem?

Depois de ler a trilogia do Austin Kleon de trás pra frente, hoje vim dividir minha opinião sobre seu primeiro livro, Roube Como Um Artista.

Garanta o seu!

Sinopse: Verdadeiro manifesto ilustrado de como ser criativo na era digital, Roube como um artista, do designer e escritor Austin Kleon, ganhou a lista dos mais vendidos do The New York Times e figurou no ranking de 2012 da rede Amazon ao mostrar – com bom humor, ousadia e simplicidade – que não é preciso ser um gênio para ser criativo, basta ser autêntico. Baseado numa palestra feita pelo autor na Universidade do Estado de Nova York que em pouco tempo se viralizou na internet, Roube como um artista coloca os leitores em contato direto com seu lado criativo e artístico e é um verdadeiro manual para o sucesso no século XXI.

Após ter tido ótimas experiências com as publicações posteriores do autor, ler Roube Como Um Artista foi como um belo fechamento dessa experiência. De certo modo, ainda que teoricamente não faça sentido dizer isso em função da cronologia, pra mim a obra serviu como um lembrete de tudo que havia mexido comigo em seus livros até então, principalmente o incentivo que Austin Kleon dá à criação de hobbies (e não sentirmos uma necessidade urgente de capitalizarmos em cima disso), assim como à coragem de colocar seu trabalho no mundo.

Como uma pessoa frequentemente autossabotadora, já deixei vários dos meus trabalhos criativos pela metade ou guardados na gaveta. Se você leu meu post sobre Mostre Seu Trabalho!, talvez possa lembrar que tenho um conto que ainda não tive coragem de publicar. Porém, temos vitórias no caminho também: no post sobre Siga Em Frente eu conto um pouquinho sobre como foi retomar um hobby que eu amava e sentir zero pressão a respeito de ser a melhor possível e ganhar dinheiro com ele. ❤ Essas são duas dicas importantes de Roube Como um Artista: “projetos paralelos e hobbies são importantes” e “o segredo: faça um bom trabalho e compartilhe-o com as pessoas”. 

Além delas, que são fundamentais para que o trabalho criativo ganhe vida e inspiração, o autor também desmistifica a genialidade criativa. Para ele, o trabalho criativo é a soma de várias ideias e referências, pois nada é 100% original, e devemos praticar os “bons roubos” durante o processo de criação. E o que são os “bons roubos”? Diferentes do plágio, eles dão os devidos créditos, são retirados de várias inspirações diferentes, se dedicam a estudar outros trabalhos e transformam o que eram fragmentos de referências em algo seu. Na minha opinião, esse modo de pensar é libertador, pois retira um peso enorme dos ombros daqueles que pensam que somente quando tiverem uma ideia inovadora e totalmente única, sem nenhuma influência externa, é que estarão fazendo um bom trabalho – quando provavelmente quase ninguém consegue fazer isso.

Também existe uma dica dada por Austin Kleon que eu já havia aprendido há pouco tempo, com um líder que tive, que diz: “fingir até conseguir”. Não espere estar totalmente preparado, não espere as condições perfeitas, não espere ser um mestre na skill que você deseja aprimorar: simplesmente comece. Finja desde já que você já é um artista, que você já é um escritor, que você já é um ator ou seja lá a profissão que você deseja conseguir. Coloque a sua energia em tentar todos os dias ser aquilo que você deseja ser até que, quando se der conta, vai ter aprendido o suficiente para que não seja mais fingimento. E, acreditem em mim, ter essa postura no ambiente profissional é capaz de tirar vários quilos dos seus ombros!

Roube Como Um Artista não trouxe muitas novidades pra mim em termos de insights, mas curiosamente funcionou como um bom fechamento aos livros que li anteriormente. A lógica de publicação faz sentido, porque aqui Austin Kleon aborda vários temas que são mais esmiuçados nas obras seguintes, e eu te diria pra ler todas elas na ordem correta – mesmo que você não tenha uma profissão “tradicionalmente” criativa. Afinal, todos nós temos essa habilidade de forma inerente, basta exercitá-la. 😉 

Título original: Steal Like an Artist: 10 Things Nobody Told You About Being Creative
Autor:
 Austin Kleon
Editora: Rocco
Número de páginas: 160
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Mostre Seu Trabalho! – Austin Kleon

Oi pessoal, tudo bem?

Depois de ter adorado Siga em Frente, fiquei com vontade de conferir as outras obras de Austin Kleon. E, já que comecei pelo caminho inverso de leitura, a resenha de hoje é sobre o “livro do meio”, Mostre Seu Trabalho!.

Garanta o seu!

Sinopse: Depois de Roube como um artista, o escritor e artista gráfico Austin Kleon ensina ao leitor como compartilhar sua criatividade e tornar seu trabalho conhecido na era digital. Dividido em 10 capítulos com regras transformadoras e objetivas, citações, exemplos práticos e ilustrações bem-humoradas, Mostre seu trabalho! derruba de vez o mito do “gênio solitário” ao propor atitudes que valorizam o compartilhamento de ideias durante o processo criativo sem medo de ser “roubado”. Para Kleon, a generosidade supera a genialidade no mundo atual, e a capacidade de estar acessível e de saber usar as redes sociais de maneira produtiva, de forma a criar interesse e curiosidade em torno de seus projetos, é mais efetiva para tornar seu trabalho conhecido e relevante do que o desgastado “networking”.

Pra quem não sabe, sou publicitária e trabalho liderando um time criativo, o que faz com que eu pense e reflita frequentemente sobre esse assunto. Além disso, eu mesma já escrevi dois contos e tenho a escrita como companheira desde a adolescência. Por fim, vale dizer que muitas vezes me pego pensando sobre meu papel como propulsora do hábito da leitura, tanto aqui quando no Instagram. Some todos esses elementos e acho que dá pra sacar porque os livros do Austin Kleon, que falam de forma direta, prática e descomplicada sobre o universo criativo me interessam tanto, né?

Pra mim, trabalhar com criatividade é constantemente se questionar sobre a qualidade desse trabalho. Ele é bom o bastante para que as pessoas se importem com ele? E, se não for, eu deveria mostrá-lo pro mundo mesmo assim? Sob o ponto de vista de Austin Kleon, a resposta é sim. Em Mostre Seu Trabalho!, o autor desmistifica aquela ideia de que a criatividade é algo inerente a pessoas geniais, além de tirar o peso de que cada criação seja uma obra-prima. Muitas das coisas que faremos não serão boas, e tá tudo bem. Para Kleon, é muito mais produtivo a gente parar de tentar ser excepcional e focar na construção diária, tijolinho por tijolinho, do nosso trabalho e da nossa criatividade – e não de uma forma isolada, mas dividindo isso com o mundo, inspirando e sendo inspirado(a).

Enquanto Siga em Frente trabalha muito mais a questão da busca pelo propósito e da aceitação de que não somos criativos o tempo todo, Mostre Seu Trabalho! tem esse papel de incentivar os criativos a serem mais vulneráveis, generosos e se exporem mais. Com isso, Austin Kleon provoca o questionamento: quantos projetos já não deixamos de “parir” por receio do que os outros podem pensar?

Vou dividir uma fragilidade recente minha pra servir de exemplo: faz alguns meses que eu lembrei de um dos contos que mencionei no início do post. Ele foi selecionado para uma antologia em 2015, mas na época eu não tinha orçamento pra bancar a publicação. Quando lembrei dele, eu li e gostei bastante do que encontrei nas páginas, o que me fez pensar em publicá-lo de forma independente – ideia apoiada por diversos amigos, inclusive. Mesmo recebendo elogios de quem foi leitor beta, me perguntem se o conto está publicado. Não, porque procrastino cada detalhe em busca de uma perfeição 1) desnecessária e 2) incapaz de ser atingida. Percebem como a autossabotagem nos impede de colocar nosso trabalho no mundo e, consequentemente, aprender com ele?

Eu gostei muito de Mostre Seu Trabalho!, ainda que as dicas de Austin Kleon não tenham ressoado em mim tanto quanto aquelas trazidas em Siga em Frente (que segue como meu favorito). Acredito que tenha a ver com meu mood pessoal e profissional no momento da leitura de cada um dos livros, mas ainda assim me senti encorajada em diversas passagens de Mostre Seu Trabalho!. Ser lembrada de que o processo criativo não é pautado em genialidade, destinado a poucos escolhidos, me tirou um baita peso dos ombros, assim como a leveza de aceitar que nem todo trabalho precisa ser incrível – e tá tudo bem. Espero que essas lições tirem um peso de você também. 😀

Título original: Show Your Work! 10 Ways To Share Your Creativity And Get Discovered
Autor:
 Austin Kleon
Editora: Rocco
Número de páginas: 224
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Siga Em Frente – Austin Kleon

Oi pessoal, tudo bem?

Siga Em Frente é o livro mais recente de Austin Kleon, que ficou famoso com Roube Como Um Artista, e hoje vim contar pra vocês como foi minha experiência com ele. 😉

siga em frente austin kleonGaranta o seu!

Sinopse: A vida criativa não é uma jornada linear em direção a uma linha de chegada, ela é como um loop – portanto, encontre uma rotina diária, já que hoje é o único dia que importa. Desconecte-se do mundo para conectar-se a si mesmo – e às vezes você só precisa mudar para o modo avião para que isso aconteça. SIGA EM FRENTE celebra as atividades ao ar livre e incentiva pequenas escapadas, nem que seja apenas para um passeio curto (como o diretor Ingmar Bergman disse à filha: “Os demônios odeiam ar fresco”). Preste atenção e, principalmente, preste atenção no que você presta atenção. Preocupe-se menos em terminar as coisas e preocupe-se mais com o valor do que você está fazendo. Foque menos em deixar sua marca nas coisas, trabalhe mais para deixar as coisas melhores do que estavam quando você as encontrou. SIGA EM FRENTE traz princípios éticos, atemporais e práticos para aqueles que tentam manter uma vida produtiva e significativa.

Apesar de não ter lido os livros anteriores do autor, fiquei bem animada por ter a chance de conferir Siga Em Frente. O livro é dividido em 10 capítulos com conselhos para quem está buscando motivação para viver uma vida mais criativa, e eu acho que estou num momento muito propício para refletir sobre assunto – tanto na minha vida profissional quanto aqui no blog.

Um dos pontos mais marcantes do livro é que ele nos relembra de que está tudo bem não ser criativo o tempo todo e que faz parte vezes perdermos o rumo. Com uma narrativa irreverente e dialogada, Siga Em Frente causa a sensação de que estamos debatendo sobre a vida com um amigo na mesa do bar ou tomando um café. E o tema dessa conversa é, em essência, focar no nosso propósito. Para isso, é de suma importância encontrarmos nossa “estação da bem-aventurança”, que o autor descreve como um espaço físico ou um período de tempo na rotina dedicado a nos conectarmos a nós mesmos. Temos falado muito sobre autocuidado em 2020 e acho que um bom exercício pra isso é buscar essa nossa estação da bem-aventurança: seja um tempinho produtivo quando você acorda ou um espaço da sua casa dedicado aos seus projetos e à sua rotina.

Outro conselho que dialogou diretamente com o que eu penso é o de tomarmos cuidado com métricas de vaidade. Austin Kleon nos convida a olhar com cuidado para os números por si só: eles não dizem se alguém amou tanto seu trabalho que indicou pros amigos, se ficou pensando nele, se mexeu internamente com suas emoções. E, já que estamos falando de sentimentos, ainda nesse assunto Austin Kleon problematiza a mercantilização das nossas paixões. No sistema capitalista em que vivemos é muito fácil querer monetizar nossos hobbies ou até mesmo elogiar alguém dizendo que o que essa pessoa faz é tão bom que poderia ser vendido. Mas nem tudo precisa ser a respeito de lucro – podemos produzir apenas pelo prazer de trazer algo ao mundo. A minha escolha de foto pra ilustrar esse post não é à toa: eu sempre amei desenhar e por muito tempo parei de fazê-lo porque achava que não era boa o bastante pra ser profissional. Aí 2020 chegou e me fez ver uma coisa: quem disse que preciso ser? Foi maravilhoso me reconectar a essa parte de mim que ficou tanto tempo adormecida. ❤

Siga Em Frente também é uma obra que encoraja a mudança. Eu sou uma pessoa que tem dificuldades de lidar com o imprevisto, mas me senti acolhida pela forma como o autor nos faz repensar esse medo do desconhecido. Austin Kleon nos incentiva a acolher essas possibilidades que o novo traz, pois o trabalho criativo reside nesse não-saber, reside na nossa adaptabilidade e também no fato de que não sabemos onde o processo vai nos levar. E, para lidar com essa incerteza, temos um recurso poderoso: a esperança.

Siga Em Frente é aquela leitura rápida, fácil e leve que proporciona momentos de reflexão e otimismo. Por mais que os conselhos possam parecer lugares-comuns, a maneira como Austin Kleon divide seus pensamentos com o leitor faz com que seja muito fácil se conectar ao que ele diz. É um livro que atende ao que se propõe e o qual recomendo pra todos que precisam de uma boa dose de incentivo pra viver uma vida mais criativa e fiel a seus próprios valores. =)

Título original: Keep Going: 10 Ways to Stay Creative in Good Times and Bad
Autor:
Austin Kleon
Editora: Rocco
Número de páginas: 224
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.