Review: Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta

Oi pessoal, tudo bem?

Que tal uma dica de filme pra curtir nesse domingo? Então prepara a pipoca, porque hoje vamos falar de Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta.

Sinopse: Inspirada pelo passado rebelde da mãe e por uma nova amizade, uma adolescente tímida publica um texto anônimo que denuncia o machismo em sua escola.

Vivian é uma adolescente tímida (e super padrão) que passa pelo Ensino Médio com sua melhor amiga, Claudia, tentando não chamar a atenção. Quando Lucy, uma menina nova chega na escola questionando certos comportamentos (ao enfrentar os avanços do capitão do time de futebol, por exemplo), Vivian começa a perceber quão problemático é se manter alheia ao que acontece à sua volta, abrindo seus olhos para violências cotidianas causadas pelo machismo. Isso, somado ao fato de descobrir que sua mãe era uma militante feminista nos anos 90, motiva Vivian a criar um fanzine chamado Moxie em segredo e distribuí-lo pela escola, o que dá início a movimentos e discussões importantes.

Moxie é um filme que entretém ao mesmo tempo que traz uma mensagem positiva a jovens garotas. Vivian nunca pensou no quão ofensivo era ter uma lista que classifica as garotas da sua escola, por exemplo, mas ao fazer amizade com Lucy, que é objetificada não apenas por ser mulher, mas também pela cor de sua pele e pelos estereótipos racistas, ela começa a ver na prática as opressões que mulheres sofrem. Ao criar o fanzine Moxie, Vivian se aproxima de outras garotas e isso gera uma rede de apoio para enfrentar Mitchell (o capitão do time masculino) na disputa por uma bolsa estudantil, indicando sua amiga Kiera (uma atleta ainda mais competente) como concorrente. A aproximação de Vivian com novas meninas faz com que Claudia fique de lado e isso gere uma tensão entre as duas, e tive medo que o filme caísse em alguma armadilha que pudesse colocá-las uma contra a outra, mas felizmente não é o que acontece. Essa situação serve para dar uma pincelada em assuntos relacionados à xenofobia, mas é um toque muito raso e passageiro.

Aliás, esse é o maior defeito de Moxie: o filme é muito superficial em suas críticas. A vibe “garota branca e loira descobrindo o girl power” já não funciona comigo, e existem assuntos muito pesados (como assédio e abuso sexual) tratados de forma quase leviana – em especial nas últimas cenas, em que gritar parece ser a forma de resolver as coisas. Moxie peca em não mostrar os efeitos reais e posteriores de tudo que foi feito na escola graças ao movimento criado pelas meninas, o que faz com que ele perca a sua força e se torne um filme meio “qualquer coisa” em um mar vasto e cheio de opções de entretenimento que temos hoje. Para completar, o filme se passa inteiramente sobre a ótica de uma menina cheia de privilégios, ignorando questões importantes que o feminismo interseccional aborda. Se eu tivesse que indicar um título que faça esse trabalho de forma competente, diria que Sex Education é uma opção muito mais poderosa e responsável. Pra finalizar, Lisa (a mãe de Vivian), que em tese foi sua primeira inspiração, tem poucas falas e é muito mal desenvolvida, sem que a gente entenda o motivo do distanciamento entre as duas (ainda mais em um momento em que a protagonista poderia contar com os conselhos da mãe). 

Entretanto, apesar da superficialidade, acho legal ver que mais obras como Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta estão sendo feitas. Eu gostaria de ter crescido com mais exemplos assim, e acho que as futuras gerações terão contato com essas problematizações mais cedo – o que me faz ter um pouquinho mais de esperança no futuro.

Título original: Moxie
Ano de lançamento: 2021
Direção: Amy Poehler
Elenco: Hadley Robinson, Lauren Tsai, Alycia Pascual-Pena, Nico Hiraga, Sydney Park, Patrick Schwarzenegger, Amy Poehler

11 comentários sobre “Review: Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta

  1. Oi Pri, tudo bem?

    Não li o livro, mas o filme já está na minha lista na Netflix de tantos elogias a adaptação que estou vendo. Provavelmente a superficialidade no enredo irá me incomodar também, porém espero curti o filme.

    Beijos;***
    Ariane Gisele Reis | Blog My Dear Library.

  2. Oi Priih, sua linda, tudo bem?
    Quem resenhou o livro e o filme lá no blog foi a Bel, ela achou que mudaram muitos detalhes no filme, mas que a mensagem foi passada e a essência da história foi mantida. Eu não tenho o livro, então acho que vou acabar vendo o filme logo, risos…Uma pena que foi superficial, mas concordo com você sobre a importância do tema e de filmes e livros sobre o assunto serem produzidos. Adorei sua crítica.
    beijinhos.
    cila.
    https://cantinhoparaleitura.blogspot.com/

  3. Olá, Priih.
    Eu já tinha visto alguns comentários sobre os assuntos serem tratados com superficialidade. Por isso me interessei mais em ler do que assistir o filme. Talvez depois de ler eu pense em assistir ou não hehe.

    Prefácio

  4. Assisti esse filme e amei, tanto que até comentei sobre ele lá no blog. Porém, concordo com você de que a mãe da Vivian foi mal desenvolvida e o final deixou a desejar. E achei também o romance do filme bem “tanto faz”, mas acho que Moxie consegue manter a atenção dos jovens (adolescentes) justamente por causa desses elementos clichezinhos.
    Apesar de ter achado rápida a pincelada sobre xenofobia que traz a personagem Cláudia, eu também gostei dela ser o exemplo de como algumas meninas se sentem em relação à luta feminista, afinal, todas nós passamos por dificuldades relacionadas ao machismo, mas nem todas querem protestar e “fazer barulho”, algumas mulheres buscam respeito e mostram seu apoio à sororidade de forma silenciosa.
    Enfim, gostei muito da sua crítica.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥
    ✩ Participe do Top Comentarista de Abril!

  5. Amei o post. Estou super querendo ver esse filme, mas quero ler o livro primeiro rs
    Que pena que tem a mesma fórmula de garota branca que não se sente tão especial e depois se descobre como líder, mas super vou assistir
    beijos

  6. Eu fiquei curiosa para ver o filme, geralmente filmes nunca superam expectativas quando baseados em livros, sempre tratam com superficialidade muitos temas por não dar para colocar dentro do filme tudo que tem nas obras literárias. Porém, eu amo filmes assim inspiradores.

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