Resenha: Sem Ar – Jennifer Niven

Oi galera, tudo bem?

Quando li Por Lugares Incríveis, da Jennifer Niven, me apaixonei e me emocionei. Por isso, fiquei animadíssima pra ler Sem Ar, seu mais recente livro publicado no Brasil. E agora conto pra vocês o que achei dessa experiência. 😉

Garanta o seu!

Sinopse: Passar o verão numa ilha remota não era o plano de Claudine Henry. Ela deveria estar viajando de carro com sua melhor amiga, aproveitando cada minuto antes de ir para a faculdade. Mas depois que seus pais anunciam o divórcio, o mundo dela vira de cabeça para baixo — e Claude vai parar nesse destino improvável, acompanhando a mãe que tenta se reconstruir depois da separação. Ali, a garota não tem internet, sinal de celular ou amigos. Até que conhece Jeremiah. Com o espírito livre e um passado misterioso, a química entre os dois é imediata e irresistível. Enquanto vivem aventuras pelas praias, dunas e florestas, Claude e Miah tentam não se apaixonar — afinal, esse relacionamento tem os dias contados. Mas talvez viver esse romance seja exatamente do que Claude precisa para começar a escrever sua própria história.

Claude é uma jovem padrão com uma vida ótima: tem pais amorosos, uma melhor amiga (Saz) cujo carinho e lealdade são inquestionáveis e é bem resolvida com sua autoestima e com sua sexualidade. Ela está prestes a se formar no Ensino Médio e, a poucos dias da formatura, Claude recebe a notícia de que seus pais não apenas estão se divorciando como também pedem segredo a ela até que resolvam como conduzir a situação. Claude então viaja com a mãe para uma ilha remota na qual seus antepassados viveram, para que sua mãe possa fazer pesquisas para seu próximo livro enquanto tenta juntar os pedaços do próprio coração. Chegando na ilha, Claude faz amizade com alguns jovens que trabalham lá no verão e rapidamente se apaixona por Jeremiah (ou, simplesmente, Miah) – um garoto de sorriso fácil que a conduz por diversas primeiras experiências.

Apesar do título, eu diria que “Sem Chão” seria uma metáfora bem melhor para nomear este livro, de tantas vezes que a protagonista usa esse termo ao longo da obra. Toda a confiança na família cai por terra quando ela descobre aquele segredo que os pais ocultaram dela e, principalmente, quando o pedido mais egoísta é feito: de que ela não fale com ninguém a respeito. De um minuto pro outro os planos de Claude viram de cabeça para baixo e a jovem se vê sem nenhum ombro amigo para onde correr, já que ela também está com rancor da mãe por ter guardado segredo. É possível entender porque Claude hesita em confiar e em se abrir, já que as pessoas que ela mais ama a deixaram confusa e, de certa forma, sozinha. É nesse contexto que ela encontra conforto em Miah.

O jovem trabalha na ilha como parte de um programa reformatório para jovens infratores. Ele próprio fez parte desse programa, entrando para o sistema muito jovem. Entretanto, graças ao acolhimento que ele recebeu, foi capaz de dar a volta por cima e se tornar um exemplo para os jovens que vão para a ilha. Ele é a pessoa que acolhe Claude de braços abertos, porque entende bem o que a desestrutura familiar causa: responsável pela mãe e pelas irmãs e com um pai que foi embora, Miah se sente em uma encruzilhada em que um dos caminhos o leva para onde realmente deseja, perseguindo seus sonhos, enquanto o outro o mantém “preso” à família para o caso de sua mãe precisar dele. E com a atração óbvia que sentem um pelo outro, logo Claude e Miah começam a ficar e, mais do que isso, a se abrir um com o outro e expor suas fragilidades sabendo que a outra pessoa estará ali para ouvir.

O plot de Sem Ar não é inovador, me lembrando uma mescla de A Última Música (especialmente pelo rancor de Claude pelo pai e da missão de salvar as tartarugas) com Um Amor Para Recordar (com aquela promessa de “não podemos nos apaixonar”). E eu não me importo com clichês, desde que eles funcionem bem e os personagens cativem. Infelizmente, não foi o caso aqui. Consigo entender os sentimentos de Claude e as dificuldades que ela tem de lidar com tudo que está acontecendo ao seu redor, mas a personagem em si não é carismática o bastante para que o leitor se afeiçoe de verdade e queira protegê-la de sua dor. Miah cumpre melhor esse papel, ainda que reforce o estereótipo do garoto bonitão cheio de gingado que transforma a vida da garota levando-a para várias situações inusitadas e encantadoras (parece que a Jennifer Niven bebeu da própria fórmula de Por Lugares Incríveis, né?).

O romance é fofo e a forma como a sexualidade e a primeira vez são trabalhadas na obra também são bacanas, dando um exemplo positivo de como garotas devem ser donas do próprio corpo e das próprias experiências, além de se conhecerem sem tabus. Mas, apesar disso, não consegui me conectar verdadeiramente com a trama, e achei-a demasiado longa. Sem Ar não precisava de tantas páginas para contar a sua história, que é bastante mediana e clichê, ainda que conte com cenas bonitinhas entre o casal. Um outro ponto importante que influenciou minhas expectativas foi saber que esse é um livro muito pessoal para a autora, então esperei a mesma emoção que encontrei em Por Lugares Incríveis, mas sugiro que vocês não façam o mesmo, para evitar frustrações.

O final do livro merece elogios! Ao longo das páginas, vemos o vínculo entre Claude e Miah crescer, ainda que ambos saibam que aquela relação está com os dias contados, já que cada um deles precisa voltar para sua rotina após o verão. Ainda assim, é nítido que eles se apaixonam e estão sofrendo com a separação. Por isso, as cenas finais deixam o leitor aflito e sem saber o que esperar – da mesma forma que Claude se sente. Essas páginas finais foram aquelas que conseguiram me emocionar e, finalmente, sentir a dor dos personagens. E, ao mesmo tempo em que mexe com o nosso coração, Jennifer Niven também traz uma dose extra de coragem a Claude, que ao longo de toda a trama buscou a sua própria forma de protagonismo, o seu lugar no mundo.

Sem Ar não é um livro ruim, mas não se diferencia dos muitos outros romances que existem por aí. Não recomendaria como um título pra quem quer entrar em contato com a escrita de Jennifer Niven pela primeira vez, porque sei que ela é capaz de emocionar e envolver muito mais. Mas se você busca um romance coming of age bem focado em primeiras vezes e encantamento com o outro e com o mundo, é bem provável que você possa gostar. 😀

P.S.: preciso desabafar que, apesar dessa capa lindíssima, fiquei agoniada com a representação da Claude, porque no livro ela corta o cabelo Joãozinho pouco tempo depois de chegar à ilha rs.

Título original: Breathless
Autora:
Jennifer Niven
Editora: Seguinte
Número de páginas: 392
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

10 comentários sobre “Resenha: Sem Ar – Jennifer Niven

  1. Oi Priih! Os dois anteriores da autora eu gostei bastante e estou curiosa para saber como é este novo. Acho que superar Por lugares incríveis não vai, mas acredito que seja uma história que vai me agradar. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

  2. Olá, Priih.
    Eu recebi esse livro da editora. Mas exatamente por ter me emocionando muito com Por Lugares Incríveis que não quis ler ele por agora. Mas agora lendo sua resenha estou revendo isso hehe. Você citou A ultima Musica e confesso que não consegui me envolver com a protagonista dele e sim com seu pai e sua história hehe.

    Prefácio

  3. Amei a resenha. Estava super animada para ler esse livro, agora vou esperar um pouco para começar rs
    Acho que seguir a fórmula nem é um grande problema quando bem executado, mas acaba tornando tudo previsível.
    beijos

  4. Oi Priih, tudo bem?
    Então, como não leio romances frequentemente, acho que o plot de Sem Ar pode ser inovador pra mim. Não me lembro direito da história de A Última Música, e sei que Um Amor Para Recordar é Famoso, mas eu nunca tive acesso ao livro e nem interesse no filme. Acho que o tio Nick andou inspirando bastante a Jennifer Niven, haha.
    Eu li Por Lugares Incríveis mais pela questão apresentada no livro do que pelo romance, então creio que Sem Ar me daria dor de tanto revirar os olhos, esse eu passo.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

  5. Oi, Priiih. Tudo bem?
    Essa autora ainda está na minha lista de livros para dar uma chance, sinto que ela tem algo para oferecer, mas ainda não chamou minha atenção. Confesso que a mistura de A Última Música com Um Amor para Recordar me deixou bem curiosa, hahahah.

    Beijos, Vanessa
    Leia Pop

  6. Oi Priih,
    Eu tinha visto esse lançamento e vi muitas pessoas falando dele, queria mesmo ler uma resenha dele para saber se realmente era bom. As suas explicações sobre a história do livro são muito claras e acho que esse livro não é muito pra mim.
    Bjos
    Kelen Vasconcelos
    https://www.kelenvasconcelos.com.br/

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