Review: Radioactive

Oi pessoal, tudo bem?

Nos últimos dias chegou à Netflix o filme Radioactive (dirigido por Marjane Satrapi, de Persépolis), que se propõe a ser uma cinebiografia da vida de Marie Curie, vencedora de dois prêmios Nobel relacionados às suas pesquisas sobre radioatividade. Vamos descobrir o que eu achei? 😀

Sinopse: Movida por uma mente brilhante e uma grande paixão, Marie Curie embarca em uma jornada científica com o marido, Pierre. Suas descobertas vão mudar o mundo.

Antes de falar sobre minha opinião sobre o longa, acho importante dividir com vocês qual era a minha expectativa: eu imaginava que o filme fosse focado no processo da descoberta científica em si, com suas discussões, desafios, testes e avanços. Também imaginei que ele pudesse trazer uma luz ao fato de que Marie Curie era uma mulher em meio a um ambiente majoritariamente masculino e numa época em que o machismo era ainda mais intenso. Esse segundo ponto até é abordado, ainda que de forma superficial. O primeiro, porém, foi minha decepção: em cerca de 30 ou 40 minutos (em um filme de 1h50 de duração) ela já tinha descoberto os elementos rádio e polônio, fazendo com que o foco da trama se virasse para sua vida pessoal.

Segundo a visão trazida por Radioactive (e eu coloco isso dessa forma porque não conheço a fundo a história da cientista para contestar), Marie Curie era brilhante, destemida, autossuficiente e arrogante. Ao conhecer Pierre Curie, seu marido e grande amor, ela amplia seu estudo e os dois formam uma parceria de trabalho que os leva a ganharem o Prêmio Nobel pelas descobertas que fizeram em conjunto sobre a radioatividade. O machismo na trama começa a ser exposto aí (já que, na trama, Pierre é recebido sozinho na Suíça e discursa em nome dos dois), mas fica ainda mais grave quando Marie se envolve em escândalos em sua vida pessoal que a fazem ser hostilizada pelas pessoas e pelo meio acadêmico (sendo que o homem que deveria ser responsabilizado por tal escândalo não sofre nenhuma penalidade – não que seja muito diferente hoje em dia, né?).

A montagem do filme é estruturada de forma que a gente acompanhe os estudos de Marie e Pierre sobre radioatividade enquanto intercala com outras décadas no futuro nas quais essa descoberta foi relevante. Há cenas que expõem aspectos positivos, como uma criança com câncer podendo fazer um tratamento experimental com radioterapia, mas a maior parte dos paralelos é negativa: vemos os desastres de Hiroshima e Chernobyl, além de exposições turísticas de explosões atômicas nos Estados Unidos, o que me fez ter a sensação de que o roteiro colocou mais peso nos perigos e no mau uso da descoberta. Só nos minutos finais há um diálogo entre Marie e seu marido em que ele traz como contraponto o fato de que ela jogou uma pedra na água, mas que as ondas geradas por isso ela não é capaz de controlar. O conhecimento em si não é uma coisa ruim, mas sim a forma destrutiva que a humanidade muitas vezes o utiliza.

Minha maior frustração com Radioactive reside no fato de que me senti assistindo a um filme que flutua do drama às “fofocas” durante uma parte considerável de sua duração. Como as descobertas científicas acontecem muito rápido e não são bem exploradas (as explicações e discussões são rasas e não duram muito), o resto da trama tenta desenvolver 1) a relação de Marie com as filhas, que mal apareceram até então, 2) o luto após a perda do marido, 3) suas relações passionais, 4) sua reputação enfraquecida e 5) sua participação na Primeira Guerra Mundial, com a criação de um veículo equipado com máquinas de raio-X. Só o item 5 já dava muito pano pra manga, sabem? A sensação que fica é que tentaram enfiar um milhão de aspectos relevantes da vida de Marie Curie em um único filme, sem ter um foco principal. Existem biografias que focam na parte profissional de um nome célebre, ou então no seus dramas familiares. Acho que essa falta de foco de Radioactive deixou todos os âmbitos da vida da cientista muito superficiais.

Apesar dos pesares, Radioactive conta com boas atuações (a química entre Rosamund Pike e Sam Riley funciona muito bem) e não chega a ser cansativo. Gostei de ter a oportunidade de saber mais sobre a vida de uma mulher tão importante para a história e para a ciência, mas lamento que isso tenha sido feito de uma forma um tantinho mediana. :/

Fun facts: o filme foi lançado em 2019, mas só chegou à Netflix agora. Além disso, contou com a produção da Amazon (o que me surpreendeu bastante, considerando que eles têm seu próprio streaming).

Título original: Radioactive
Ano de lançamento: 2019
Direção: Marjane Satrapi
Elenco: Rosamund Pike, Sam Riley, Simon Russell Beale, Aneurin Barnard, Anya Taylor-Joy

13 comentários sobre “Review: Radioactive

  1. Nossa, acabei de assistir a esse filme! =D
    Eu particularmente não gosto de filmes no estilo drama com cenas como do filme.
    Mas por ser sobre a vida dela eu gosto de assistir.
    A tua frustração foi o que eu gostei, achei que foi abordado de maneira leve apesar de ter sido superficial em alguns pontos. E a história foi foda mesmo, a foto final então kkkkkk

  2. Oi, Priih
    É horrível quando a gente vai ver uma coisa esperando encontrar algo e se depara com um tombo KKK nada é pior do que trazer coisas de maneira superficial, fica mal abordado. Eu sinceramente não assistiria o filme porque não sou muito fã dessas temáticas, e também porque ando naquela fase que qualquer filme/série eu tô dormindo.
    Beijo
    https://capitulotreze.com.br/

  3. Oi Priih, eu ainda não assisti o filme, mas li algumas críticas semelhantes à sua. Parece que também existem alguns eventos retratados que não são exatamente como aconteceu na vida real, não sei ao certo… Achei uma pena porque é uma história que vale tanto à pena saber mais, né? Beijo, beijo :*

  4. Hey o/

    Perderam uma boa chance de fazer uma cinebiografia que não fosse um romance. Sinto que isso tem um dedo do machismo patriarcal, mas posso só estar sendo paranoica.

    Estava com altas expectativas com o filme, mas o bom que eu já diminuo antes de assistir.

    Boas leituras,
    Karen Gabrieli | Apesar do Caos

  5. Olá, Priih.
    Talvez fosse melhor ter sido uma série então do que um filme, já que teria mais tempo para desenvolver os assuntos que deixaram a desejar no filme. Eu confesso nem conhecia ela ainda e o filme não chamou muito a minha atenção. Quanto ao machismo presente não mudou nada porque somente a mulher é punida e o homem continua com sua vida normal.

    Prefácio

  6. OOi
    Eu estou enrolando para ver esse filme, pois estou maratonando tudo possível na globoplay antes que minha assinatura acabe. Fiquei bugada com o logo da Amazon mas o filme estando na Netflix kk

    Bom, eu não conheço nada sobre Marie Curie, exceto o básico do básico. Então independente do que a história me proporcionar já vai ser uma ideia de quem ela foi.

    Sil
    blog kzmirobooks.com • Siga no Instagram: @kzmirobooks
    Top comentarista valendo a saga Harry Potter

  7. Eu estou enrolando para ver esse filme, mas já vi alguns comentários parecidos com o seu, que focaram demais na parte pessoal da vida dela e deixaram a parte da profissão mesmo de lado. Mas eu acho que se fosse para fazer algo tão completo assim, talvez um documentário todo dedicado a ela tivesse mais sucesso do que um filme com uma duração curta, sabe? Mas que bom que, mesmo com as ressalvas, é um bom filme, com um bom elenco. ^^
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
    Pinterest | Instagram | Skoob

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