Resenha: A Última Palavra – Tamara Ireland Stone

Oi pessoal, tudo bem?

Vim contar pra vocês o que achei de A Última Palavra, um Young Adult que fala sobre Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

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Sinopse: Samantha McAllister esconde de todos o que se passa em sua cabeça. Sam sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo caracterizado por pensamentos intrusivos. Seus pensamentos não param um segundo do dia, cada passo e palavra suas são controladas, e esconder isso tudo faz com que viver seja um grande esforço. Tudo piora quando suas amizades começam a se tornar tóxicas e ela é julgada por conta de pequenos erros com suas roupas, comida ou o garoto por quem ela se interessa. Mesmo assim, Sam sabe que ela estaria verdadeiramente louca se deixasse de ser amiga das garotas mais populares da escola. Por causa disso, Sam é constantemente aconselhada por sua terapeuta a conhecer novas pessoas e fazer novos amigos, pessoas que não lhe provoquem crises de ansiedade e pânico constantes. Em um primeiro dia de aula assustador, Sam conhece Caroline, uma menina que vai levá-la para uma sala secreta em que um grupo de pessoas que são ignoradas pelo resto da escola se reúne. Ela rapidamente se identifica com eles, especialmente com um talentoso garoto que toca violão, e começa a descobrir uma nova versão de si mesma. Aos poucos ela passa a se sentir mais normal do que nunca, coisa que jamais tinha se sentido antes… até ela encontrar um novo motivo para questionar sua sanidade e tudo o que ama.

Samantha parece ter tudo o que uma adolescente poderia querer: é bonita, popular e tem um grupo de amigas com quem (teoricamente) pode sempre contar. O que ninguém sabe é que, por trás da fachada de perfeição, Sam esconde um TOC que se manifesta na forma de pensamentos obsessivos intrusivos. Isso significa que, diferentemente de quem manifesta a doença com hábitos físicos, Sam fica obcecada por determinados pensamentos e não consegue se desvencilhar deles. Um dos maiores gatilhos para seus picos de ansiedade são, justamente, suas supostas amigas, um grupo que há muito tempo não colabora com o desenvolvimento de Sam. Em um dia especialmente ruim, a jovem conhece Caroline, com quem (de maneira surpreendente) ela se abre. Caroline então leva Sam a um local secreto na escola chamado Canto da Poesia, e é lá que tudo muda.

A Última Palavra aborda um sentimento muito comum na adolescência: o desejo de pertencimento e o medo da exclusão. Mesmo sabendo que seu grupo de amigas é tóxico, Sam tem dificuldade em abrir mão dele por receio de ser abandonada. Durante suas sessões de terapia, sua psicóloga a incentiva constantemente a buscar novas amizades e a criar novos vínculos, de modo que existam menos gatilhos na rotina de Sam. Quando a garota conhece Caroline e finalmente admite seu TOC, é como se um grande peso fosse retirado de seus ombros, e isso dá a Sam a oportunidade de experimentar uma nova forma de ser ela mesma – ou melhor, quem ela quer ser a partir de agora.

Entretanto, existe um aspecto bastante negativo na obra: o modo com a autora lida com as consequências do bullying. No Canto da Poesia, Sam reencontra um ex-colega, AJ, que parece querer distância dela. A protagonista então se recorda que, no passado, ela e uma amiga praticaram um bullying tão intenso com o garoto que ele até mudou de escola temporariamente. E, para a minha surpresa, não demora para que esse assunto seja perdoado e (pasmem!) os pombinhos fiquem juntos. A química entre os dois existe e as cenas são bem românticas, mas teria sido muito melhor se o episódio do bullying não tivesse existido. A verdade é que as consequências do que Sam e sua amiga fizeram foram muito suavizadas, ainda mais quando consideramos quão rápido AJ se apaixonou pela garota que o traumatizou.

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Em A Última Palavra, o TOC não ganha tanta profundidade e detalhamento, diferente do que ocorre no excelente Daniel, Daniel, Daniel, por exemplo. Ainda que no caso de Sam o transtorno seja mais focado em pensamentos obsessivos, eu não senti o mesmo impacto (e até consciência) lendo sobre seu sofrimento (o que ocorreu de maneira intensa com o livro de Wesley King). A doença em si é mais abordada como algo que a incomoda e que a faz se sentir anormal do que evidenciada como algo que a atrapalha de verdade.

Apesar de falhar ao abordar algumas questões de saúde mental, há um aspecto muito positivo na obra: a relação de Sam e Sue, sua terapeuta. Assim como acontece em A Lista Negra, aqui a terapia tem um papel fundamental no processo de melhora de Sam, e é muito bonita a forma como o livro desenvolve essa relação. Além disso, a trama me emocionou bastante na sua reta final, a ponto de me fazer chorar. Há uma reviravolta que fica ameaçando eclodir durante um bom tempo (e que eu senti chegar), mas que ainda assim me balançou. Os últimos capítulos trabalham muito mais a questão da perda do que o TOC, e esse tema em particular sempre me toca profundamente.

Por último, mas não menos importante, devo ressaltar o quanto gostei de todo o conceito do Canto da Poesia. Desde a sua fundação, cujas razões são emocionantes, até o presente, o lugar acolhe todos que precisam dele (Hogwarts feelings) de uma maneira intensa. Dentro daquele espaço, os jovens que fazem parte do grupo têm a oportunidade de se expressar e mostrar a sua vulnerabilidade, e muitas vezes isso já é o bastante para conseguir vencer um período tão turbulento e cheio de emoções quanto a adolescência. O grupo também permitiu à protagonista enxergar como as pessoas são repletas de camadas, indo muito além do universo superficial ao qual ela estava acostumada. E, nesse processo, o leitor simpatiza com aqueles jovens também.

A Última Palavra é um livro que gira em torno de dilemas bastante adolescentes (tanto no sentido positivo quanto negativo disso – os medos e implicâncias do grupo de Sam são bastante superficiais, de maneira geral). Não é a melhor opção de leitura pra quem busca uma história mais crível no que diz respeito a bullying e TOC, mas é um YA que cumpre seu papel como entretenimento e apresenta o processo de terapia de maneira muito saudável. Se você curte esse estilo literário, vale espiar. 😉

Título Original: Every Last Word
Autor: Tamara Ireland Stone
Editora: Rocco
Número de páginas: 352
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

11 comentários sobre “Resenha: A Última Palavra – Tamara Ireland Stone

  1. Gostei da proposta do livro, parece ser interessante por abordar o tema TOC, geralmente lemos mais sobre os comportamentos e não quando acontece na mente. Sobre o bullying, é chato quando o autor não toma atenção necessária sobre esse assunto. Ótima resenha, gostei dos pontos destacados ❤

    Beijo
    http://www.leiapop.com/

  2. Que bacana! Gosto de livros que abordam transtornos reais e que nos fazem refletir sobre eles. Tenho curiosidade em ler mais sobre TOC e essa me parece uma boa oportunidade. Obrigada pela resenha!

  3. Oi, Pri como vai? Eu gosto de ler young adult, muito embora esse gênero esteja distante de ser o meu favorito. O livro me parece bom, apesar de suas ressalvas quanto ao não aprofundamento sobre o tema bullying. De todo modo o livro me parece cumprir satisfatoriamente o seu papel levando entretenimento ao leitor (a) o que não deixa de ser importante. Amei sua resenha, como sempre muitíssimo bem elaborada. Abraço!

    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

  4. Oi, Priih!
    Tinha escrito um comentário grandão, mas não foi.
    Então bora de novo!
    Bom, eu adoro um YA, mas não sei se quero ler esse.
    A premissa é muito boa, mas todos os seus pontos negativos citados me deixaram desanimada, principalmente o fato de não tratar com profundidade da doença, a vontade de só ficar popular e a questão do bullying.
    Acho que sobre o tema, Tartarugas Até Lá Embaixo parece mais interessante.

    Beijoooos

    Teca Machado
    http://www.casosacasoselivros.com

  5. Oi Priih! Td bem?
    Acho q ñ é um livro que eu leria… Uma pena q o TOC tenha ficado em segundo plano, e a questão do bullying tenha sido abordada de forma leviana (ñ consigo conceber uma pessoa q sofreu se apaixonar pelo bullie, realmente!).
    Mas ainda bem q pelo menos há outros pontos positivos na leitura!
    Bjs
    A Colecionadora de Histórias – Blog

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