Resenha: Garota, 11 – Amy Suiter Clarke

Oi galera, tudo bem?

Apesar de não ser uma ouvinte de podcasts, adoro ler sobre true crimes. Por isso, fiquei bem animada quando recebi Garota, 11, um thriller da Suma que tem um podcast de true crime como enfoque!

Garanta o seu!

Sinopse: Elle Castillo é a apresentadora de um podcast popular sobre crimes reais. Depois de quatro temporadas de sucesso, ela decide encarar um caso pelo qual sempre foi obcecada ― o do Assassino da Contagem Regressiva, um serial-killer que aterrorizou a comunidade vinte anos atrás. Suas vítimas eram sempre meninas, cada qual um ano mais jovem que a anterior. Depois que ele levou sua última vítima, os assassinatos pararam abruptamente. Ninguém nunca soube o motivo. Enquanto a mídia e a polícia concluíram há muito tempo que o assassino havia se suicidado, Elle nunca acreditou que ele estava morto. Ao seguir uma pista inesperada, no entanto, novas vítimas começam a aparecer. Agora, tudo indica que ele está de volta, e Elle está decidida a parar sua contagem regressiva.

Elle Castillo é a voz por trás do Justiça Tardia, um podcast investigativo sobre true crime que se encontra em sua 5ª temporada. O foco do podcast é trazer justiça a vítimas cujos casos nunca foram encerrados, então Elle se dedica (com a ajuda dos ouvintes e de suas próprias skills) a encontrar os criminosos. A apresentadora já conquistou um status de sucesso, pois nas temporadas passadas conseguiu solucionar os casos a que se propôs, além ser convidada pela polícia a trabalhar como consultora vez ou outra. Em sua 5ª temporada, Elle lança seu projeto mais ambicioso: encontrar o serial killer conhecido como Assassino da Contagem Regressiva, conhecido por fazer vítimas sempre um ano mais novas que as anteriores, mas que desapareceu há cerca de 20 anos sem deixar rastros. Porém, ao mexer com o passado, Elle se depara com um perigo iminente em seu presente.

Eu adorei o formato que Garota, 11 é narrado: temos capítulos em terceira pessoa que acompanham o ponto de vista de alguns personagens (sendo em sua maioria o de Elle) intercalados com transcrições de áudios da protagonista e roteiros de episódio do podcast. Minha parte favorita, obviamente, foi a do podcast rs. Amy Suiter Clarke conseguiu me deixar totalmente imersa no caso do ACR e me vi querendo saber mais e mais sobre seu modus operandi e timeline dos acontecimentos. E é com esse gancho que aproveito para fazer um elogio à proposta do livro: ao mergulhar de cabeça no caso mais complexo que já investigou, Elle coloca o assassino em evidência (coisa que até então não fizera). E ela se depara com consequências graves decorrentes disso: ela começa a receber ameaças por e-mail, uma testemunha que colaboraria com ela é encontrada morta e uma pessoa querida se vê ameaçada. Garota, 11 aproveita esses acontecimentos para fazer Elle (e o leitor) enxergar os perigos de glamourizar criminosos, levantando uma provocação sobre a ética por trás desse tipo de conteúdo – que hoje é encontrado à exaustão na internet. Porém, tratando-se de um livro mais juvenil, Garota, 11 acaba ficando em um território mais superficial desse debate, que poderia ser mais aprofundado.

Os capítulos que se passam no presente, com Elle interagindo com a família (composta por seu marido, Martín, sua vizinha e melhor amiga, Sash, e sua afilhada, Natalie) e investigando pistas atuais do ACR são menos instigantes. E eu diria que o maior ponto fraco deles, assim como do livro no geral, é a sua previsibilidade: existem dois plot twists que a autora provavelmente desejou que fossem bombásticos, mas que vi chegando a milhas e milhas de distância. Você nem precisa ler nas entrelinhas com tanta atenção assim pra descobrir, o que é uma pena e causa um efeito bem anticlimático. :/ Quando as evidências indicam que o ACR “despertou” de sua hibernação e voltou a agir, em tese deveríamos ficar aflitos, certo? Mas não é o que acontece, ainda que o ponteiro do relógio esteja correndo contra Elle e a polícia. 

Outro ponto que não achei tão legal é a personalidade da Elle em si. Amy Suiter Clarke tenta nos fazer comprar a imagem de que sua protagonista é fodona e consegue resolver qualquer coisa (o que é reforçado com frases como “se tem alguém que consegue, é você”), mas a verdade é que não temos tantas informações assim que justifiquem por que a Elle é competente no que faz. Os únicos dados que comprovam isso é que ela já trabalhou como assistente social e que conseguiu resolver casos nas temporadas anteriores do podcast. Pra mim, não foi o suficiente, e senti falta de mais momentos que evidenciassem sua competência como investigadora – até porque todas as suas teorias sobre o ACR ao longo do livro foram sendo derrubadas ou mostraram-se problemáticas em algum nível. Pode ser implicância minha? Talvez. Mas né, foi a impressão que me marcou.

De forma geral, Garota, 11 foi uma experiência de leitura legal, porque a trama é ágil e as transcrições do podcast envolvem muito o leitor. Toda a energia que a autora colocou na criação do Assassino da Contagem Regressiva valeu a pena, porque realmente é um caso que instiga a ponto de fazer parecer real. Porém, sendo seu primeiro livro publicado, dá pra ver que existe imaturidade em sua escrita, e isso se reflete principalmente na obviedade dos plot twists (o principal ponto negativo pra mim). Mas, se você relevar esse aspecto (e gostar de podcasts!), é um livro bacana com uma “ambientação” diferente das que já havia visto por aí. 😀

Título original: Girl, 11
Autor:
Amy Suiter Clarke
Editora: Suma
Número de páginas: 304
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

9 comentários sobre “Resenha: Garota, 11 – Amy Suiter Clarke

  1. Oi Priih! Ainda não me aventurei no universo dos podcasts, mas esse livro me deixou interessada em ouvir algo semelhante ao que a protagonista faz. Achei a história boa, mas sim, precisa de mais maturidade em alguns pontos. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

  2. Olá, Priih.
    Eu peguei esse livro no NetGalley, mas ainda não li. Achei a forma como é narrado bem diferente e foi mais isso que me chamou a atenção. Porque confesso não sou fã nem de podcast, nem de crimes reais. Acho legal você ter citado a parte sobre glamourizar os assassinos, porque eu tenho essa impressão, de que alguns livros e séries parecem mais interessadas em enaltecer os feitos do assassino e deixá-lo mais “humano” por assim dizer.

    Prefácio

  3. Amei a resenha. Eu li esse livro e ficava o tempo todo pensando ‘se eu não julgar muito, esse livro vai ver muito bom’, mas também conseguia ver todo o desenrolar da história antes mesmo de chegar perto e achei a Elle muito fraquinha também, como se tudo conspirasse para ela resolver sozinha.
    Mas esse livro é muito envolvente e nao dá pra largar
    beijos

  4. Oi Priih, eu quase solicitei esse livro para resenhar, mas fiquei com medo de ser muito focado no universo dos podcasts (que também não é muito a minha praia) e acabei desistindo. Agora estou até aliviada, depois das suas observações a respeito dos plot twists. Uma pena, né? 😦

    Beijo, beijo :*

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