Dica de Série: Cidade Invisível

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje tenho mais uma dica de série imperdível pra compartilhar com vocês: Cidade Invisível, uma produção original Netflix focada no folclore brasileiro. ❤

Sinopse: Após uma tragédia familiar, um homem descobre criaturas folclóricas vivendo entre os humanos e logo se dá conta de que elas são a resposta para seu passado misterioso.

Desde criança eu sempre tive bastante fascínio pelas lendas do nosso folclore. Temos uma variedade muito rica de personagens e histórias e, quando eu soube que a nova série da Netflix usava essa mitologia como pano de fundo, não pude deixar de conferir. Em Cidade Invisível, acompanhamos a busca de Eric, um policial da Delegacia Ambiental, em sua busca para sanar o mistério do incêndio florestal que matou sua esposa. Em sua busca, porém, ele encontra um outro tipo de verdade: coisas estranhas começam a acontecer, mais mortes são provocadas e existe uma aura de sobrenatural nisso que Eric não consegue explicar – como o fato de ele ter encontrado um boto cor de rosa que se transforma em um homem, por exemplo. Isso porque as novas vítimas não são seres ordinários, mas lendas folclóricas que existem e vivem entre nós.

Com episódios curtos, de cerca de 30-40 minutos, Cidade Invisível tem um ritmo frenético que mantém o espectador ansioso pelo que está por vir. A trama é focada na investigação de Eric, mas sem deixar de lado o mistério sobre as verdadeiras intenções dos seres folclóricos – e de qual o seu envolvimento com o incêndio. Marco Pigossi entrega uma ótima atuação como Eric, equilibrando o seu luto com a sua motivação irrefreável de descobrir o que realmente aconteceu com sua esposa. O personagem também tem um dilema interno porque sabe que sua investigação está sendo priorizada em detrimento de sua filha, Luna, que visivelmente está tendo problemas pra lidar com todos os acontecimentos recentes. Mas quem rouba a cena em Cidade Invisível são os personagens místicos.

O Saci, a Iara, a Cuca, o Curupira são alguns dos que aparecem na série de uma forma muito legal. A série faz uma releitura interessante de como esses seres viveriam em meio à civilização, muitos deles distanciados da sua verdadeira origem. Unidos pela sobrevivência, são liderados por Inês (a Cuca), interpretada pela ótima Alessandra Negrini. A atriz mantém a aura de mistério da personagem e nos deixa em dúvida sobre seu envolvimento nos acontecimentos e tragédias recentes. Isac, o Saci, também é puro carisma e protagoniza cenas que me levaram de volta à infância (como por exemplo o truque para fazer uma “arapuca” pro Saci).

A produção está muito caprichada e os efeitos especiais são ótimos. A cauda de Iara encanta, assim como as transições envolvendo a Cuca e suas borboletas. O elenco como um todo é competente (tirando talvez a Márcia, parceira de Eric, e a avó do protagonista rs) e o ritmo narrativo nunca perde o fôlego, tornando muito fácil (e divertido) maratonar os episódios. Porém, existe um fato importante de ser abordado: a série também foi alvo de críticas pela falta de representatividade indígena. A lenda da Iara, por exemplo, é baseada em uma mulher indígena que vivia na região amazônica. Considerando que o nosso país foi construído em cima de muito sangue indígena e que sua cultura sofre tanto para permanecer viva, esse é um vacilo que poderia ter sido evitado com mais responsabilidade e sensibilidade. Espero que isso seja corrigido numa possível season 2.

Cidade Invisível é mais uma prova de que produções brasileiras podem bater de frente com as americanas. Roteirizada por uma dupla de escritores conhecidos (Raphael Draccon e Carolina Munhóz) e dirigida por Carlos Saldanha (responsável por A Era do Gelo e Rio), a série também demonstra o potencial desse nicho de entretenimento – tanto produções que adaptem livros existentes como construídas junto a autores criativos e reconhecidos. Mas, principalmente, Cidade Invisível é importante porque exalta um aspecto fundamental da nossa identidade e, ainda que por um momento, traz aquele orgulhinho de ser brasileira (que há muito tempo eu não sentia). Recomendo muito!

Título original: Cidade Invisível
Ano de lançamento: 2021
Criador: Carlos Saldanha
Elenco: Marco Pigossi, Alessandra Negrini, Jéssica Córes, Wesley Guimarães, Manuela Dieguez, José Dumont, Áurea Maranhão, Julia Konrad

11 comentários sobre “Dica de Série: Cidade Invisível

  1. Oi Priih! Eu só vejo o pessoal falando sobre esta série e estou bem curiosa. Já li livros nacionais que abordam nossas lendas e sempre me fascinaram. Ter o roteiro pelas mãos do Draccon é outro ponto positivo para mim, eu gosto das obras deles e quero ver como se saiu como roteirista. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

  2. Oi Pri, tudo bem?

    Eu gostei muito da série em especial por ela ter como pano de fundo algo tão rico como o nosso folclore. Realmente os roteiristas “pecaram” por não usar as referências indígenas para compor a história, mas não acho que isso prejudicou a narrativa contada na série.

    Estou bem curiosa para assistir a segunda temporada já e confesso que torço para que alguns personagens da primeira voltem.

    Beijos;***
    Ariane Gisele Reis | Blog My Dear Library.

  3. Oi, Pri! Tudo bom?
    Eu acabei não vendo a série depois das inúmeras threads de indígenas que apontaram todas as problemáticas dela, usando entidades como lendas e etc. Achei bem mancada da parte do roteiro – e bem branco da cara dos roteiristas – o tanto de deslize que teve. Essa eu deixo passar longe mesmo.
    Se for renovada, espero que eles pelo menos escutem a comunidade indígena e busquem se orientar a respeito disso.

    Beijos, Nizz.
    http://www.queriaestarlendo.com.br

  4. Oi Priih, sua linda, tudo bem?
    Eu não sabia que o roteiro era do Raphael Draccon e Carolina Munhóz, achei o máximo! O Marco Pigossi é um ator que sempre acompanhei nas novelas da Globo, gosto muito dele. E a Alessandra Negrini sempre arrasou. Fico feliz por eles estarem seguindo novos rumos e crescendo. Estou super curiosa para ver essa mistura de investigação com o folclore brasileiro. Adorei sua crítca.
    beijinhos.
    cila.
    https://cantinhoparaleitura.blogspot.com/

  5. Olá, Priih

    Eu coloquei a série na lista, mas ainda não consegui assistir. Eu vi os comentários acerca do apagamento da cultura indígena na produção, uma pena. Mas, como você falou, dá para consertar isso numa próxima temporada, basta querer.

    Beijos
    – Tami
    https://www.meuepilogo.com

  6. Olá, Priih.
    Sempre tive essa vontade de que os autores nacionais explorasse nosso folclore. Mas cadê? hehe. Por isso fiquei muito interessada nessa série e já assisti 3 episódios no domingo passado. E estou gostando bastante.

    Prefácio

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