Resenha: Meu Erro – Cinthia Freire

Oi pessoal, tudo bem?

Estou de volta com mais um post da coluna Uma Amiga Indicou, em parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer. ❤

uma amiga indicou

Em setembro, resolvemos aproveitar o gancho do feriado da Independência para lermos obras nacionais. A Ale me indicou Meu Erro, da Cinthia Freire, e hoje conto o que achei da experiência. 😉

meu erro cinthia freire.pngGaranta o seu!

Sinopse: Segredos são como fantasmas nos assombrando e nos fazendo crer que são reais. Todos tem os seus fantasmas. Carol tem os seus e há algum tempo eles parecem estar adormecidos. Gabriel desistiu de tentar frear os seus fantasmas há muito tempo e decidiu o caminho mais fácil, vivendo uma vida sem regras e limites. Eles estão na mesma estrada, mesmo que estejam em sentidos opostos. Enquanto ela tenta fugir da escuridão, ele só quer se perder ainda mais. Uma história emocionante sobre até onde somos capazes de ir para salvar aqueles que amamos e sobre acreditar que todos tem uma segunda chance. Mesmo que para o resto do mundo isso pareça um erro.

Carol é uma jovem que mora com a amiga, Verônica, na cidade universitária onde estuda. A garota sofreu algum tipo de trauma no passado, e sua independência é uma forma de lutar contra esses fantasmas. Gabriel é um rapaz que estuda na mesma universidade e é a definição de garoto problema: é dependente químico, adora uma briga, não se envolve emocionalmente com nenhuma garota com quem sai e tem um relacionamento terrível com o pai. De uma forma inesperada – envolvendo uma transa de uma noite com Verônica – Gabriel conhece Carol e os dois acabam se apaixonando.

Então, gente… Não sei se eu não sirvo pra ler New Adults ou se a narrativa de Cinthia Freire não atendeu às minhas expectativas, mas de uma coisa eu tenho certeza: não consigo comprar esse plot de personagens “quebrados” encontrando a cura no amor. Não me entendam mal, eu sou uma pessoa muito romântica e acredito que o amor é sim capaz de transformar. Meu problema são com situações pesadas (que não podem ser resolvidas somente com amor) sendo solucionadas desse modo. Durante a maior parte de Meu Erro, Cinthia Freire dá a entender que Carol é a solução para o vício de Gabriel e para ajudá-lo a ficar sóbrio, movido somente pelo amor. Entretanto, dependência química é uma coisa muito séria e precisa de terapia e apoio especializado, o que não ocorre durante a maior parte da trama.

Também tem outro motivo que me faz  não curtir esse discurso de “o amor cura tudo”. A Carol fica dizendo que ela é a pessoa certa pra curar o Gabriel, baseando-se numa crença que muitas mulheres têm na vida real: ele vai mudar, ele vai melhorar, ele vai fazer isso por mim. Eu não concordo com esse posicionamento e acho terrivelmente problemático, por não achar nada saudável alguém achar que pode ser a cura de outra pessoa e permanecer em uma situação possivelmente tóxica. No caso de Carol e Gabriel, o maior problema era a instabilidade do rapaz e as idas e vindas do relacionamento, mas sabemos que muitas vezes a violência pode fazer parte da rotina de alguém na situação dele.

meu erro cinthia freire.png

Eu achei a escrita da Cinthia Freire um pouco imatura, especialmente na construção das frases. Me parecia, durante a leitura, que a autora estava com pressa para contar a história, tornando a cadência dos acontecimentos um pouco incômoda pra mim. Também notei alguns lugares-comum e estereótipos sendo reproduzidos no que diz respeito às mulheres (por mais que a intenção da autora possa ser feminista). E a melação entre a Carol e o Gabi (milhares de apelidos e “eu te amo” a todo momento) também me deixaram um tanto cansada.

Críticas feitas, vamos aos elogios. O plot twist do livro foi bastante surpreendente, e a virada no final me pegou bastante desprevenida. Não imaginava que certo personagem seria capaz de fazer o que fez, e achei a situação em si muito aflitiva e desesperadora. Ao fim de tudo, também gostei do enfoque na saúde mental que Cinthia Freire abordou por meio da fala de Carol. O estigma envolvendo distúrbios psiquiátricos ainda existe, e muitas pessoas não pedem ajuda por medo, insegurança e diversos outros motivos. Por isso, acho muito bacana que a autora tenha trazido uma personagem que – com o apoio da terapia, da família e também do amor – consegue se reerguer e tornar-se saudável novamente.

Como deve ter dado pra notar, Meu Erro não funcionou pra mim. Entretanto, a experiência de me desafiar a ler um gênero diferente é sempre bacana. Então, para concluir, se você curte New Adults e os clichês do gênero, é provável que se dê melhor com essa leitura do que eu. 😉

Título original: Meu Erro
Série: Segredos
Autor: Cinthia Freire
Editora: Independente
Número de páginas: 223
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18 comentários sobre “Resenha: Meu Erro – Cinthia Freire

  1. Oiii Prih

    Foi bacana ler um gênero fora da zona de conforto, pena que esse livro não funcionou, tb não gosto de narrativas apressadas, deixa sempre a história vaga demais, vazia, por melhor que seja o plot. Eu não leria o livro, não é meu estilo também, além dos defeitos ja apontados que me deixam ainda mais com o pé atrás mas, talvez pra quem esteja habituada com o gênero a história renda bons momentos. A capa é legal, achei bem bonita.

    Beijos

    http://www.derepentenoultimolivro.com

  2. Oi Priih!
    Ah, que pena que voce não gostou! Acho que não vi o enredo dessa maneira, até pq mesmo nas continuações o Gabe continua com o problema do vício. Mas respeito sua opinião e acho válido discutirmos esses assuntos considerados tabus.
    Um beijo e tomara que mês que vem tenhamos uma dica que você goste mais 😉

  3. Oi, Priih!
    Eu já tinha visto a capa desse livro, mas nunca li nenhuma resenha dele. Depois de ler sua resenha, acho que vou passar pelo simples fato de: ninguém muda ninguém. Apesar de já ter lido alguns livros assim, acho que quando o autor bate nessa tecla, não dá muito certo, sabe? Gostei muito da sua sinceridade!
    Beijinhos,

    Galáxia dos Desejos

  4. Geralmente eu não curto romance por causa disso, é tudo muito velado e romantizado demais. O último romance que eu li foi uma decepção completa por que houve um estupro entre os protagonistas, mas a mocinha ficou apaixonada pelo cara, mesmo ele tendo estuprado ela! Eu fiquei MUITO REVOLTADA! Não gosto desses livros que querem romantizar relacionamentos destrutivos.
    Ainda não li Meu Erro, mas concordo plenamente com vc, além disso, me parece claro que a Carol deixou de pensar em si mesma para colocar suas energias em uma cura que não é responsabilidade dela.
    Gosto de New Adults, mas dispenso clichês em qualquer gênero, prefiro me surpreender, haha.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

  5. Olá, Priih.
    Eu não consigo gostar de New Adults pelos motivos que você citou e por vários clichês que acompanham o gênero e que não gosto em um livro. Engraçado que acabei de responder uma tag, ainda não publiquei, onde citei exatamente isso de se curar no amor como um clichê que não aguento mais hehe. É um livro que eu não leria.

    Prefácio

  6. Oi, Priih!

    Acho que a questão é o livro mesmo, viu. Capaz que algum outro new adult te agrade. Eu gosto de livros new adult, mas larguei Meu Erro logo no começo da leitura. Começando pela forma que eles se conheceram, e depois pelos fatos que você comentou, daquele básico da mocinha acreditar que ele vai mudar, e a narrativa da autora que também não me conquistou por total. A premissa é boa, mas os pontos que me desanimaram falaram mais alto 😦 adorei a resenha e a sinceridade!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com/

  7. Oi, Priih!
    Te entendo muito bem sobre o lance do amor cura tudo… Eu acho que ele ajuda, mas pra curar mesmo depende da pessoa.
    Eu já quis ler esse livro, mas já desisti.. acho que saturei de plots assim.
    Beijos
    Balaio de Babados

  8. Oi Prih,
    Adorei a sinceridade da tua resenha.
    Eu tenho esse livro no Kindle e a a Carol, do Caverna, já tinha comentado comigo sobre alguns desses pontos. Lendo sua resenha, só tive certeza que também terei problemas com a leitura. Não acredito nesse lance de amor cura tudo também, com questões mais tensas.

    até mais,
    Nana e Leticia – Canto Cultzíneo

  9. Oi, Priih

    Eu tenho esse livro no Kindle, baixei quando estava gratuito há algum tempo, mas ainda não o li.
    Entendo sua questão com o enredo. O amor não cura ninguém, apesar de eu achar que com amor as coisas ficam bem mais fáceis de suportar. Mas ele, sozinho, realmente não faz milagres.

    Beijos
    – Tami
    https://www.meuepilogo.com

  10. Eu tenho a mesma opinião que você em relação à essa ideia que o amor pode curar tudo, acho que discursos assim podem reforçar a ideia já criada por muitas pessoas de que são capazes de mudar o outro apenas porque o amam.
    Enfim, adorei a sua resenha e achei interessante o livro como um todo, gostaria que a escritora abordasse essa ideia de que ninguém consegue mudar as pessoas no final! Seria interessante.
    Beijos

  11. Pingback: TAG: Pokémon Book Tag | Infinitas Vidas

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