Review: Um Lugar Bem Longe Daqui

Oi gente, tudo bem?

Depois de 9 dias maravilhosos em Fernando de Noronha, estou de volta à rotina! Pra retornar com o pé direito, quero indicar um filme que adapta o livro best-seller Um Lugar Bem Longe Daqui.

Sinopse: Kya é uma garota abandonada, que teve que se criar sozinha no brejo da Carolina do Norte. Por anos, rumores da “Menina do Brejo” assombraram Barkley Cove, isolando a afiada e inteligente Kya de sua comunidade. Atraída por dois jovens na cidade, Kya se abre para um mundo novo e estimulante, mas quando um deles é encontrado morto, ela é imediatamente considerada a principal suspeita. Conforme o caso vai se desdobrando, a verdade sobre o que aconteceu se torna cada vez mais nebulosa, ameaçando revelar os muitos segredos que existem no brejo.

Apesar de não ter lido o livro, ele é uma obra muito recomendada pela Pam Gonçalves (em cujo gosto literário confio plenamente), então fiquei bem animada para conferir sua adaptação. Além disso, a produção ficou a cargo da Reese Whiterspoon, que vem apostando em obras focadas na força feminina. Ótimos motivos pra gerar curiosidade, né? A trama gira em torno da vida de Kya Clark, uma jovem que foi abandonada para viver sozinha em um casebre no brejo quando ainda era criança. Sua família foi destruída pela violência de seu pai, e um a um todos foram deixando a casa à beira do lago pra trás: primeiro sua mãe, depois seus irmãos mais velhos, até que o próprio pai também partiu. Kya podia contar apenas com o apoio de um homem chamado Pulinho e sua esposa, Mabel, donos de um mercadinho da cidade que se compadeciam da situação da menina e a ajudavam como podiam. No presente, Kya é uma bela jovem que se vê no centro de uma investigação de assassinato; o filme então vai intercalando passado e presente para apresentar cada fato que levou Kya até o momento desesperador que vivencia.

Impossível falar de Um Lugar Bem Longe Daqui sem enfatizar o desespero que sentimos pela infância de Kya. Ver sua família inteira partir fez com que a garota desenvolvesse traços de personalidade muito marcantes, assim como óbvios traumas: ela tem dificuldade para confiar nas pessoas, vive mais confortavelmente em meio à natureza do que em meio às pessoas, é bastante tímida e reclusa; por outro lado, Kya é sensível, determinada, tem um forte senso de sobrevivência e é uma excelente observadora, o que fica claro nos desenhos que faz da flora e da fauna do brejo. A população da cidade destina muito preconceito a Kya – chamando-a inclusive de “Menina do Brejo” e transformando-a em uma outsider no processo –, mas a garota encontra alento quando seu caminho se cruza com o de Tate Walker, seu primeiro amor. Eles compartilham da paixão pela natureza e ele é a pessoa que alfabetiza Kya, além de incentivá-la a aprender cada vez mais sobre biologia. Tate é um rapaz apaixonante e o relacionamento dos dois não poderia ser mais incrível, até que ele é aprovado na universidade e vai embora, quebrando uma promessa que fez à protagonista. Já podem imaginar o quão doloroso foi ver o coração de Kya se partindo por causa do abandono novamente, né? Passei o filme todo querendo guardá-la num potinho e protegê-la de todo o mal. 😦

Falando em mal… chegamos à vítima do assassinato que foi mostrado no início do longa, Chase Andrews. Ele cumpre bem o estereótipo de mauricinho que tem a vida ganha e cujos passos estão traçados dentro do que a elite da cidade espera dele. Porém, ele se interessa por Kya e logo eles engatam um namoro (que não demora a se revelar extremamente problemático). A verdade é que a protagonista é alguém que, apesar de sobreviver na solidão, deseja desesperadamente uma conexão, o que a torna um alvo fácil para alguém como Chase; é isso que permite que ela acredite no rapaz e se envolva com ele mesmo sem de fato amá-lo. Em contrapartida, Chase vê em Kya uma conquista “exótica”, sentindo-se engrandecido por conseguir para si a “Menina do Brejo”. Sinceramente, só por ele chamá-la desse modo eu já fiquei enojada, pois é claro desde o primeiro instante que ele não a respeita por quem ela é, estando com Kya somente pelo fetiche que criou em torno dela. Parabéns a Harris Dickinson pela atuação, porque conseguiu com sucesso me fazer sentir um asco descomunal pelo seu personagem. 🤮

Kya passa por coisas terríveis nas mãos de Chase, mas no julgamento da garota as pessoas parecem já ter a decisão tomada sobre sua culpa. Como o corpo foi encontrado no brejo, é mais fácil para a população conservadora apontar os dedos para aquela que destoa. Felizmente a protagonista encontra apoio em Tom Milton, que se oferece para ser seu advogado de forma pro bono por acreditar que o preconceito da cidade é o verdadeiro vilão naquela história. Porém, devo avisar: a parte do julgamento em si não é a mais instigante do longa. Não existem boas reviravoltas nem argumentos cortantes, e sim uma condução mais morna que aponta fatos óbvios sobre o caso. O que causa aflição em Um Lugar Bem Longe Daqui não é o presente, mas o passado: não é o julgamento de Kya, mas o medo pelo que pode ter acontecido e pelos traumas que a ela podem ter se somado antes da morte de Chase.

A narrativa me deixou bastante presa à trama e envolvida por ela. É impossível não ficar de coração partido por tudo que Kya passou e torcer para que ela encontre alento e felicidade. Conforme conhecemos Chase, a sensação de revolta cresce e, sendo bem honesta com vocês, me fez sentir um belo “bem feito” pelo desfecho que ele encontra. Além da condução envolvente da trama, o filme conta com belas paisagens bucólicas, que transmitem a sensação ora de paz, ora de isolamento e perigo que Kya precisa lidar diariamente. Todo o clima naturalista do longa conversa com a própria essência de Kya, que encontra na flora e na fauna não só os recursos que precisa para sobreviver, como também para se proteger.

Um Lugar Bem Longe Daqui não é um filme de mistério ou, ainda, sobre crime e julgamento, mas sim um drama que apresenta o abismo entre um romance lindo (atrapalhado pela distância) e uma relação tóxica e suas consequências. É também um filme sobre o poder do instinto de sobrevivência e sobre a garra de persistir e resistir. O final é excelente e traz um plot twist daqueles – e, não vou mentir, fiquei feliz com ele sim. A história de Kya mexeu comigo ao longo de toda a duração do longa: quis chorar com ela, sorri com ela, torci e sofri por ela (muito disso sendo mérito da atuação delicada e envolvente de Daisy Edgar-Jones). Pra mim, está aprovadíssimo!

Título original: Where the Crawdads Sing
Ano de lançamento: 2022
Direção: Olivia Newman
Elenco: Daisy Edgar-Jones, Taylor John Smith, Harris Dickinson, David Strathairn, Michael Hyatt, Sterling Macer Jr.

12 comentários sobre “Review: Um Lugar Bem Longe Daqui

  1. Oi Priih! Eu também confio demais na opinião da Pam e desde que vi ela indicando esse livro fiquei interessada na história. Eu quase conferi a adaptação semana passada, mas quero antes ler a obra escrita. A história parece muito forte. Que bom que gostou. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

  2. Oi Priih,
    Estava de olho nessa produção já tem algum tempo, mas não sabia direito do que se tratava. A história é completamente diferente do que eu esperava rsrsrs. Mas quero dar uma chance sim, vc fala tão bem dele então deve ser ótimo ^^
    Obrigada pela dica =D
    Bjos,
    Kelen Vasconcelos
    https://www.kelenvasconcelos.com.br/

  3. Eita, que esse eu não conhecia. não! Fiquei intrigada com todo esse mistério e já tô aqui com raiva desse cara. Tô torcendo para entrar em algum dos streamings que eu assino, hehe. Com certeza vou conferir!

    =)

    Suelen Mattos
    ______________
    Romantic Girl

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