Dica de Série: Dear White People

Oi pessoal, tudo bem?

A segunda temporada de Dear White People estreou na Netflix na última sexta-feira e, pra celebrar o retorno da série, vim contar minha opinião pra vocês! 😉

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Sinopse: Alunos negros de uma conceituada universidade norte-americana enfrentam desrespeito e a política evasiva da escola, que está longe de ser “pós-racial”.

Assisti a Dear White People no ano passado e, infelizmente, na época ela não teve a visibilidade que merecia (especialmente depois do boom que foi 13 Reasons Why). A série conta a história de alguns estudantes negros da Universidade de Winchester, um lugar repleto de indivíduos privilegiados e com uma falsa fachada de tolerância racial. Cada episódio da série é focado na perspectiva de um dos alunos negros da universidade e, por isso, são abordados diversos dilemas diferentes, bem como suas origens, posicionamentos e, é claro, opressões sofridas. A trama se inicia após uma festa em que acontece blackface; é esse acontecimento coloca a série em movimento, revoltando os alunos negros e gerando denúncias e tensões.

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Sam é a protagonista, e encabeça o programa de rádio Dear White People. Com sarcasmo e eloquência, ela coloca o dedo na ferida ao abordar diversas formas de racismo, velado ou não, que os negros sofrem. Mas, mesmo ela, uma mulher negra, tem seus privilégios: sua pele é mais clara e seus olhos são verdes, o que lhe confere algumas “vantagens” em relação a mulheres negras de pele mais escura. Isso se chama colorismo: quanto mais escura é a pele do indivíduo, mais discriminação ele sofre. Um episódio que deixa isso bastante claro é protagonizado por Coco: ao contrário de Sam – que exibe seu cabelo afro e é uma militante ativa –, a moça usa os cabelos alisados, está sempre preocupada com a aparência e muitas vezes fecha os olhos para problemas de discriminação racial que ocorrem no campus em nome da diplomacia, pois Coco tem o objetivo de ascender social e politicamente. Mas engana-se quem pensa que Coco não luta contra o sistema apenas porque ela difere dos métodos de Sam; justamente por ter sofrido a vida toda com o colorismo, a personagem criou suas próprias defesas e estratégias para sobreviver e vencer em um mundo que privilegia pessoas de pele clara.

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Além dessas duas personagens, temos também um garoto negro e gay se descobrindo; um rapaz que precisa ser nada menos que excelente em tudo que faz para ser reconhecido; e, por fim, um aluno que se vê vítima de violência policial. Aliás, essa última situação faz parte de um dos melhores episódios da série. É esse episódio que escancara o abismo que existe no que diz respeito à valorização da vida negra e da vida branca, mostrando como um jovem negro pode facilmente ser assassinado apenas por ser quem ele é. Enfim, essas questões todas são apenas a pontinha do iceberg, e a série cumpre muito bem o seu papel ao trazer a visão dos personagens negros em sua narrativa. Suas histórias, suas dores, suas vivências: é disso que Dear White People se trata. A série também traz questões como lugar de fala (que fica mais evidenciado nas discussões entre Sam e seu namorado branco, Gabe) e diferenças políticas dentro do próprio movimento (como a diferença de opressão sofrida por Sam e Coco em função do colorismo, por exemplo, o que faz com que cada uma tenha um modo de agir e ver o mundo).

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Os episódios são curtinhos e o estilo da série é leve e até mesmo engraçado. O narrador (o excelente Giancarlo Esposito) dá um tom irônico e envolvente aos episódios, que narram o dia a dia dos alunos negros em Winchester. Com personagens e situações cotidianas críveis, Dear White People consegue abordar as diversas camadas do racismo – desde o mais óbvio e descarado até o mais sutil e ardiloso – de uma maneira ilustrativa, que incomoda e revolta, justamente por ser algo tão absurdo.

dear white people

Enquanto mulher branca, posso apenas imaginar as dores que os negros sofrem diariamente. Porém, o que realmente quero dizer nesse post é: deem uma chance a Dear White People. Além da qualidade das atuações e dos episódios envolventes, as temáticas abordadas são de extrema importância. Não podemos negar a presença do racismo no nosso dia a dia. Mas podemos refletir sobre isso e fazer tudo que estiver ao nosso alcance pra mudar essa realidade. Dear White People merece e precisa ser vista.

Título original: Dear White People
Ano de lançamento: 2017
Criador: Justin Simien
Elenco: Logan Browning, Brandon P. Bell, Marque Richardson, Antoinette Robertson, Ashley Blaine Featherson, DeRon Horton, John Patrick Amedori, Giancarlo Esposito

24 comentários sobre “Dica de Série: Dear White People

  1. Oi Priih,
    Eu ainda não assisti essa série, mas está na minha lista, porque tenho uma amiga que amou!!!
    Gosto muito de histórias relevantes e acho que ela abriria meus olhos para coisas que muitas vezes, estão enraizadas na sociedade e não percebemos no dia a dia.
    Esses dias, li uma matéria de expressões usadas que se pararmos para pensar são totalmente racistas. Fiquei chocada e envergonhada. Acho que abordar o assunto, nunca é demais.
    Beijos
    https://estante-da-ale.blogspot.com.br

  2. Oie Pri =)

    Um cinco episódios da primeira temporada, mas infelizmente a série não conseguiu me cativar e eu abandonei =(

    Acho o tema abordado interessante, mas os personagens não me cativaram. Talvez eu dê uma segunda chance, mais para frente ^^

    Beijos e uma ótima semana;***
    Ane Reis | Blog My Dear Library.

  3. Oi, Priih

    Na época do lançamento eu vi bastante gente falando da série, mas realmente ela foi meio que soterrada por 13 Reasons Why.
    Acho que toda e qualquer série que conscientize o telespectador merece notoriedade. Quando o ser humano aprender a ter empatia, a se colocar no lugar do outro, muita coisa vai melhorar, inclusive o racismo. Infelizmente as pessoas só dão valor a dor do outro quando as convém, e isso é muito, muito triste…

    Beijo
    – Tami
    http://www.meuepilogo.com

  4. Olá, Priih.
    Eu não sabia dessa série e gostei bastante da dica. Acho que quanto mais lermos, assistirmos sobre o assunto, querendo ou não mais pessoas vão se conscientizar do que é certo e errado, mesmo que já saibam disso e finjam que não. Vou anotar aqui para assistir assim que abrir um espacinho na minha lista interminável de séries hehe.

    Prefácio

  5. Oie Prih,
    A série realmente parece ser maravilhosa, cheia de questões atemporais.
    Uma pena que o próprio streaming não dê tanto valor a divulgação.
    Vou assistir o filme antes e depois maratonar.

    até mais,
    Nana – Canto Cultzíneo

  6. Oi Prih, tudo bem?
    Eu ainda nao conferi essa série, mas so leio elogios quanto a ela. Está na minha lista de próximas séries a assistir, e tenho certeza que irei gostar dela, ppis acredito que seja uma série bem corajosa dentro dessa temática.
    Ótima resenha flor.
    Abraços,
    Amanda Almeida

  7. Oi, Priih.
    Infelizmente o racismo e o preconceito é uma realidade e muitas pessoas acham que não existe.
    Gostei da temática do seriado.
    Ainda não tinha visto no netflix, mas vou dar uma chance.
    A última que vi foi O alienista e gostei muito.
    Bela resenha.
    Abraços.

  8. Oi, Priih! Já assisti a primeira temporada e preciso me atualizar em Dear White People, quero colocar essa segunda temporada em dia, hahaha. Bem como você falou, a cena da violência policial marcou muito. Racismo, colorismo, violência policial, a solidão da mulher negra… São tantos assuntos importantes. Ótima indicação! =)

    Beijos, quebrarosilencio.blogspot.com ❥

  9. Oi! Comecei a assistir essa série esses dias, não conhecia ela… Estou gostando, mas não acho que seja tudo aquilo. Creio que o ponto alto dela seja abordar o tema do racismo pelo ângulo do negros que vivem nos EUA. O bom que aborda isso de forma descontraída e leve.

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