Resenha: Acorda Pra Vida, Chloe Brown – Talia Hibbert

Oi pessoal, tudo bem?

Minha experiência com chick-lits ainda não é muito vasta, então quando a editora Paralela me proporcionou a chance de ler mais um, não hesitei. Fiquei ainda mais animada por ter sido ele escrito e protagonizado por uma mulher negra, afinal, precisamos de mais representatividade na literatura. Então bora conhecer Acorda Pra Vida, Chloe Brown? 😉

Garanta o seu!

Sinopse: Depois de quase ser atingida por um carro em alta velocidade, Chloe Brown se deu conta de que seu obituário seria um tanto entediante. Para reverter essa situação, ela decide montar uma lista de atividades necessárias para finalmente “acordar para a vida”. Mudar assim não é nada fácil, mas, para sua sorte, Chloe encontra alguém que — mesmo a contragosto — pode ajudá-la nessa missão. Seu vizinho Red Morgan é um motoqueiro misterioso, que tem várias tatuagens e mais sex appeal que uma estrela de Hollywood. No entanto, um acordo leva Chloe e Red a se aproximarem e perceberem que suas primeiras impressões um do outro estavam erradas. E que, mesmo com traumas do passado e receios quanto ao futuro, o amor nunca perde a chance de surpreender.

Após quase ser atropelada, Chloe Brown se põe a refletir sobre sua vida e chega à conclusão de que ela é muito tediosa. Com o desejo de ter um epitáfio mais digno, ela decide criar uma lista pra “acordar pra vida”, que inclui marcos como acampar, se embebedar e fazer sexo sem compromisso. A lista não parece muito fora da curva, né? Acontece que pra Chloe são verdadeiros desafios: ela sofre de fibromialgia, uma doença crônica que causa dores e fraqueza pelo corpo todo e pode ser muito debilitante. Mas, para tomar o controle da própria vida, Chloe se muda da (rica) casa dos pais para um apartamento alugado e lá ela conhece Redford Morgan, o (charmoso) zelador que parece se dar bem com todo mundo, menos com ela. Acontece que o próprio Red tem uma visão deturpada da personalidade de Chloe, confundindo sua reserva e timidez com esnobismo, mas os dois têm a chance de conversar quando ele a ajuda a… resgatar um gato de uma árvore!

Já começo dizendo que esse plot do gato é maravilhoso. Mesmo dolorida e sabendo que seu corpo vai cobrar um preço, é adorável ver uma rabugenta Chloe se propondo a escalar uma árvore para salvar um gatinho – pelo qual ela se afeiçoa, mesmo sem querer admitir. A personagem é irônica, mau humorada e divertida, ainda mais quando ela fica conversando mentalmente com o gato. 😂 Também é muito gostoso de acompanhar a forma como Red percebe que Chloe não é a menina rica de nariz empinado do apartamento em frente, mas sim uma mulher que se esconde atrás de roupas fofas (e cheias de botões) e uma expressão gelada. E já que falamos no protagonista masculino, vale ressaltar: Red é incrível. Eu gosto dos caras legais (zero fetiche em bad boys), e Red é um deles, brilhando do início ao fim! Carismático, sedutor e seguro de si mesmo, foi impossível não me deixar ser fisgada por ele também.

A narração do livro é em terceira pessoa e intercala os pontos de vista de ambos os personagens. Tanto Chloe quanto Red são pessoas que já tiveram seus corações partidos, e o livro faz questão de mostrar um outro lado do relacionamento abusivo que até então eu não tinha visto – no qual o homem é a vítima. A ex de Red era uma jovem rica que se achava superior a ele e minou tanto sua autoconfiança que isso impactou diretamente na sua profissão, fazendo com que o personagem fique na defensiva com Chloe devido ao seu status social. A protagonista feminina, por sua vez, se viu cada vez mais sozinha conforme suas dores crônicas passaram a ser um impedimento em suas relações, o que fez com que ela simplesmente desistisse de tentar se abrir pro mundo. Mas a química entre os dois e a atração inegável que sentem são o primeiro passo pra que essas barreiras comecem a ser quebradas.

Um ponto que me chamou a atenção reside no fato de que a capa e a sinopse dão a entender que veremos um romance apenas fofo, mas na verdade encontramos também uma trama +18, cheia de palavrões e cenas explícitas de sexo. Não sei vocês, mas eu falo muuuito palavrão, então o fato dos personagens usarem também não me incomodou em nada, porque pra mim eles ficaram ainda mais reais (apesar de reconhecer que o uso de “caralho” pra ênfase foi um pouco exaustivo). No livro há masturbação, cenas de sexo e descrições bem ~calientes, o que até então eu não tinha visto nos chick-lits que li. Isso proporcionou um equilíbrio bem interessante entre ser fofo e provocativo. Além disso, corpos femininos fora do padrão hegemônico e eurocêntrico (não apenas por Chloe ser negra, mas por ser plus size) sendo desejados e apreciados é algo que precisa estar mais presente na cultura pop. Mulheres de todas as formas precisam ser descritas e vistas como pessoas dignas de amor e desejo, independentemente do que o padrão de beleza tente ditar. Arrasou, Acorda Pra Vida, Chloe Brown!

Como pontos negativos, eu diria que o exagero no jeito turrão da Chloe me incomodou, apesar de entender seu mau humor constante. Sofro de enxaqueca e é foda mesmo ser legal quando você tá morrendo de dor.  Agora, o aspecto que mais testou minha paciência (pra não dizer que me irritou profundamente rs) foi a falta de diálogo entre o casal, sendo este o maior gerador de conflitos. Os personagens tem mais de 30 anos mas nem sempre se comportam de acordo. As brigas deles acontecem sempre por mal entendidos, e esse é um dos clichês de que eu menos gosto na literatura (o dos personagens que não conversam como adultos). É meio inadmissível que duas pessoas dessa idade se comportem como jovens de 15 anos que não são capazes de dialogar com clareza e maturidade. Se eu não tenho paciência pra isso nem com protagonistas de YAs, imagina com dois marmanjos. Foi muito por causa disso que diminuí a nota do livro, ainda que tenha gostado bastante dele.

Acorda Pra Vida, Chloe Brown é um romance gostoso, picante, envolvente e com um casal que transborda química. O fato de ter sido escrito por uma mulher negra que traz como protagonista também uma mulher negra é mais um ponto importante, pois precisamos dar espaço pra esse tipo de obra brilhar. Trazer a negritude e o corpo não-padrão como dignos de uma história de amor comum, não guiada exclusivamente por  debates mais profundos, é bacana pra mostrar que pessoas negras podem encontrar espaço em tramas que fazem a gente suspirar – e não apenas com as que evidenciam sua dor. Inclusive, se alguma pessoa negra estiver lendo esse post e quiser se manifestar, vou adorar saber sua opinião sobre isso nos comentários! 😊 Em resumo, Acorda Pra Vida, Chloe Brown é um romance envolvente e que, apesar dos defeitinhos, me entreteve do início ao fim. Recomendo!

Título Original: Get a Life, Chloe Brown
Série: As Irmãs Brown
Autora:
Talia Hibbert
Editora: Paralela
Número de páginas: 296
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

19 comentários sobre “Resenha: Acorda Pra Vida, Chloe Brown – Talia Hibbert

  1. Olá, Priih.
    Eu estou enrolando aqui para ler esse livro por causa das ultimas experiências negativas que tive como gênero. Mas sua resenha me deu uma animada, tirando a parte deles não conversarem e se comportarem como adolescentes nesse momento. Porque odeio isso também hehe. E sou das caras legais também hehe.

    Prefácio

  2. Oi Priih.
    Eu tive oportunidade de ler o livro também e gostei muito. Acho que o que me incomodou foi mais o jeito meio rude da Chloe no início, mas depois entendi o jeito dela devido a doença. Eu amei o romance, achei legal não ser algo 100% fofinho como a capa nos entrega, e isso me surpreendeu positivamente.
    Estou animada para conhecer os demais da série!
    Beijo
    http://www.capitulotreze.com.br

  3. Oi Priih! A sua é a primeira resenha que leio do livro e já gostei de saber que a protagonista é meio rabugenta e irônica, melhor assim que aquelas que aceitam tudo e não tem opinião. Eu adoraria ler esta história. Gostei muito da premissa. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

  4. Oi Pri, tudo bem?

    Esse livro até tinha me chamado a atenção, mas estava esperando sair alguma resenha para me convencer a ler ele ou não. A sua resenha não podia ter me deixado mais animada! Acho que vou me identificar bastante com a protagonistas e os elementos que você citou presentes na narrativa já me deixaram um um sorriso bobo no rosto. Vou adicionar na minha lista!

    Beijos;***
    Ariane Gisele Reis | Blog My Dear Library.

  5. Oi, Pri! Tudo bom?
    A parte do +18 me pegou de surpresa também HUSAHUHSUHSUASA eu jurava que era uma coisa mais levinha, meio na vibe de Teto para Dois (que tem romance, mas não é tão explícito) ai de repente………… tava lendo um hot. Mas vida que segue :v
    Eu curti muito a leitura, a Chloe é mesmo maravilhosa. E adorei a abordagem da autora sobre o relacionamento abusivo que aparece na história.

    Beijos, Nizz.
    http://www.queriaestarlendo.com.br

  6. Olá,
    Nem imaginava um lado picante desse livro! haha
    Achei fofo o lance do gatinho.
    E assim que puder vou ler tb, mas respirando fundo pq não gosto desse tipo de comportamento – falta de comunicação – em romances com personagens mais adultos não.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

  7. Amei a resenha. Estou querendo muito ler esse livro e o outro das irmãs. Como você disse, precisamos de histórias de protagonismo negro sem ser baseado em escravidão ou temas pesados.
    O livro parece ter o equilíbrio certo entre chick-lit e acontecimentos de acordo com a idade deles.
    beijos

  8. Eu leio e assisto muitx booktubers e estavam falando muito dos livros das irmãs brown. Fui lá e peguei os 3 PFD’s pensando que seria nível Rainbow Rowell, levinho e tomei na cara com os capítulos enormes de sexo. Se gostei, ainda não tenho certeza, faz uma semana que estou ruminando pra saber a resposta mas vou ler os outros dois, sobre a Dani e a Eve pra ter uma visão ampla.
    Você pretende ler os outros?

    Beijão,
    Bela
    A Bela, não a Fera

  9. Estava buscando opiniões sobre esse livro e cheguei na sua resenha! Fiquei aliviada de ver que concordamos em algumas coisas, achei que só eu tinha me incomodado com algumas coisas. HAHA É uma boa leitura, mas essas personalidades infantis me deixaram um pouco desestimulada, também. Mas, num geral, eu gostei bastante da leitura.
    Parabéns pela resenha!
    Beijos

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