Resenha: Filhos de Virtude e Vingança – Tomi Adeyemi

Oi pessoal, tudo bem?

Filhos de Sangue e Osso, o primeiro livro da trilogia O Legado de Orïsha, foi um verdadeiro sucesso. Por isso, a ansiedade para conferir a continuação, Filhos de Virtude e Vingança, era alta. Hoje conto pra vocês o que achei. 😀

Garanta o seu!

Sinopse: No segundo volume da série, depois de enfrentar o impossível, Zélie e Amari conseguiram trazer a magia de volta para Orïsha. Entretanto, o ritual foi mais poderoso do que elas imaginaram e os poderes reapareceram não somente para os maji, mas também para todos que tinham ancestrais mágicos. Agora, Zélie se esforça para unir todos os maji em uma Orïsha onde o inimigo é tão poderoso quanto eles. Quando a realeza e os militares formam uma aliança perigosa, Zélie precisa lutar para garantir o direito de Amari ao trono e proteger os novos maji da ira da monarquia. Com uma guerra civil iminente, Zélie tem uma missão: encontrar uma forma de unir o reino ou assistir a Orïsha ruir.

O livro começa poucas semanas depois do fim do primeiro. Após o ritual que trouxe a magia de volta, descobrimos que algo no processo saiu errado e despertou magia também naqueles que tivessem ancestrais mágicos, criando assim os tîtán. Com isso, as tensões sociais ficam ainda mais desequilibradas: os maji conseguiram sua magia de volta, sim, mas agora precisam enfrentar a nobreza e o exército que os odeiam e que agora têm magia pra contra-atacar. É nesse contexto que o trio composto por Zélie, Amari e Tzain precisa agir, mas o espírito da protagonista está profundamente abalado. Desde a morte de seu pai, Zél acha que toda a sua jornada não valeu a pena e que só serviu para dar ainda mais poder aos opressores. A personagem está apática e mergulhada na dor, diferente da sua versão no primeiro livro que era impetuosa (e até imprudente). Para tornar a dinâmica ainda mais complicada, uma guerra civil ameaça estourar: um grupo de maji conhecido como Iyika (A Revolução) está disposto a atacar a monarquia com força total, indo contra o desejo de Amari de reivindicar o trono.

Começo essa resenha dizendo que início do livro foi MUITO confuso e truncado pra mim. Ele já mostra Amari tentando realizar comícios para convencer o povo a aceitá-la como rainha, ao mesmo tempo em que a narrativa simplesmente insere o novo conceito de tîtán do nada, como se já tivesse usado esse termo antes (o que volta a se repetir mais pra frente, quando a autora insere nomes de personagens como se já os conhecêssemos). Me obriguei a reler algumas páginas do início para ter certeza de que não, Tomi Adeyemi não tinha feito uma explicação prévia sobre aqueles novos conceitos, e eu meio que me forcei a simplesmente aceitá-los.

Os personagens também estão em lugares sombrios. Zélie está deprimida (e com razão) após perder seu Baba e ser traída por Inan. O que me incomodou nela, na verdade, não foi sua apatia. Foi a forma como sua relação com Amari retrocedeu: a protagonista deixa os Iyika tratarem sua amiga com muita rispidez e preconceito, o que pra mim é um gesto de deslealdade. Esperava que a personagem defendesse o caráter de Amari frente aos Iyika, e não é o que acontece. Em compensação, Zélie floresce ao conhecer três ceifadores que fazem parte do grupo rebelde, em especial seu novo braço direito, Mâzeli. Se responsabilizar por aqueles jovens e ensinar a eles tudo que sabe sobre o poder dado por Oya são duas motivações que a engrandecem como líder e como pessoa. Ainda na família Adebola, preciso dizer quão frustrante foi ver Tzain sendo esquecido no churrasco. O irmão de Zélie foi uma figura central no primeiro livro, ainda que não tenha tido espaço para se desenvolver. Eu torcia para que isso acontecesse nesse volume, mas infelizmente Tzain segue sendo preterido.

Agora vamos falar da monarquia? Os dilemas morais de Amari e Inan não me convenceram. Ambos ficavam argumentando para si mesmos coisas como “se eu fizer isso, serei uma pessoa horrível; mas se eu não fizer, não darei fim a este horror causado pela guerra”. Parecia que eles mudavam seus parâmetros morais o tempo todo, trazendo uma inconsistência irritante pros dois. Amari em especial me incomodou demais, não me lembrando em nada a menina cheia de atitude e justiça do primeiro livro, e sim uma garota mimada que coloca os outros em risco desnecessariamente. Esse vai e vem de decisões e dilemas deixou o livro bem mais cansativo do que precisava ser. Já Inan mete os pés pelas mãos mais de uma vez, em especial sob a influência de sua mãe, Nehanda. Nada de novo no front, né? O príncipe (agora rei) nunca foi consistente, então nem esperava isso dele – ainda que no final ele tenha surpreendido positivamente.

Existem outros personagens importantes, mas não quero entrar no detalhe sobre todos eles, com exceção de dois: Roën, o mercenário do primeiro livro, apareceu pouco, mas roubou a cena. Gostaria que ele tivesse tido uma participação mais constante, considerando seu carisma e sua relação com Zélie. Mama Agma novamente se torna uma presença importante, ainda que não apareça o tempo todo. Ela é decisiva para a condução da guerra e obriga Zélie a abrir mãos dos medos e laços do passado que a impedem de agir.

O que foi complicado pra mim ao ler Filhos de Virtude e Vingança é que o livro anda em círculos. Há diversos momentos que poderiam ter sido mais curtos, o que evitaria tantas inconsistências no comportamento e nos sentimentos dos personagens. A história não é ruim, ela tem bons momentos, mas não consegue atingir o mesmo patamar do livro que iniciou a trilogia. Apesar dos pesares, Tomi Adeyemi nos traz um final bombástico e chocante, e eu realmente não sei o que esperar do que vem por aí. Com todas essas ressalvas e ponderações, continuo gostando e indicando a trilogia O Legado de Orïsha, mas recomendo apenas que vocês não esperem de Filhos de Virtude e Vingança a mesma maestria narrativa vista no livro anterior.

Título Original: Children of Virtue and Vengeance
Série: O Legado de Orïsha
Autor:
 Tomi Adeyemi
Editora: Fantástica Rocco
Número de páginas: 432
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

17 comentários sobre “Resenha: Filhos de Virtude e Vingança – Tomi Adeyemi

  1. Oi Priih! Que pena o segundo livro não ter a mesma boa narrativa do anterior, tem muitas séries que nos empolgam muito no começo e depois vão se perdendo. Ainda assim, espero que a conclusão seja satisfatória para os fãs da série. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

  2. Oii Priih!
    Começando a ler sua resenha parecia ser um livro bem interessante, mas essa confusão que a autora parece ter conferido a história realmente desanima a leitura. Que bom que no geral você considera uma boa leitura. O ruim de um bom primeiro livro é que ele deixa um desafio para a sequência ser tão boa quanto.
    Ótima semana e boas leituras sempre!
    Bjos

  3. Oi Priih, sua linda, tudo bem?
    Fiquei com o coração apertado agora. A Bel lá do blog leu o primeiro livro e amou! E estava juntando dinheiro para comprar esse segundo. Ela vai ficar triste de saber que não é tão bom quanto o primeiro. Mas pelo final bombástico desse livro, acho que a autora irá se recuperar na conclusão dessa trilogia. Vamos torcer. Eu gostei muito dessa questão da magia, de que agora o outro lado também tem. E a mitologia desse enredo parece ser fantástica. Sua resenha ficou ótima!!!!! Aproveito para desejar a você e sua família uma Feliz Páscoa!!!
    beijinhos.
    cila.
    https://cantinhoparaleitura.blogspot.com/

  4. Olá, Priih.
    Já sinto que vou passar nervoso nesse livro. Eu ainda não comprei o e-book porque está bem caro, no primeiro paguei 12 reais na época. E se você que leu mais recente que eu teve dificuldades com ele, imagine eu então que mal me lembro da história hehe.

    Prefácio

  5. Estou adiando ler esse volume porque sofri tanto com o primeiro e ainda não tenho o terceiro haha. Mas tenho visto muitas opiniões parecidas com a sua e estou baixando minhas expectativas para a obra. Mesmo assim, é uma leitura que pretendo realizar.

    Bjs

    Imersão Literária

  6. Poxa, quando li sua resenha do primeiro livro, eu fiquei aqui cheia de expectativas para ler a trilogia inteira, ainda mais pelo tema que trata, tão raro em literatura. Agora, senti um balde de água fria sendo jogado em mim, não acredito que temos aqui a “maldição do segundo livro”… =/ Espero que o autor melhor no terceiro e feche a trilogia com a mesma maestria que usou no início.
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
    Pinterest | Instagram | Skoob

  7. Acho que comentei na resenha do primeiro livro, que não tenho muita curiosidade e vontade de ler essa trilogia. E creio que este tenha caído na maldição do segundo livro, haha. Espero que o fechamento da série seja mais satisfatório pra você, as vezes realmente acontece de o primeiro livro ser ótimo e o segundo andar em círculos, deixando o grande plot para o terceiro livro.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥
    ✩ Participe do Top Comentarista de Abril!

  8. Não conhecia esse livro, mas achei a capa incrível. Fiquei curiosa, mas quando vi que que esse volume não conseguiu manter o nível do primeiro, meio que desanimei um pouco. Parabéns pela resenha.

  9. Oi, Priih. Tudo bem?
    Eu gostei do primeiro livro, mas o Inan foi uma das coisas que me irritou no primeiro e pelo jeito continuará no segundo. O romance dele com a Zelie também não me convenceu e não sei se a autora está indo para um arco de redenção, mas ainda preciso ter alguma empatia por ele que não está funcionando. Quero muito ler esse livro e que pena que ele anda em círculos.

    Beijos, Vanessa
    Leia Pop

  10. Oi Priih,
    Eu não conhecia essa trilogia, acho que na verdade vi as primeiras capas dela aqui no blog. Até confundi essa série de livros com “Sombra e ossos”. Acho que seus apontamentos foram muito pertinentes, eu não sei se teria paciência para ler algo assim, tão sem consistência em relação a primeira história, como se não fosse continuidade. Acho estranho quando os escritores se esquecem de alguns personagens e inserem outros. Pq não trabalhar os que já existem? Mas vou aguardar a sua última resenha para tirar uma conclusão final ^^
    Bjos
    Kelen Vasconcelos
    https://www.kelenvasconcelos.com.br/

  11. Uma pena esse segundo livro não ter sido tão bom quanto o primeiro. Eu não conhecia a série ~ na verdade, não fico muito por dentro dos lançamentos de literatura fantástica (não é o meu gênero favorito) ~ mas, pelo que você falou do início da trilogia, parecia que tinha tudo para dar certo. Agora é esperar para ver se a história se fecha de maneira mais empolgante e menos truncada. Um beijo :*

  12. Oie Prih!!

    A capa é realmente fantástica e você construiu e editou a foto de uma forma muito bonita, que casou bem, sabe? Parabéns!
    Triste que o livro deu voltas :T
    Esperamos que ele melhore no terceiro volume, né?
    Esses finais chocantes que não nos deixam abandonar uma história tamb[em hehehehehe
    Beijos!
    Pâm
    Blog Interrupted Dreamer

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s