Resenha: A Lista Negra – Jennifer Brown

Oi pessoal, como estão?

Hoje vim falar sobre A Lista Negra, de Jennifer Brown. Esse é um dos livros que a Pam Gonçalves vivia elogiando e, por isso, eu estava com as expectativas lá em cima!

[EDIT] Quando escrevi esse post, ainda não tinha lido a notícia do garoto de 17 anos que abriu fogo em uma escola no Texas, nos Estados Unidos. Posteriormente, veio a notícia mais recente do atirador em um torneio de videogames na Flórida. Em ambas as ocasiões, resolvi segurar um pouco a resenha, pois sou contra “pegar carona” em tragédias pra promover um conteúdo (cof cof, Catraca Livre). Por isso, vim editar o post que já estava escrito pra reforçar a importância de obras como A Lista Negra (especialmente agora, em tempos de Setembro Amarelo, de candidatos à Presidência que promovem o ódio e de liberação das armas sendo vista como a salvação do país). A facilidade com que jovens têm acesso a armas nos Estados Unidos é preocupante, e casos de massacres são mais comuns do que eu gostaria de admitir. Por isso, acho importante usarmos essas tragédias para refletirmos sobre que tipo de futuro queremos no nosso país também. Eu sou contra a liberação do porte de armas, e acho importante que a gente olhe pra essas situações e pense a respeito, especialmente para que não ocorram novamente no futuro – nem lá, nem aqui.

a lista negra jennifer brown.pngGaranta o seu!

Sinopse: E se você desejasse a morte de uma pessoa e isso acontecesse? E se o assassino fosse alguém que você ama? O namorado de Valerie Leftman, Nick Levil, abriu fogo contra vários alunos na cantina da escola em que estudavam. Atingida ao tentar detê-lo, Valerie também acaba salvando a vida de uma colega que a maltratava, mas é responsabilizada pela tragédia por causa da lista que ajudou a criar. A lista com o nome dos estudantes que praticavam bullying contra os dois. A lista que ele usou para escolher seus alvos. Agora, ainda se recuperando do ferimento e do trauma, Val é forçada a enfrentar uma dura realidade ao voltar para a escola para terminar o Ensino Médio. Assombrada pela lembrança do namorado, que ainda ama, passando por problemas de relacionamento com a família, com os ex-amigos e a garota a quem salvou, Val deve enfrentar seus fantasmas e encontrar seu papel nessa história em que todos são, ao mesmo tempo, responsáveis e vítimas.

A Lista Negra é narrado no passado e no presente; no passado, acompanhamos o relacionamento da protagonista, Valerie, e de seu então namorado, Nick. Os dois tinham uma conexão muito forte, especialmente por seu estilo mais alternativo e pelo bullying constante que sofriam (no caso de Nick, isso era agravado pelos abusos que sofria em casa). No presente, Valerie está sozinha; Nick cometeu suicídio após abrir fogo contra os colegas na cafeteria da escola, tendo como alvos os responsáveis pelo bullying – cujos nomes estavam anotados na Lista Negra, um caderno que ele e Valerie mantinham em segredo. Acompanhamos Valerie rememorando o passado, buscando entender em que ponto ela falhou em perceber os planos de Nick, bem como tentando enfrentar o presente e os olhares de rancor e culpabilização velada que as pessoas dirigem a ela.

A Lista Negra é muito bom em colocar dois lados de uma mesma moeda em perspectiva. Por um lado, a obra revolta o leitor quando mostra o relacionamento de Val e Nick e as injustiças que eles sofriam. É triste perceber até que ponto o bullying pode destruir a mente de alguém, levando essa pessoa à depressão, à raiva, às atitudes extremas. Por outro lado, no presente, o leitor é obrigado a encarar o que o ato de Nick causou: a morte de inocentes, a desfiguração de alunos, as famílias destruídas. Quem sofreu mais? O rapaz que sofria com insultos e agressões? Ou quem levou um tiro, tendo sua vida transformada pra sempre (e até mesmo roubada de si)? O livro não se propõe a responder essas perguntas, e essa é sua maior qualidade. Ele abre o espaço à reflexão, levantando questões complicadas e que talvez não tenham uma única resposta correta.

Ao longo da trama, acompanhamos Val enfrentando o mundo novamente. A culpa a corrói e a vergonha faz com que ela nem queira voltar à escola. As lembranças do tiroteio a atormentam, e a personagem tem dificuldade em se abrir para uma amizade improvável com Jessica, a garota que ela salvou ao colocar-se em frente de Nick, e que era justamente uma das que mais a torturavam. Com o passar do tempo, Valerie percebe que o massacre no Colégio Garvin não causou mudanças profundas apenas nela, mas também nos outros alunos, Jessica entre eles. Com a ajuda desse novo relacionamento e, principalmente, da terapia, Val aos poucos consegue se reerguer e encarar o mundo novamente. Aliás, devo elogiar o papel que a terapia tem nessa obra; o médico de Val (o doce Dr. Hieler) é compreensivo, paciente e fundamental no processo de cura da garota. Em meio a tantas obras (alô, 13 Reasons Why) que pecam por não apontarem um caminho para a superação, acredito que A Lista Negra cumpre bem esse papel, sendo uma indicação válida não somente para o Setembro Amarelo, mas sempre.

resenha a lista negra jennifer brown.png

Admito que a Val do presente não é a protagonista mais carismática do mundo. Eu preferia ler as passagens que relatavam o passado, ou ainda as cenas com o psiquiatra. Foi a falta de conexão com Val que me fez não dar nota máxima pro livro, porque não foi agradável acompanhar sua narração. Por outro lado, tenho que admitir que é compreensível que a personagem seja fechada e difícil; ela passou por um trauma enorme pelo qual ela se responsabiliza. Na cabeça de Val, se não fosse a tal Lista Negra, talvez Nick não tivesse tido a ideia de matar aqueles colegas. Mas é muito complicado tentar colocar a responsabilidade desse ato em uma coisa só; no caso do livro, encaro a situação como algo multifatorial. Isso fica ainda mais evidente quando conhecemos as diversas faces de Nick (pelas lembranças de Valerie). Para o mundo, Nick tornou-se sinônimo de um monstro cruel; para Val, era o garoto que ela amava, a pessoa mais importante da sua vida: um rapaz sensível, apaixonado por Shakespeare, que se preocupava com ela e a amava de todo o coração. Ao expor essas diversas faces de Nick – o namorado amoroso e o atirador enlouquecido – Jennifer Brown causa desconforto e uma sensação de impotência no leitor: ninguém viu o que estava para acontecer? Ninguém poderia ter impedido? Questões sem resposta, obviamente.

A Lista Negra traz diversas reflexões importantes sobre bullying, saúde mental, armamento (se considerarmos que é um livro americano, onde ocorrem diversos casos de tiroteios em escolas) e até mesmo sobre o papel da mídia em contar (ou distorcer) os fatos. A obra não se propõe a ditar uma verdade absoluta ou apontar culpados; ao contrário, Jennifer Brown nos leva a refletir sobre a importância de uma base familiar sólida, do cuidado com a saúde mental e das consequências trágicas que o bullying pode causar. É um livro com uma temática pesada, apesar das poucas páginas, mas que mexe com as emoções (e convicções) do leitor. Apesar de pessoalmente não ter amado, recomendo por sua importância!

Título Original: Hate List
Autor: Jennifer Brown
Editora: Gutenberg
Número de páginas: 272
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Centro de Valorização à Vida (CVV): 188

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17 comentários sobre “Resenha: A Lista Negra – Jennifer Brown

  1. Olá, Priih.
    Eu li A Lista Negra antes de ler Os treze porquês e por isso acabei não gostando do segundo. Eu amei o livro e a escrita da autora. Ela abordou o assunto muito bem. Acredito que as coisas teriam acontecido independente da lista. As coisas chegaram num ponto onde não tinha mais volta para ele. E por isso não apoio o porte de armas. A oportunidade faz o ladrão.

    Prefácio

  2. Oi, como vai? Estou perplexa com a amplitude desse livro. O tema é tão forte que fiquei impactada, primeiro porque também sofri bullying na escola e não gosto de falar sobre o assunto até hoje. Esse tema é muito pertinente e precisa ser trabalhado não somente na escola mais também pela família. Amei o livro, porque aborda o assunto da forma mais real possível. Bjss

    http://www.historiasdaiza.blogspot.com

  3. Nossa Priih, que livro pesado. Mas essa temática é tão importante, né? Especialmente diante do cenário atual, em que muitas pessoas são a favor da liberação das armas, acho necessário demais lembrar como isso pode ser perigoso e irreversível. Fiquei interessada na leitura, viu? Um beijo! :*

  4. “cof, cof catraca livre” HAUSHAUHSUA ~indireta, bem direta.
    Eu sempre vi a capa desse livro por aí, mas ele nunca me chamou atenção. Agora que sei do que se trata, fiquei realmente com vontade de lê-lo. Achei muito bacana o livro não dar uma conclusão pronta ao leitor, mas apenas deixar em aberto para reflexões, até por que, os temas tratados no livro são pesados, mas necessitam de discussão.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

  5. Oi, Priih!

    Gosto muito desse livro e o considero super necessário para a conscientização. Também sou contra o porte de armas e o caso do livro é um grande exemplo do porque devemos pensar bem no assunto. A única parte que eu não fui muito fã também do livro é da própria Val e da amizade que ela cria com a menina, considerando tudo o que aconteceu para levar Nick a tal decisão. Ótima resenha!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com/

  6. que resenha MARAVILHOSA! eu já tinha ouvido falar muito sobre o livro, mas só sabia sobre o assunto central, não tinha noção de como era tratado e se era de uma maneira correta, sabe? achei muito legal isso de mostrar passado e presente, é uma forma muito boa de abordar a situação. isso de a terapia aparecer e aparecer de maneira correta na obra me deixou muito feliz, ainda mais depois do fiasco de 13 reasons why, né? gostei muito da indicação, vou ver se leio qualquer hora!

    um beijão,
    gabs | likegabs.blogspot.com ❥

  7. Oi, Priih

    Eu particularmente não tenho vontade de ler o livro por achar que ele vai me fazer mal.
    Não sei até que ponto o fato de eu ter sofrido bullying pesado na minha infância/adolescência refletiria na minha leitura.
    Mas acho importante livros que abordem o tema de maneira responsável, já que tá cheio de livros/séries irresponsáveis por aí.
    Sobre o telefone do CVV, é 188. 😉 Ou tem outro e eu não sei? Pode ser também.

    Beijos
    – Tami
    https://www.meuepilogo.com

  8. Oi Priih,
    Eu também conheci o livro pelas indicações da Pam Gonçalves, mas ainda não o li.
    Acho que foi bem nobre da sua parte esperar o bafafa passar para falar sobre. Até porque, precisamos sempre levantar a bandeira contra o bullying e naquele momento, o post poderia passar despercebido pelo impacto dos acontecimentos.
    Um tema complexo e que chama minha atenção, quero muito ler a obra!
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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