Resenha: Para Sempre Perdida – Amy Gentry

Oi gente, tudo bem?

Mas é claro que a primeira resenha de 2019 seria de um thriller, né? Hoje conto pra vocês o que achei de Para Sempre Perdida.

para sempre perdida amy gentry.pngGaranta o seu!

Sinopse: Transcorridos oito anos de seu sequestro, Julie Whitaker retorna subitamente para casa. A família, ainda que petrificada pela tragédia, se manteve unida e esperou muito por esse momento. Para Anna, no entanto, a volta da filha ao lar desperta mais questões do que respostas, mais dúvidas do que conforto. Ao notar incoerências no discurso da filha, Anna conclui que o seu pesadelo está apenas começando: ela suspeita da identidade da jovem, duvida de seus relatos e conclui que precisa descobrir a verdade sobre o sequestro da filha a qualquer custo.

Quando bati o olho nessa capa e nessa sinopse já me senti instantaneamente curiosa para conferir a trama de uma família que, após enfrentar o sequestro e a perda de sua filha mais velha, se depara com seu súbito retorno oito anos depois. Com o elemento da desconfiança presente – afinal, a mulher que retornou é mesmo Julie, a menina desaparecida? –, esse livro provoca no leitor a sensação de que nenhuma informação é verdadeira.

A narrativa colabora com esse sentimento: os capítulos são intercalados, sendo narrados em primeira pessoa por Anna (mãe de Julie) e em terceira pessoa por jovens que são parte fundamental da trama. São esses os capítulos mais confusos, especialmente no início, porque aparentemente eles não possuem conexão alguma. Com o passar do tempo, entretanto, as peças vão se encaixando e tudo começa a fazer sentido (não posso falar mais nada sem dar spoiler!!!). Minha dica, portanto, é a seguinte: prestem atenção nesses capítulos, pois eles fornecem informações valiosas para compreender o grande mistério da trama.

Ao longo da trama, a autora também aborda as rachaduras familiares causadas pelo sequestro de Julie. Anna e o marido se afastaram, a filha mais nova – que presenciou o sequestro – foi negligenciada pela mãe e os laços entre elas são completamente fragilizados. Achei uma pena que a autora não tenha utilizado Jane, a filha mais nova, como uma das narradoras, já que a personagem carrega um grande trauma e possível culpa por ter presenciado o sequestro da irmã sem poder fazer nada para impedi-lo.

Apesar da autora ter conseguido demonstrar os problemas que a família enfrentou, senti falta de um maior aprofundamento emocional dos personagens. Nos capítulos de Anna temos vislumbres do sofrimento vivido pela família, mas que rapidamente são substituídos pela desconfiança de que aquela mulher não seja realmente sua filha. A partir daí, Anna aceita a ajuda de um detetive particular que está determinado a resolver o mistério. Em contrapartida, os capítulos em terceira pessoa são mais ricos em aprofundamento – porém são todos narrados no passado. Novamente, o desenvolvimento dos personagens no tempo presente acaba sendo superficial.

resenha para sempre perdida amy gentry.png

Nesse sentido, os capítulos narrados no passado se destacam. Com o passar das páginas, o leitor conhece as dores e as dificuldades vividas pela narradora, que precisou vencer muitos desafios cruéis para sobreviver. É bem interessante como o livro utiliza a performance da fragilidade feminina como meio de sobrevivência: nossa narradora em diversos momentos aparenta ser alguém frágil, que precisa ser salva, como estratégia para atingir seus objetivos. Porém, não digo isso de modo a recriminá-la (apesar das atitudes erradas); ela realmente precisava sobreviver, e usou das ferramentas que tinha para tal. Esse aspecto da obra me lembrou muito de Alias Grace, em que também temos uma personagem feminina valendo-se do estereótipo errôneo construído em torno das mulheres para evitar a morte.

Existem algumas coisas que, para mim não fizeram muito sentido. São spoilers, então pule para o próximo parágrafo se não quiser ler. Primeira questão: se Julie é mesmo Julie, por que a obsessão por esconder o cabelo natural? É normal que cabelos loiros escureçam um pouco ao longo dos anos. Segunda questão: quantos anos afinal tinha Charlie/Maxwell? Ele é descrito como um cara mais velho, mas ao mesmo tempo fazia parte do grupo de jovens da igreja (?). Terceira questão: Julie sumiu aos 13 anos e voltou aos 21. Como Anna teve dificuldades em reconhecer seu rosto? Se fosse uma criança muito mais jovem, eu compreenderia, mas não era o caso. Pessoas não mudam TANTO a fisionomia dos 13 aos 21 anos, o rosto permanece reconhecível, já que nossos traços principais já estão bem definidos. Por outro lado, Julie sofreu muito e isso pode ter envelhecido ou mudado um pouco seu semblante, mas ainda assim… Achei meio forçado, uma conveniência de roteiro (para que Julie tivesse idade e ideias próprias o suficiente para ser ~corrompida por alguém na internet).

O final do livro é bastante satisfatório e consegue conectar a maioria das peças apresentadas ao longo da trama. A justificativa para o que acontece é verossímil, tanto que existem casos parecidos (e bem recentes) no mundo real. O desfecho proporciona algumas reflexões sobre como nem sempre conhecemos a fundo as pessoas que amamos e como é fundamental que exista comunicação e apoio no ambiente familiar. E, é claro, do cuidado que devemos ter com a internet, onde jovens podem ser facilmente seduzidos. Aproveito esse momento também para elogiar a capa, que é fantástica: a foto é super aflitiva e os olhos da menina tendo sua boca tapada são expressivos e comoventes. As cruzes espalhadas pela capa também são muito significativas. No final do livro você compreende como a capa foi bem pensada.

Para Sempre Perdida foi uma leitura satisfatória, com um mistério instigante e uma situação bastante delicada e importante como tema. A autora conseguiu concluir a maior parte das pontas soltas com eficiência, entregando uma história redondinha e bem construída – apesar de triste e dolorosa. Recomendo!

Título original: Good As Gone
Autor: Amy Gentry
Editora: Rocco
Número de páginas: 304
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

23 comentários sobre “Resenha: Para Sempre Perdida – Amy Gentry

  1. Oie Pri =)

    Só lendo a sua resenha já deu para sentir que é uma história bem amarrada e cheia de tensão.
    Não é um livro que eu leria no momento, mas que apesar de ser um gênero que não costume ler, fiquei bastante curiosa com os mistérios que a narrativa apresenta.

    Beijos e uma ótima semana;***
    Ane Reis | Blog My Dear Library.

  2. Oi Priih! Eu estava mesmo querendo detalhes deste livro desde que vi a capa. Adorei apremissa da história e fiquei com vontade de ler. Gosto deste gênero e vejo que a cada dia mais ele se volta para o mundo real e para a exposição que fazemos de nós mesmos. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

  3. Priih, adoro thrillers, inclusive minha leitura atual é um: O Homem de Areia. Está sendo muito bom.
    Mas eu fiquei curiosa demais com Para Sempre Perdida.
    Eu não conhecia esse livro, mas pelo que você disse parece ser muito bom.
    Pena que o psicológico e laços afetivos não foram tão explorados, mas pelo jeito foi bom mesmo assim.
    E adoro quando a capa é bem pensada, quando no final do livro a gente olha e pensa como foi genial.

    Beijooos

    http://www.casosacasoselivros.com

  4. Eu sempre vejo essa capa no Kindle, mas até então apenas a capa e a sinopse não tinham chamado a minha atenção. Li a sua resenha e fiquei muito mais curiosa com a trama do livro, tanto que agora o coloquei na minha lista de futuras leituras.
    Aliás, lendo a resenha me lembrei do livro As Sobreviventes, que tem uma premissa parecida e é um bom livro no geral. Fica a dica.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

  5. Olá, Priih.
    Eu estou lendo bastante livros desse gênero no momento e esse com certeza entra para a lista de desejados. Eu amo um bom livro de suspense e esse a começar por essa capa já intriga o leitor. E apesar das ressalvas quanto aos personagens, eu sou dessas que não resiste a um bom mistério e já fiquei aqui na curiosidade hehe.

    Prefácio

  6. Oi Prih,
    Parece daqueles mistérios ótimos do jeito que curto.
    Sempre fico tensa com esses plots de gente retornando do nada, mas nesse caso é ainda mais tenso pelo fato da menina ter desaparecido-sequestrada.
    Espero ler porque adorei conhecer.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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