Review: Bird Box

Oi gente, tudo bem?

Depois de uma divulgação pesada, Bird Box (ou Caixa de Pássaros) chegou à Netflix. Eu não li o livro, então esse review vai ser baseado apenas no filme, ok?

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Sinopse: Uma misteriosa presença leva as pessoas ao suicídio. Cinco anos depois, uma sobrevivente e seus dois filhos saem em busca de um abrigo seguro.

O filme começa com Malorie, nossa protagonista, avisando duas crianças de que farão uma viagem perigosa e que eles não podem tirar a venda dos olhos de jeito nenhum. O trio parte então para uma viagem de barco rumo a um abrigo, e então a narrativa muda para cinco anos no passado, período em que Malorie está vivenciando uma gravidez aparentemente indesejada. Ela e sua irmã vão até o hospital para um exame de rotina mas, saindo de lá, as duas percebem que o caos subitamente se instaurou: as pessoas ao redor começam a agir estranhamente, machucando os outros ou a si próprias, cometendo suicídios por toda parte. Durante a tentativa de fuga, a irmã de Malorie parece enxergar algo apavorante, suicidando-se em seguida. Desesperada e sem rumo em meio à confusão, Mal é ajudada por um homem a chegar em uma casa na qual outras pessoas se refugiaram.

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Bird Box não é um filme que se proponha a explicar de onde surgiram as criaturas que induzem as pessoas a se suicidar (eu aposto em alienígenas). O foco do longa é trabalhar as emoções das pessoas que estão lutando para sobreviver  – o que me lembrou um pouco The Walking Dead e O Nevoeiro nesse sentido. A única coisa que fica claro é que, uma vez que você olha para as criaturas, você perde o controle de si mesmo e precisa se machucar ou machucar alguém próximo. Por isso, os sobreviventes fazem o possível para tapar cada janela, porta e fresta para o mundo exterior. O problema é que dentro da casa também existem desafios, já que o grupo é muito heterogêneo e com interesses e personalidades diferentes. Essa premissa poderia ser bem interessante, mas acaba sendo uma parte do filme bastante clichê e mal desenvolvida. Os personagens da casa são estereotipados e não cativam o espectador. 

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Bird Box até tentou criar uma conexão entre os personagens, mas não funcionou muito bem. Malorie e Tom são a dupla com mais química, e o desagradável Douglas acaba sendo necessário também pra mexer um pouco com os ânimos (por mais babaca que seja). Olympia, por outro lado, parece alguém totalmente fora da casinha. Não consegui “comprar” a aproximação dela com Malorie, especialmente porque essa amizade parece um tanto quanto indesejada pela segunda. As duas compartilham um momento de ternura envolvendo a gravidez (já que ambas estão com a gestação em uma fase aproximada), mas pra mim não foi forte o suficiente para o desenrolar com as crianças. Acho super estranho que a filha de Olympia pareça ter mais destaque que o filho de Malorie, inclusive. Entretanto, em termos de atuação isso foi positivo, já que a menina é a mais expressiva da dupla mirim.

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Sandra Bullock é um dos destaques do filme. Ela dá vida a uma protagonista forte e determinada, ainda que tenha dificuldades em lidar com seus sentimentos pelas crianças – já que fica claro no início do longa que talvez a maternidade não fosse algo desejado. O medo é bastante palpável, e ela usa da racionalidade para lidar com a situação, fazendo disso o pilar da criação dos filhos. Chega a ser estranho ver como Malorie interage com eles (de modo seco e rígido o tempo todo), mas também é possível compreender o estado de nervos fragilizado e permanente em que a personagem se encontra (e a vontade de fazer com que as crianças sobrevivam).

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Os momentos de tensão são dignos de um thriller e conseguiram me deixar apreensiva. Cenas como a busca por suprimentos, a sequência envolvendo Gary e a viagem pelo rio me deixaram atenta, e acredito que muito disso se deva ao mistério que envolve as criaturas e o medo daquilo que não conhecemos. Só de pensar na situação já é algo bastante aflitivo, por saber que a ameaça está à espreita e você não pode abrir os olhos para tentar se defender. Além das criaturas, os personagens também precisam enfrentar algo tão cruel quanto: os próprios seres humanos.

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Bird Box não é um filme perfeito, especialmente por ter muitas falhas ao desenvolver os personagens e a dinâmica entre eles. Contudo, a experiência não foi negativa. Sim, em alguns momentos senti que o filme estava se arrastando demais, mas em outros fiquei bastante aflita (que é o que espero de um thriller). O pano de fundo da trama assusta, assim como os desafios enfrentados por Malorie e seus filhos. Apesar de alguns defeitos no desenvolvimento, acho que vale a pena conferir! 🙂

Título original: Bird Box
Ano de lançamento: 2018
Direção: Susanne Bier
Elenco: Sandra Bullock, Trevante Rhodes, John Malkovich, Danielle Macdonald, Tom Hollander, Sarah Paulson, Vivien Lyra Blair, Julian Edwards

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Resenha: Todos Nós Vemos Estrelas – Larissa Siriani e Leo Oliveira

Oi gente, tudo bem?

Estamos em vibes natalinas por aqui! 🎅🎄 Como diria a Phoebe, de Friends: “Happy Christmas Eve Eve!” 😂 E é claro que vai rolar resenha temática, né? Em parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer, a coluna Uma Amiga Indicou do mês decidiu falar de obras de Natal. 😍uma amiga indicou

Eu resolvi seguir a dica da Pâm e conferir Todos Nós Vemos Estrelas, da Larissa Siriani e Leo Oliveira.

todos nos vemos estrelas.pngGaranta o seu!

Sinopse: Quando o Natal se aproxima, as pessoas ficam mais nostálgicas, amáveis e caridosas. Bem, isso é o que se espera. Porque para Lisa as coisas não são bem assim. Ela só gostaria de passar as férias trancada em seu quarto com seu livro favorito, lendo novamente as aventuras do príncipe Lucien em Trinitam. Mas… E quando seus planos falham miseravelmente e você precisa lidar com acontecimentos inesperados e visitas que parecem – ou talvez sejam mesmo – de outro mundo? Uma novela de fantasia recheada de magia, amizade, família, amor e estrelas. Porque é disso que o Natal é feito.

O que mais me surpreendeu nesse conto é o fato de que, apesar do número limitado de páginas (pouco mais de 100), os autores conseguiram criar duas histórias igualmente instigantes que se conectam e nos conquistam. Lisa é uma menina tímida que ama ler. Sua série favorita é A Glória do Traidor, protagonizada pelo príncipe Lucien. O caminho dos dois se cruza quando Lisa escreve em um caderno que ganhou de amigo secreto (da sua crush, Helô, que faz uma descrição bem ofensiva de Lisa na hora de entregar o presente) que gostaria de ter alguém que realmente a entendesse. Nesse momento, Lucien é transportado das páginas para o mundo real, o que causa uma confusão tremenda em ambos.

É muuuito divertido acompanhar o estranhamento de Lucien no nosso mundo. Lisa tem que explicar tudo a ele, inclusive o uso do banheiro HAHAHA! Existe uma mudança no estilo narrativo que me agradou bastante: os capítulos de Lisa são em primeira pessoa e trazem a fluidez e a modernidade da época dela; os de Lucien são narrados em terceira pessoa por um narrador onisciente. Achei essa escolha acertada, porque mantém o estilo narrativo do livro fictício e combina com obras de fantasia, fazendo o leitor sentir que mesmo em nosso mundo Lucien ainda faz parte de um universo fantástico.

Outro aspecto positivo da leitura é o fato de que 1) Lisa é lésbica e 2) isso não é a coisa mais importante sobre ela. A naturalidade com que a sexualidade da protagonista é trabalhada é muito bacana, e eu sempre fico contente quando vejo esse tema sendo abordado de modo tão tranquilo (como deveria mesmo ser! Espero que um dia cheguemos lá). Representatividade é sempre bem-vinda! ❤ Além disso, o conto consegue abordar a personalidade da protagonista, assim como sua relação com a família e as dificuldades que ela sente de se aproximar da madrasta, Tatiana. Apesar dos assuntos não serem suuuper aprofundados – até pelo número curto de páginas –, eles são trabalhados de modo eficiente para o contexto.

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Minha maior frustração com o conto é saber que A Gloria do Traidor não é de verdade. 😦 Achei a história de Lucien tão interessante que ia amar se os autores decidissem publicá-la! E, como crítica, achei o final um pouco abrupto; é revelada uma grande reviravolta e o leitor não sabe se aquilo realmente acontece ou não. Quando você termina a leitura, a sensação é de “preciso saber o final!!!”, sabem? E eu não gosto dessa sensação. 😛

Tá, mas e o Natal? Ele é só pano de fundo mesmo. O conto acontece na época de Natal, o que pode justificar um pouco a “magia” capaz de realizar o sonho de Lisa e trazer Lucien de Trinitam para nosso mundo. Mas, fora isso, o conto não se preocupa tanto em explorar a data no modo mais “tradicional” (decoração, ceia, etc.). A trama é mais voltada à amizade, a entender as diferenças, a abrir o coração para outra pessoa entrar… Lições muito bonitas que, na minha opinião, combinam muito com essa época. ❤

Todos Nós Vemos Estrelas foi uma grata surpresa que superou minhas expectativas. Divertido, com bons personagens e uma trama construída de maneira eficiente para o número de páginas proposto, é uma ótima opção de leitura para terminar o ano. E também um lembrete de que, se olharmos para o céu, podemos estar mais próximos de quem amamos.

Feliz Natal, povo! 😍🎄

Título Original: Todos Nós Vemos Estrelas
Autores: Larissa Siriani e Leo Oliveira
Editora: Amazon
Número de páginas: 119
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Review: Aquaman

Oi pessoal, tudo certo?

Fui ao cinema conferir o elogiadíssimo Aquaman e hoje conto tudo pra vocês (sem spoilers!). ❤

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Sinopse: Filho do humano Tom Curry (Temuera Morrison) com a atlante Atlanna (Nicole Kidman), Arthur Curry (Jason Momoa) cresce com a vivência de um humano e as capacidades metahumanas de um atlante. Quando seu irmão Orm (Patrick Wilson) deseja se tornar o Mestre dos Oceanos, subjugando os demais reinos aquáticos para que possa atacar a superfície, cabe a Arthur a tarefa de impedir a guerra iminente. Para tanto, ele recebe a ajuda de Mera (Amber Heard), princesa de um dos reinos, e o apoio de Vulko (Willem Dafoe), que o treinou secretamente desde a adolescência.

Se você é daqueles que achava o Aquaman um super-herói tosco e sem graça, digo apenas uma coisa: reveja seus conceitos, parça! 😂 O Aquaman de Jason Momoa é tão badass que consegue deixar até mesmo o uniforme amarelo e verde incrível. Vimos o personagem pela primeira vez em Liga da Justiça, mas em seu primeiro filme solo podemos conhecer mais de sua personalidade e história de origem.

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O filme se passa depois da Liga, mas traz muitos vislumbres do passado do herói: ele nasceu do amor de um humano, Tom, e uma atlante, mais especificamente a rainha de Atlantis, Atlanna (sim, repetitivo rs). A rainha fugiu de um casamento arranjado e acabou se apaixonando por Tom, na superfície, com quem teve o pequeno Arthur. Porém, alguns anos depois, ela retorna a Atlantis para proteger a sua família, já que o noivo abandonado enviou soldados para buscá-la, colocando Arthur e Tom em risco. Já no presente, vemos Arthur desempenhando seu papel heróico de modo mais “tímido”, geralmente ajudando marinheiros e combatendo piratas. Porém, a ação realmente começa quando a princesa Mera procura Arthur para informar que seu meio-irmão, Orm, está reinando em Atlantis e planejando um ataque devastador à superfície. O único modo de impedi-lo é Arthur reivindicar o trono.

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Apesar da trama simples e linear (a típica jornada do herói em sua fórmula mais óbvia), Aquaman consegue costurar cada acontecimento de modo muito satisfatório. A sequência dos fatos ocorre de modo bastante natural, dando muito sentido às escolhas e ações dos personagens. Arthur nunca desejou ser rei mas, ao perceber e ameaça que paira sobre a superfície, ele decide agir para impedir o meio-irmão. Essa decisão o leva em uma jornada em busca do Tridente do primeiro rei de Atlantis, cuja posse o legitima como verdadeiro Mestre dos Oceanos. Como aliados, Arthur conta como Vulko (um conselheiro real que, a pedido de Atlanna, o treinou durante a infância) e Mera (princesa de Xebel, um dos reinos marítimos aliados de Atlantis). A busca pelo tridente é cheia de cenas de ação incríveis, que mantêm o espectador entretido e animado.

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E o que dizer dos efeitos especiais? Parte do longa, obviamente, se passa embaixo d’água, e somos apresentados a diversas civilizações que existem no fundo do mar. A riqueza de detalhes das cidades submersas, bem como seus diferentes povos, encantam quem assiste. Atlantis é colorida, cheia de efeitos neon e criaturas interessantes. Além disso, a fluidez dos movimentos embaixo d’água é admirável, tornando tudo o mais verossímil possível (considerando as circunstâncias fantásticas, é claro rs).

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Jason Momoa é um ator extremamente carismático, que dá vida a um Aquaman meio fanfarrão, divertido e bem-humorado. As piadas têm um ótimo timing e trazem uma leveza MUITO bem-vinda aos filmes da DC. Apesar de ele não entregar uma performance tão boa em cenas mais dramáticas, isso não chega a prejudicar a experiência. Também gostei de Amber Heard como Mera. Ela é uma personagem bastante firme, um pouco autoritária e muito decidida, além de poderosa e badass (e é a cara da Scarlett Johanson!). A química entre os personagens funciona e, apesar das personalidades muito diferentes, eles se complementam muito bem.

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Os vilões são um pouco rasos, com motivações um tanto óbvias. Arraia Negra é um pirata que busca vingança pela morte do pai, enquanto Orm tem dois sentimentos principais guiando suas decisões: ressentimento de Arthur (pois o culpa pela morte da mãe) e ódio da superfície (pela poluição e desrespeito com o mar). Nesse cenário, Orm acaba sendo mais interessante, apesar da reflexão bastante superficial sobre os danos causados pelos humanos à vida marinha.

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Aquaman foi um BAITA acerto da DC esse ano, sendo um filme divertido, fluido e coerente. O tom do longa também é ótimo, entregando uma história eficiente com uma dose de humor acertada e bem-vinda. Os efeitos especiais encantam e a performance dos atores é competente, com destaque para o carisma de Jason Momoa. Resumindo: assistam!

Título original: Aquaman
Ano de lançamento: 2018
Direção: James Wan
Elenco: Jason Momoa, Amber Heard, Willem Dafoe, Patrick Wilson, Yahya Abdul-Mateen II, Nicole Kidman, Temuera Morrison, Dolph Lundgren

#Lista 5: Melhores séries de 2018

Oi gente, tudo bem?

Continuando a retrospectiva de 2018, fiz uma lista com as séries de que mais gostei em 2018. Meu critério de escolha foi ter começado a assisti-las esse ano, e elas estão organizadas pela ordem cronológica em que eu as comecei. 😀

Alias Grace

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Essa minissérie, baseada em um livro de mesmo nome de Margaret Atwood, tem um enredo instigante, um elenco primoroso e uma produção incrível. Grace, nossa protagonista e narradora, é uma personagem ambígua, que nos mantém desconfiados e incertos o tempo todo.

The Alienist

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Pra quem me acompanha, não é novidade o quanto eu gosto de tramas policiais. Esta se passa no início do século 20 e traz uma equipe improvável se unindo para capturar um serial killer. Gostei demaaais!

Brooklyn Nine-Nine

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Brooklyn Nine-Nine ganhou meu coração de modo arrebatador. Essa série de comédia, que acompanha os detetives da 99ª delegacia de polícia do Brooklyn, tem ótimos personagens, o tipo de humor que eu gosto e um carisma sem igual.

The Handmaid’s Tale

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Ainda farei um post exclusivo pra falar sobre essa série, que comecei a assistir poucos dias depois de ter terminado de ler O Conto da Aia. A série conseguiu mexer muito comigo, tanto quanto o livro (ou até mais), e eu estou dando um tempo pra minha cabeça antes de começar a segunda temporada. Sim, é forte. Sim, é doloroso.

My Hero Academia

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Faz tempo que eu não falo de animes por aqui, né? Comecei a assistir My Hero Academia (ou Boku no Hero) por insistência do meu namorado e, quando percebi, estava viciada. Os episódios são muito envolventes e os personagens conquistam o espectador enquanto estudam para tornarem-se grandes super-heróis.

Mom

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Uma das melhores surpresas desse ano, Mom é uma dramédia SENSACIONAL. Trazendo como plot principal o relacionamento disfuncional de mãe e filha, ambas alcoólatras, Mom consegue te levar do riso às lágrimas em instantes. Amo real oficial!

E vocês, já assistiram a alguma dessas séries?
Quais vocês mais curtiram esse ano? 😀

Beijos e até o próximo post!

Resenha: Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja – Mindy Mejia

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei do ótimo suspense Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja.

tudo que voce quiser que eu seja mindy mejia.pngGaranta o seu!

Sinopse: Hattie Hoffman passou os 17 anos de sua vida representando papéis – de boa filha, ótima aluna, namorada ideal. Mas Hattie espera mais do que isso da vida, e o que ela deseja acaba se tornando muito, muito perigoso. Quando a jovem é encontrada brutalmente assassinada, todos da cidadezinha onde vivia ficam estarrecidos com o crime. Logo vem à tona que Hattie estava envolvida num relacionamento com potencial explosivo. A questão é: alguém mais sabia disso? Será que o namorado de Hattie seria capaz de cometer um crime, se soubesse da traição? Ou será que o comportamento impulsivo da jovem a colocou no lugar errado, na hora errada? Com uma trama repleta de reviravoltas, Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja desafia o leitor a reconhecer o tênue limite entre inocência e culpa, identidade e decepção. E fica a questão: o amor leva ao autoconhecimento ou à destruição?

Hattie Hoffman ama atuar. Sua atuação, entretanto, não se restringe aos palcos. A garota tem diversos papéis prontos que executa com maestria: aluna perfeita, filha dedicada, excelente amiga, namorada ideal. Entretanto, quando ela é encontrada brutalmente assassinada, todos em sua pequena cidade natal, Pine Valley, ficam perplexos e devastados. Com uma narrativa não linear, que alterna entre passado e presente, vamos desvendando esse mistério pela perspectiva de três personagens: Del, o xerife; Peter, o professor de inglês e amante de Hattie; e, por fim, a própria Hattie.

Além do título, a capa do livro já evidencia a principal característica da protagonista: a personalidade de Hattie é fragmentada, e não sabemos ao certo quem ela realmente é. Após sua morte, acompanhamos diversos segredos da vida da personagem sendo desvendados por meio de seus relatos e também da investigação de Del. E, para ser sincera, enquanto a garota ia sendo desvendada, foi impossível não pensar em Hattie quase que como uma sociopata. Ela é capaz de interpretar múltiplas personagens, dependendo do interlocutor, sem o mínimo de remorso, ensaiando mentalmente tudo que precisa dizer ou fazer para obter o que deseja.

Peter, por outro lado, é um personagem que inicialmente causa pena. Ele foi arrastado para o interior porque a mãe de sua esposa está doente e, desde a mudança, sua mulher parece cada vez mais distante e indiferente, fazendo pouco caso de qualquer tentativa de aproximação. Porém, não demora para que o personagem conquiste meu ranço. Quando ele descobre que a mulher com quem conversava pela internet era Hattie, sua primeira atitude é botar um ponto final na relação (o correto a se fazer). Entretanto, após muita “insistência da jovem”, Peter cede aos seus desejos quando a garota completa 18 anos, e os dois vivem um caso durante meses.

Muitas coisas me causaram incômodo nessa relação: em primeiro lugar, é um homem mais velho em uma posição de poder (professor > aluna) olhando de modo sexual para uma adolescente e se relacionando com ela; em segundo, obviamente, a traição em si; por último, mas não menos importante, o fato de que a autora coloca Hattie como a pessoa que “faz” Peter ceder. É Hattie quem insiste e “corrompe o pobre professor” até ele perder a sanidade e não resistir aos seus encantos. Essa vibe de “jovem provocante que seduz o homem mais velho relutante” é muito problemática, porque reforça o estereótipo da menina sedutora e ardilosa, a verdadeira culpada pela corrupção moral do homem. Pelo amor de Deus, Peter era o adulto na relação, ele era o responsável por tomar a atitude correta!

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Agora, falando um pouquinho sobre Del. O personagem, assim como o leitor, tenta encaixar as peças para entender o que aconteceu. Apesar de ter menos espaço narrativo do que Hattie e Peter, ainda assim conseguimos conhecer um pouco mais sobre ele e seu passado. Ele é um homem íntegro, solitário, mas que valoriza as amizades acima de tudo (em especial com os Hoffman, de quem é amigo há mais de 20 anos). Para o xerife, é extremamente doloroso investigar a morte de Hattie, devido à sua aproximação com a família. E, é claro, também é doloroso perceber como a garota vivia uma vida de segredos.

O mistério em relação à morte de Hattie não é o que prende o leitor. Inclusive, a resolução do caso deixa bastante a desejar. Mas o brilho de Tudo O Que Você Quiser Que Eu Seja não está no mistério, e sim na excelente construção dos personagens. Mindy Mejia consegue criar indivíduos muito verossímeis, cheios de qualidades e, principalmente, falhas. Seus questionamentos e sentimentos são realistas, e a trama não coloca as coisas preto no branco. Não, eu não me afeiçoei aos personagens, mas isso não quer dizer que eu não tenha conseguido admirar o modo como eles foram sendo desenvolvidos ao longo das páginas. As relações humanas – incluindo as obsessões doentias, as escolhas morais duvidosas e os atos extremos – são apresentadas de uma forma extremamente envolvente e bem construída. Como uma leitora que valoriza MUITO personagens bem desenvolvidos, fiquei totalmente satisfeita.

Enquanto lia Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja, percebi que estava menos interessada no mistério em si do que na vida dos personagens. Nesse sentido, me lembrei de O Segredo do Meu Marido, que também faz um ótimo trabalho em destrinchar as relações e os sentimentos humanos. Mindy Mejia consegue atingir esse objetivo neste livro, trazendo à vida personagens ambíguos e diversos questionamentos sobre identidade, culpa, responsabilidade, escolhas e sobre como nem sempre conhecemos de verdade as pessoas que amamos. Recomendo muito!

Título original: Everything You Want Me To Be
Autor: Mindy Mejia
Editora: Rocco
Número de páginas: 352
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Dica de Série: Sharp Objects

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei de Sharp Objects, minissérie da HBO (baseada no livro Objetos Cortantes) que rendeu a Amy Adams diversos elogios e concorre a vários prêmios.

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Sinopse: Camille Preaker, repórter do St. Louis Chronicle, é enviada para sua cidade natal para investigar a história de duas garotas que estão desaparecidas e, supostamente, foram assassinadas. O caso, mais o fato de se reunir com sua prepotente mãe, desperta recordações traumáticas de sua infância, incluindo a morte de sua irmã mais nova, Marian.

Camille é uma jornalista que se vê obrigada a voltar à Wind Gap, sua cidade natal, para cobrir o brutal assassinato de duas jovens. Atormentada por lembranças do passado, convivendo com o alcoolismo e odiando tudo que envolva Wind Gap, essa missão é um verdadeiro desafio para Camille. Muito desse sofrimento tem origem familiar: ela perdeu uma irmã ainda na adolescência, tem uma péssima relação com a mãe, Adora, e nem sequer conhece sua meia-irmã mais nova, Amma. Esses elementos combinados levam Camille a uma experiência dolorosa e intensa durante seu período na cidade em que cresceu.

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Como sou apaixonada por thrillers e admiro o trabalho de Amy Adams, estava louca para conferir Sharp Objects. A verdade é que, em um primeiro momento, a série não conseguiu cativar minha atenção. Tentei relevar a lentidão do primeiro episódio porque compreendo que é necessário apresentar com competência o aspecto psicológico de uma protagonista tão quebrada; o problema é que esse ritmo não muda ao longo dos episódios seguintes.

Acompanhamos Camille investigando a morte das jovens assassinadas, enquanto o detetive Richard Willis faz a mesma coisa em paralelo. Assim como Camille, Willis é considerado pela população de Wind Gap um outsider, alguém que não está habituado aos costumes daquela cidade interiorana cheia de segredos. Tanto ele quanto Camille sofrem certos olhares de desconfiança por estarem “fuçando onde não devem”, especialmente por parte de Adora (mãe de Camille), considerada um pilar para a comunidade, e pelo xerife Vickery. Contudo, o plot da investigação dos assassinatos não chega a ser instigante a ponto de deixar o espectador verdadeiramente curioso, porque parece que nada acontece.

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Por outro lado, os mistérios referentes à família de Camille são muito mais interessantes. A morte de sua irmã mais nova marcou muito a dinâmica familiar dos Preaker, e Adora tem uma necessidade de controle doentia. Apesar de ter negligenciado Camille a vida toda, Adora investe todas as suas energias em cuidar de Amma, tratando a adolescente como uma menininha indefesa – sem nem imaginar o quão dissimulada é a filha mais jovem, que se finge de menina comportada na frente da mãe, mas sai às escondidas à noite e mantém seus próprios segredos.

A própria Camille é um grande vulcão emocional, e a cada episódio descobrimos mais detalhes de seu passado que nos fazem sentir pena dela: além de ter perdido a irmã que amava, Camille foi internada em um hospital psiquiátrico, se automutilava, sofreu mais perdas pelo caminho e agora convive com o alcoolismo. No desenvolvimento dos personagens, a série acerta em cheio: eles são muito bem trabalhados, tem diversas nuances e nem sempre agem como esperamos, o que os torna bastante verossímeis. Os mistérios mais interessantes da série, diga-se de passagem, estão relacionados às verdades por trás do que os personagens aparentam ser (e eu não posso falar muito sobre isso porque a graça da série, ao meu ver, está nesses segredos).

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As atuações certamente merecem grande destaque. Amy Adams e Patricia Clarkson (Camille e Adora, respectivamente) roubam a cena por motivos diferentes: de Camille sentimos pena, por Adora, aversão. A dedicação das atrizes – especialmente Amy Adams – aos papéis é intensa e visceral, sendo impossível assistir a diversas cenas sem sentir grande desconforto. Eliza Scanlen (Amma) também surpreende, trazendo à vida uma personagem falsa, sedutora, mentirosa, intensa, vítima e algoz – tudo ao mesmo tempo.

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Sharp Objects traz uma trama de assassinatos que não prendeu minha atenção e me deixou bastante entediada em diversos momentos, porém é muito competente em trabalhar seus personagens imperfeitos e os traumas que se acumulam no seu emocional. O final é surpreendente, me deixou de queixo caído e eu amei! Vi gente que leu o livro reclamando que foi mal explicado (inclusive catei o final do livro pra ler), mas eu achei ótimo o fato da minissérie ter optado por ser mais chocante do que reveladora. Apesar das ressalvas, o desfecho e o desenvolvimento psicológico dos personagens “ganharam a batalha”, tornando a experiência positiva! 😉

Título original: Sharp Objects
Ano de lançamento: 2018
Diretor: Jean-Marc Vallée
Elenco: Amy Adams, Patricia Clarkson, Eliza Scanlen, Chris Messina, Matt Craven, Taylor John Smith

#Lista 4: Melhores leituras de 2018

Oi, galera! Como estão?

Dezembro chegou e aquele clima de retrospectiva já tomou conta de mim.
Nesse post vou contar pra vocês quais foram minhas leituras favoritas em 2018. A ordem da lista é cronológica, não necessariamente por preferência.

Bora lá! 🙌

P.S.: Ainda Amo Você – Jenny Han

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Esse foi meu livro favorito da trilogia Para Todos Os Garotos Que Já Amei. Lara Jean está mais interessante, há uma discussão importante sobre slutshaming e tem também o fofo do John Ambrose McClaren! ❤

Escândalos na Primavera – Lisa Kleypas

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Meu queridinho da série As Quatro Estações do Amor. Daisy foi a melhor protagonista, e Matthew é um homem dos sonhos! O romance deles não tem drama desnecessário e eles se amam e se respeitam demais. Nenês! ❤

O Segredo do Meu Marido – Liane Moriarty

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Meu primeiro contato com a escrita da Liane Moriarty foi muito positivo. A autora faz um excelente trabalho ao destrinchar as relações familiares e os segredos ocultos que muitos de nós fazem de tudo para esconder. Foi no epílogo que meu queixo caiu e eu fiquei completamente arrebatada pela história.

Boneco de Neve – Jo Nesbø

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Como uma grande fã de romances policiais, adorei a experiência com Boneco de Neve. Os crimes brutais, o mistério por trás da identidade do assassino e as cenas de ação eletrizantes fizeram desse livro uma ótima experiência.

Clube da Luta Feminista – Jessica Bennett

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Esse é um daqueles livros que todo mundo precisa ler. A jornalista Jessica Bennett utiliza de sua experiência pessoal e também dados estatísticos para falar sobre o machismo sutil no ambiente corporativo, dando dicas para combatê-lo e incentivando o empoderamento feminino.

O Poderoso Chefão – Mario Puzo

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Trazendo as tensões das diversas Famílias da máfia italiana como fio condutor, O Poderoso Chefão acompanha as relações da Família Corleone, uma das mais importantes de Nova York, e desenvolve seus personagens ambíguos com maestria.

Warcross – Marie Lu

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Ambientado em um futuro no qual a tecnologia teve grande avanço e um gadget permite a interação entre real e virtual, Warcross é uma ficção científica cheia de ação e ótimos personagens. O final do livro é surpreendente e faz o leitor implorar pela continuação!

A Mulher na Cabine 10 – Ruth Ware

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Claustrofóbico e envolvente, esse livro é um ótimo thriller psicológico ambientado em um cruzeiro de luxo. A protagonista, Lo, sofre de TEPT e tem certeza de que ouviu um assassinato na cabine ao lado da sua; o problema é que ninguém acredita nela.

O Conto da Aia – Margaret Atwood

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Esse livro é uma obra-prima, e eu não estou exagerando. Ele narra um futuro distópico no qual as mulheres perderam seus direitos civis e viraram propriedade de um governo autocrático e religioso, sendo separadas em “castas” de acordo com sua função. É visceral e perturbador.

Espero que tenham gostado da lista, pessoal. 😀
Já leram ou pretendem ler alguma dessas obras? Me contem nos comentários!

Beijos e até o próximo post!