Resenha: Eu Só Escrevo Quando Tô Mal – Isadora Salines

Oi pessoal, tudo bem?

Poesia não é um gênero que aparece muito por aqui, mas vez ou outra gosto de sair da zona de conforto. Por isso topei fazer a leitura do livro de estreia da Isadora Salines, Eu Só Escrevo Quando Tô Mal, uma coletânea de poemas que reúne as experiências da autora em relação a amor próprio, paixões, luto e outros temas.

Sinopse: O que você faz com o que acontece com você? Tem gente que grita, que pinta, que guarda, que surta. Tem quem finge que não aconteceu e tem quem diz “faz parte” e segue em frente. Uns desmoronam, outros aprendem. Uns fazem drama, outros fazem arte. Isadora Salines faz poema e poesia. O livro Eu só escrevo quando tô mal é o primeiro da autora, fruto de uma pandemia e de muitos meses de isolamento, onde reviveu histórias, traumas e aprendizados. A obra reúne poemas e poesias que apresentam assuntos como amor, rancor, luto e autoconhecimento de forma dolorosa e reconfortante. Um livro para você se identificar, se descobrir e refletir.

O livro é dividido em capítulos que representam os temas principais dos poemas que virão. A obra como um todo transmite a ideia de que o processo de escrita serve como uma terapia e uma cura para assuntos e momentos difíceis – o que se reflete também no nome do livro, ainda que Salines explique na carta aos leitores que não só as tristezas inspiram seus poemas.

Em Sem parar, o primeiro capítulo, a autora traz a angústia e o medo de ser apagada pela rotina do dia a dia e um receio de ser esmagada pela apatia cotidiana. O gosto da memória, segundo capítulo, foi o que mais gostei (e com o qual mais me identifiquei), porque as palavras giram em torno do processo de luto e da falta que alguém amado faz. Subitamente é outro capítulo que também reúne poemas com a mesma temática, inclusive trazendo uma dedicatória a um amigo que partiu. Entre nós, Dá pra sentir! e Desenlaço são capítulos que trazem poemas mais relacionados a dores amorosas e à saúde dos relacionamentos, bem como as chegadas e partidas na vida de todos nós.

Me convença do contrário foca muito em temas atrelados ao amor próprio, autoaceitação, autoestima e pressão estética, especialmente sob a ótica de uma mulher gorda (como a própria Salines se define). Querer é uma coletânea de assuntos diversos, com poemas que vão desde memórias do passado e reflexões sobre a passagem do tempo. Por fim, Explodi em silêncio explora o uso das palavras como cura e terapia, assim como o desejo de manter a própria essência e autenticidade.

Os conteúdos de Eu Só Escrevo Quando Tô Mal são muito relacionáveis, e Isadora Salines busca traduzir sua experiência de forma clara e transparente. Como aspectos negativos, acredito que as poesias que tentam rimar muito acabaram ficando mais óbvias, porque faltaram nelas a naturalidade e a autenticidade que vi em outras, mais orgânicas. É nítida a inspiração da autora em poetisas como Rupi Kaur e Ryane Leão (ela mesma comenta sobre isso no livro), e apesar de ainda existir um caminho a ser trilhado para o amadurecimento de Salines como escritora, considero que o foco dela esteja no lugar certo pra atingir esse objetivo. E se você quiser apoiar a literatura nacional e adquirir o seu exemplar, ele está em pré-venda no site da editora ou pode ser encomendado diretamente com a Isadora em uma compra coletiva (que barateia o frete). 😉

Título original: Eu Só Escrevo Quando Tô Mal
Autora: Isadora Salines
Editora: Letramento
Número de páginas: 125

Livro cedido em parceria com a autora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

16 comentários sobre “Resenha: Eu Só Escrevo Quando Tô Mal – Isadora Salines

  1. É muito bom ver que cada vez mais temas interessantes como corpo, autoestima, pressão estética, feminismo, dentre outros, tem sido explorados mais em diferentes nichos. Também não sou muito de ler poesia, mas achei interessante sua resenha.

  2. Já disse (no insta) e repito: Rainha das Resenhas dos Estreantes. Adorei que tu embarcou na leitura, sei como é importante ganhar um sim quando se está começando no meio literário. E, sinceramente, me parece que a leitura valeu super a pena. Transformar os próprios sentimentos, medos, dilemas e vulnerabilidades em poesia deve ser um desafio e tanto. A poesia ainda é uma montanha difícil de escalar pra mim, mas tenho me encontrado com uns versos aqui e ali entre uma leitura e outra. Acho que sair da zona de conforto dos romances e incluir o gênero de vez em quando nos enriquece muito enquanto leitores.

  3. Olá, Priih.
    Eu acho que não li nem cinco livros de poesias e poemas na minha vida hehe. Não que eu não goste, é que se tiver que escolher entre ler um de poesia e um de ficção eu vou ficar com o de ficção hehe.

    Prefácio

  4. Oi Priih, tudo bem?
    Poesia também não é minha zona de conforto, mas a escrita definitivamente é minha terapia. No entanto, é na prosa que consigo colocar meus sentimentos para fora através dos personagens. Eu não lembro a última vez que li um poema, mas achei interessante o suficiente para tentar pela forma como a autora dividiu o livro por temas.

    Até breve;
    Te espero nos meus blogs!
    Mente Hipercriativa (Livros, filmes e séries)
    Universo Invisível (Contos e Crônicas)

  5. Oi Priih,
    Tudo bem?
    Eu super te entendo, também não sou de ler muitos poemas, mas recentemente apoiei um projeto de poemas de uma blogueira. Em breve devo fazer a leitura dele também ^^
    Muito legal vc compartilhar o que achou do livro, gostei bastante da sua resenha. Mesmo porque poemas são algo muito intimistas, vc sente algo sobre e outra pessoa pode sentir algo totalmente diferente, acho que essa é a grandeza dos poemas ^^
    Bjos
    Kelen Vasconcelos
    https://www.kelenvasconcelos.com.br/

  6. Oi Priih, gostei da sua indicação, especialmente porque poesia também é super fora da minha zona de conforto. Preciso ler mais, ficar mais ligada nos lançamentos desse gênero. Não conheço a autora e acho bacana demais apoiar autores nacionais, especialmente os que ainda estão no começo da sua trajetória. Beijos :*

  7. Oi, Prihh! Tudo bem?
    Eu leio poesia, mas leio em um ritmo bem diferente dos outros livros. Não leio um livro inteiro de uma vez, vou lendo aos poucos durante um longo período ou então encaixo com o momento em que estou.
    Achei legal você compartilhar sua leitura sobre e divulgar o trabalho da autora. Fiquei bastante curiosa sobre parte das poesias sobre luto, já que é um momento em que respondo muito mal.

    beijos

  8. Olá,
    Adorei a dica porque também super sai da minha zona de conforto. Não leio muito poesia, mas confesso que hoje em dia absorvo melhor que antigamente.
    Acho que também né identificaria com esse do luto e o da saúde dos relacionamentos.

    Desejo todo sucesso para a autora.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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