Dica de Série: Sharp Objects

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei de Sharp Objects, minissérie da HBO (baseada no livro Objetos Cortantes) que rendeu a Amy Adams diversos elogios e concorre a vários prêmios.

sharp objects poster

Sinopse: Camille Preaker, repórter do St. Louis Chronicle, é enviada para sua cidade natal para investigar a história de duas garotas que estão desaparecidas e, supostamente, foram assassinadas. O caso, mais o fato de se reunir com sua prepotente mãe, desperta recordações traumáticas de sua infância, incluindo a morte de sua irmã mais nova, Marian.

Camille é uma jornalista que se vê obrigada a voltar à Wind Gap, sua cidade natal, para cobrir o brutal assassinato de duas jovens. Atormentada por lembranças do passado, convivendo com o alcoolismo e odiando tudo que envolva Wind Gap, essa missão é um verdadeiro desafio para Camille. Muito desse sofrimento tem origem familiar: ela perdeu uma irmã ainda na adolescência, tem uma péssima relação com a mãe, Adora, e nem sequer conhece sua meia-irmã mais nova, Amma. Esses elementos combinados levam Camille a uma experiência dolorosa e intensa durante seu período na cidade em que cresceu.

sharp objects (5).png

Como sou apaixonada por thrillers e admiro o trabalho de Amy Adams, estava louca para conferir Sharp Objects. A verdade é que, em um primeiro momento, a série não conseguiu cativar minha atenção. Tentei relevar a lentidão do primeiro episódio porque compreendo que é necessário apresentar com competência o aspecto psicológico de uma protagonista tão quebrada; o problema é que esse ritmo não muda ao longo dos episódios seguintes.

Acompanhamos Camille investigando a morte das jovens assassinadas, enquanto o detetive Richard Willis faz a mesma coisa em paralelo. Assim como Camille, Willis é considerado pela população de Wind Gap um outsider, alguém que não está habituado aos costumes daquela cidade interiorana cheia de segredos. Tanto ele quanto Camille sofrem certos olhares de desconfiança por estarem “fuçando onde não devem”, especialmente por parte de Adora (mãe de Camille), considerada um pilar para a comunidade, e pelo xerife Vickery. Contudo, o plot da investigação dos assassinatos não chega a ser instigante a ponto de deixar o espectador verdadeiramente curioso, porque parece que nada acontece.

sharp objects.png

Por outro lado, os mistérios referentes à família de Camille são muito mais interessantes. A morte de sua irmã mais nova marcou muito a dinâmica familiar dos Preaker, e Adora tem uma necessidade de controle doentia. Apesar de ter negligenciado Camille a vida toda, Adora investe todas as suas energias em cuidar de Amma, tratando a adolescente como uma menininha indefesa – sem nem imaginar o quão dissimulada é a filha mais jovem, que se finge de menina comportada na frente da mãe, mas sai às escondidas à noite e mantém seus próprios segredos.

A própria Camille é um grande vulcão emocional, e a cada episódio descobrimos mais detalhes de seu passado que nos fazem sentir pena dela: além de ter perdido a irmã que amava, Camille foi internada em um hospital psiquiátrico, se automutilava, sofreu mais perdas pelo caminho e agora convive com o alcoolismo. No desenvolvimento dos personagens, a série acerta em cheio: eles são muito bem trabalhados, tem diversas nuances e nem sempre agem como esperamos, o que os torna bastante verossímeis. Os mistérios mais interessantes da série, diga-se de passagem, estão relacionados às verdades por trás do que os personagens aparentam ser (e eu não posso falar muito sobre isso porque a graça da série, ao meu ver, está nesses segredos).

sharp objects (2).png

As atuações certamente merecem grande destaque. Amy Adams e Patricia Clarkson (Camille e Adora, respectivamente) roubam a cena por motivos diferentes: de Camille sentimos pena, por Adora, aversão. A dedicação das atrizes – especialmente Amy Adams – aos papéis é intensa e visceral, sendo impossível assistir a diversas cenas sem sentir grande desconforto. Eliza Scanlen (Amma) também surpreende, trazendo à vida uma personagem falsa, sedutora, mentirosa, intensa, vítima e algoz – tudo ao mesmo tempo.

sharp objects (4).png

Sharp Objects traz uma trama de assassinatos que não prendeu minha atenção e me deixou bastante entediada em diversos momentos, porém é muito competente em trabalhar seus personagens imperfeitos e os traumas que se acumulam no seu emocional. O final é surpreendente, me deixou de queixo caído e eu amei! Vi gente que leu o livro reclamando que foi mal explicado (inclusive catei o final do livro pra ler), mas eu achei ótimo o fato da minissérie ter optado por ser mais chocante do que reveladora. Apesar das ressalvas, o desfecho e o desenvolvimento psicológico dos personagens “ganharam a batalha”, tornando a experiência positiva! 😉

Título original: Sharp Objects
Ano de lançamento: 2018
Diretor: Jean-Marc Vallée
Elenco: Amy Adams, Patricia Clarkson, Eliza Scanlen, Chris Messina, Matt Craven, Taylor John Smith

22 comentários sobre “Dica de Série: Sharp Objects

  1. Oi, Priih

    Pena que você se sentiu entediada em alguns momentos. Mas pelo menos você curtiu o todo.
    Eu particularmente não achei a trama devagar, achei o ritmo ideal. Acho que combinou com a cidade… uma coisa mais morosa e preguiçosa.
    Espero que a Amy ganhe vários prêmios!

    Beijos
    – Tami
    https ://www.meuepilogo.com

  2. Oi Prih,
    Achei a produção da série maravilhosa e as atrizes magnifícas nos papéis,
    Porém, como adaptação pecou bastante, o livro é pesadinho, e acredito que por envolver mortes de crianças, tenham amenizado as coisas.
    A adaptação do final também não me agradou.

    até mais,
    Nana – Canto Cultzíneo

  3. Oi Priih!
    Essa série é do tipo que me deixaria entendiada tbm, mas não sei pq não foi o q aconteceu comigo! Apesar de o ritmo dela ser realmente lento, e a investigação do caso não andar kk, ela conseguiu prender meu interesse, vi os eps bem rápido!
    O final foi muito bom e todo o arco da família da Camille foi bem intrigante!
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

  4. Olá!
    Ainda não vi essa série porque tenho esperanças de ler o livro, mas sei que isso não vai acontecer. Amei a indicação. Apesar das ressalvas, parece ser interessante. Acho que os personagens são um ponto positivo e que faz a gente continuar a ver, né? Parece ser intrigante!
    Beijos

    Our Constellations

  5. Oi Priih, tudo bem?

    Quero muito assistir esta série, mas sem muitas expectativas, só pelo suspense que há e pela linha psicológica a qual é trabalhada, porque nem ler o livro eu cheguei a ler rs… que penas que ficou entediada em alguns capítulos, suspense tem que prender, mas se os autores levam jeito. Mas sei lá quando irei assistir… rs. Xero!

    https://minhasescriturasdih.blogspot.com/

  6. Olá, Priih.
    Eu não li o livro ainda e pretendo ler antes de assistir. Que pena que foi meio parado os episódios, mas acho que nesse tipo de enredo é dificil ser diferente. Espero que a Amy ganhe algum prêmio porque gosto muito dela como atriz.

    Prefácio

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s