Dica de Série: The Sinner

Oi gente, tudo bem?

Se você curte histórias de investigação com muitos mistérios, você vai curtir a dica de hoje: The Sinner!

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Sinopse: A investigação acerca de um crime precisa acabar quando se sabe qual foi o crime e quem foi o criminoso? Quando uma jovem mãe de família comete um crime nefasto em público e se vê incapaz de explicar o motivo que a levou àquele estado de fúria súbito, um investigador se torna cada vez mais obcecado em entender as profundezas da psique da mulher, desenterrando os momentos de violência que ela tenta manter no passado, longe dos olhos do mundo.

The Sinner é uma série curtinha, com duas temporadas lançadas, tendo cada uma 8 episódios. Cada temporada é focada em um caso diferente, mas com um elemento em comum: Harry Ambrose, o detetive veterano que investiga os mistérios. Essa vibe me lembrou séries literárias policiais, em que temos um mesmo protagonista resolvendo diversos casos, o que é algo que gosto bastante. 🙂 Porém, The Sinner tem um grande diferencial: logo no primeiro episódio nós já sabemos quem cometeu o crime. Só não sabemos o porquê.

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A season 1 traz o caso de Cora Tannetti, uma mulher aparentemente normal: ela trabalha, é casada, tem um filho pequeno e parece ser feliz. Até que um dia, curtindo um dia de praia com a família, ela ouve uma música que a perturba, vinda do aparelho de som de um casal próximo. Cora entra em frenesi e parte para cima do homem, assassinando-o com a faca que usava para cortar frutas para o filho. Em estado de choque, ela é levada pela polícia e simplesmente se declara culpada, dizendo que não sabe porquê fez o que fez, mas sabe que é responsável pelo ato. Intrigado com a situação, o detetive Harry Ambrose decide investigar a vida de Cora, tentando compreender o que levaria uma mulher tão comum – e sem nenhum registro na polícia – a cometer um ato explosivo de tamanha violência.

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A atuação de Jessica Biel merece destaque: a atriz consegue trazer toda a confusão de Cora apenas no olhar. Desolada, confusa e resignada, Cora simplesmente aceita o que acontece com ela, até que Harry a convence a ir mais fundo no passado – e nas memórias enterradas. Conforme os episódios vão passando, o espectador vai descobrindo junto de Harry (e da própria Cora) diversos acontecimentos marcantes que foram apagados das lembranças da personagem. E isso deixa a história ainda mais intrigante, porque nada parece fazer sentido.

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Eu desenvolvi diversas teorias enquanto assistia à primeira temporada e, no fim, não acertei nenhuma delas. 😂 Os flashbacks utilizados na série serviram para me confundir e me enganar mas, no final, todas as peças se encaixaram e fizeram sentido. Cheguei ao final da série muito satisfeita com o desenrolar da investigação e com a verdade por trás de tudo, e obviamente esperei ansiosa pela estreia da season 2, que foi ao ar esse ano. A segunda temporada, apesar de menos envolvente que a primeira (em parte pela falta de carisma de alguns dos novos personagens), também me envolveu. A vibe da trama me lembrou muito dos crimes de Charles Manson e sua seita.

The Sinner é uma série investigativa que se diferencia não por correr atrás dos assassinos, mas sim por adentrar na mente deles em busca de respostas. O aspecto psicológico dos personagens é muito bem trabalhado, e o mistério que permeia cada caso nos deixa interessados e curiosos. Recomendo!

Título original: The Sinner
Ano de lançamento: 2017
Criador: Derek Simonds
Elenco: Jessica Biel, Bill Pullman, Christopher Abbott, Jacob Pitts, Nadia Alexander, Carrie Coon, Natalie Paul, Elisha Henig, Hannah Gross

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Review: Nasce Uma Estrela

Oi gente, tudo bem?

Fui conferir o tão aguardado Nasce Uma Estrela, com Lady Gaga e Bradley Cooper, e hoje trago pra vocês minha opinião sobre esse filme lindo e devastador. ❤

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Sinopse: Jackson Maine (Bradley Cooper) é um cantor no auge da fama. Um dia, após deixar uma apresentação, ele para em um bar para beber algo. É quando conhece Ally (Lady Gaga), uma insegura cantora que ganha a vida trabalhando em um restaurante. Jackson se encanta pela mulher e seu talento, decidindo acolhê-la debaixo de suas asas. Ao mesmo tempo em que Ally ascende ao estrelato, Jackson vive uma crise pessoal e profissional devido aos problemas com o álcool.

Jackson Maine é um cantor famoso, mas que enfrenta o declínio de sua carreira devido a problemas relacionados ao alcoolismo e abuso de drogas. Em uma noite, após um show, ele vai para um bar e acaba assistindo à apresentação de Ally, uma garçonete que se apresenta no local cantando covers após o expediente. Jack fica encantado pela voz e pelo talento de Ally e a convida para sair depois da apresentação, dando início a um relacionamento cheio de paixão e intensidade. Jack começa a incentivar Ally a cantar suas próprias composições e, conforme a moça vai ganhando os holofotes, o próprio Jack vai perdendo prestígio, graças a um problema auditivo que vai se agravando e, é claro, ao seu abuso de substâncias.

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Gente, por onde começar a falar desse filme que mexeu TANTO comigo? Pra começo de conversa, preciso dizer que saí do cinema lavada de lágrimas. Mais de uma hora depois da sessão, quando eu pensava no filme eu ficava com vontade de chorar. Nasce Uma Estrela conta uma história de amor tão profunda, mas tão cheia de percalços, que é difícil não se emocionar. Grande parte do mérito do filme fica por conta da química inegável entre Bradley Cooper e Lady Gaga: é delicioso assistir à história de amor deles começando, a admiração que Jack sente por Ally, o apoio que ela sempre dedica a ele (mesmo nos momentos mais sombrios). Além disso, a direção delicada e nada apelativa de Cooper, focada nas expressões e emoções dos personagens, também merece elogios.

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As atuações do casal protagonista também merecem destaque. Bradley Cooper traz ao espectador um Jack carismático, mas extremamente problemático. O personagem tem problemas para lidar consigo mesmo, o que fica evidente em seu olhar, no seu modo de encarar o chão e, obviamente, na dependência química. A primeira cena do filme já deixa claro que o personagem consome drogas e álcool em um nível alarmante, chegando até mesmo a apagar por causa disso. Entretanto, por mais mancadas que ele dê e por mais “quebrado” que Jack seja, Bradley Cooper conseguiu transformá-lo em alguém por quem sentimos empatia (especialmente porque é nítido o amor e a ternura que ele sente em relação a Ally). A gente torce por Jack, torce para que ele supere tudo isso, e esse sentimento não seria possível sem a atuação sensível de Cooper.

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Lady Gaga, por sua vez, me surpreendeu. Devo admitir que, nas cenas mais descontraídas e leves, sua atuação não me impressionou, principalmente pela falta de naturalidade. Entretanto, nas cenas de grande carga e intensidade dramática, Gaga me conquistou com sua atuação cheia de sentimento: seu olhar intenso dizia tudo, e a emoção transbordava. Mas se o casal principal é o foco de Nasce Uma Estrela, não posso deixar de mencionar outro personagem importante: Bobby, irmão mais velho de Jack. Uma das cenas protagonizadas pelos dois, com pouquíssimos diálogos, me levou às lágrimas. A atuação de Sam Elliott (que eu só tinha visto na comédia Grace and Frankie) me comoveu, e um simples olhar vermelho e marejado foi capaz de me emocionar profundamente.

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Outro acerto do filme está em não ser preto e branco, mas cinza. Em vários momentos a gente discorda da atitude dos personagens, mas as compreende. Jack, por exemplo: apesar de sentirmos empatia por ele, os ciúmes do cantor em relação ao sucesso de Ally demonstra uma falha de caráter grave. Ally, por outro lado, também traça um caminho que divide opiniões: ela é completamente apaixonada e leal a Jack, estando ao lado dele em diversos momentos; entretanto, ela parece trair sua própria essência ao se “vender” à indústria pop. Essa é uma crítica bastante importante de Nasce Uma Estrela: assim como Lady Gaga na vida real, Ally precisou se encaixar em padrões estéticos e musicais para atingir o estrelato e chegar ao show business. A mudança na sua aparência e no caráter de suas canções é nítido e, apesar da personagem parecer lidar bem com isso, é difícil não sentir uma pontada no coração por perceber sua essência sendo alterada e moldada para caber no modelo comercial da indústria fonográfica. 😦

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Por último, mas não menos importante: e as músicas, minha gente? Que hino de trilha sonora. Lady Gaga ofusca tudo ao seu redor quando coloca a emoção e a sua voz nas canções. A cena em que Ally canta Shallow pela primeira vez, no estacionamento, arrepiou cada centímetro do meu corpo. Bradley Cooper também se sai muito bem com seu estilo country rock, e as vozes combinadas são ótimas. O mais bacana é perceber como as letras se encaixam com os diversos momentos do filme, revelando um pouco mais do que a cena mostra.

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Sentimentos sobre o final (parágrafo com SPOILERS, pule para o próximo se quiser evitá-los): QUE FINAL DEVASTADOR! Achei o filme um pouco corrido depois da cena no Grammy, e o diálogo de Jack com seu colega da reabilitação não foi suficiente para que eu assimilasse sua depressão e suicídio iminentes. E QUE ÓDIO DO EMPRESÁRIO DA ALLY! Ele não tinha o direito de interferir na vida do casal daquela forma. 😦 Era decisão dela permanecer ou não com Jack, e seu discurso irresponsável tirou não apenas seu direito de escolha, como a vida de Jack. Como eu queria que ela descobrisse e o demitisse!

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Nasce Uma Estrela mexeu muito comigo: me fez sorrir, me arrepiou, me emocionou, me fez chorar… me marcou. É um daqueles filmes que ficam na memória porque são capazes de mexer com nossas emoções e sentimentos. Atuações sensíveis, uma história de amor linda e trágica e uma trilha sonora de tirar o fôlego fazem de Nasce Uma Estrela um filme que merece o hype e precisa ser visto. Recomendado e favoritado!

Título original: A Star Is Born
Ano de lançamento: 2018
Direção: Bradley Cooper
Elenco: Lady Gaga, Bradley Cooper, Sam Elliott, Andrew Dice Clay, Rafi Gavron, Anthony Ramos

Dica de Série: And Then There Were None

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim recomendar pra vocês a minissérie da BBC And Then There Were None, que adapta o livro de mesmo nome da Agatha Christie. 😀

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Sinopse: Oito estranhos são convidados para visitar uma pequena ilha localizada na costa de Devon, no sul da Inglaterra. Isolados do resto do mundo, eles são recebidos pelos anfitriões Sr. e Sra. U.N. Owen, que passam a maior parte do tempo ausentes. Mas, quando alguns membros do grupo começam a sumir misteriosamente, os convidados logo percebem que há um assassino entre eles.

Uma das minhas melhores leituras do ano passado foi E Não Sobrou Nenhum, então fiquei animadíssima quando soube pela Carol que havia uma série baseada no livro. Com apenas 3 episódios de duração, a série consegue trazer toda a trama e a atmosfera criadas pela Rainha do Crime para a televisão, com atuações competentes e desenvolvimento envolvente.

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O plot principal se mantém fiel ao material de origem: dez pessoas aparentemente sem ligação nenhuma são convidadas (sob diferentes pretextos) por Mr. U. N. Owen a passar o fim de semana na Ilha do Soldado. Contudo, uma gravação misteriosa acusa todos os presentes de terem saído impunes de crimes cometidos no passado, causando um clima de desconfiança e tensão. Quando os convidados passam a morrer, um a um, e toda a comunicação com o mundo exterior é cortada graças a uma tempestade, os convidados passam a tentar descobrir quem é o assassino – bem como controlar o próprio pânico.

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Sou suspeita pra falar dessa trama, porque eu acho essa história genial. ❤ A sensação claustrofóbica presente no livro é transmitida perfeitamente para a tela: os personagens estão em uma ilha, na presença de um assassino misterioso, cercados por desconhecidos e enfrentando uma tempestade que impede qualquer tentativa de fuga. Essas circunstâncias já são suficientes para deixar qualquer um em estado de alerta e ansiedade.

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A série também acerta ao desenvolver as emoções dos personagens. Novamente, Vera, Lombard, Armstrong e Wargrave tiveram maior destaque, assim como no livro. Na série, há uma tensão sexual entre Vera e Lombard, e uma cena que não existe no material original: os personagens fazem uma festa pra tentar acalmar os próprios nervos e relaxar, o que é até bem compreensível, quando você imagina que eles estão em uma situação de extrema tensão, sem chance de fuga ou de “salvação”. Os atores entregam ótimas atuações, passando ao espectador o medo e a desconfiança constante que sentem (e, no caso de alguns, remorso). A fotografia e os figurinos são incríveis, trazendo ainda mais riqueza à produção. Por fim, o final também é bem interessante, trazendo um novo ângulo para o fechamento do caso. 

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And Then There Were None é uma minissérie de grande qualidade, que adapta o (maravilhoso) material de origem com total competência. Se você é fã da Agatha Christie ou de tramas investigativas, não pode deixar de conferir. 😉

Título original:  And Then There Were None
Ano de lançamento: 2015
Roteirista: Sarah Phelps
Elenco: Charles Dance, Maeve Dermody, Aidan Turner, Toby Stephens, Burn Gorman

Resenha: Um Sedutor Sem Coração – Lisa Kleypas

Oi pessoal, como estão?

E quem diria que eu estaria toda interessada em romances de época, depois de ter demorado tanto para conhecê-los? 😀 Pois é! E hoje vim resenhar Um Sedutor Sem Coração, o primeiro livro da nova série da Lisa Kleypas, Os Ravenels.

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Sinopse: Devon Ravenel, o libertino mais maliciosamente charmoso de Londres, acabou de herdar um condado. Só que a nova posição de poder traz muitas responsabilidades indesejadas – e algumas surpresas. A propriedade está afundada em dívidas e as três inocentes irmãs mais novas do antigo conde ainda estão ocupando a casa. Junto com elas vive Kathleen, a bela e jovem viúva, dona de uma inteligência e uma determinação que só se comparam às do próprio Devon. Assim que o conhece, Kathleen percebe que não deve confiar em um cafajeste como ele. Mas a ardente atração que logo nasce entre os dois é impossível de negar. Ao perceber que está sucumbindo à sedução habilmente orquestrada por Devon, ela se vê diante de um dilema: será que deve entregar o coração ao homem mais perigoso que já conheceu?

Após a morte de um primo, o boêmio Devon Ravenel se vê como herdeiro de um título de nobreza e um condado cheio de dívidas. Agora conde Trenear, seu único objetivo é vender o Priorado Eversby e se livrar das responsabilidades o mais breve possível. Entretanto, seus planos vão por água abaixo quando ele conhece a viúva do primo, lady Kathleen. A moça mora com as três cunhadas na casa do ex-marido, com quem ficou casada apenas três dias antes do fatídico acidente que o matou. E, após algumas discussões acaloradas – e uma atração irresistível –, Devon decide manter o condado e assumir aquilo que sempre temeu: responsabilidades.

Esse livro já me chamou a atenção por ser bem mais longo que os volumes da série As Quatro Estações do Amor (meu primeiro contato com Lisa Kleypas). Portanto, aqui a história se desenrola de modo bem mais gradual. Após ser confrontado por Kathleen, Devon encara o desafio de assumir o condado. Para isso, o personagem – antes um libertino beberrão e inconsequente – precisa amadurecer, estudar, trabalhar muito e se dedicar às suas novas atribuições. Kathleen, por outro lado, é uma personagem bastante obstinada e de espírito vigoroso, mas que precisa assumir um manto de luto e a compostura de uma viúva. O grande problema nisso é que ela foi cortejada pelo falecido marido por poucos meses e ficou casada apenas três dias: ou seja, ela mal o conhecia. Com o passar das páginas, Devon vai sendo influenciado pelo senso de responsabilidade de Kathleen, enquanto ela vai relaxando e abrindo mão de algumas convenções sociais por influência dele.

Outro personagem que vale mencionar é West, irmão de Devon. O rapaz inicia o livro como alguém sem propósito, totalmente contrário à decisão do irmão de manter a propriedade. O desenrolar da trama traz profundas transformações em sua personalidade, que ganha uma nova motivação de vida ao se envolver com o dia a dia dos arrendatários do condado. West é alguém que cresce muito ao longo do livro, e é impossível não se apaixonar por ele! Sua amizade fraternal com Kathleen também é comovente, e eu gosto muito dos dois. As irmãs do falecido conde também são fofas: elas viveram a maior parte da vida reclusas, em função do luto (primeiro, pelos pais; depois, pelo irmão). Helen é uma moça doce, gentil e refinada; as gêmeas, Pandora e Cassandra, são inseparáveis e divertidas.

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Preciso fazer uma ressalva em relação ao título! 😛 Para mim, Devon não tem absolutamente NADA de “sedutor sem coração”. Apesar de ter dificuldade em perceber que deseja se casar, o sentimento dele por Kathleen rapidamente se mostra verdadeiro e intenso. Devon é um homem apaixonado, que se esforça continuamente para fazê-la feliz. Desde a decisão de manter sua propriedade, o Priorado Eversby, até uma cena específica em que ele age como um verdadeiro herói, o protagonista demonstra seu bom coração e sua índole honrada. Pronto, defesa ao Devon feita! 😂 Ele é ótimo, e tenho dito hahaha!

O romance de Devon e Kathleen não foi arrebatador, daqueles que tiram o nosso fôlego. A personagem tem traumas relacionados a abandono e foi muito maltratada pelo marido, mesmo na brevidade de seu casamento. O bonito da relação dela com Devon é a paciência dele em lidar com ela, e o modo como as coisas mudam entre eles conforme o tempo passa e o respeito cresce. Pra mim, é o maior mérito da relação dos dois, muito mais que a paixão arrebatadora.

Acredito que o livro poderia ser um pouco mais curto do que ele é, de modo a tornar os acontecimentos mais ágeis. Entretanto, o lado positivo é que a personalidade e a relação entre os personagens se constrói de modo gradual e verossímil. Isso se aplica ao casal protagonista, mas também a West com as meninas e Helen com Winterborne (um amigo de Devon, com quem o protagonista deseja que Helen se case). Isso demonstra a preocupação de Lisa Kleypas em construir a relação dos personagens dessa e das próximas histórias da série, o que acho ótimo.

Em suma, Um Sedutor Sem Coração inicia com o pé direito a nova série de Lisa Kleypas, trazendo personagens bem construídos, que crescem e amadurecem conforme a história evolui. Recomendo a todos os fãs de romances de época! ❤

Título Original: Cold-Hearted Rake
Série: Os Ravenels
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 320
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Resenha: Confissões de Uma Garota Desastrada – Emma Chastain

Oi galera, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei de Confissões de Uma Garota Desastrada, um dos lançamentos de agosto da Editora Rocco. 😉

confissoes de uma garota desastrada emma chastainGaranta o seu!

Sinopse: Escrito em forma de diário, Confissões de Uma Garota Desastrada relata um ano na vida de Chloe Snow e sua chegada ao Ensino Médio. Estão lá os típicos dilemas de uma adolescente às voltas com o amadurecimento, as amizades e os amores. Para Chloe, a vida dela é um verdadeiro desastre: ela nunca beijou ninguém, está apaixonada pelo veterano mais desejado da escola e sua melhor amiga não tem mais nada a ver com ela. Para completar, sua mãe se mudou para o México de repente, deixando a menina sozinha com o pai. Divertido, sensível e emocionante, o livro é uma espécie de Diário de Bridget Jones para jovens, capaz de arrancar lágrimas e gargalhadas a cada página.

O livro é narrado em formato de diário por Chloe Snow, uma garota de 14 anos que está prestes a iniciar o primeiro ano do Ensino Médio. Diariamente, a menina escreve os principais acontecimentos do seu dia, além de suas preocupações, medos, alegrias e inseguranças. A principal mudança em sua vida é contada já no primeiro dia: sua mãe, uma escritora, decidiu passar uma temporada no México em busca de inspiração para o próximo livro. Isso, somado ao fato de que o Ensino Médio é uma fase marcante na vida de qualquer jovem, deixa Chloe ainda mais ansiosa (por mais que ela tente fingir que está tudo bem). E, para completar, a garota está decidida a dar o primeiro beijo e perder o BV!

Confissões de Uma Garota Desastrada é um livro leve e fácil de ler, principalmente devido ao formato de relatos diários de Chloe. A protagonista em si não é uma personagem encantadora: ela é meio mimada e irresponsável. Mas, quando lembramos que Chloe tem apenas 14 anos, as atitudes da garota fazem mais sentido. É impossível não lembrar de como era ter a idade (e as preocupações) dela: Chloe é uma adolescente, está com hormônios em ebulição, surta por qualquer coisa e quer descobrir o mundo. Familiar? Pois é! Além disso, Emma Chastain fala sobre sexo e primeiros crushes de modo muito natural e saudável, permitindo que Chloe fale e reflita sobre sua sexualidade e seus desejos.

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Outro aspecto interessante do livro é o modo como a autora aborda as tensões familiares. Para o leitor adulto, é nítido que o casamento dos pais de Chloe está ruindo; para uma menina que idealiza a própria família, não. Toda criança ou adolescente imagina que seus pais são almas gêmeas e que vão ficar juntos pra sempre, mas a realidade pode ser bem diferente disso. E, por mais que Chloe tente encarar a situação de modo positivo (ou até fingir não ligar), é nítido em diversas partes da trama que a garota não está sabendo lidar com a situação, vendo suas emoções transbordarem. E não é apenas o relacionamento dos pais de Chloe que passa por uma ruptura: a amizade de infância com Hannah, sua melhor amiga, também. Essa é outra abordagem bem realista de Confissões de Uma Garota Desastrada: quem nunca se afastou de um BFF sem razão? Apenas porque as mudanças aconteceram e a afinidade morreu? Eu passei por isso várias vezes, e tenho certeza de que vocês também.

O aspecto mais irritante no livro é o fato de Chloe se apaixonar por um cara comprometido e “não largar o osso”. Ela toma atitudes bem mesquinhas e egoístas – o que condiz com seu jeito mimado e sua pouca maturidade -, que tornam difícil torcer por ela. O “casal” não é nada shippável, o que eu considerei ótimo, já que eu dificilmente torço por relacionamentos que começam na infidelidade. Felizmente, a conclusão do livro foi muito satisfatória, trazendo um grande amadurecimento para a protagonista.

Confissões de Uma Garota Desastrada é um túnel do tempo que te transporta direto para a adolescência. É um livro divertido e despretensioso, que você lê e nem vê o tempo passar. É uma literatura voltada a um público mais jovem, mas mesmo os adultos conseguem se divertir (e se identificar) com as situações vividas por Chloe. Vale dar uma chance! 😉

Título original: Confessions of a High School Disaster
Série: O Diário de Chloe Snow
Autor: Emma Chastain
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Dica de Série: The Good Place

Olar, tudo bem?

Cá estou com mais uma dica de série de comédia bem divertida: The Good Place. 😉

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Sinopse: Depois de morrer, a egocêntrica Eleanor é enviada por engano ao lado bom do Além. Agora ela está determinada a se tornar uma pessoa melhor para continuar lá.

Eleanor Shellstrop morreu. No pós-morte, ela acorda no paraíso (o Lugar Bom) e é recepcionada por Michael, seu mentor, que explica que as pessoas recebem pontos ao longo da vida de acordo com suas atitudes (boas ou más), que definem se elas irão para o Céu ou para o Inferno. O problema é que Eleanor não foi uma pessoa boa. Muito pelo contrário! Ela era egoísta, ácida, desagradável, inconsequente, trapaceira, mentirosa… e a lista não para. Houve algum engano e, provavelmente, sua xará foi parar no Lugar Mau (sim, o Inferno). Pra tornar tudo pior, no Lugar Bom as pessoas são apresentadas às suas almas gêmeas, e o par perfeito de Eleanor é um professor de filosofia extremamente ético, Chidi. Já dá pra imaginar a confusão, né?

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The Good Place não é uma série genial, mas ela é muito engraçada por não se levar a sério, abusando de situações nonsense. No Lugar Bom, as pessoas têm as casas perfeitas, convivem com sua alma gêmea, são felizes o tempo todo, têm frozen yogurt à vontade e desfrutam de todas as coisas boas que a vida após a morte poderia oferecer. Mas para alguém egoísta, impulsivo e manipulador como Eleanor, isso é praticamente tortura. Sua vizinha, por exemplo, é enlouquecedora: Tahani é uma socialite inglesa cheia de pompa, casada com um monge que fez voto de silêncio. Nem palavrões são ditos no Lugar Bom (sendo substituídos por palavras inocentes quando tentam ser ditos, como a clássica “What the fork?”), tamanha a santidade do lugar! O problema é que, desde a chegada da Eleanor “falsa”, o paraíso parece dar sinais de colapso – uma provável tentativa de equilíbrio do universo. Eleanor então pede ajuda a Chidi, para ensiná-la a ser uma pessoa boa e, consequentemente, merecedora de estar ali.

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É muito engraçado ver Eleanor penando para tentar se adaptar à ética e às atitudes corretas. E é mais engraçado ainda ver os personagens interagindo, sendo eles tão diferentes uns dos outros. Além dos já mencionados Eleanor, Chidi e Tahani, também dou muita risada com o monge Jianyu e com Janet (uma espécie de “assistente pessoal” onisciente). Com o passar do tempo, esse grupo passa a se conhecer melhor e uma amizade inesperada  (e divertida!) surge.

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O plot twist da primeira temporada é fantástico! Sério, fiquei de queixo caído e adoreeei a ideia dos criadores da série. Foi surpreendente e proporcionou uma reviravolta tremenda para a história. Só lamento que a série tenha decaído um pouco a partir da segunda temporada, tornando-se levemente repetitiva.

The Good Place é aquela série despretensiosa, bacana para passar o tempo de forma leve quando não queremos conferir nada muito longo ou pesado na TV. Tem bons personagens, uma história bastante original e um final surpreendente. E, de quebra, foi criada por um dos responsáveis por Brooklyn Nine-Nine e tem atores que participam dela também, o que é bem divertido de conferir. 😂 Vale a pena dar uma chance. 😉

Título original: The Good Place
Ano de lançamento: 2017
Criador: Michael Schur
Elenco: Kristen Bell, William Jackson Harper, Jameela Jamil, Manny Jacinto, Ted Danson, D’Arcy Carden

Resenha: Meu Erro – Cinthia Freire

Oi pessoal, tudo bem?

Estou de volta com mais um post da coluna Uma Amiga Indicou, em parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer. ❤

uma amiga indicou

Em setembro, resolvemos aproveitar o gancho do feriado da Independência para lermos obras nacionais. A Ale me indicou Meu Erro, da Cinthia Freire, e hoje conto o que achei da experiência. 😉

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Sinopse: Segredos são como fantasmas nos assombrando e nos fazendo crer que são reais. Todos tem os seus fantasmas. Carol tem os seus e há algum tempo eles parecem estar adormecidos. Gabriel desistiu de tentar frear os seus fantasmas há muito tempo e decidiu o caminho mais fácil, vivendo uma vida sem regras e limites. Eles estão na mesma estrada, mesmo que estejam em sentidos opostos. Enquanto ela tenta fugir da escuridão, ele só quer se perder ainda mais. Uma história emocionante sobre até onde somos capazes de ir para salvar aqueles que amamos e sobre acreditar que todos tem uma segunda chance. Mesmo que para o resto do mundo isso pareça um erro.

Carol é uma jovem que mora com a amiga, Verônica, na cidade universitária onde estuda. A garota sofreu algum tipo de trauma no passado, e sua independência é uma forma de lutar contra esses fantasmas. Gabriel é um rapaz que estuda na mesma universidade e é a definição de garoto problema: é dependente químico, adora uma briga, não se envolve emocionalmente com nenhuma garota com quem sai e tem um relacionamento terrível com o pai. De uma forma inesperada – envolvendo uma transa de uma noite com Verônica – Gabriel conhece Carol e os dois acabam se apaixonando.

Então, gente… Não sei se eu não sirvo pra ler New Adults ou se a narrativa de Cinthia Freire não atendeu às minhas expectativas, mas de uma coisa eu tenho certeza: não consigo comprar esse plot de personagens “quebrados” encontrando a cura no amor. Não me entendam mal, eu sou uma pessoa muito romântica e acredito que o amor é sim capaz de transformar. Meu problema são com situações pesadas (que não podem ser resolvidas somente com amor) sendo solucionadas desse modo. Durante a maior parte de Meu Erro, Cinthia Freire dá a entender que Carol é a solução para o vício de Gabriel e para ajudá-lo a ficar sóbrio, movido somente pelo amor. Entretanto, dependência química é uma coisa muito séria e precisa de terapia e apoio especializado, o que não ocorre durante a maior parte da trama.

Também tem outro motivo que me faz  não curtir esse discurso de “o amor cura tudo”. A Carol fica dizendo que ela é a pessoa certa pra curar o Gabriel, baseando-se numa crença que muitas mulheres têm na vida real: ele vai mudar, ele vai melhorar, ele vai fazer isso por mim. Eu não concordo com esse posicionamento e acho terrivelmente problemático, por não achar nada saudável alguém achar que pode ser a cura de outra pessoa e permanecer em uma situação possivelmente tóxica. No caso de Carol e Gabriel, o maior problema era a instabilidade do rapaz e as idas e vindas do relacionamento, mas sabemos que muitas vezes a violência pode fazer parte da rotina de alguém na situação dele.

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Eu achei a escrita da Cinthia Freire um pouco imatura, especialmente na construção das frases. Me parecia, durante a leitura, que a autora estava com pressa para contar a história, tornando a cadência dos acontecimentos um pouco incômoda pra mim. Também notei alguns lugares-comum e estereótipos sendo reproduzidos no que diz respeito às mulheres (por mais que a intenção da autora possa ser feminista). E a melação entre a Carol e o Gabi (milhares de apelidos e “eu te amo” a todo momento) também me deixaram um tanto cansada.

Críticas feitas, vamos aos elogios. O plot twist do livro foi bastante surpreendente, e a virada no final me pegou bastante desprevenida. Não imaginava que certo personagem seria capaz de fazer o que fez, e achei a situação em si muito aflitiva e desesperadora. Ao fim de tudo, também gostei do enfoque na saúde mental que Cinthia Freire abordou por meio da fala de Carol. O estigma envolvendo distúrbios psiquiátricos ainda existe, e muitas pessoas não pedem ajuda por medo, insegurança e diversos outros motivos. Por isso, acho muito bacana que a autora tenha trazido uma personagem que – com o apoio da terapia, da família e também do amor – consegue se reerguer e tornar-se saudável novamente.

Como deve ter dado pra notar, Meu Erro não funcionou pra mim. Entretanto, a experiência de me desafiar a ler um gênero diferente é sempre bacana. Então, para concluir, se você curte New Adults e os clichês do gênero, é provável que se dê melhor com essa leitura do que eu. 😉

Título original: Meu Erro
Série: Segredos
Autor: Cinthia Freire
Editora: Independente
Número de páginas: 223
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