Review: Corra!

Oi gente, tudo bem?

Já diria o ditado, “antes tarde do que nunca”. E cá estou, um pouquinho atrasada, resenhando Corra!, o aclamado longa do diretor Jordan Peele.

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Sinopse: Chris é um jovem negro que está prestes a conhecer a família de sua namorada caucasiana Rose. A princípio, ele acredita que o comportamento excessivamente amoroso por parte da família dela é uma tentativa de lidar com o relacionamento de Rose com um rapaz negro, mas, com o tempo, Chris percebe que a família esconde algo muito mais perturbador.

O único motivo pelo qual demorei tanto a conferir Corra! é muito simples: eu sou uma medrosa rs. Filmes de terror (ou de um suspense mais tenso) me impressionam facilmente e, como meu namorado não curte, acabo sem coragem de assistir sozinha. Mas aproveitei um dia ensolarado das férias pra matar a curiosidade e adianto que valeu a pena! O filme não é assustador (no sentido “terror” da coisa), mas ainda assim tem cenas angustiantes e uma trama muito inteligente.

Chris é um rapaz negro que vai visitar os pais da namorada – Rose, uma garota branca – pela primeira vez. Obviamente, ele ouve os clássicos “eles não são racistas” e “meu pai votaria no Obama de novo”, mas ainda assim o rapaz se dispõe a relevar possíveis comentários desagradáveis. Chegando lá, ele é recepcionado pelos Armitage, onde é tratado com muita cortesia e afabilidade – apesar de rapidamente perceber que, a despeito do discurso de “não somos racistas”, os empregados da casa são negros. Para aumentar o desconforto de Chris, dois agravantes: naquele fim de semana acontece uma festa em homenagem aos falecidos avós de Rose (com convidados majoritariamente brancos) e o comportamento dos empregados é assombroso, com seus sorrisos congelados e olhares vazios. Chris não demora a perceber que algo MUITO errado acontece naquela casa, e o fato de sua sogra ser uma psiquiatra especializada em hipnose não ajuda em nada em sua desconfiança.

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É impossível não ficar desconfortável presenciando os diálogos de Corra! e as situações pelas quais Chris passa. Enquanto assistia ao longa, só podia imaginar o quão frustrante e doloroso deve ser para pessoas negras viverem isso na vida real; porque, apesar de se tratar de uma obra de ficção, muitas das situações apresentadas no longa podem ser facilmente vistas no nosso dia a dia. Conheço inúmeras pessoas que já relataram ter vivido situações semelhantes às que Chris vive. O personagem tem seu corpo hipersexualizado, é visto como alguém de “físico superior” simplesmente por ser negro, tem sua inocência questionada por um policial sem evidência nenhuma para tal… Infelizmente, nada disso é surreal, nada disso é incomum.

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Corra! não precisa de jump scares nem de uma trilha sonora constantemente aflitiva para causar desconforto. Os momentos em que ambos ocorrem são pontuais, servindo para aumentar os níveis de tensão. A apatia dos personagens negros, seus olhares vidrados e seus sorrisos forçados conseguem causar muito mais medo do que qualquer recurso tradicional de filmes de terror. Você começa a temer pela segurança de Chris, quer que ele saia logo dali, mas percebe o quanto o personagem está sendo enredado pelo que acontece na casa da família de Rose. As atuações são sensacionais e as expressões faciais do elenco entregam toda a emoção necessária para causar temor, asco ou empatia. As pequenas doses de humor, de responsabilidade de Rod (melhor amigo de Chris) também são bem-vindas, mesmo esporádicas. O relacionamento de Chris e Rose também convence, e a química entre os dois torna muitos dos acontecimentos ainda mais surpreendentes.

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As críticas à desigualdade racial não estão somente na experiência de Chris na casa dos Armitage. O longa já abre com um personagem negro receoso por estar caminhando sozinho em um bairro mais chique, temendo se meter em problemas por “não pertencer” àquele lugar. Rod, apesar do tom cômico, também revela sua preocupação sobre Chris estar indo visitar os pais da namorada branca – sabendo que o amigo pode sofrer preconceitos. E, é claro, na situação com o policial antes mesmo de chegar na casa dos sogros. Basicamente, Chris nunca esteve 100% seguro, mesmo antes de passar pelas experiências aterrorizantes na casa. E isso se deve ao fato dele ser negro.

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A sequência final surpreende pela ação, que durante todo o longa não se faz presente – dando enfoque, até então, ao terror psicológico. Porém, no desfecho, Corra! traz uma eletrizante reviravolta que faz o espectador vibrar. Apesar de eu ter achado a mudança de ritmo um pouco abrupta e repentina, é um verdadeiro deleite observar a reviravolta dos acontecimentos.

Corra! é um filme excelente, que aborda o racismo por meio de metáforas muito claras e dolorosas de assistir. Com um elenco extremamente competente e um desenvolvimento envolvente, é difícil desgrudar os olhos do longa. E, para os medrosos como eu, que evitam filmes de terror a todo custo, podem ficar tranquilos. Muito mais assustador do que Corra! é pensar que situações muito semelhantes às retratadas na tela acontecem diariamente, na vida real.

Título original: Get Out
Ano de lançamento: 2017
Direção: Jordan Peele
Elenco: Daniel Kaluuya, Allison Williams, Catherine Keener, Bradley Whitford, Caleb Landry Jones, Lakeith Stanfield, Stephen Root, Lil Rel Howery

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25 comentários sobre “Review: Corra!

  1. Menina, eu não tinha muita vontade de assistir esse filme, não. Mas minha irmã estava vendo e acabei pegando algumas partes picadas. Me interessei e fui assistir com a minha mãe. Nossa, eu amei demais. Diferente de tudo que eu tinha assistido ultimamente. É, sem dúvidas, um filme espetacular mesmo!

    =)

    Suelen Mattos
    ______________
    ROMANTIC GIRL

  2. Oi Priih! Eu sempre protelo ver o filme por conta de achar que vou ficar com medo. Eu leio qualquer livro de terro/horror, mas filmes eu fujo. Que bom que gostou e pelo que menciona, é menos assustador do que imaginei. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

  3. Oi, Priih

    Eu adoro terror, sou formada na escola James Wan de capirotagem! Hahahah
    Eu comecei a assistir a este filme outro dia mas não cheguei a terminá-lo. Tenho que fazer isso, pois o pedaço que eu vi foi promissor.
    Adoro quando tem críticas sociais assim tão bem “camufladas” de naturalidade dentro da narrativa.

    Beijos
    – Tami
    https://www.meuepilogo.com

  4. Eu assisti esse filme e não achei que dá medo não e olha que eu também sou medrosa.
    É realmente um filme muito bom, mas acho que preciso ver de novo, porque quando vi estava com uma amiga então não me concentrei tanto, talvez por isso não deu medo haha.
    Mas gostei da dica e das coisas que disse sobre.

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

  5. Olá, Priih.
    Quando esse filme lançou eu fiquei bastante interessada em assistir ele. Mas acabei esquecendo. Vou anotar aqui agora para não esquecer novamente hehe. É muito triste quando o que assusta no filme é saber que o racismo existe na vida real e que as pessoas fingem não existir, mas são preconceituosas o tempo todo.

    Prefácio

  6. Olá! Já conhecia o filme, uma vez que meu pai e meu irmão já assistiram e relataram toda a história haha mas eu mesma nunca vi! Já sei tudo o que acontece pois eles me contaram, e confesso que fiquei bem intrigada, pois não estava esperando que as coisas terminassem desse jeito!
    Amei a resenha ♥
    Beijos!
    Estante Bibliográfica > blog novo!

  7. Oie!
    Eu gostei muito desse filme quando assisti, e concordo com você: é ainda mais aterrorizante quando pensamos que todo esse racismo visto no filme ocorre todos os dias com as pessoas negras no Brasil e em todo o mundo. É triste demais…

    Quanto ao filme, foi tensão atrás de tensão pra mim, kkk. Eu já sabia mais ou menos da história, mas mesmo assim tomei vários sustos do tipo: NÃO ACREDITO QUE É ISSO QUE TÁ ACONTECENDO! kkk

    bjão
    Início de Conversa

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