Resenha: Dormir em um Mar de Estrelas – Christopher Paolini

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje chegou a vez de conversar sobre o calhamaço que conquistou o título de maior livro que eu já li: Dormir em um Mar de Estrelas, do Christopher Paolini (autor de Eragon). Essa resenha vai ser mais longa que de costume, mas é um livro de mais de 800 páginas, então peço que vocês relevem e tenham paciência comigo, tá? 🙈

Garanta o seu!

Sinopse: Durante uma missão de pesquisa de rotina, Kira encontra uma relíquia alienígena. A princípio, ela fica maravilhada com a descoberta, mas logo esse sentimento se transforma em terror. Depois de cair em uma câmara no meio de um planeta desconhecido, a poeira ao seu redor começa a se mexer. Kira é lançada em uma odisseia de descobertas e transformações que atravessa a galáxia ao mesmo tempo em que uma guerra eclode em meio às estrelas. O primeiro contato com seres alienígenas não é como ela imaginava, e uma série de acontecimentos a levam até seu limite humano. A Terra e suas colônias estão à beira da aniquilação, e Kira, mesmo tendo que encarar seus próprios medos, se torna a última esperança da humanidade.

O ano é 2257 e a humanidade expandiu suas fronteiras para além da Terra. No espaço, há diversas colônias e profissionais especialistas em fazer missões em novos planetas para verificar a viabilidade de a humanidade se instalar ali ou somente minerar materiais necessários. Uma dessas profissionais é Kira Navárez, uma experiente xenobióloga apaixonada pelo que faz e por descobrir novos mundos e formas de vida. Entretanto, em uma missão de rotina, ela entra em contato com um artefato alienígena: uma espécie de traje simbiótico que se liga ao seu corpo e tem atitude própria, o que infelizmente leva à morte de toda a equipe de Kira (incluindo Alan, seu noivo). A partir desse momento, Kira é levada para uma nave do CMU (Comando Militar Unido, responsável pela segurança de todos os planetas da Liga dos Mundos Aliados) para ser examinada e seu corpo é exposto a vários níveis de stress e testes invasivos. Vocês acham que desgraça pouca é bobagem? Essa nave é atacada por outros alienígenas, que também estão em busca do traje. Kira, porém, consegue explodir a nave e escapar em uma pequena nave de fuga, sendo resgatada por aqueles que serão seus novos companheiros de viagem: a tripulação da Wallfish, liderada pelo capitão Falconi.

Isso é só o inicinho da história, e já deu pra sentir que Dormir em um Mar de Estrelas é tiro, porrada e bomba, né? Do instante em que entra em contato com o xeno, a coitada da Kira não tem um minuto de paz. Não somente ela perde autonomia sobre seu corpo, já que existe um novo ser perigoso em simbiose com ela, como também vira alvo de experimentos e desconfianças. Mas, com a tripulação da Wallfish, ela aos poucos vai encontrando seu lugar. Graças ao traje, Kira consegue ter visões de “vidas anteriores” que o xeno experimentou ao estar ligado a outros corpos – e um desses corpos é justamente a espécie alienígena que atacou a nave na qual Kira se encontrava. Por meio das lembranças do traje (que descobrimos se chamar Lâmina Macia), a protagonista vira uma peça-chave para evitar que a humanidade seja extinta e que tenha alguma chance em uma guerra interestelar iminente.

De início, vou dizer que achei o ritmo de Dormir em um Mar de Estrelas bem cansativo. Paolini descreve bastaaante, e demora pra que a ação aconteça (ainda que, quando aconteça, seja bem explosiva). Mas quando a Kira é resgatada pelo pessoal da Wallfish, o livro fica mais legal. Os membros da tripulação são muito carismáticos, cada um a sua maneira: Falconi é o clichê do “macho alfa”/cara durão, mas é muito leal e justo; Sparrow e Hua-Jung são um casal lésbico (e esse relacionamento é tratado com muita naturalidade, o que é sempre bem-vindo!) muito foda, sendo a primeira uma ex-soldado e a segunda a chefe de engenharia; Nielsen é a segunda em comando, muito inteligente e sensata; Vishal é o médico da nave, gentil e atencioso; Trig é um garoto empolgado com a vida e com as novidades que Kira trouxe; e Gregorovich é o Cérebro da Nave, um ser humano que abriu mão do corpo para expandir sua capacidade cerebral. Ah, e como deixar de mencionar o Runcible e o Sr. Fofuchinho, os pets da Wallfish? ❤

Kira é uma protagonista muito corajosa. Ela não é uma guerreira, mas uma cientista, e se vê em uma situação em que precisa lutar, se defender e proteger as pessoas com quem criou um novo vínculo. Tudo isso enquanto precisa superar o luto por (indiretamente) ter causado a morte de seus antigos companheiros e grande amor. Admiro muito as decisões difíceis que ela tomou, pois seria muito compreensível caso ela paralisasse pelo medo. E não me entendam mal: ela sente medo, e muito. Isso deixa seus sentimentos bem mais críveis e demonstra o tamanho de seu mérito. 

Uma coisa importante de pontuar é que o livro é cheio de termos específicos e desconhecidos de seu universo. No fim dele, há um glossário que explica a maioria deles, mas optei por utilizá-lo pouquíssimas vezes. Além desse vai e vem deixar a leitura truncada pra mim, também achei interessante tentar viver a experiência de me sentir tão perdida quanto Kira no que dizia respeito às informações sobre os alienígenas. Essa inclusive foi uma sensação que eu já havia experimentado com Laranja Mecânica, cuja linguagem própria faz o leitor se sentir um outsider do universo jovem e ultraviolento de Alex. 

O autor foca em tornar tudo tão crível e realista do ponto de vista astrofísico que, pra mim, se tornou abstrato imaginar as cenas e lugares, o que atrapalhou minha imersão. Entre algo mega técnico/específico e fluidez narrativa, eu prefiro a fluidez. Algumas passagens que focavam muito em explicações físicas e tecnicidades das naves espaciais e dos processos eu só lia por cima, porque realmente não são temas que me interessam e nem faziam tanta diferença assim pra história. E é nesse ponto que mora o maior problema que tive com o livro: a falta de objetividade tornou muito difícil pra mim mergulhar de cabeça na trama. Mesmo que a história estivesse em momentos legais, a trama de Paolini se arrastou demais, então levei mais de 3 meses pra concluir a leitura. 

Dormir em um Mar de Estrelas é um épico de ficção científica que tem tudo pra conquistar os amantes desse estilo literário. Você vê a profundidade dos estudos do autor pra fazer uma história coerente e verossímil, e isso é um prato cheio pros amantes de boas histórias espaciais. A mitologia criada por ele é muito bacana e, apesar da história de Kira ter sido iniciada e encerrada aqui, o universo do autor tem muito a se expandir. Não dei 5 estrelas pra leitura porque acredito que um bom pedaço do livro poderia ser “cortado” em nome da agilidade narrativa, mas reconheço que isso é uma questão de gosto pessoal e que pode não interferir na experiência de vocês com essa leitura. Espero que gostem da dica e mergulhem de cabeça nessa viagem espacial. 😉

P.S.: vi vários comentários de pessoas que não curtiram o final, cujo gostinho é meio agridoce. Mas, pra mim, ele fez todo sentido com a trajetória de Kira. Gostei muito!

Título original: To Sleep in a Sea of Stars
Autor:
Christopher Paolini
Editora: Rocco
Número de páginas: 832
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

17 comentários sobre “Resenha: Dormir em um Mar de Estrelas – Christopher Paolini

  1. Oi Priih! A história deve ser mesmo bem detalhada, dado o tamanho da obra. Eu gosto de histórias do gênero, apesar de não ler tantas quanto gostaria. Ainda não li nada do autor, vou conhecer o trabalho dele por Eragon e depois vou lendo os demais livros. Esta obra já estava no radar, não vejo a hora de conferir.
    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

  2. Oie, esse é justamente o livro que estou lendo no momento e concordo com alguns pontos que mencionou pelo que vi até agora. A leitura tem muitos termos que não conheço, mas estou adorando conhecer a trajetória da personagem e ficando bastante envolvida. É uma pena que a leitura tenha sido arrastada e espero gostar do final.

    Bjs

    Imersão Literária

  3. Oii Priih!
    Muito boa a sua resenha, a história parte de uma ideia muito legal com a Kira e seu traje simbiótico 🙂
    Gosto desse gênero, acho que nos faz pensar e imaginar sobre um lado pouco conhecido para a humanidade. Mas pela sua resenha o autor não dá muito espaço para imaginação com o exagero de detalhes. Talvez ele tenha pecado buscando fazer um trabalho perfeito e deixou a objetividade em segundo plano primando por construir um universo completo e detalhado.
    Até mais!
    Bjos

  4. Eu não conhecia o livro, faz muito tempo que não pego nada de ficção científica. Eu já como se nas primeiras páginas já aconteceu isso tudo, imagine mais adiante. hahaha 800 páginas eu acho que levaria mais de 3 meses porque leio bem lentamente, mas acho que tinha muita coisa para ser explicada e por isso não tinha como ser menos. A Kira me pareceu uma protagonista no estilo que eu gosto.

    beijos

  5. Olá, Priih.
    Eu li Eragon e amei, mas confesso que faz tanto tempo que não lembro muito bem da escrita do autor. Mas esse agora fiquei na dúvida se quero ler ou não porque o gênero é um que não sou muito fã apesar de ler de vez em quando.

    Prefácio

  6. UAU Priih, eu li o resumo da trama e já tinha achado SUPER tenso ~ até que eu li a sua resenha e achei ainda mais tenso (e denso). Eu até gosto de ficção científica, mas não sei se encararia essas 800 páginas, até pela falta de objetividade que você mencionou. Mas gostei da Kira, ela me pareceu uma protagonista forte e “real”, na medida do que é possível numa ficção científica. Hahaha! Um beijo :*

  7. Olá,
    Antes eu até me espantaria com essa quantidade de páginas, mas depois de ler It: A Coisa mudou um pouco meu espanto. haha
    Eu não simpatizo muito com os tópicos explorados por ele, mas leria porque fiquei curiosa sobre a protagonista e esse final que divide opiniões. E quero conhecer os pets, claro. haha

    até mais,
    Canto Cultzíneo

  8. Oi Priih,
    Eu amoooo a sensação que fica em nosso coração quando acabamos de ler um calhamaço. É uma conquista gostosa né? Parabéns para você, não é uma jornada fácil não!
    E sobre a obra em si, eu adoro essa capa, acho linda! Mas ficção ciêntífica não é algo que flua muito para mim.. Não sei se começaria logo com esse calhamaço, mas o final “agridoce” como você diz, me empolga, gosto quando faz sentido, mesmo não que não seja o esperado.
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

  9. Oi Priih,
    Eu fiquei apaixonada por esse livro desde quando o vi pela primeira vez. Mas já imaginava que ele seria uma leitura mais pesada ou complexa pela história e a proposta. Gostei bastante da sua resenha e ainda quero ler essa aventura, só que com mais calma agora.
    Bjos
    Kelen Vasconcelos
    https://www.kelenvasconcelos.com.br/

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