Review: A Mulher Rei

Oi pessoal, tudo bem?

Eu admiro demais o trabalho da Viola Davis, uma atriz que dispensa apresentações, tamanho seu talento e influência. Por isso, fiz questão de assistir ao longa A Mulher Rei no cinema, protagonizado e produzido por ela. ❤ Vamos conhecer?

Sinopse: Em 1800, o general Nanisca treina um grupo de mulheres guerreiras para proteger o reino africano de Dahomey de um inimigo estrangeiro.

Além do envolvimento de Viola Davis no projeto, outras duas razões me deixaram animada com essa produção: o protagonismo feminino negro e o fato de ser baseado em uma história real. A trama acompanha o treinamento de um grupo de soldadas de elite – as Agojie – no reino de Dahomey, ou Daomé, na África, que está em guerra com reinos rivais e sob ameaça da escravidão europeia. Nanisca é a general responsável por esse exército feminino, e ao mesmo tempo em que ela e suas lideradas precisam treinar as recém-chegadas, Nanisca também deseja convencer o seu rei de que vender os prisioneiros de guerra para os europeus é um erro – pois ela entende que, no fim das contas, os brancos não os enxergam como iguais, independentemente de estarem negociando com seu rei.

Como contraponto à experiência da protagonista, temos o ponto de vista da jovem Nawi, uma garota que foi cedida pelo pai para fazer parte do exército. A garota é impulsiva e tem uma dificuldade tremenda de agir em conjunto e seguir ordens, mas consegue criar um vínculo bastante forte com a tenente que a treina, Izogie. Aos poucos, Nawi vai se destacando no treinamento, tendo como objetivo ser a melhor guerreira dentre as novatas e ser notada por Nanisca.

A Mulher Rei é um filme que impressiona. O treinamento das novatas faz com que você não pisque o olho pra não perder nenhum movimento. As lutas são incrivelmente coreografadas, os exercícios são intensos e o filme consegue deixar claro o porquê daquele grupo de mulheres ser tão potente e ameaçador. A força de Nanisca, impressa em cada gesto e expressão facial de Viola Davis, transborda e contagia todas que fazem parte das Agojie. Não há dor que elas não suportem nem desafio que não vençam em nome de seu rei e de seu povo. As lutas não são menos brutais por serem protagonizadas por mulheres, e inclusive as Agojie – e Nanisca – têm mais prestígio junto ao rei do que seu exército masculino. Ver essa inversão de papéis sendo transmitida com tanta potência é de arrepiar, especialmente se você é mulher.

Apesar do foco maior na ação e nas batalhas sangrentas, A Mulher Rei também trabalha com competência as relações entre os personagens. Nanisca é muito próxima de Izogie, sua tenente, e também de Amenza, a líder espiritual do grupo, e é nas cenas com elas que vemos os traços da sua fragilidade. Porque mesmo sendo uma general implacável, a protagonista tem sombras e dores ainda não curadas em seu coração. Nawi é como seu oposto: ela ainda é “inocente” (mesmo que se ache madura) e curiosa, se aproximando dos europeus e flertando com soldados de Dahomey, uma clara afronta às regras das Agojie, que não permitem relacionamentos conjugais. O bacana nessa personagem é ver seu crescimento conforme ela é obrigada a confrontar os horrores da guerra, sem o prisma glamuroso pelo qual ela enxergava as Agojie e seu treinamento.

Porém é Nawi que está envolvida em minhas duas únicas críticas negativas ao roteiro. Não tenho como falar sobre sem soltar spoilers, então selecione se quiser ler: o filme infelizmente cai no clichê em duas circunstâncias diferentes envolvendo a personagem. A primeira delas está na relação com o europeu descendente de uma escrava, Malik, que se encanta por Nawi. Os dois flertam um pouco e têm uma ou duas conversas significativas, mas já é o suficiente para que ele a salve e lute para protegê-la. Achei inverossímil e rápido demais, mesmo que ele tenha como justificativa o fato de sua mãe ter sido escrava. A segunda situação está na relação entre Nawi e Nanisca: o fato de serem mãe e filha foi um recurso preguiçoso e conveniente do roteiro, e não curti nem um pouco. Quando Nanisca assume um papel de “mãezona” no final, chamando a garota de filha, me soou forçado e não consegui me emocionar. Se não fossem essas duas decisões, eu teria dado nota máxima em todos os aspectos para A Mulher Rei.

A Mulher Rei é um filme que acerta em cheio ao mostrar a perspectiva feminina e negra num momento importante da história africana, colocando não só o poder dessas mulheres em destaque, como também o debate sobre a escravidão e as consequências dela para os reinos e tribos que negociavam seus prisioneiros com brancos europeus. Sabemos o quanto essa prática ganhou escala e os terrores gerados, mas diferente de muitas produções que falem do tema, A Mulher Rei evidencia a força, a garra, a vontade de lutar e o espírito livre dos homens e mulheres negros que lutaram em e por Dahomey. Esse é um daqueles filmes que merecem ser assistidos na telona, tamanha sua imponência. Mas, se não for possível, deixe esse nome anotadinho e assista assim que conseguir: prometo que vai valer (muito!) o seu tempo.

Título original: The Woman King
Ano de lançamento: 2022
Direção: Gina Prince-Bythewood
Elenco: Viola Davis, Thuso Mbedu, Lashana Lynch, Sheila Atim, John Boyega, Hero Fiennes Tiffin, Jordan Bolger

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11 comentários sobre “Review: A Mulher Rei

  1. Oi, Priih! Tudo bem?
    Quero muito assistir, mas ainda não tive oportunidade.
    A Viola é maravilhosa!
    Achei interessante suas duas ressalvas (não consegui aguentar e olhei o spoiler). Gostei muito da resenha, é a primeira que leio sobre ele. A história é bem forte, né? Acho que vou chorar muito quando ver

    beijos

  2. Ai, eu também amo Viola!
    Não vi esse que você cita, o último que eu vi com ela foi o que ela faz com Sandra Bullock, é bem rapidinha a passagem dela, mas arrasa demais!
    Quero ver esse aí!

    Beijinhos 😘
    Thay – Sankas Books

  3. Pingback: Os melhores filmes e séries de 2022 | Infinitas Vidas

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