Resenha: Jack e o Porquinho de Natal – J. K. Rowling

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim fazer uma resenha que me causou diversos dilemas, porque enquanto eu fazia a leitura, a autora trouxe mais uma vez comentários preconceituosos à tona. Acho importante ser honesta com vocês – como sempre – e dizer que eu gosto muito do que a J. K. Rowling escreve (tive uma ótima experiência com seu outro livro infantil O Ickabog), mas que não corroboro em nada com seus posicionamentos sobre a comunidade trans. Com isso em pratos limpos, partiu resenhar Jack e o Porquinho de Natal, o novo livro infantil da autora que recebi em parceria com a Rocco. 😀

Garanta o seu!

Sinopse: Jack tem um porquinho de pelúcia cor-de-rosa que ele chama de O Poto. OP, como ficou conhecido, está ao lado de Jack nos bons e maus momentos e compreende todos os seus sentimentos. Até que, em uma véspera de Natal, para grande tristeza do menino, OP é perdido. Jack ganha um novo brinquedo, o Porquinho de Natal, e é este substituto que vai armar um plano para que, juntos, eles embarquem em uma jornada repleta de magia em busca do que foi perdido e a fim de reencontrar o melhor amigo que Jack já teve.

Jack é um menino de 8 anos que tem a sorte de ter um melhor amigo capaz de entendê-lo sem que ele nem precise abrir a boca. Esse amigo é O Poto (ou OP), seu porquinho de pelúcia. Mesmo no período mais difícil que Jack viveu, marcado pela separação de seus pais, ele sabia que podia contar com o cheirinho meio sujo do Poto, com a maciez do seu tecido já gasto e com suas orelhinhas tortas. Porém, quando sua mãe se casa novamente, a vida de Jack se torna um pouco mais difícil: a filha do marido de sua mãe, Holly, é uma colega de escola de Jack que está passando por um período de muita revolta devido ao fato de seu pai ter encontrado um novo amor e também por estar sendo pressionada pela mãe em um esporte que ela não gosta mais. Holly desconta toda essa frustração em Jack e eles começam a brigar feito gato e rato, até que em um certo dia, andando de carro, Holly fica furiosa e joga OP pela janela. Jack entra em desespero e, apesar dos melhores esforços, eles não conseguem encontrar O Poto. Para se desculpar, Holly o presenteia com um porco novinho, que Jack despreza; mas é véspera de Natal, e coisas mágicas acontecem nesse dia. O novo porquinho, que se chama O Porquinho de Natal, ganha vida e oferece a Jack a chance de recuperar OP. Como? Infiltrando-se na Terra das Coisas Perdidas.

Jack e o Porquinho de Natal é um livro infantil lúdico e muito gostoso de ler. Quando a dupla inusitada se une para resgatar O Poto, diversas aventuras têm início. A Terra das Coisas Perdidas é o lugar para onde tudo aquilo que perdemos vai. Lá, as Coisas são categorizadas de acordo com o quão amadas elas são e o quanto seus donos sentem sua falta. Quando você perde algo, aquele item fica durante 1h em Extraviada, onde há maiores chances de ser encontrado e voltar para a Terra dos Vivos. Depois desse tempo, as Coisas são separadas e destinadas a três cidades: Descartável, Alguém-Se-Importa e A Cidade dos Saudosos. Ou é isso que Jack e o Porquinho pensam, pelo menos.

A dinâmica dos dois protagonistas é a clássica “enemies to friends”. Jack é muito relutante em aceitar a ajuda do Porquinho, porque acha ofensivo que ele tenha sido dado como um substituto ao Poto. Já o Porquinho se ressente de Jack pela sua grosseria, já que o menino bateu e quase arrancou a cabeça do bichinho de pelúcia quando Holly o entregou. O acordo entre os dois é que O Porquinho de Natal vai ajudá-lo no resgate a OP, mas depois ele próprio será presenteado a Holly. Jack, obviamente, topou na hora. Mas conforme eles vão adentrando a Terra das Coisas Perdidas, eles percebem o perigo que os rodeia: esse “reino” é comandado pelo Perdedor, uma criatura capaz de matar as Coisas ao comê-las e destruí-las; desse modo, elas nunca poderão ser encontradas na Terra dos Vivos. Enquanto tentam passar despercebidos e fazer de conta que Jack é um boneco articulado, o menino e o porco percebem a necessidade de se unir para vencer as adversidades.

A criatividade de J. K. Rowling está em cada página de Jack e o Porquinho de Natal. Esse universo que ela construiu é muito rico e as explicações seguem uma lógica que torna muito fácil mergulhar de cabeça na proposta da trama. Além disso, é inevitável torcer para que a dupla seja bem-sucedida na missão de resgatar O Poto, porque a autora dedicou um bom tempo nos primeiros capítulos para nos mostrar (e não deixar dúvidas) de quão importante ele é para Jack. Ao longo das páginas, conhecemos personagens que não têm a mesma sorte de serem tão amados quanto OP, e vários deles se tornam aliados da dupla – ganhando também nossa afeição e torcida. Com o desenrolar da trama, vemos que a postura dos protagonistas vai mudando devagarinho: Jack deixa de ser tão implicante com O Porquinho de Natal e se aproxima dele; já O Porquinho vai assumindo uma posição de porto-seguro para Jack.

No fim das contas, Jack e o Porquinho de Natal é um livro infantil encantador que traz lições muito bonitas. Ele nos mostra a importância da amizade e de não desistir daqueles que amamos, assim como também nos faz refletir sobre o fato de que nem tudo é como aparenta ser. Muitas vezes as pessoas ao nosso redor estão lidando com coisas pesadas e difíceis, e ao olharmos somente para o nosso sofrimento nos tornamos insensíveis a essas dores. Além disso, aproveito pra elogiar a edição física, que é em capa dura e recheada de belas ilustrações. Leitura super aprovada!

Título original: The Christmas Pig
Autora:
 J. K. Rowling
Editora: Rocco
Número de páginas: 320
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

5 comentários sobre “Resenha: Jack e o Porquinho de Natal – J. K. Rowling

  1. Olá…
    A autora vem sendo bem polêmica nos últimos tempos e de um preconceito sem fim. Porém, falando sobre SUAS HISTÓRIAS, ela escreve super bem mesmo e, é claro, assim como você, não corroboro com seus posicionamentos, apenas, gosto de suas histórias.
    Ainda não li esse livro, mas, achei a premissa muito linda… parece ser aquele típico livro ideal pra se presentear, né?

    Bjo

    http://coisasdediane.blogspot.com/

  2. Oi, Pri! Tudo bom?
    Não consigo olhar pra mais nada que envolva a transfóbica sem ficar com raiva. E nem consigo ver uma história feliz e amorosa saindo daquele coração peludo dela :/
    Queria que o mercado editorial desse mais espaço pra autores respeitosos e amorosos e menos pra quem espalha tanto ódio, sabe? Tá na hora das editoras pararem de dar ibope pra ela.

    Beijos, Nizz.
    http://www.queriaestarlendo.com.br

  3. Oi Priih, tudo bem?
    Super te entendo em relação à JK. Não consigo gostar do que ela cria como antes por saber que a mesma pessoa que usou as palavras tantas vezes para curar, não se importa em usá-las para machucar. Como escritora ela sabe o peso de uma palavra e devia sim termais cuidado com o que fala/escreve.
    Sobre o livro, pela sua resenha parece ser bem fofo e mágico. Fiquei com vontade de ler, mas já tenho tanto na lista de leitura que por enquanto não pretendo fazer isso.

    Até mais;
    Mente Hipercriativa | Universo Invisível

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s