Review: Dumplin’

Oi pessoal, tudo certo?

Para o mês de março, em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, a coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer) escolheu o tema “filmes protagonizados por mulheres”, de forma a comemorar a data, discutir temas pertinentes ao universo feminino e trazer dicas bem incríveis pra vocês. ❤

uma amiga indicou

Eu escolhi falar sobre Dumplin’, uma das novas produções da Netflix que, além de ter um elenco predominantemente feminino (e, é claro,  protagonistas mulheres), também vai contra diversos paradigmas relacionados à representação de pessoas gordas.

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Sinopse: Determinada a desafiar os padrões impostos pela sociedade, a adolescente Willowdean Dickson se inscreve no concurso de beleza organizado por sua mãe, uma ex-miss.

Willowdean, ou simplesmente Will, é uma jovem do Texas que é completamente apaixonada por Dolly Parton, vive trocando confidências com a melhor amiga, trabalha em uma lanchonete, flerta com o colega charmoso e está em constante conflito com sua mãe, Rosie, uma ex-miss e organizadora do concurso de beleza das jovens da cidade. Outra característica de Will é que ela é uma garota gorda; porém, ao contrário de muitas produções por aí, em Dumplin’ isso não é apresentado como algo a ser desesperadamente alterado, pois desde o início do longa percebemos a referência corporal positiva que Will teve por meio de sua tia, Lucy, também uma mulher gorda – e linda e feliz. Contudo, desde a morte precoce de Lucy, Will está enfrentando uma fase difícil, tendo que lidar sozinha não apenas com o luto, mas também com a obsessão de sua mãe com dietas e aparência física. Em um certo dia, ao mexer nos pertences de Lucy, Will encontra uma inscrição jamais feita no concurso de misses da cidade e, em um impulso, decide ela mesma se inscrever – para honrar sua tia e desafiar os padrões que sua própria mãe tanto exalta. A partir desse momento, outras meninas seguem o exemplo de Will por suas próprias razões e acompanhamos sua jornada de preparação para o concurso.

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Dumplin’, em essência, é um filme bem clichê. Temos a protagonista insegura, o boy magia, o makeover e a superação. Mas o que chama a atenção no longa é que todos esses elementos respeitam a identidade gorda de Will, sem necessidade de mudá-la ou emagrecê-la. Ao mesmo tempo, Dumplin’ também consegue mostrar com delicadeza as inseguranças sentidas pela protagonista: em uma cena específica com o garoto dos seus sonhos, vivendo um momento lindo, ela fica travada por pensar nas dobrinhas de sua cintura. A personagem fica emocionalmente fragilizada por conta da situação, mas nem por isso corre para a academia ou para uma dieta restritiva, o que é um ponto MUITO positivo do filme. Afinal, a autoestima é uma construção diária e, não é porque gostamos de quem somos que isso nos impede de ter momentos de insegurança.

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E Will é alguém que vive nesse limiar da (in)segurança. Ela não demonstra o desejo de mudar seu corpo, mas ainda assim se julga indigna de amor por conta da sua forma. Com o passar da trama, entretanto, ela vai entendendo cada vez mais a importância de ser quem ela é e não se desculpar por isso. Uma das frases de Dolly Parton, musa inspiradora da personagem, é recitada mais de uma vez: “Descubra quem você é e faça de propósito”, e esse lema conduz a narrativa até o fim. Além disso, temos a participação de incríveis drag queens que auxiliam no processo de ajudar Will e suas amigas a desabrocharem e ganharem autoconfiança. Entretanto, apesar dessas boas intenções do longa, eu tive grande dificuldade de gostar genuinamente de Will. Não sei se foi falta de carisma da atriz ou se foi a personalidade da personagem, mas pra mim ela era a pessoa menos interessante de acompanhar ao longo da trama. Ainda assim, isso não impediu que eu admirasse sua trajetória de construção de amor próprio e o fortalecimento de suas relações interpessoais.

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Essas relações, por sinal, são a base do filme. O relacionamento com Rosie sempre foi conturbado, afinal, Will nunca se “encaixou” no mundo perfeito da mãe, que passava a maior parte do tempo ocupada e ausente. Justamente por isso, o vínculo criado com a tia tornou-se ainda mais forte, já que Lucy foi um modelo presente e acessível durante toda a infância da jovem. Além disso, a relação com a melhor amiga, Ellen, também tem um peso enorme: entretanto, apesar de Ellen ter deixado claro que nunca viu Will como alguém gordo, essa característica – ou melhor, a diferença entre seus corpos – é vista por Will e acaba se tornando um tema delicado entre as duas em determinado momento da trama. Por fim, temos também a relação com Bo (o crush) e com os novos amigos e amigas que a auxiliam no concurso. Em suma, os elos construídos por Will ao longo da vida são a base para o que ela é hoje e para o que ela vem a se tornar, sendo fonte de apoio na construção e fortalecimento de sua identidade.

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Dumplin’ não é um filme memorável por sua trama, que pode ser encontrada em muitas outras comédias românticas. Entretanto, apesar de não ser meu lugar de fala, acredito que o longa trabalhe com delicadeza o ser gordo, bem como o sentimento de perda, a jornada de autodescoberta e a construção do amor próprio. É um filme que não precisa machucar nenhuma existência para passar sua mensagem, e é sempre importante celebrar produções assim (mesmo que suas tramas não sejam inesquecíveis). Afinal, enquanto mulheres, somos constantemente vigiadas e pressionadas por conta de questões estéticas, e já passou da hora de repensarmos os estereótipos que estamos reforçando e o tipo de produção (seja ela filme, série ou livro) que estamos exaltando. 😉

Título original: Dumplin’
Ano de lançamento: 2018
Direção: Anne Fletcher
Elenco: Danielle Macdonald, Jennifer Aniston, Odeya Rush, Maddie Baillio, Bex Taylor-Klaus, Luke Benward, Harold Perrineau, Hilliary Begley

17 comentários sobre “Review: Dumplin’

  1. Oi, Priih! Tudo bom?
    A meu ver, a importância de Dumplin’ tá JUSTAMENTE no fato de trabalhar clichês conhecidos da YAs e dar esses clichês pra uma protagonista gorda. Assim como Para todos os garotos que já amei é importante por dar o protagonismo pra uma personagem asiática e por assim vai – são clichês que gente branca tá acostumada a ter e assistir, mas que são necessários e que a diversidade também merece ter e viver.
    E como eu CHOREI LARGADA assistindo Dumplin’. Foi um dos filmes mais lindos e tocantes que vi recentemente ❤

    Beijos,
    Denise Flaibam.
    http://www.queriaestarlendo.com.br

  2. Desde que estreou quero ver esse filme, mas ainda não tive oportunidade. Vi algumas pessoas reclamando do fato das pessoas mais gordinhas só aparecerem com roupas de banho que tampam muito o corpo, indo com ideia oposta ao que deveria divulgar. Enfim, não vi então não posso opinar, mas parece bom.

    Iasmin Guimarães | E agora?

  3. Não consegui ver ainda!
    Mas estou curiosa, sempre falaram muito bem do livro!
    Com certeza já vale pela representatividade!
    Ps: nem decidi ainda meu filme kkk
    Bjs Priih

  4. Olá, Priih.
    Eu gostei muito do filme e corri ler o livro que apesar de ter bastante coisa diferente, como personagens importantes excluídos do filme, ainda assim ficou bastante parecido. Eu gostei bastante porque me vi muito nela porque passei minha adolescência acima do peso e senti muito do que ela sentiu.

    Prefácio

  5. Oi Priih,
    Eu escolhi não falar sobre Dumplin porque eu não gostei, rs.
    Confesso para você que a Will me irritou e eu acho que a menina que ficou em segundo lugar, é uma verdadeira protagonista inspiradora.
    Acho que essa coisa de forçar um par romântico não desceu também.
    Agora, Megarromantico foi uma bela surpresa e achei muito melhor!
    beeeijos e feliz dia das mulheres ❤
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

  6. Oii Priih!
    Gostei da resenha do filme, especialmente por mostrar que não é nenhum filme inesquecível, porém aborda questões importantes a serem debatidas e pensadas. Situações do dia a dia que poderiam e deveriam ser normais, mas não são.
    Às vezes assistimos filmes que não se destacam pelo qualidade do filme em si, mas pela mensagem que passam, creio que este foi o caso Dumplin.
    Bom fim de semana!
    Bjs

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