Review: A Garota no Trem

Oi, meu povo! Tudo bem com vocês?

Semana passada fui conferir um filme que me deixou muito curiosa: A Garota no Trem! Ele é uma adaptação do livro de Paula Hawkins e, apesar de eu não ter lido a obra original, só pelo trailer ele fisgou minha atenção.

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Sinopse: Rachel (Emily Blunt), uma alcoólatra desempregada e deprimida, sofre pelo seu divórcio recente. Todas as manhãs ela viaja de trem de Ashbury a Londres, fantasiando sobre a vida de um jovem casal que vigia pela janela. Certo dia ela testemunha uma cena chocante e mais tarde descobre que a mulher está desaparecida. Inquieta, Rachel recorre a polícia e se vê completamente envolvida no mistério.

A única coisa que eu costumo achar previsível em thrillers psicológicos é o fato de que, na maioria das vezes, o personagem suspeito nunca é de fato o assassino (até porque isso tornaria o enredo todo óbvio demais). Apesar de ter uma premissa já explorada em outros filmes (lembrei diversas vezes de Garota Exemplar, principalmente no início do longa), A Garota no Trem me surpreendeu pelo caminho que o enredo trilhou, pelo desfecho incrível e pelas críticas SENSACIONAIS.

O filme nos apresenta à Rachel, uma mulher divorciada e alcoólatra. Todos os dias, Rachel pega o mesmo trem em direção à cidade para esconder sua demissão da colega de apartamento e passar em frente à casa do ex-marido, Tom, e de sua nova família. Rachel não superou o fato de Tom tê-la traído, casado com a amante e ter tido um bebê com ela, e demonstra vários sinais de que está assediando a família. Durante suas viagens, Rachel se encanta com um casal que mora a poucas casas de Tom: jovens e apaixonados, Rachel projeta nos dois todas as suas expectativas em relação ao amor. As coisas se complicam quando essa moça que Rachel observa – que depois descobrimos se chamar Megan – desaparece, e a protagonista torna-se suspeita.

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Como acontece em Garota Exemplar, A Garota no Trem também nos mostra diversas perspectivas em tempos diferentes, com o intuito de confundir o espectador. Porém, enquanto Garota Exemplar me decepcionou, A Garota no Trem me surpreendeu, me chocou e me manteve atenta a cada detalhe. Mas prometo que as comparações acabam aqui. 😛 É que, de fato, durante a primeira parte do longa eu temi que o filme seguisse a mesma linha – o que não acontece.

Uma das coisas mais interessantes no filme é que nossa protagonista não é confiável. Ela tem sérios problemas com bebida, o que torna suas lembranças totalmente deturpadas, e é obcecada pelo ex-marido e sua família. Ou seja, assim como ela, nós também ficamos à mercê dos acontecimentos e sem uma visão clara do que está acontecendo. Porém, com o desenrolar dos fatos, essa confusão ganha uma proporção genial, e o filme passa a falar não apenas do mistério em relação ao desaparecimento de Megan, mas também sobre abuso psicológico e traumas.

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Eu realmente não quero e não gosto de dar spoilers, mas preciso falar sobre a questão do abuso. Por isso, se você não quiser ler essa parte, pode pular para o próximo parágrafo. 😀 É brilhante a forma como A Garota no Trem faz o espectador duvidar da sanidade de Rachel para depois nos mostrar o que realmente levou a protagonista a esse ponto. Lidar com os abusos físicos e psicológicos do marido, que a tratava como louca e distorcia os acontecimentos (aproveitando-se da condição da esposa, que passou a sofrer com o alcoolismo por não conseguir engravidar) simplesmente destruiu a sanidade da personagem. Ela vivia se condenando por coisas que não haviam ocorrido, pois seu marido abusador a fazia acreditar naquilo e, mais do que isso, ele destruía a credibilidade de Rachel onde pudesse – inclusive com Anna, sua atual esposa, que acreditava que Rachel era uma stalker. No fim, Anna percebe que foi tão manipulada quanto Rachel e, felizmente, as duas se unem para se proteger de Tom. Em uma sociedade que vive dizendo que nós, mulheres, somos loucas, foi maravilhoso ver Rachel e Anna virando-se contra ele. A história de Megan também é triste e a personagem tem sérias falhas de caráter, mas ainda assim entendemos porque ela não consegue se conectar emocionalmente com as pessoas, utilizando apenas o sexo para tal.

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Outro aspecto a ser elogiado são as atuações. Emily Blunt foi genial e roubou a cena, trazendo à vida uma Rachel frágil e emocionalmente perturbada. As cenas em que Rachel está bêbada e confusa foram feitas de modo impecável. Haley Bennett também se saiu bem com sua fria e traumatizada Megan. Alguns atores famosos fazem parte do elenco, mas não tiveram grande destaque: é o caso de Laura Prepon, que fez exatamente o que já faz como Alex em Orange is the New Black, e Lisa Kudrow, a eterna Phoebe, que fez uma participação curta (mas de grande importância, pois revela um fato crucial na trama). Também gostei muito da atuação de Justin Theroux e Luke Evans (Tom e Scott, respectivamente): os dois me fizeram ter várias dúvidas a respeito de suas verdadeiras intenções ao longo do filme.

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Enfim, A Garota no Trem foi um filme genial, com um desfecho surpreendente e com uma crítica verossímil e atual. Saí da sala de cinema querendo falar sobre o enredo o tempo todo, tamanha a euforia que o longa me causou. Pra mim, foi um dos melhores filmes do ano. Recomendo DEMAIS! 

Título original: The Girl On The Train
Ano de lançamento: 2016
Direção: Tate Taylor
Elenco: Emily Blunt, Haley Bennett, Rebecca Ferguson, Justin Theroux, Luke Evans, Édgar Ramírez, Lisa Kudrow, Laura Prepon