Resenha: O Bicho-da-Seda – Robert Galbraith

Oi galera, tudo bem?

Li o segundo volume da série Cormoran Strike, O Bicho-da-Seda, e hoje conto pra vocês minhas impressões a respeito. 😉

o bicho da seda robert galbraithGaranta o seu!

Sinopse: Quando o escritor Owen Quine desaparece, sua esposa vai a procura do detetive Cormoran Strike. De início, a Sra. Quine pensa que seu marido apenas se afastou por conta própria, por uns dias — como já tinha feito antes —, e ela pede a Strike para que o encontre e o traga para casa. Mas conforme Strike investiga o caso, se torna claro que há mais no desaparecimento de Owen do que sua mulher pensa. O escritor havia terminado um manuscrito contendo descrições venenosas de quase todos que conhecia. Se o livro fosse publicado, poderia arruinar vidas: o que significa que existiam várias pessoas que poderiam querer silenciá-lo. Quando Quine é encontrado brutalmente assassinado em circunstâncias bizarras, a investigação se torna uma corrida contra o tempo para entender a motivação de um assassino impiedoso, um assassino como Strike nunca havia visto antes.

Que eu adoro livros de investigação, não é novidade pra quem me acompanha aqui no blog. Eu curti bastante a experiência com O Chamado do Cuco e vi muito potencial em J. K. Rowling (ou melhor, Robert Galbraith) de seguir nesse tipo de história. Felizmente, os pontos positivos do primeiro volume se mantiveram; entretanto, os defeitos também.

Após solucionar o caso Lula Landry, Strike ganha certa notoriedade, trazendo mais casos ao seu escritório e permitindo que ele tenha uma vida um pouco mais confortável. Robin segue como sua secretária, mas com a expectativa de tornar-se ajudante de Strike assim que possível. As coisas no escritório iam bem (com Strike investigando, basicamente, maridos e esposas infiéis), até que Leonora Quine bate à sua porta e alega que seu marido, o escritor Owen Quine, está desaparecido. Descrente que a polícia poderá ajudá-la (já que seu excêntrico marido tinha o hábito de fugir), a estranha e rude mulher deposita suas esperanças em Strike, que aceita o caso. Strike não demora a descobrir, entretanto, que Owen Quine não está desaparecido: ele foi brutalmente assassinado. A questão é que Quine recentemente escreveu um livro que difama inúmeros nomes importantes do ramo editorial, dando motivos a diversas pessoas para querer algum tipo de retaliação.

Duas coisas me chamaram a atenção no caso de O Bicho-da-Seda: o modo como Owen Quine foi assassinado e seu próprio manuscrito, Bombyx Mori (que significa, justamente, bicho-da-seda). Para investigar os possíveis suspeitos, Strike adentra na mente doentia de Quine enquanto lê sua obra repleta de violência e sexo, fazendo conexões entre os personagens e as pessoas reais. Assim como ele, o leitor vai tentando conectar as peças enquanto lê ambos os livros: o de Quine e o de Galbraith. O interessante é que novamente Galbraith não revela nenhum detalhe dos pensamentos de Strike em relação ao criminoso ao leitor; há um momento em que o detetive está certo de quem é o assassino, mas várias páginas se passam até que a gente descubra. Se o objetivo é atiçar a curiosidade do leitor, pra mim isso deu certo! Devoreeei as páginas finais. 😛

resenha o bicho da seda robert galbraith

Robin também ganha destaque nesse volume, o que me deixou bem contente. Ela é inteligente, empática e competente. Além da beleza física, sua personalidade conquista o leitor e também os personagens com quem ela interage. Porém, seu plot demora a engrenar, já que durante boa parte do livro ela está magoada com Strike (por não treiná-la) ou brigando com Matthew (um chato que só faz criticá-la por suas escolhas profissionais). Entretanto, quando ela tem a chance de brilhar, é um arraso só! ❤

Em relação à narrativa, Galbraith peca por ser descritivo demais em relação às ruas e locais de Londres. Por um lado, isso torna a leitura bem imersiva. Por outro, é cansativo, já que são descrições específicas e “insiders” (e, como eu não conheço Londres, ficava meio difícil de imaginar, já que muitas vezes o autor cita apenas nomes de lugares). Além disso, ele repete à exaustão alguns recursos que já ficaram claros anteriormente (como as dificuldades de locomoção de Strike ou a instabilidade de Charlotte). Entretanto, no final da trama, o autor consegue fechar todas as pontas soltas, o que considero imprescindível nos romances policiais. Só não gostei tanto da revelação do assassino e suas motivações quanto curti em O Chamado do Cuco; foi menos emocionante, com motivos menos impactantes (ainda que o autor tenha me enganando novamente a respeito de sua identidade).

Em suma, terminei O Bicho-da-Seda tendo a certeza de que, apesar das ressalvas, me tornei fã de Strike e Robin. Essa dupla carismática me cativou, e o modo de Robert Galbraith contar suas histórias e manter o mistério no ar durante toda a leitura conseguiram me envolver. Além disso, o autor conseguiu trazer à tona a disputa de egos que envolve o mercado editorial, fazendo uma crítica ácida e interessante (como também fez em relação à mídia em O Chamado do Cuco, diga-se de passagem). Recomendo! 😉

Título Original: The Silkworm
Série: Cormoran Strike
Autor: Robert Galbraith
Editora: Rocco
Número de páginas: 464
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.
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28 comentários sobre “Resenha: O Bicho-da-Seda – Robert Galbraith

  1. Oi, Priih.
    Li o primeiro livro e achei bem interessante.
    Tô com esse pra ler e espero ler o mais breve possível pq sua resenha me deixou bem curioso.
    Gostei do enredo e tbm gosto muito de romance policiais, de investigação.
    Bela resenha.
    Abraços.

  2. Que bacana, amei a resenha.
    Eu já tinha ouvido falar desse livro em algum lugar.
    Também amo histórias investigativas, suspense policial… Isso me prende demais! É necessário ler o primeiro pra ler esse?
    Ando com depressão pós livro, faz tempo que não pego nada pra ler e só tenho visto séries. Preciso engatar alguma leitura, rs.

    http://www.nandadoria.com.br

    • Oi Nanda, tudo bem?
      Obrigada pelo feedback, fico muito feliz que tenha gostado! ❤
      Vou responder sua dúvida por aqui, caso mais alguém tenha a mesma curiosidade: apesar de serem enredos com mistérios diferentes, eu considero muuuito importante ler na ordem. Só desse modo a gente entende como a Robin foi parar no escritório do Strike, ou alguns detalhes sobre a história de vida dele que permitem que ele seja detetive hoje, por exemplo. Fora que os livros tem o clima de continuidade, então ocorrem coisas no final de cada um que depois aparecem no próximo. Espero ter ajudado! 😘
      PS: uma coisa legal que rola nos livros é que, se você optar por não ler na ordem, o autor não revela o assassino, sabe? Em O Bicho-da-Seda, por exemplo, ele se referia a “assassinx de Lula Landry” (o caso do livro 1) sem entregar o mistério, caso o leitor não tenha lido o primeiro volume. 😉

  3. Oie, tudo bem?!
    Eu nunca tinha dado muita bola para esses livros, mas vejo que eu estava completamente enganada. Sou fã de uma boa investigação e minha curiosidade ficou atiçada quando você disse que o personagem esconde seus pensamentos para que o leitor, de certa forma, tente desvendar o mistério.
    Você sabe se os livros precisam ser lidos em sequência ou se a leitura da série se torna “obrigatória”? Estou perguntando porque fiquei pensando sobre as repetições sobre alguns fatos que você mencionou, talvez isso aconteça porque os livros podem ser lidos de maneira independente e o autor *cof cof* quis situar quem estava lendo só o segundo livro… ficou confuso, né? x_x sorry!
    Também gostei de saber que o livro faz boas críticas… Aliás, os livros, né?! Vou pesquisar alguns preços e adicionar na minha lista de futuras compras!

    Beijos e bom fim de semana :*
    http://www.procurei-em-sonhos.com

    • Oi Cássia, tudo bem?
      Muito obrigada pelo comentário, fico muito feliz que a resenha tenha instigado sua curiosidade! ❤
      Concordo com você, talvez as repetições sejam para dar suporte ao leitor que ainda não tenha lido o livro 1. Entretanto, considero beeem importante ler na ordem. Explico: no livro 1, sabemos como a Robin foi trabalhar com o Strike e o motivo que a fez ficar, bem como entendemos a grande mudança que ocorre na vida do protagonista ou ainda seu passado (que justifica o detetive brilhante que ele é!). Os livros trazem casos fechados, mas têm continuidade, e acontecem algumas coisas que serão desenvolvidas (suponho) nos livros posteriores. Mas uma coisa muito legal que o autor faz é de não revelar segredos dos livros anteriores; lendo o livro 2, ele mencionava apenas "assassinx de Lula Landry", pra não revelar ao leitor que não leu o livro 1 a identidade da pessoa. 😉
      Espero ter ajudado! 😘

  4. Oie,
    Adorei sua resenha!! Como sempre, tão completa. Nunca me interessei por ler O chamado do Cuco, mas me interessei bastante pelo O bicho da Seda, então provavelmente eu leia o primeiro também. Vou adicionar na minha lista e espero ler em breve. Gosto muito de romances policiais e esse parece bem intrigante.
    Beeeijoo!!!

    Grazy Carneiro
    Meus Antídotos

  5. Oi, Priih!
    Estranho referir à JK por esse nome, mas enfim hahhahahah
    Eu não sei se encararia esses livros, mas com certeza vou assistir a adaptação que já saiu. O ruim é que os eps são mais de uma hora e fica um pouco cansativo.
    Beijos
    Balaio de Babados

  6. Gostei da resenha Pri. Ainda não tive experiência com a autora, mas tramas policiais e investigativas sempre me chamam muito a atenção. Uma pena que ela tenha pecado em alguns detalhes, mas de toda forma fico feliz por saber que o saldo final do livro tenha sido bem positivo. Beijo!

    http://www.newsnessa.com

  7. Olá, Priih.
    Eu me decepcionei muito com o primeiro livro dessa série, por isso não vou me aventurar nesse. Diferente de você, eu não gostei do detetive. Acho que por amar o Poirot e ter lido tantas comparações entre os dois. A unica coisa que gostei foi da Robin, por isso não darei continuidade a série. E que pena que os defeitos continuaram os mesmos.

    Prefácio

  8. Encontrei alguém que ama livros de investigação como eu ❤
    Achei legal essa ideia de não se revelar os pensamentos do investigador, o leitor fica às escuras, mas também se torna investigador do roteiro. E também acho super importante que não fiquem pontas soltas no final de romances policiais. Amei a sua resenha, muito bem escrita! Me deixou desejosa em ler esse título, vou colocar na minha lista para futuras leituras.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

  9. Oi Prih,
    Quando eu assisti a adaptação, esse foi o livro que fiquei mais curiosa pra ler.
    Me deu impressão de ser mais tenso. Quis saber se no livro ela pega mais pesado. As mortes são bem macabrinhas. E fora a questão do culto lá. A Robin é muito ♥. Difícil não simpatizar com esses dois.

    até mais,
    Nana – Canto Cultzíneo

  10. Oi, Priih

    Eu gosto desse artifício de ser quase como duas histórias em uma, mas curiosamente, apesar de adorar o gênero, esse pseudônimo da JK não me passa credibilidade. É bizarro, eu sei, nem eu entendo!
    Provavelmente é um livro que não lerei, mas que bom que gostou apesar das pequenas ressalvas.

    Beijos
    – Tami
    https://www.meuepilogo.com

  11. Pingback: Dica de Série: C. B. Strike | Infinitas Vidas

    • Oi Letícia, tudo bem? Eu terminei de ler o terceiro volume no início do mês e gostei, apesar do primeiro continuar sendo meu favorito. 😀 A resenha de Vocação Para o Mal sai dia 24/10! ❤

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