Resenha: Heartstopper: Volume 3 (Um Passo Adiante) – Alice Oseman

Oi pessoal, tudo bem?

Como fiz questão de evidenciar na resenha das HQs e da série, me tornei fã de carteirinha de Heartstopper. ❤ Então pensem na alegria dessa pessoinha quando recebi da Seguinte o terceiro volume, Um Passo Adiante. Continua lendo que eu te conto mais!

Garanta o seu!

Sinopse: No terceiro volume da série Heartstopper, acompanhamos os primeiros desafios do namoro de Charlie e Nick enquanto os garotos viajam a Paris. Depois de entenderem o que sentiam um pelo outro, Charlie e Nick se tornaram oficialmente namorados, e cada dia é uma nova oportunidade para se conhecerem um pouco mais. Mas nem tudo é fácil, principalmente quando se trata de se assumir enquanto casal para o mundo. Mesmo com medo da reação das pessoas, os garotos sabem que em breve terão de contar a verdade, pelo menos para os amigos mais próximos ― ainda mais quando a turma toda viaja a Paris. Enquanto decidem como dar este próximo passo, os dois vão descobrir que, não importa qual seja o desafio, eles podem sempre contar um com o outro.

Se no volume 1 a dupla se aproximou e começou a desenvolver seus sentimentos e no volume 2 o foco foi na autodescoberta de Nick como bissexual e o início do namoro dos dois, em Um Passo Adiante o casal precisa tomar decisões sobre como conduzir a relação. Essa edição traz uma vibe gostosíssima ao colocar os personagens em uma viagem escolar com destino a Paris, e o leitor fica imerso naquela atmosfera de comédia romântica cheia de descobertas, cenários lindos e momentos divertidos.

Nick e Charlie ainda não contaram aos amigos sobre seu namoro, e aos poucos eles vão criando coragem – e decidindo juntos – a melhor forma de fazer isso. Achei fundamental que Alice Oseman tenha trabalhado esse tema com tanta delicadeza e cuidado, especialmente quando lembramos que Charlie foi retirado do armário contra sua vontade, causando todo o bullying que ele sofreu na escola. Por isso, o fato de que o casal protagonista está disposto a fazer isso da sua própria maneira é um sinal de empoderamento super importante, além de transmitir uma mensagem positiva a quem possa estar na mesma situação.

Outro aspecto muito bacana de Um Passo Adiante é o foco em outros personagens, que na série da Netflix já ganharam mais atenção mas, até agora nas HQs, nem tanto. É o caso de Tao e Elle, que visivelmente nutrem sentimentos um pelo outro. Durante a viagem, eles têm a oportunidade de passarem mais tempo sozinhos e refletirem sobre os ônus e bônus de se declararem. É natural ter medo de alterar uma relação que até então é pautada na amizade e algo dar errado, mas é lindo ver Tao e Elle tendo coragem de arriscar.

Além do foco na relação de Nick e Charlie como casal, Alice Oseman também insere elementos que desenvolvem os personagens individualmente, o que considero fundamental. No caso de Nick, a autora mostra ao leitor que o personagem tem uma relação fragilizada com seu irmão mais velho e com seu pai. Enquanto o primeiro é rude e faz bullying com ele (que não se deixa intimidar e o enfrenta), o segundo é ausente e, mesmo morando em Paris, não parece fazer questão de ver o filho durante a viagem. Esses elementos dão profundidade a Nick, que até então era “apenas” nosso golden retriever fofo e maravilhoso. Charlie, por sua vez, começa a ser observado pelo namorado devido a um comportamento que vai ficando nítido para o leitor também: em diversas situações de stress, ele mal toca na comida. Alice Oseman ainda não aprofunda o assunto de distúrbios alimentares nesse volume, mas pra mim ficou muito claro que é algo no horizonte. Tenho certeza de que ela vai tratar desse tema com muito cuidado e sensibilidade, como tudo que vi dela até agora.

Heartstopper: Um Passo Adiante é uma leitura deliciosa, com gostinho de verão (europeu rs) e com todo o carisma e fofura que os volumes 1 e 2 da HQ já haviam nos presenteado. É muito bom ser fã de uma obra que consegue deixar meu coração feliz já nas primeiras páginas, e Alice Oseman consegue me transportar pra história de Nick e Charlie sem esforço. É como se o leitor se tornasse parte daquele grupo de amigos, torcendo e vibrando por cada uma de suas conquistas. Se você ainda está em dúvida sobre ler ou não Heartstopper, a dica é: não pensa mais e só se joga! Vai valer a pena. ❤

Título original: Heartstopper #3: A Graphic Novel
Autora:
 Alice Oseman
Editora: Seguinte
Número de páginas: 384
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Heartstopper: Volumes 1 e 2 – Alice Oseman

Oi pessoal, tudo bem?

Ser fangirl sempre foi algo que fez parte da minha “identidade”, por assim dizer. Quando eu gosto de uma coisa, gosto MESMO. 😂 Mas, mesmo com várias experiências literárias fantásticas que tive recentemente, fazia tempo que algo não me despertava esse sentimento específico… até Heartstopper chegar. ❤ Vamos conhecer essa série de quadrinhos maravilhosa? Ah! Dia 22 estreia a adaptação da Netflix, então bora que dá tempo de ler antes, hein? 😉

Garanta os seus!

Sinopse: Volume 1: Charlie Spring e Nick Nelson não têm quase nada em comum. Charlie é um aluno dedicado e bastante inseguro por conta do bullying que sofre no colégio desde que se assumiu gay. Já Nick é superpopular, especialmente querido por ser um ótimo jogador de rúgbi. Quando os dois passam a sentar um ao lado do outro toda manhã, uma amizade intensa se desenvolve, e eles ficam cada vez mais próximos. Charlie logo começa a se sentir diferente a respeito do novo amigo, apesar de saber que se apaixonar por um garoto hétero só vai gerar frustrações. Mas o próprio Nick está em dúvida sobre o que sente – e talvez os garotos estejam prestes a descobrir que, quando menos se espera, o amor pode funcionar das formas mais incríveis e surpreendentes. Volume 2: Charlie e Nick são melhores amigos, mas tudo muda depois que eles se beijam em uma festa. Charlie acredita que cometeu um grande erro e arruinou a amizade dos dois para sempre, e Nick está mais confuso do que nunca. Mas aos poucos Nick começa a enxergar o mundo sob uma nova perspectiva e, com a ajuda de Charlie, descobre muitas coisas sobre o mundo que o cerca, sobre seus amigos – e, principalmente, sobre ele mesmo.

Charlie Spring é um garoto gay que sofreu bastante bullying quando foi tirado do armário contra a sua vontade. No novo ano escolar, apesar do pior ter passado, Charlie ainda lida com uma baixa autoestima e emoções conflitantes, pois está saindo com um cara que só o vê às escondidas. Seu dia a dia começa a ganhar um toque mais bonito de cor quando ele faz um novo amigo, o simpático e amigável Nick Nelson, um garoto popular que faz parte do time de rúgbi e que é sua dupla em uma das aulas. Apesar do estereótipo de “heterotop”, Nick é um cara livre de preconceitos, que rapidamente se afeiçoa a Charlie e constrói uma amizade muito forte com ele – convidando-o inclusive para fazer parte do time de rúgbi. Acontece que os caminhos do coração nem sempre são fáceis de trilhar: Charlie não demora a perceber que tem um crush em seu novo amigo, mas sabe que não será correspondido porque Nick é, na sua visão evidentemente hétero; já Nick começa a querer estar perto de Charlie de uma maneira que não ocorre com seus outros amigos, gerando uma dúvida sobre o que ele realmente sente e deixando-o confuso sobre sua sexualidade.

Eu já havia entrado em contato com a escrita de Alice Oseman por meio de Rádio Silêncio, em que ela também aborda temas como bullying, busca pela própria identidade e orientação sexual, sendo estes temas muito presentes em suas obras. Mas se Rádio Silêncio traz melancolia (inclusive um dos personagens dessa HQ aparece por lá), Heartstopper é uma história que vem para nos lembrar que nem sempre ser adolescente é fácil, mas que mudanças são bem-vindas e que é delicioso se apaixonar. A história de Charlie e Nick me deixou com um sorriso bobo no rosto, e ver a amizade dos dois crescendo para um sentimento mais profundo deixou meu coração absolutamente quentinho.

A autora deixa muito claro que a sexualidade das pessoas não é assunto de ninguém além dos próprios envolvidos, bem como evidencia que a aparência de alguém não deve ser levada em consideração para dizer se determinada pessoa é isso ou aquilo (como foi muito bem pontuado pela professora de Charlie e Nick ao ouvir comentários a respeito do segundo). Além disso, Alice Oseman também dá espaço principalmente a Nick, para que ele passe pelos momentos de dúvida necessários ao seu próprio processo. Vivemos em uma sociedade heteronormativa, o que faz com que a heterossexualidade seja esperada como padrão, sem necessidade de justificativa; quando os sentimentos mudam e Nick se vê apaixonado pelo melhor amigo, ele também sente medo e confusão, porque tudo que sabia sobre si mesmo parece nebuloso. Apesar de não forçar rótulos aos seus personagens, Alice Oseman permite que a bissexualidade (tão invisibilizada na mídia) ganhe destaque e faça parte do processo de construção identitária de Nick.

Enquanto no volume 1 acompanhamos com mais enfoque a amizade dos protagonistas sendo construída, é no volume 2 que esses debates que mencionei acontecem, bem como a evolução da relação dos dois. Charlie tem um papel de apoio fundamental a Nick, e isso é possível também graças a uma família amorosa que o acolhe da forma como ele é. Mas não se enganem, ser abertamente gay é só um dos aspectos sobre Charlie, existem muitos outros que o tornam encantador aos olhos de Nick e dos leitores: ele é um ótimo corredor, é super fofo, toca bateria e tem um All Star super cool. Além disso, mesmo tendo uma experiência amorosa triste com o boy que o escondia, ele jamais cobra que Nick saia do armário de forma forçada, acolhendo a necessidade de sigilo até que Nick entenda o que está vivenciando. Já no segundo volume da HQ, posso dizer que é Nick quem brilha ainda mais, sendo impossível não se apaixonar pelo carisma, caráter e gentileza do personagem, foi incrível acompanhar sua jornada de autodescoberta. ❤ Ele é, disparado, meu personagem favorito em toda a HQ (e em todas as minhas leituras recentes). Sua sensibilidade, sua preocupação com quem ele gosta e sua lealdade fazem de Nick um personagem que você quer guardar num potinho e proteger.

Além do casal principal, a autora traz para as páginas o carismático grupo de amigos de Charlie, composto por Tao, Elle e Aled (é ele um dos protagonistas de Rádio Silêncio). Aqui a representatividade se faz presente mais uma vez, sendo Elle uma garota trans e cujo crush em Tao é nitidamente correspondido. Do lado de Nick, ele faz amizade com um casal de namoradas, Tara e Darcy, que dão muita força para que ele se sinta acolhido e confortável com sua sexualidade. Ter essa rede de apoio faz toda a diferença para os personagens, e eles são aquela gang que qualquer um de nós gostaria de ter.

Eu sempre digo que acho importante que minorias possam se ver representadas em histórias felizes, não apenas tramas cheias de dor ou que falem sobre o peso do preconceito. Heartstopper é um exemplo maravilhoso disso, trazendo com muita doçura um relacionamento que começa com um “- Oi! – Oi!” diário e se transforma num amor puro e genuíno entre dois garotos que se encontram por acaso. É um acalento para o coração ler uma história tão fofa e adorável, cheia de cenas divertidas, bem-humoradas e fofíssimas, com direito a muitos beijos e demonstrações de afeto. Conteúdos que tragam a possibilidade de felicidade para quem é tão oprimido são necessários, e eu não poderia ter ficado mais feliz em ver tantas coisas boas na vida de Charlie e de Nick quanto vi em Heartstopper. E, com muita alegria no coração, digo: aqui renasce e reside uma fangirl entusiasmada, que quer ler e reler mil vezes essa história (e maratonar a adaptação da Netflix, é claro!). Se eu recomendo as HQs? Acho que a resenha já deixou isso óbvio, né! ❤

Título original: Heartstopper: A Graphic Novel
Autora:
Alice Oseman
Editora: Seguinte
Número de páginas: 288 (volume 1) e 320 (volume 2)
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Resenha: Rádio Silêncio – Alice Oseman

Oi gente, tudo bem?

O post de hoje é sobre Rádio Silêncio, um young adult cheio de diversidade e referências geek.

rádio silêncio alice osemanGaranta o seu!

Sinopse: Rádio Silêncio não é um livro leve e apresenta uma trama que prende o leitor até suas páginas finais. A história principal que envolve Frances e os gêmeos Last é acompanhada por dramas secundários que são tão envolventes quanto o cerne principal desta narrativa. É apenas lutando contra nossos medos mais secretos que podemos superá-los. E é apenas sendo verdadeiros com nós mesmos que podemos encontrar a felicidade. Frances vai precisar de cada gota de coragem que ela tem para viver esta aventura.

Frances é uma garota estudiosa, cujo maior objetivo é entrar em Cambridge. Representante de classe, todos os seus esforços no ensino médio se direcionam para o sonho da universidade. Entretanto, Frances não é a garota tímida e focada que aparenta ser: ela adora roupas coloridas, entende todas as referências geek, é divertida e fã número 1 de um podcast chamado Universe City – que aborda as aventuras de Rádio, o protagonista agênero que precisa enfrentar criaturas ameaçadoras em sua universidade. Quando Frances descobre que Aled, seu vizinho, é o criador do podcast, a vida de Frances se transforma, e ela finalmente vê a oportunidade de agir naturalmente e ser ela mesma.

Apesar de ter Frances como protagonista, Aled é a peça central de Rádio Silêncio. Seu background é peculiar o bastante para nos deixar curiosos: sua irmã, Carys (que por acaso foi amiga de Frances), fugiu de casa há um ano, ele produz Universe City sozinho e em segredo e, por fim, tem uma essência totalmente diferente daquilo que demonstra no exterior, assim como Frances. O jovem é solitário e tímido, mas perto de Daniel (seu amigo de infância) e de Frances, Aled consegue demonstrar sua vulnerabilidade e sua personalidade criativa. Porém, existem segredos que ele esconde, diretamente ligados à fuga de sua irmã – e é aí que o livro entra em temas mais pesados, como relacionamento abusivo (e não de uma forma romântica, mas doméstica, o que me fez lembrar de Eleanor & Park).

Rádio Silêncio também aposta forte na diversidade. Seus protagonistas não são heterossexuais e Frances é não-branca. Esses aspectos são apenas características, o que é algo muito positivo: desde o início sabemos que Frances é bi e em nenhum momento o livro faz disso um big deal. É simplesmente quem ela é. Em vez de utilizar esses recursos como parte do drama, a obra percorre um caminho mais interessante, focando nas consequências da pressão pelo sucesso em uma fase muito mutável da vida, que é a saída da adolescência e o início da vida adulta. O livro consegue desenvolver muito bem as dúvidas que passam pela cabeça de Aled e de Frances, ainda que ambos não se deem conta dos questionamentos sobre o futuro. No caso da protagonista, não entrar em Cambridge nunca foi uma opção, até que ela é obrigada a pensar sobre essa escolha. Sendo eu uma pessoa que entrou na universidade muito jovem, não curtiu o curso, passou por meses (talvez anos?) de pressão psicológica e insatisfação até ter coragem de trocar de faculdade, posso dizer com propriedade que me senti representada por esse plot.

resenha rádio silêncio

Mas existem alguns pontos negativos que fizeram com que Rádio Silêncio perdesse pontos comigo. O primeiro deles diz respeito a Frances. Por mais que ela tenha um ótimo coração, sejamos sinceros: ela é desinteressante. Frances não tem carisma suficiente pra segurar a trama, e Aled é o personagem que rouba a cena. Além disso, a enormidade de referências à cultura pop me cansa (falei disso em outra resenha por aqui), parece que o autor quer forçar o leitor a se conectar com os personagens com um recurso que considero pobre. Por fim, devo dizer que o livro é desnecessariamente longo e por muitas vezes arrastado; somente no final temos uma reviravolta e, quando ela finalmente acontece, tudo se resolve de forma absurdamente simples e corrida. Bastante inverossímil, eu diria. 😦

Apesar de não ter arrebatado meu coração, Rádio Silêncio é uma boa experiência. As discussões sobre futuro e, principalmente, sobre a incerteza quanto ao que seremos e se teremos sucesso em nossas empreitadas são relacionáveis e bem conduzidas. Além disso, é sempre bacana ver um livro que aborda a diversidade de maneira natural, e não como um motivo de sofrimento para os personagens. Se você se identifica com o tema, vale a pena conferir! 😉

Título Original: Radio Silence
Autor: Alice Oseman
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 448
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.