Review: It: A Coisa

Oi gente, tudo bem?

Apesar de sempre ter odiado palhaços e não ser fã de filmes terror (confesso: morro de medo!), os trailers, o burburinho e a curiosidade falaram mais alto e ontem fui conferir It: A Coisa, nova adaptação do clássico de Stephen King.

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Sinopse: Um grupo de sete adolescentes de Derry, uma cidade no Maine, formam o auto-intitulado “Losers Club” – o Clube dos Otários. A pacata rotina da cidade é abalada quando crianças começam a desaparecer e tudo o que pode ser encontrado delas são partes de seus corpos. Logo, os integrantes do “Losers Club” acabam ficando face a face com o responsável pelos crimes: o palhaço Pennywise.

O longa já começa mostrando a que veio, com a clássica cena do bueiro, em que o pequeno Georgie Denbrough desaparece. Após um salto temporal de alguns meses, vemos que seu irmão, Bill, não está lidando bem com a situação e estuda uma forma de encontrá-lo. Junto com seus amigos mais antigos (Richie, Eddie e Stanley) e com algumas novas amizades (Ben, Beverly e Mike), o grupo – que se intitula Clube dos Otários – passa a investigar não apenas o desaparecimento de Georgie, mas também a estranha circunstância que faz com que diversas crianças também estejam desaparecendo. 

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O filme dedica um bom tempo de tela a desenvolver cada criança individualmente, mostrando não apenas suas personalidades, mas também o contexto na qual estão inseridas e, principalmente, seus medos. São esses medos que servem como combustível para que Pennywise os atormente e os atraia, fazendo com que eles vivam diversos momentos de puro terror. Como se não bastasse a ameaça do palhaço, o grupo ainda sofre com o bullying de alguns valentões (momento no qual o filme aproveita para mostrar como violência gera violência) e com conflitos na própria casa (especialmente no caso de Beverly, mas esse tópico merece uma atenção especial). O pano de fundo, desenvolvido gradualmente, bem como as atuações incríveis e extremamente competentes – destaque para Finn Wolfhard, que não lembra em nada o Mike de Stranger Things –, fazem com que o público se apegue aos personagens e também explica a origem de seus temores, dando motivação para que o grupo enfrente a ameaça que atormenta a cidade de Derry há séculos – e aparece a cada 27 anos.

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Pelas resenhas que li e comentários que ouvi, eu achei que o filme seria mais brutal visualmente, mas não é tanto assim. Ele assusta, sim, e as cenas feitas para te dar pulos na cadeira funcionam. Entretanto, pelo menos pra mim, o que realmente apavora é o clima de insegurança que toma conta dos personagens. A ameaça era quase onipresente, já que Pennywise faz aparições em diversos pontos distintos. As cenas foram construídas com uma tensão crescente, da trilha sonora à iluminação. Ao mesmo tempo, o filme é muito… engraçado! Eu ri alto em diversos momentos, porque as piadas eram naturais e com excelente timing. Richie e Eddie são os personagens que mais me fizeram rir, cada um à sua maneira: enquanto o primeiro tem aquele jeitão desaforado e imaturo típico da idade, o segundo é hipocondríaco e começa a trama se preocupando mais com higiene e doenças do que com o perigo que se aproxima. Esses momentos engraçado foram ótimos, pois trouxeram leveza a um filme que assusta na medida certa, sem forçar a barra.

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Agora, preciso comentar sobre o medo da Beverly. Se você não quiser saber o que é, pule para o próximo parágrafo. 😉 A menina vive sozinha com o pai, é abusada e vive em pânico das investidas dadas por ele. O homem, que é desprezível em cada fio de cabelo, sexualiza e objetifica a filha, das roupas aos longos cabelos (que ela corta para causar repulsa no pai, que diz que ela ficou parecendo um menino). Uma das cenas mais tensas e assustadoras do filme não envolveu o Pennywise, mas sim uma tentativa de abuso por parte do pai de Beverly: revoltado por saber que a menina está andando com os garotos, ele vai pra cima dela, que revida e consegue se defender. Quando ela vence o homem que a aterroriza (acertando-o com um golpe poderoso na cabeça) é impossível não ficar exultante. E mesmo no fim, quando o palhaço tenta assombrá-la com a imagem do pai, Beverly consegue enfrentá-lo novamente. Pra mim, esse foi o pior dos medos trabalhados no filme, simplesmente porque ele é… real. Acontece todos os dias, com milhares de meninas (70% dos estupros acontecem dentro de casa, cometidos por parentes da vítima). E isso torna a vivência da Beverly muito mais assustadora do que qualquer entidade fictícia, pois ilustra com maestria como o ser humano pode ser um dos piores vilões.

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It: A Coisa é um filme assustador e divertido, com atuações impecáveis e uma trama que te prende na cadeira e não te deixa desviar os olhos do que ocorre na tela. Vale a pena seguir o exemplo do Clube dos Otários e vencer o medo para conferir esse longa. 😉

Título original: It
Ano de lançamento: 2017
Direção: Andy Muschietti
Elenco:  Jaeden Lieberher, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs,  Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff, Bill Skarsgård, Nicholas Hamilton

42 comentários sobre “Review: It: A Coisa

  1. Ainda não assisti e nem sei se darei uma chance.
    Não por não confiar na qualidade da história (até porque só encontrei elogios), mas por não conseguir me dar com palhaços rs.
    Vi a primeira versão anos atrás e lembro que não consegui dormir rs

  2. Estou vendo muitas resenhas desse filme e fico louca para ver. Mas, confesso que primeiro gostaria de ler o livro. Agora por nao conhecer a trama, nunca iria imaginar que além de terror também tinha esse toque de humor.
    Beijos,
    Monólogo de Julieta

  3. Oii, Priih!

    AMEI sua resenha do filme ❤ Fui assistir semana passada e cara, as cenas que te dão sustos são QUASE todas previsíveis, mas ainda tiveram aquelas que me pegou. Amei o ambiente e os personagens, o palhaço mesmo que é feio pra caramba. Tinha hora que eu tirava o meu óculos e virava a cabeça pro lado kkkkkkkkk Adorei aquelas crianças, queria mais hahaha Uma série, né? Seria legal hahaha Dava pra passar mais tempo com elas :p Beijos,

    http://www.estranhoscomoeu.com

  4. Olá, Priih.
    Eu não pretendo assistir esse filme. Desde que li o livro quando era criança peguei um medo de palhaços sem tamanho hehe. Mas pelo o que você falou eles seguiram bem a linha do filme mostrando a personalidade das crianças. E que triste isso do maior medo da garota ser exatamente daquele que deveria protegê-la. Infelizmente essa é a realidade de muita gente.

    Prefácio

  5. Oi Prih,
    Sou fã do King mas não curti a leitura de It.
    Não sei se vc sabe, mas a estória vai tendo saltos temporais, alternando entre o passado com as crianças e o presente com elas adultas. E dai quando a estória começava a ficar interessante, o King cortava e fazia um salto temporal. E foi assim o livro inteiro.
    Por isso, estou com mais expectativas para o filme, pois pelo que vi do trailer e das reviews, a adaptação conta apenas a parte da estória com as crianças.
    A parte do livro sobre a Bev e a questão do abuso é bem punk mesmo. Essa parte deve ser horrível justamente pq sabemos que é algo real mesmo.
    Só não esperava que o livro fosse ter esse momentos mais engraçados.
    Enfim, espero gostar do filme tanto quanto vc.
    Abraço,
    Alê
    http://www.alemdacontracapa.blogspot.com

  6. Olá! =) Tudo bem?

    Eu sou apaixonado por filmes de terror e estou um tanto cansado da mesmice nos filmes desse gênero. POr isso, quando fui assistir It, com muita vontade, senti medo de ser um desses filmes que repete as mesmas coisas (alguém possuído, indo morar numa casa onde um personagem morreu e voltou para assombrar o lar…), apesar de conhecer o enredo já. Mas me surpreendi. Gostei muito adorei a metáfora do medo, que se materializou no palhaço… E os assuntos que foram problematizados, como a questão da Beverly (bem pertinente), que você citou também.

    Bjão.
    Diego, Blog Vida & Letras
    http://www.blogvidaeletras.blogspot.com

  7. Quero assistir Priih. Eu não sou super fã de filmes de terror também, mas o Stephen King trabalha muito bem essa pegada infanto-juvenil e estou curiosa para ver essa nova versão. Não sabia que era engraçado também, mais um motivo para assistir!

    beijo, beijo :*

  8. Esse filme é bom demais!! Ao contrário de você, eu adoro terror e nem ligo pra palhaços, mas por algum motivo não estava muito curiosa com o filme, até que começaram a sair as resenhas e críticas em sua grande maioria positiva, daí acabei cedendo e assistindo. E o mais incrível é que de fato o filme é engraçado, mas não algo cômico do estilo “nossa, que péssimo, porque gastei meu dinheiro nisso?”, mas sim pelas tiradas provocarem risadas sinceras. Tudo foi extremamente bem bolado. E acho que o mais marcante, além dos medos muito bem descritos de cada criança, foi a amizade dela. Mostra que juntos é capaz de vencerem qualquer mal. E agora só nos resta esperar ansiosos pela segunda parte! Ótima resenha!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br

  9. Oi, Priih

    Eu fui assistir no domingo e amei, não pensei que fosse gostar tanto. Agora quero muito ler o livro até a continuação ser lançada, vou ler em doses homeopáticas, mas vou! hahaha
    A história da Beverly foi a que mais me tocou! Estou curiosa para saber o tipo de adulta que ela se transforma…

    Beijos
    – Tami
    Blog Meu Epílogo | Instagram | Facebook

  10. Oi, Priih.
    Quero ver esse filme essa semana.
    Está muito bem comentado.
    Pela sua resenha percebi que não se trata de um simples filme de terror, existem alguns subtemas importantes presentes, como pedofilia, violência sexual doméstica, bullying.
    Fiquei mais curioso pra ver o filme!
    Bela resenha.
    Abraços.

  11. Olha, eu só digo isso: coragem, tem que ter coragem pra ir assistir um filme desses no cinema hahahaha eu sou bem medrosa, então comigo não rola, mas achei legal colocarem cenas engraçadas pro clima não ficar tão pesado! Adorei a resenha ❤
    Um beijão,
    Gabs | likegabs.blogspot.com ❥

  12. Oi,
    Eu amei sua resenha!! Eu odeio palhaços, e tenho medo deles. E adoro filme de terror. Sendo assim, quero muito assistir IT: A coisa.
    Barra pesada a história da Beverly, e é isso o pior dos medos. Bom que ela consegue se defender.
    Beeijooo!!!

    Grazy Carneiro
    Meus Antídotos {meusantidotos.blogspot.com.br}

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  14. Pingback: Review: It – Capítulo 2 | Infinitas Vidas

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