Resenha: As Sombras de Outubro – Søren Sveistrup

Oi pessoal, tudo bem?

A Priih louca dos romances policiais estava animadíssima pra escrever esse post. Recebi, via Time de Leitores da Companhia das Letras, o romance policial As Sombras de Outubro – que recentemente virou série na Netflix com o título de O Homem das Castanhas (sobre a qual falarei em breve aqui no blog). Fazia tempo que um romance policial não me empolgava tanto, então vem comigo conhecer!

Garanta o seu!

Sinopse: Em uma manhã tempestuosa em um tranquilo bairro de Copenhagen, a polícia faz uma descoberta sinistra: o corpo de uma mulher brutalmente assassinada, com uma das mãos faltando. Sobre ela está pendurado um pequeno boneco feito de castanhas. O caso é entregue à ambiciosa detetive Naia Thulin e a seu novo parceiro, Mark Hess, um investigador introspectivo que acabou de ser expulso da Europol. Logo se descobre uma evidência ligando o sr. Castanha a uma garota desaparecida há um ano: a filha da política Rosa Hartung. O homem que confessou tê-la sequestrado e assassinado está atrás das grades e o caso foi encerrado há tempos ― e qualquer insinuação contrária causa disputas e inimizades na corporação. No entanto, quando novas vítimas e novos bonecos aparecem, Thulin e Hess acham cada vez mais difícil ignorar a conexão entre o caso Hartung e o novo serial killer.

Um dos apelos comerciais de As Sombras de Outubro reside no fato de que seu autor, Søren Sveistrup, é o roteirista de uma série famosa, The Killing. E você nota que ele é um roteirista sem demora: os capítulos do livro são ágeis e curtinhos e as cenas têm fluidez, de modo que a história avança em um ritmo bastante intenso. Essa fórmula funciona bem demais comigo, porque me impulsiona a ler “só mais um capítulo” (e que leitor nunca pensou isso e, quando viu, leu mais uns 20, né?).

Na trama, uma sequência de assassinatos brutais passa a acontecer em Copenhague: as vítimas são mulheres na casa dos 30 anos que são encontradas visivelmente torturadas e com partes do corpo amputadas. O algoz é astuto e não deixa vestígios, com exceção de uma pequena assinatura: um bonequinho feito de castanhas. Na corrida para descobrir o culpado temos uma dupla de detetives: Naia Thulin, uma investigadora talentosa que almeja uma transferência para o núcleo de crimes cibernéticos da polícia e deseja conseguir um carta de recomendação; e Mark Hess, que é na verdade um agente da Europol afastado e só está em Copenhague enquanto espera a decisão do chefe sobre seu futuro. Não sabemos o motivo do afastamento, mas o leitor percebe que Hess não está interessado em seu trabalho atual por saber que é temporário, e isso gera uma tensão com Thulin, que fica bastante incomodada com o jeito indiferente e beirando o irresponsável do colega. Além dos assassinatos, temos uma terceira peça-chave no quebra-cabeça. Os bonecos de castanha contém uma impressão digital surpreendente: a de Kristine Hartung, filha da ministra do Bem-Estar Social, Rosa Hartung, que foi dada como desaparecida e morta um ano antes.

São esses elementos que Søren Sveistrup utiliza para construir uma trama cheia de conexões e pistas ocultas. A narrativa é em terceira pessoa e acompanha diferentes personagens, focando principalmente em Thulin, Hess, Rosa e, nas cenas de assassinato, nas vítimas. Como não temos o ponto de vista do assassino, o leitor fica no escuro sobre suas motivações durante a maior parte do tempo, podendo apenas conjecturar a respeito. Conforme Thulin e Hess avançam nas investigações, algumas hipóteses começam a ganhar força, mas ainda assim o autor consegue manter o suspense até a reta final. Eu suspeitei do personagem certo, mas não consegui deduzir seu background e seus planos, então adorei ser surpreendida pelo autor (acho até que comentei em outra resenha recente por aqui que estava sentindo falta disso nos romances policiais).

As Sombras de Outubro traz alguns elementos que parecem ser o primeiro passo para futuros livros, já que nesse eles não foram bem desenvolvidos. O passado de Hess e de Thulin, a relação da investigadora com o “avô de criação” de sua filha, os motivos pelos quais Hess foi afastado… todas essas pontas soltas ~cheiram a desenvolvimento posterior, sabem? É algo bem comum em séries policiais protagonizadas pelos mesmos investigadores e, apesar de eu não saber se Søren Sveistrup pretende continuar uma série com Hess e Thulin, foi essa a sensação que me causou. Mas, apesar de ambos serem muito competentes, eu não gostei tanto da dinâmica de parceria dos dois. Não senti que eles deram match em personalidade e modo de agir, então ficou difícil torcer por algum tipo de camaradagem ou até mesmo shipp.

Thulin é uma personagem que não me desceu. Ela é antipática e azeda, sendo difícil de gostar. Porém, feminista como sou, também não pude deixar de problematizar essa minha sensação. Afinal, Søren Sveistrup é um autor homem, e sabemos que mulheres são muito mais cobradas a serem afáveis, sorridentes e simpáticas (basta ver a diferença no tratamento que Brie Larson recebeu quando Capitã Marvel estava sendo promovido), então eu tentei me policiar pra não basear minha conclusão sobre Thulin somente nesse aspecto subjetivo. Dito tudo isso e excluindo a personalidade dela da jogada, me incomodou demais que ela tenha se comportado como se fosse superior a Hess – ainda que, na maior parte das vezes, ele tenha conclusões melhores que as dela e seja bem mais responsável pelos avanços da investigação na direção certa. E já que estou falando dele, Hess é um personagem meio misterioso, que de início você não curte tanto por estar com o “foda-se” ligado em uma investigação seríssima, mas com o avançar das páginas ele vai demonstrando não apenas seu potencial como investigador mas também seu comprometimento com a verdade.

Como aspectos negativos, eu preciso ressaltar a burrice de alguns personagens, incluindo o próprio Hess em determinados momentos. Sabem aqueles clichês de filmes de terror em que o espectador quase implora pro personagem não entrar sozinho numa casa abandonada no meio do nada? Fazendo o mesmo paralelo para um romance policial, eu fiquei implorando pra que fulano ou beltrano não entrassem em locais estranhos sozinhos, não saíssem de determinados espaços seguros sem reforços e não tomassem atitudes precipitadas por conta própria. Tudo isso obviamente aconteceu, e em todas as cenas fiquei enervada rs. Além disso, tem um ou outro plot que Søren Sveistrup inicia mas não desenvolve (como a relação de Rosa com seu assessor), o que acaba soando ou preguiçoso ou desatento por parte do autor.

As Sombras de Outubro é um romance policial raiz, daqueles que fazem você devorar as páginas e roer as unhas. Há cenas de ação, planos sendo colocados em prática, uma investigação cheia de perigos e um suspense que permeia o livro do início ao fim: Kristine Hartung está viva? Ao mesmo tempo em que o leitor fica aflito pelo perigo que as futuras vítimas correm, existe também a curiosidade acesa pra saber qual a conexão de tais assassinatos brutais com a família da ministra. E Søren Sveistrup faz um trabalho muito bom em conectar todos esses elementos de forma que a história se mantenha hipnotizante (mesmo com alguns defeitinhos e cenas mais amadoras dos policiais hahaha!). Recomendo muito pra quem curte o gênero! E fiquem ligados que em breve volto pra falar da série. 🙌

Título original: Kastanjemanden
Autor:
Søren Sveistrup
Editora: Suma
Número de páginas: 416
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

15 comentários sobre “Resenha: As Sombras de Outubro – Søren Sveistrup

  1. Oi Priih, estou com o livro aqui em casa, separadinho para ler. Pulei algumas partes da sua resenha, confesso, para iniciar a leitura sem saber muitos detalhes e me surpreender mais. Olha, fiquei empolgada para começar, viu? Só quero assistir a série depois de ter lido. Beijo, beijo :*

  2. Oi Priih, tudo bem?
    Acho que minha mais recente paixão pelo universo de Sherlock Holmes, reacendeu em mim o gosto por romance policial. Já tenho alguns na minha lista e acho que vou colocar esse também. Pela sua resenha parece ser muito interessante e eu amo esse tio de livro que a gente vai ler “só mais um capítulo” e quando percebe leu o livro inteiro…hahaha

    Ah, respondi a tag Cartas Literárias no meu blog!

    Beijos;
    https://hipercriativa.blogspot.com/
    http://universo-invisivel.blogspot.com/

  3. Olá,
    Eu até comecei a ler esse policial tempo atrás, mas acabei me afastando e nem lembro o motivo. Quero muito retomar, estava curtindo, fora que amo policiais nórdicos e adoro a versão norte-americana de The Killing.
    E pela sua resenha dá pra ver que tem umas táticas de sempre mesmo, na interação.
    Ainda não vi a série, acho que vou depois da leitura.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

  4. OI Priih! Eu gostei muito do livro, foi melhor do que imaginei. Eu gosto de histórias deste tipo e esta não me decepcionou. Eu também não gostei da Thulin, mas do Hess eu gostei. Adoraria outro livro com o personagem. Foi um mistério bem elaborado. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

  5. Olá, Priih.
    Eu como amante do gênero que sou é claro que peguei o ebook para ler assim que a editora disponibilizou. Mas não sabia que ele era tudo isso não. Vou tentar encaixar ele nas minhas próximas leituras que estou bem enrolada aqui hehe.

    Prefácio

  6. Olá Priih, eu vi a série aparecendo no catálogo e devo conferir em breve. Já o livro, eu ainda não li, mas quero bastante, ainda mais sabendo que é um thriller raiz. Provavelmente eu ficaria agoniada nos mesmos momentos que você, especialmente na questão da “burrice” dos personagens.
    Mas leria o livro mesmo assim.
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
    Pinterest | Instagram | Skoob

  7. Oi Priih,
    Eu também amo romances policiais, mas confesso que esse nome brega O Homem das Castanhas não me chamou em nada a atenção, haha. Então, acabei não assistindo a série ainda, o que foi bom, pois prefiro ler o livro antes, e eu ainda não sabia que era baseado em um romance.
    Apesar das ressalvas, creio que realmente valha a pena dar uma chance a esse suspense raiz! O livro foi colocado com sucesso na minha lista de futuras leituras.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

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