Review: A Mulher na Janela

Oi galera, tudo certo?

A Mulher na Janela foi um livro queridinho de muitos que me decepcionou bastante. Mas, como expliquei na minha resenha (bem negativa rs), eu tinha esperanças de que no formato cinematográfico a história pudesse funcionar. Será que deu certo?

Sinopse: Confinada em casa devido à agorafobia, uma psicóloga fica obcecada pelos novos vizinhos – e por solucionar o crime brutal que viu da janela.

Anna Fox é uma mulher que sofre de agorafobia, o que a impede de sair de casa. Separada do marido e da filha, ela vive sozinha e passa seus dias observando os vizinhos e misturando álcool e remédios. A chegada de novos vizinhos, os Russells, proporciona a Anna uma amizade inesperada com a dona da casa, Jane, com quem passa uma tarde divertida regada a conversas e taças de vinho. Além de Jane, a protagonista também cria um vínculo com seu filho, o adolescente Ethan – um jovem tímido e gentil que leva doces para Anna em nome de sua mãe. A chegada dos Russell não parece ser um problema, até que Anna presencia pela janela a cena de uma discussão que culmina com Jane recebendo uma facada. Porém, quando ela chama a polícia, o pai da família, Alistair, diz que só pode ter havido um engano, e apresenta sua esposa à Anna e aos policiais: só que esta Jane não é a mulher que Anna conheceu.

A premissa da história é muito boa, né? Temos uma narradora não confiável que nos faz duvidar do que ela viu, temos uma família aparentemente normal que esconde um segredo e temos um possível assassinato no centro de tudo isso. Pena que esse plot é desperdiçado e o que o diretor e o roteirista nos oferecem é um longa cansativo, lento e mal conduzido. 

A Mulher na Janela perde um bom tempo nos mostrando a rotina de Anna e, mesmo assim, falha em explorar o quão frágil psicologicamente ela está. A atuação e a caracterização de Amy Adams fazem um trabalho muito melhor em evidenciar o quanto a personagem desistiu de si mesma, mas o roteiro do longa não consegue transmitir o tanto que a personagem sofre. No livro, Anna faz parte de uma comunidade online e aconselha outras pessoas sobre agorafobia, o que é um elemento essencial da trama, mas no filme eles cortaram toda essa parte de sua vida. E, para piorar, incluíram cenas e acontecimentos desnecessários que não colaboraram em nada para o andamento da história. Até o fato dela dedicar grande parte dos seus dias a espiar a vida alheia com uma câmera mal é abordado, tornando o título da obra bem menos relevante rs.

Mesmo um elenco de peso não foi capaz de prender a atenção ao longo da 1h40 de duração do filme (que mais pareceram 3h). Amy Adams é maravilhosa, mas também temos Julianne Moore e Gary Oldman, que são figurantes de luxo. Ethan, um personagem fundamental e muito presente no livro, mal tem cenas relevantes, o que torna difícil até de engolir toda a vontade que Anna sente de protegê-lo de seu suposto pai abusivo. Todas essas pontas soltas, a pouca participação de personagens que não sejam a protagonista e mudanças no roteiro tornaram as duas revelações da trama totalmente anticlimáticas, especialmente na sequência final. A pessoa responsável pela angústia de Anna é revelada sem nem um “aquece” que permita ao espectador acreditar que aquilo que foi mostrado é crível. Só bola fora, na minha opinião.

A Mulher na Janela não me agradou como livro e conseguiu ser ainda mais fraco como filme. As poucas coisas boas que eu tinha gostado na trama original foram cortadas na adaptação e o que sobrou é um filme que não empolga, não angustia e, principalmente, não convence. Não foi dessa vez. :/

Título original: The Woman in the Window
Ano de lançamento: 2021
Direção: Joe Wright
Elenco: Amy Adams, Julianne Moore, Gary Oldman, Wyatt Russell, Fred Hechinger

Resenha: A Mulher na Janela – A. J. Finn

Oi gente, tudo bem?

Há muito tempo eu estava com A Mulher na Janela na wishlist, e estava determinada a ler antes da estreia do filme. Mas é como dizem né: não alimente o Monstro da Expectativa. 🤐 E já conto pra vocês porquê!

a mulher na janela aj finn.pngGaranta o seu!

Sinopse: Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e… espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir. Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo? E quem está no controle?

Anna Fox é uma mulher que vive reclusa em sua casa, abusando da mistura de remédios e álcool. A personagem sofre de agorafobia (um transtorno que, no caso dela, está relacionado ao medo de lugares abertos), está separada do marido e da filha e encontra distração para seus dias em hobbies como ajudar estranhos em um fórum para agorafóbicos, jogar partidas de xadrez online e, é claro, em stalkear seus vizinhos pela janela, utilizando o zoom poderoso de sua câmera. Quando os Russells chegam para ocupar a casa em frente à sua, Anna fica obcecada em observar seus passos, sendo eles um reflexo da família feliz que a sua própria costumava ser. Anna rapidamente faz amizade com o filho do casal, Ethan, e sua mãe, Jane; entretanto, em uma noite particularmente cheia de vinho, Anna presencia o assassinato da vizinha. O problema é que, ao chamar a polícia, ninguém acredita nela – e uma mulher que ela nunca viu antes se apresenta como Jane.

O plot de “eu vi um crime acontecer e ninguém acredita em mim” rapidamente me fez lembrar do ótimo A Mulher na Cabine 10. O problema aqui é que Anna não é uma personagem carismática: ela é alguém que sofre de um transtorno que provoca empatia, mas cuja personalidade não causa o mesmo efeito. Durante as primeiras 100 páginas do livro nada acontece, e vemos somente a rotina enclausurada da protagonista, que não faz outra coisa além de beber, assistir a filmes antigos, participar do fórum e jogar xadrez. A verdade é que o início do livro é extremamente enfadonho e, somado ao fato de que Anna é uma teimosa que faz tudo errado (como, por exemplo, mentir para seu psiquiatra e tomar os remédios com álcool – algo proibido em seu tratamento), fica ainda mais difícil criar afeição por ela.

A casa da protagonista é como um personagem próprio: assim como Anna, a casa está caindo aos pedaços. Suja, mal-cuidada e com traços de descaso, a casa não é somente um cenário para o livro, mas uma fonte de apoio para a protagonista. Somente naquele ambiente Anna sente-se protegida e, portanto, quando Anna começa a ter sua privacidade violada, o livro começa a ficar mais interessante. Certa de que um crime foi cometido na casa dos Russells, Anna cria uma situação bastante delicada com a polícia e os vizinhos, que contestam sua sanidade e a fazem duvidar de si mesma. É nesse momento que acontece o plot twist mais interessante do livro (mais precisamente, na página 261). Sim, a coisa mais interessante da trama demora mais de 200 páginas pra acontecer. 😦

resenha a mulher na janela

Entretanto, devo elogiar o cuidado de A. J. Finn em costurar todos os detalhes da trama. Mesmo as partes mais cansativas da rotina de Anna acabam tendo um propósito e explicam detalhes fundamentais do mistério que a personagem vive. Entretanto, isso também gerou outra questão: previsibilidade. A revelação final foi extremamente frustrante pra mim, que já desconfiava de quem era o culpado e como muitas coisas haviam sido feitas muitas e muitas páginas antes. O lado bom é que elas fizeram sentido, o lado ruim é que o livro não me trouxe um pingo de surpresa. E se você ficou curioso pra saber o que estou falando, selecione o spoiler a seguir: pra mim ficou óbvio que Ethan era o culpado quando o gato, Punch, passou a fugir dele. Animais não mudam assim, de graça, portanto atribuí o novo comportamento de Punch à culpa de Ethan. Além disso, desde o início da trama eu desconfiei da GrannyLizzie, do fórum. Quando Anna começou a se abrir com ela e falar demais sobre a vida pessoal (algo que a personagem não costuma fazer), pensei: “ih, isso aí vai dar merda”. Dito e feito.

Não sei se minhas expectativas estavam altas demais, se as resenhas que li não foram diversas o suficiente ou se simplesmente o livro não funcionou comigo. A verdade é que não gostei de A Mulher na Janela, e os motivos são basicamente o fato da primeira metade ser enfadonha e a segunda ser previsível. Como estou acostumada a ler thrillers e livros policiais, está sendo cada vez mais difícil uma obra do gênero me surpreender, então talvez isso tenha influenciado nessa minha experiência de leitura. Ainda assim, acredito que vou gostar da adaptação cinematográfica, especialmente se a direção optar por focar na tensão dentro da casa e em criar um clima de angústia (que, na obra literária, eu quase não senti). Mas, para ser justa, admito que a sequência de ação no final do livro é bem bacana e acho que vai ficar beeem aflitiva no filme. Então, para resumir: não considero A Mulher na Janela imperdível, mas se você não tiver o hábito de ler esse estilo literário, talvez ele possa te surpreender. Arriscar ou não fica a seu critério! 😉

Título Original: The Woman in the Window
Autor: A. J. Finn
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 352
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