Review: Capitã Marvel

Oi gente, tudo bem?

Capitã Marvel teve sua estreia no significativo dia 8 de Março, e a data não poderia ter sido melhor escolhida, considerando a força e a representatividade trazidas por Carol Danvers. Vamos conhecê-la? 😉

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Sinopse: Carol Danvers (Brie Larson) é uma ex-agente da Força Aérea norte-americana, que, sem se lembrar de sua vida na Terra, é recrutada pelos Kree para fazer parte de seu exército de elite. Inimiga declarada dos Skrull, ela acaba voltando ao seu planeta de origem para impedir uma invasão dos metaformos, e assim vai acabar descobrindo a verdade sobre si, com a ajuda do agente Nick Fury (Samuel L. Jackson).

Carol Danvers é membro do time Starforce da raça alienígena Kree. Seu principal objetivo é acabar com os Skrulls, uma outra espécie que é capaz de mudar sua aparência para qualquer forma que tenham visto antes, o que possibilita que eles se infiltrem em diversos planetas. Porém, depois de uma missão mal-sucedida, Carol cai na Terra, junto de alguns Skrulls. Devotada à sua missão de capturá-los, ela acaba chamando a atenção do (muito mais jovem) Nick Fury, que inesperadamente se une a Carol ao ver de perto a ameaça dos Skrulls. Sabendo que os inimigos desejam encontrar uma tecnologia secreta, elaborada por uma mulher que faz parte do passado de Carol – cujas memórias da vida na Terra estão apagadas –, a dupla parte em busca de informações. O que encontram, porém, são verdades ocultas, segredos revelados e uma realidade totalmente diferente da que acreditavam.

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Depois de assistir a Capitã Marvel, ficou ainda mais nítido pra mim porque o filme sofreu boicotes no Rotten Tomatoes antes da estreia ou porque tem tanto machinho escroto reclamando pelo fato de Brie Larson ser feminista. Capitã Marvel não precisa fazer nenhum discurso verbal para atacar o machismo de forma contundente; o longa faz isso com maestria em todas as cenas em que Carol é menosprezada, diminuída e desmerecida. Por meio de flashbacks, conhecemos o passado – até então esquecido – da protagonista e, desde a infância, Carol sofreu todos os tipos de desencorajamento possíveis. Ao decidir entrar na Força Aérea, um campo tipicamente masculino, ela teve que lutar o dobro pra provar o seu valor. O filme se passa nos anos 80 e 90, mas estamos tão distantes assim dessa realidade? Acho que vocês sabem a resposta. De qualquer forma, o mais incrível nessas sequências do passado de Carol é ver que ela sempre levanta. Não importa que digam que ela não é capaz, que ela nunca vai conseguir, que aquele não é ambiente pra ela; ela sabe que consegue e sabe o que quer. Uma frase do filme resume tudo: ela não precisa se provar a ninguém. Nem nós, garotas, lembrem-se disso. 😉

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Dito isso, devo dizer que o filme é deveras divertido, equilibrando muito bem as cenas intensas de ação e os alívios cômicos. Que surpresa foi ver essa nova face de Nick Fury, que no longa é responsável por muitas falas cheias de humor. Seu relacionamento com o gato Goose arranca diversas risadas, mas sem necessidade de apelação ou piadas forçadas (viu, Thor: Ragnarok?). Além de Nick, temos duas personagens incríveis chamadas Maria e Monica Rambeau. Mãe e filha, as duas são o elo familiar de Carol e, assim como a protagonista, também são uma força da natureza: Maria é mãe solteira e também fez parte da Força Aérea, sendo uma mulher negra, corajosa e independente; Monica, ainda com sua pouca idade, já demonstra muita força de caráter e visivelmente se inspira nas duas mulheres fortes de sua vida. A amizade de Carol e Maria por si só já é inspiradora pois, além de mostrar uma relação entre mulheres – que estão na mesma profissão e almejam a mesma coisa – sem nem um pingo de rivalidade, as duas são fonte de apoio e impulsionam uma à outra em busca de seus sonhos.

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Ainda falando sobre representatividade, mais um aspecto a respeito de Carol foi totalmente desmistificado após a estreia do filme: vi muitos comentários na internet reclamando que Brie Larson não sorria e, por isso, a chamavam de “sem expressão”. Muitos dos que faziam essa reclamação logo traziam Gal Gadot e seu belo sorriso para a comparação, mostrando como deveria ser um filme de super-heroína. Pois bem, vamos lá: não é segredo que eu amei Mulher-Maravilha e acho que o filme abriu portas pra mostrar quão lucrativos e bem-sucedidos filmes protagonizados por heroínas podem ser. Mas essa exigência de sorriso e afabilidade é uma das expressões mais frequentes do machismo diário que sofremos. Quando um homem é sério, ele é determinado, focado, confiável. Quando uma mulher é séria – mesmo enfrentando todas as dificuldades que Carol enfrenta, por exemplo – ela é antipática e sem expressão. Então fica o recado: nós não somos obrigadas a sorrir. Cuidem das suas vidas e não dos nossos rostos, beleza? 🙂 E eu fico ainda mais puta com o fato de que essas críticas não tem cabimento: Carol Danvers sorri, faz piada, é divertida, debochada e é interpretada pela excelente Brie Larson. Mas, quando a porra fica séria, é óbvio que a personagem se comporta tal como a situação exige. Então caras, na boa… parem de forçar a barra.

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Enfim, seguindo adiante… Duas coisas pra mim não ficaram tão legais, mas nem de longe chegaram a estragar minha experiência com o longa. A primeira delas são os flashbacks do passado de Carol, cujo teor eu elogiei. Justamente por trazerem uma característica tão importante da personalidade de Carol, acho que poderiam ter sido mais bem estruturados, dando um pouco mais de tempo para o espectador absorvê-los. O segundo é a relação dos Kree com Ronan; eu só lembrava que Ronan era um Kree, mas não entendi bem qual o papel dele e qual o “cargo” na hierarquia. Talvez seja falta de memória em relação a Guardiões da Galáxia, mas enfim.

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Capitã Marvel não tem a intenção de ser o melhor filme da Casa das Ideias, nem o mais inovador em termos de enredo. E tá tudo bem! Seu papel é introduzir Carol Danvers ao MCU e mostrar o quão poderosa ela é – antes e depois dos poderes. Ao fazer isso, o filme faz diversas quebras de paradigmas no que diz respeito à representação de super-heroínas (e olha que eu posso falar disso com propriedade, já que foi o tema do meu TCC rs): Carol não precisa de um par romântico, trabalha em um ambiente tipicamente masculino, é forte e determinada, nunca desiste de seus objetivos e é uma fonte de coragem e inspiração. Vocês têm noção do que é ser mulher e poder ver isso no cinema? É impossível não vibrar. Ainda que o caminho seja longo no que diz respeito à representatividade, devo dizer que, como mulher e como nerd, saí da sessão com a esperança renovada, sabendo que as próximas gerações terão perspectivas ainda melhores sobre o que podem ser e fazer no mundo. Obrigada por ser parte disso, Carol!

Título original: Captain Marvel
Ano de lançamento: 2019
Direção: Anna Boden, Ryan Fleck
Elenco: Brie Larson, Samuel L. Jackson, Jude Law, Ben Mendelsohn, Lashana Lynch, Annette Bening

29 comentários sobre “Review: Capitã Marvel

  1. Oi Priih! Eu fui ver o filme sem ter lido nenhuma crítica e me surpreendi positivamente. Eu não esperava gostar tanto. A mensagem é ótima, amei cada vez que ela levantou e aquela frase final que ela não precisava provar nada para o mentor dela. Foi ótimo ver um outro Fury e parece que Carol foi a única amiga que ele teve que de fato o conheceu. Excelente. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

  2. Oie Priih, tudo bem?
    Ai eu me emocionei com essa resenha, principalmente com o final!
    A sociedade insiste em querer impor rivalidade entre mulheres a qualquer custo né? Meu deus… E quanto aos comentários negativos… ai ai a masculinidade frágil…
    O filme fala sobre assuntos necessários, feminista e incrível! Falaram que seria um fracasso e tá ai pra provar o contrário (que na verdade é como você disse, não precisaria provar nada), mas infelizmente ainda é preciso provar!
    To LOUCA pra assistir!
    Beijos
    http://www.somosvisiveiseinfinitos.com.br

  3. Pretendo assistir a esse filme no próximo domingo e já amei o fato de saber que ele é girl power!
    Quanto à essa comparação de sorrisos, eu ainda nem assisti ao filme e já achei ridícula essa pressão de que a personagem não sorri, afinal, eu também não vi a Mulher Maravilha sorrindo enquanto lutava e lidava com coisas sérias e cenas de drama.
    E sobre o Ronan, em Guardiões da Galáxia ele só queria dominar o mundo, mas nos HQ’s mostra que ele chegou a trair sua própria raça, os Kree, só não sei o que aconteceu de verdade.
    Enfim, amei sua resenha.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

  4. Olá, Priih.
    Esse filme veio na hora certa. E que os machistas reclamem o quanto quiserem. O importante é que aos poucos vamos conseguindo voz e espaço que ja deveria ser nosso. Assim que der vou assistir o filme.

    Prefácio

  5. Oi, Priih

    Eu adorei o filme! Achei a introdução excelente e o filme está aí batendo recordes para calar a boca da macharada.
    Também gostei de WW e reconheço sua relevância mercadológica, mas em termos de serviço ao protagonismo feminino eu achei Capitã Marvel superior.
    Não que WW tenha feito um desserviço, longe disso, o filme é ótimo e a Gal está ótima, mas tinha lá as Amazonas sexualizadas, o figurino, os olhares masculinos apreciativos e aprovadores, o romance e toda aquela balela do poder do amor.
    Se me pedissem para escolher, escolheria a Carol sem pestanejar. Hahahahha

    Beijos
    – Tami
    https://www.meuepilogo.com

  6. Oi Priih
    Apesar de não estar tão empolgada assim para assistir ao filme, gostaria de dizer que li o seu review e adorei
    Não ando assistindo muito os filmes da Marvel ultimamente, acho que não estou na vibe de histórias de super heróis no momento, mas devo confessar que fico feliz com o lançamento desse filme, pois com filmes assim temos a esperança de ver cada vez mais filmes com personagens femininas poderosas como protagonistas.

    Beijos
    ABOBRINHA COM CHOCOLATE

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