Resenha: Heartstopper: Volumes 1 e 2 – Alice Oseman

Oi pessoal, tudo bem?

Ser fangirl sempre foi algo que fez parte da minha “identidade”, por assim dizer. Quando eu gosto de uma coisa, gosto MESMO. 😂 Mas, mesmo com várias experiências literárias fantásticas que tive recentemente, fazia tempo que algo não me despertava esse sentimento específico… até Heartstopper chegar. ❤ Vamos conhecer essa série de quadrinhos maravilhosa? Ah! Dia 22 estreia a adaptação da Netflix, então bora que dá tempo de ler antes, hein? 😉

Garanta os seus!

Sinopse: Volume 1: Charlie Spring e Nick Nelson não têm quase nada em comum. Charlie é um aluno dedicado e bastante inseguro por conta do bullying que sofre no colégio desde que se assumiu gay. Já Nick é superpopular, especialmente querido por ser um ótimo jogador de rúgbi. Quando os dois passam a sentar um ao lado do outro toda manhã, uma amizade intensa se desenvolve, e eles ficam cada vez mais próximos. Charlie logo começa a se sentir diferente a respeito do novo amigo, apesar de saber que se apaixonar por um garoto hétero só vai gerar frustrações. Mas o próprio Nick está em dúvida sobre o que sente – e talvez os garotos estejam prestes a descobrir que, quando menos se espera, o amor pode funcionar das formas mais incríveis e surpreendentes. Volume 2: Charlie e Nick são melhores amigos, mas tudo muda depois que eles se beijam em uma festa. Charlie acredita que cometeu um grande erro e arruinou a amizade dos dois para sempre, e Nick está mais confuso do que nunca. Mas aos poucos Nick começa a enxergar o mundo sob uma nova perspectiva e, com a ajuda de Charlie, descobre muitas coisas sobre o mundo que o cerca, sobre seus amigos – e, principalmente, sobre ele mesmo.

Charlie Spring é um garoto gay que sofreu bastante bullying quando foi tirado do armário contra a sua vontade. No novo ano escolar, apesar do pior ter passado, Charlie ainda lida com uma baixa autoestima e emoções conflitantes, pois está saindo com um cara que só o vê às escondidas. Seu dia a dia começa a ganhar um toque mais bonito de cor quando ele faz um novo amigo, o simpático e amigável Nick Nelson, um garoto popular que faz parte do time de rúgbi e que é sua dupla em uma das aulas. Apesar do estereótipo de “heterotop”, Nick é um cara livre de preconceitos, que rapidamente se afeiçoa a Charlie e constrói uma amizade muito forte com ele – convidando-o inclusive para fazer parte do time de rúgbi. Acontece que os caminhos do coração nem sempre são fáceis de trilhar: Charlie não demora a perceber que tem um crush em seu novo amigo, mas sabe que não será correspondido porque Nick é, na sua visão evidentemente hétero; já Nick começa a querer estar perto de Charlie de uma maneira que não ocorre com seus outros amigos, gerando uma dúvida sobre o que ele realmente sente e deixando-o confuso sobre sua sexualidade.

Eu já havia entrado em contato com a escrita de Alice Oseman por meio de Rádio Silêncio, em que ela também aborda temas como bullying, busca pela própria identidade e orientação sexual, sendo estes temas muito presentes em suas obras. Mas se Rádio Silêncio traz melancolia (inclusive um dos personagens dessa HQ aparece por lá), Heartstopper é uma história que vem para nos lembrar que nem sempre ser adolescente é fácil, mas que mudanças são bem-vindas e que é delicioso se apaixonar. A história de Charlie e Nick me deixou com um sorriso bobo no rosto, e ver a amizade dos dois crescendo para um sentimento mais profundo deixou meu coração absolutamente quentinho.

A autora deixa muito claro que a sexualidade das pessoas não é assunto de ninguém além dos próprios envolvidos, bem como evidencia que a aparência de alguém não deve ser levada em consideração para dizer se determinada pessoa é isso ou aquilo (como foi muito bem pontuado pela professora de Charlie e Nick ao ouvir comentários a respeito do segundo). Além disso, Alice Oseman também dá espaço principalmente a Nick, para que ele passe pelos momentos de dúvida necessários ao seu próprio processo. Vivemos em uma sociedade heteronormativa, o que faz com que a heterossexualidade seja esperada como padrão, sem necessidade de justificativa; quando os sentimentos mudam e Nick se vê apaixonado pelo melhor amigo, ele também sente medo e confusão, porque tudo que sabia sobre si mesmo parece nebuloso. Apesar de não forçar rótulos aos seus personagens, Alice Oseman permite que a bissexualidade (tão invisibilizada na mídia) ganhe destaque e faça parte do processo de construção identitária de Nick.

Enquanto no volume 1 acompanhamos com mais enfoque a amizade dos protagonistas sendo construída, é no volume 2 que esses debates que mencionei acontecem, bem como a evolução da relação dos dois. Charlie tem um papel de apoio fundamental a Nick, e isso é possível também graças a uma família amorosa que o acolhe da forma como ele é. Mas não se enganem, ser abertamente gay é só um dos aspectos sobre Charlie, existem muitos outros que o tornam encantador aos olhos de Nick e dos leitores: ele é um ótimo corredor, é super fofo, toca bateria e tem um All Star super cool. Além disso, mesmo tendo uma experiência amorosa triste com o boy que o escondia, ele jamais cobra que Nick saia do armário de forma forçada, acolhendo a necessidade de sigilo até que Nick entenda o que está vivenciando. Já no segundo volume da HQ, posso dizer que é Nick quem brilha ainda mais, sendo impossível não se apaixonar pelo carisma, caráter e gentileza do personagem, foi incrível acompanhar sua jornada de autodescoberta. ❤ Ele é, disparado, meu personagem favorito em toda a HQ (e em todas as minhas leituras recentes). Sua sensibilidade, sua preocupação com quem ele gosta e sua lealdade fazem de Nick um personagem que você quer guardar num potinho e proteger.

Além do casal principal, a autora traz para as páginas o carismático grupo de amigos de Charlie, composto por Tao, Elle e Aled (é ele um dos protagonistas de Rádio Silêncio). Aqui a representatividade se faz presente mais uma vez, sendo Elle uma garota trans e cujo crush em Tao é nitidamente correspondido. Do lado de Nick, ele faz amizade com um casal de namoradas, Tara e Darcy, que dão muita força para que ele se sinta acolhido e confortável com sua sexualidade. Ter essa rede de apoio faz toda a diferença para os personagens, e eles são aquela gang que qualquer um de nós gostaria de ter.

Eu sempre digo que acho importante que minorias possam se ver representadas em histórias felizes, não apenas tramas cheias de dor ou que falem sobre o peso do preconceito. Heartstopper é um exemplo maravilhoso disso, trazendo com muita doçura um relacionamento que começa com um “- Oi! – Oi!” diário e se transforma num amor puro e genuíno entre dois garotos que se encontram por acaso. É um acalento para o coração ler uma história tão fofa e adorável, cheia de cenas divertidas, bem-humoradas e fofíssimas, com direito a muitos beijos e demonstrações de afeto. Conteúdos que tragam a possibilidade de felicidade para quem é tão oprimido são necessários, e eu não poderia ter ficado mais feliz em ver tantas coisas boas na vida de Charlie e de Nick quanto vi em Heartstopper. E, com muita alegria no coração, digo: aqui renasce e reside uma fangirl entusiasmada, que quer ler e reler mil vezes essa história (e maratonar a adaptação da Netflix, é claro!). Se eu recomendo as HQs? Acho que a resenha já deixou isso óbvio, né! ❤

Título original: Heartstopper: A Graphic Novel
Autora:
Alice Oseman
Editora: Seguinte
Número de páginas: 288 (volume 1) e 320 (volume 2)
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

18 comentários sobre “Resenha: Heartstopper: Volumes 1 e 2 – Alice Oseman

  1. Olá, Priih.
    Essas HQs estiveram entre as minhas melhores leituras no ano passado. É tudo tão fofo que dá vontade de pegar o casal e colocar num potinho e nunca mais largar hehe. Não vejo a hora de ler as continuações. E estou até com medo de assistir e não sentir a mesma coisa.

    Prefácio

  2. OI Priih! Este foi meu primeiro contato com a escrita da autora e amei cada parte da história. Já estou maratonando as obras dela. Eu vou fugir da adaptação, como sempre, tenho dificuldades de aceitar certas mudanças, mas a série escrita sigo lendo e apaixonada por este casal. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

  3. Oi
    eu estou louca para ler esses quadrinhos, queria ler antes de assistir a série, mas eu só não comprei o primeiro ainda porque eu quero terminar de comprar uma outra série de livro, que bom que gosta da história, pois parece ser muito boa e quando sair a série você poderia trazer sua opinião ou até uma comparação.

    https://momentocrivelli.blogspot.com/

  4. Olá,
    Essas HQs parecem ser adoráveis. E adorei o lance do “oi – oi” definido por você e é tão real.
    E fiquei triste porque ~tiraram~ ele do armário, destruindo a vontade e o momento dele. Já vi que vou me emocionar em alguns momentos.
    Aliás, acho que quero ler todos da autora! Nem conheço, mas já considero pacas.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

  5. Eu me identifiquei muito quando você disse que ser fangil sempre fez parte da sua identidade, Prihh! Eu também, eu também hahahah

    Que história fofa! Eu tô aqui apaixonada. As capas já tinham me encantado, mas cada vez que vejo uma resenha ou comentário sobre fico mais encantada.

    beijos

  6. Pingback: Dica de Série: Heartstopper | Infinitas Vidas

  7. Olá, tudo bom?
    Eu compartilho sua empolgação com Heartstopper. porque também li e fiquei encantada! A vontade era guardar os dois em um potinho rs
    Adorei a forma como a autora deixa claro que a sexualidade da pessoa só diz respeito a ela, como você mencionou na resenha. A forma como ela desenvolve o romance também é só amor.
    Amei sua resenha ♥
    Beijos!

  8. Pingback: Resenha: Se Liga, Dani Brown – Talia Hibbert | Infinitas Vidas

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