Autoras que vale a pena conhecer

Oi galera, tudo bem?

Amanhã é 08 de março, Dia Internacional da Mulher. Enquanto essa data representa a nossa luta por igualdade, vejo também como uma oportunidade para divulgar e enaltecer mulheres incríveis que merecem espaço e reconhecimento. Por isso, esse ano resolvi reunir autoras que eu acho que vale a pena conhecer. Vem comigo!

Tomi Adeyemi

Autora da trilogia O Legado de Orïsha, que iniciou com o aclamado Filhos de Sangue e Osso, Tomi Adeyemi trouxe a cultura iorubá para o universo da fantasia. Explorando os ritos e figuras sagradas das religiões africanas, Tomi Adeyemi fala sobre opressão, mas também traz uma representatividade poderosa a pessoas negras. Se você é fã de livros de fantasia mas ainda não entrou em contato com sua, recomendo que faça isso o mais breve possível.

Beth O’Leary

Também conhecida como minha nova autora queridinha. A leitura de Teto Para Dois foi a minha favorita do ano passado, e muito disso se deve ao fato de que Beth O’Leary conseguiu tratar de relacionamento abusivo de uma maneira realista e certeira, mas sem sacrificar a leveza da história. Minha segunda experiência com seus livros, A Troca (em breve sai a resenha!) também foi ótima, e eu adorei o fato do livro ser protagonizado por uma avó e uma neta. Recomendo ambos os títulos sem pensar duas vezes!

Taylor Jenkins Reid

O nome dessa autora já estava no meu radar há um tempo, e seus livros têm sido bastante comentados na blogosfera. Realizei minha primeira leitura recentemente (com Depois do Sim) e foi excelente, me causando múltiplas emoções – de um jeito bom. Me baseando nessa única experiência, eu diria que Taylor Jenkins Reid é excelente em prender a atenção do leitor ao mesmo tempo em que aborda situações difíceis e emocionantes. Estou louca pra ler mais de seus livros!

Aline Bei

Uma indicação nacional vai bem, né? Aline Bei me impactou profundamente com O Peso do Pássaro Morto. Algumas das experiências mais dolorosas no “ser mulher” estão presentes no seu livro, como o machismo que tolhe e objetifica a mulher (como se ela fosse uma propriedade), a vergonha e o medo de uma vítima de violência sexual e o desamparo causado por um maternar indesejado. Não é uma leitura fácil, mas é transformadora.

Gostaram da lista, pessoal? Já leram alguma das autoras citadas?
Quero saber quem vocês incluiriam nessa seleção. Me contem nos comentários! ❤

Resenha: O Peso do Pássaro Morto – Aline Bei

Oi gente, tudo bem?

O post de hoje é sobre uma leitura que mexeu muito comigo recentemente: O Peso do Pássaro Morto. Peguem os lencinhos!

o peso do passaro morto aline beiGaranta o seu!

Sinopse: A vida de uma mulher, dos 8 aos 52, desde as singelezas cotidianas até as tragédias que persistem, uma geração após a outra. Um livro denso e leve, violento e poético. É assim O peso do pássaro morto, romance de estreia de Aline Bei, onde acompanhamos uma mulher que, com todas as forças, tenta não coincidir apenas com a dor de que é feita.

Contando a história de uma mulher dos 8 aos 52 anos de forma poética e reflexiva em primeira pessoa, O Peso do Pássaro Morto nos transporta para a mente e para o coração dessa personagem que desde o início da vida foi marcada pela dor. O primeiro capítulo se passa quando ela é uma menina de 8 anos, e a linguagem lúdica transmite o raciocínio imaginativo de uma criança. Essa inocência não demora a sofrer um baque ao ser exposta a duas perdas que vão marcar a sua vida: a de Seu Luís, um benzedeiro que cuidava dela e de sua família, e de sua melhor amiga, Carla. A protagonista conhece a solidão cedo demais e, na ausência de sua amiga, ela se vê numa escola nova, sem amigos e sem nenhum referencial de beleza e alegria que tinha até então. Pensar (e sentir, por meio da narrativa) em uma criança sofrendo isso já é suficiente para nos deixar de olhos marejados.

Mas a tristeza da protagonista não acaba nesse momento. Aos 17 ela é marcada por uma violência sexual que redefine toda a sua vida: ela é estuprada, não tem coragem de dizer o que aconteceu, se vê grávida e dando à luz o filho do homem que destruiu os seus sonhos e o seu futuro. Conforme os capítulos (ou seja, os anos) se passam, ela divide com o leitor as suas angústias e percebemos que nada do que ela planejava se realizou: se ela pretendia ser uma aeromoça e conhecer o mundo, agora ela se vê presa a um escritório tendo que sustentar sozinha o filho que ela nunca quis. E essa rejeição é um dilema e uma dor com a qual ela convive todos os dias.

Conforme Lucas, seu filho, cresce, vai ficando mais nítido que o afastamento dele para uma universidade é um alívio para ambos. A conexão entre os dois nunca aconteceu e, por mais que ela se esforce, a verdade é que olhar para Lucas é lembrar da sua agressão. Sua vida foi marcada por tragédias e a maior delas é ter um filho que ela nunca conseguiu amar. A melancolia presente nesse fato é sufocante, e a gente torce com todas as forças para que a protagonista consiga encontrar alguma fonte de esperança na sua rotina. E a esperança vem na forma de um cachorro vira-lata que ela decide adotar, Vento. Ao lado dele a vida ganha cor de novo e os dias são marcados pelo amor que ela nunca sentiu. São nessas páginas que a narradora (e o leitor) sente um pouco de alívio frente a todas as tristezas que inundam as páginas.

resenha o peso do passaro morto

O Peso do Pássaro Morto é um relato poético e melancólico das mazelas da vida de uma mulher que, desde muito cedo – cedo demais –, teve tudo tirado de si. A inocência, os sonhos, a vontade de viver. A morte ao seu redor e a morte da sua própria essência marcam cada linha do livro, e nossa protagonista de fato parece um passarinho que caiu da árvore sem sequer ter a chance de voar. É muito difícil não derramar algumas lágrimas conforme as páginas avançam, porque além do realismo presente nelas, nos deparamos também com uma grande sensibilidade pra narrar tanto desalento.

Eu amei a experiência de ler O Peso do Pássaro Morto, mas entendo também que ele não seja um livro pra qualquer momento. Eu acho inclusive que escolhi um momento complicado para lê-lo, e fiquei triste por alguns dias após terminá-lo. Então meu conselho é que você dê uma chance a essa leitura quando se sentir emocionalmente forte e menos vulnerável, pra que essa experiência não seja mais triste do que precisa ser. E, quando esse momento chegar, leia O Peso do Pássaro Morto. É um livro do qual é impossível esquecer.

Título original: O Peso do Pássaro Morto
Autora: Aline Bei
Editora: Nós
Número de páginas: 168
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤