Resenha: Branca dos Mortos e os Sete Zumbis – Abu Fobiya

Oi, pessoal! Como estão?

Eu estou me recuperando de uma cirurgia de extração de sisos. 😦 Os últimos dias foram doloridos e parados mas, felizmente, eu tinha uma leitura fresquinha pra resenhar pra vocês! Para o post de hoje, eu trago a minha opinião sobre Branca dos Mortos e os Sete Zumbis, de Abu Fobiya (heterônimo de Fabio Yabu).

capa

Sinopse: Em ‘Branca dos Mortos e os Sete Zumbis’, Fábio Yabu resgata a tradição clássica dos contos de fadas dos irmãos Grimm e de Hans Christian Andersen, onde as histórias, mais que um simples entretenimento, servem como lições para moldar o caráter das crianças, na maior parte das vezes por meio do medo. Aqui, não há meias-palavras nem eufemismos. O mundo encantado de Yabu é atormentado, sombrio e com altas doses de tensão sexual. Os contos seguem o mote de sucessos da televisão atual, como as séries Grimm e Once Upon a Time. Protagonizadas por personagens dos contos de fadas, revelam facetas nunca antes imaginadas de suas personalidades. Além disso, os doze contos que compõem Branca dos Mortos e os sete zumbis formam uma narrativa não-linear que culmina num desfecho aterrorizante. A obra ainda conta com as ilustrações de Michel Borges, que acompanha o autor desde seus primeiros projetos. As ilustrações de Michel homenageiam os desenhos clássicos dos contos de fadas, com toques sombrios, e complementam a atmosfera sinistra e misteriosa criada por Yabu.

Eu conheci esse livro no blog da Amanda Almeida e fiquei super curiosa pelas novas versões – mais macabras – dos contos de fadas. Originalmente, essas histórias têm um cunho bem mais sombrio do que conhecemos, e Abu Fobiya fez uso desse elementos de uma maneira muito criativa, com vários crossovers entre as histórias. Optei por dar uma pincelada em cada um dos contos pra vocês terem uma idéia da temática do livro. 😀

1

Branca dos Mortos e os Sete Zumbis: o conto que dá nome ao livro é um dos mais longos. Ele nos conta a história de uma rainha belíssima que sonha em ter filhos, mas se vê incapaz de gerá-los. Em sua busca incansável, ela faz um acordo com a bruxa da floresta para que seja capaz de ter um bebê (Branca). Porém, a bruxa tem planos terríveis para a família da rainha, começando pela própria. Contudo, os maiores perigos se escondem na floresta. Risos, espirros e sussurros causam medo na própria bruxa, e todos aqueles que adentram o lugar nunca mais voltam. Quando Branca já é adulta e precisa fugir do Caçador, é lá que ela se refugia. E é lá que ela vai se deparar com criaturas enviadas diretamente do inferno. O mais legal desse conto é que ele foge totalmente da clássica história da Branca de Neve, primeiro por mostrar o passado de sua mãe e segundo por fazer da protagonista uma moça forte e destemida dentro da floresta, enfrentando os perigos e os demônios que lá se encontram. É bem surpreendente!

2

João, Maria e os Outros: João e Maria são dois irmãos que vivem com um pai negligente e uma madrasta impiedosa. Em um período de muita fome, ela obriga o marido a abandoná-los na floresta. O pai, que já havia perdido uma filha na mesma floresta por não tomar conta da criança com atenção, cede aos caprichos da mulher. O diferencial do conto é que ele não é focado em João e Maria, mas sim nas conseqüências dos atos do pai.

3

Os Três Lobinhos: esse conto é interessante, pois apresenta uma era na qual os lobos, que antes reinavam sobre todas as terras, são punidos pelos Deuses e proibidos de comer outros animais. Três filhotes, porém, se propõem a enfrentar essa punição: um deles tenta comer um porquinho, mas acaba morto; outro come uma menina de capuz vermelho, e também é morto; o terceiro, porém, escolhe melhor a sua presa: ataca um menino mentiroso, que sempre fingia ver um lobo para enganar os adultos. Não é um conto assustador, mas eu gostei. 🙂

4

A Vendedora de Fósforos e o Vingador: não gostei muito desse conto. Ele traz a história de um pai terrível que obriga a sua pequena filha a vender fósforos numa nevasca impiedosa em pleno inverno de miséria. A menina morre, e ele passa a ser assombrado por diversos fósforos e acontecimentos estranhos. O desfecho da história foi meio desconexo pra mim, com a revelação do Vingador.

5

Cindehella e o Sapatinho Infernal: outro conto mais longo, com um crossover surpreendente no final. É uma história com vários elementos do conto original dos Irmãos Grimm (como o corte de partes do pé para caber no sapatinho, por exemplo). Cindehella era uma jovem que perdeu tudo com a morte do pai, ficando à mercê de uma madrasta e de duas irmãs postiças cruéis. Sua chance de mudar de vida acontece quando um ser misterioso oferece a chance dela ir ao baile conhecer o Príncipe. Porém, Cindehella escolheu mal em quem confiar, e a ida ao baile traz conseqüências desastrosas. Um dos melhores contos, com o final de que mais gostei!

6

A Confissão: nesse conto, um senhor de idade vai ao encontro de um prisioneiro, a fim de descobrir pistas sobre o filho desaparecido. Durante o interrogatório, o preso confessa diversos crimes (como a morte de uma menina de cachos dourados, induzida por ele a invadir a casa de ursos enormes). O senhor começa a perder o controle da raiva em relação ao prisioneiro e só no final descobrimos a identidade do mesmo – apesar de eu ter achado um tanto óbvio. Foi um dos contos que menos gostei, já que não vi propósito nas ações do vilão.

7

Bela Incorrupta: esse foi um conto que pensei ser uma história, mas no fim se relevou outra. Um médico obcecado pela imortalidade passou a vida inteira tentando criar uma substância que trouxesse alguém de volta à vida. Após anos e anos de falhas, ele descobre os corpos incorruptíveis, que mesmo após muitos anos, não se decompõem. Ao encontrar o corpo de uma jovem belíssima, ele faz de tudo para tentar revivê-la, e mais uma vez falha miseravelmente. O legal desse conto é o seu desfecho, em que descobrimos o que aconteceu a um personagem dos contos anteriores.

8

O Monstro: em forma de poesia e diálogo, esse conto traz a tristeza de um personagem que não se encaixa nos padrões e é desprezado por isso. Não é assustador e não o considerei como um dos melhores, mas sua narrativa é interessante, deixando a revelação também para o final.

9

O Cemitério: nesse conto, um fantasma recém chegado a um Cemitério faz amizade com um fantasma mais antigo. Ele observa os outros mortos, até que uma menininha lhe chama a atenção. O fantasma mais velho conta que ela, que já foi comida por um lobo e tirada de lá viva, foi amaldiçoada com a incapacidade de morrer. Por isso, mesmo com seus órgãos expostos e o rosto deformado, ela sempre se recupera e sai caminhando do Cemitério. É um conto que serviu apenas para contar o que acontece a um dos personagens.

10

Samarapunzel: esse é o último conto longo do livro, e o nome remete ao crossover que vocês devem estar imaginando: Rapunzel e O Chamado. A mãe de Samarapunzel, movida por desejos da gravidez, come rapunzéis amaldiçoados do terreno vizinho ao seu. A guardiã daquele terreno, uma mulher de branco que não envelhece, fica em pânico com a iminência do nascimento do mal em sua forma mais pura, e toma para si a responsabilidade de cuidar do bebê após a morte da mãe biológica. Entretanto, ela se afeiçoa à criança e, para evitar que ela se torne maligna, a tranca numa torre com o pretexto de que a menina é feia demais para sair no mundo exterior. Essa desculpa é suficiente até que Samarapunzel, já adulta, conhece o Príncipe dos arredores, descobre a própria beleza e engravida do mesmo. A partir desse momento, a fúria toma conta da moça, que promete vingança contra todos que lhe causaram mal. Uma coisa legal do conto é que ele aborda de maneira diferente a maldição do VHS de O Chamado, fazendo com que a sua própria narrativa transmita a maldição adiante. Bem peculiar e interessante! 😀

11

O Fim de Quase Todas as Coisas: esse é o conto que encerra o livro, e mostra o Barqueiro que transporta as almas para o além sozinho na Terra. Há muito tempo não existe mais ninguém no planeta, e ele sente saudades da época em que fazia o seu trabalho. O conto aborda a conversa dele com uma ninfa que passava por perto, e mostra o único elemento restante na Terra: uma casa simples construída por um porco.

Apesar da capa horrorosa, Branca dos Mortos e os Sete Zumbis é um livro muito bacana, com uma leitura fluida e instigante. Ao mesmo tempo em que sabemos vagamente como as histórias vão se desenrolar, ficamos ansiosos para saber quais aspectos foram alterados por Abu Fobiya, e de que maneira ele os desenvolve. Foi um livro rápido, perfeito para o momento em que me encontro (totalmente ocupada e sem tempo). Pra quem gosta dos contos de fadas e, principalmente, gosta de histórias macabras e sombrias, Branca dos Mortos e os Sete Zumbis é uma ótima pedida. 😀

Título Original: Branca dos Mortos e os Sete Zumbis
Autor: Abu Fobiya
Ilustrações: Michel Borges
Editora: Nerd Books
Número de páginas: 240

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28 comentários sobre “Resenha: Branca dos Mortos e os Sete Zumbis – Abu Fobiya

  1. Gente que ideia maravilhosa <33 amo os contos e sinto um pouco de ódio que as pessoas ás vezes coloquem um tom mais suave neles porque afinal de contas o foco dos Grim era algo mais de terror mesmo…Amando a ideia desse livro ♥ vou procurar e a capa é lindona.

  2. Não acredito que esse livro existe e eu nunca li *o* Vou precisar comprá-lo urgente. Amo contos de terror e releituras dos contos de fadas, misturando os dois então ❤ Fiquei muito curiosa para ler a maioria dos contos e descobrir o final, e é legal focar em várias questões e não apenas nos principais
    Beijoos,
    Sétima Onda Literária

  3. Oi Prih! Tudo bom ?
    já tinha ouvido falar dessel ivro mas nao tinha lido uma resenha sobre ele
    omg esse negocio de cortar o pe pra entrar no sapatinho me dá arrepios e me lembra um pouco into the woods 😮
    omg e a branca de neve toda destemida…
    o monstro fiquei curiosa
    na verdade, varios!
    Samarapunzel? OMG hahaha
    eu tb me perco todo mes hehehehe
    Um beijo!
    Pâm – http://www.interruptedreamer.com

  4. Oi Priih, tudo bem contigo ???
    Adorei, adorei, adorei a resenha !!!
    Também conheci o livro através do blog da Amanda, mas até hoje não consegui realizar a leitura, ando cheia de coisas para fazer, e livros para ler e não tô dando conta, preciso me organizar melhor e conseguir diminuir a pilha de livros para ler, que parece que não diminui nunca, rsrsrs
    Eu sabia que o livro era meio macabro, mas eu confesso que com essas ilustrações ele fica ainda mais macabro. Eu não sabia que ele era ilustrado, fiquei bem surpresa, é mais um atrativo para a obra né ?!
    Fico feliz de saber que gostou da obra, espero conseguir conferir essa história em breve !!!

    Beijinhos
    Hear the Bells

  5. Olá =D

    Tenho este livro mas ele está parado na estante há um bom tempo e nunca o li. Agora fiquei hiper curiosa para ler logo *-* Adoro histórias sombrias e macabras, ainda mais se são releituras de contos de fadas. Achei bem legal os contos, quando tiver um tempinho vou ler.

    Beijos,
    Livy
    nomundodoslivros.com

  6. Oie Pri =)

    Medo de zumbis >.<, sério passo longe de livros com essa temática. Pode rir que não ligo rs…
    Fico feliz que você tenha aproveitado bem a leitura e a resenha está ótima <3!

    Sobre o Persépolis, posso adiantar que foi uma maravilhosa surpresa *—-*

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias…
    @mydearlibrary

  7. Oi Prihh, tudo bem?
    Que bom que você gostou? Também achei impressionante a genialidade com que o Fábio conseguiu interligar todas as histórias, e ainda fazer alguns crossovers. Fico muito feliz que você tenha gostado.
    Forte abraço,
    Amanda Almeida

  8. Que show rs’, digamos que essa é a primeira vez que me interesso em ler ago do gênero, achei incrível a ideia do escritor em fazer algo do tipo, abordando clássicos de nossa infância hahaha.

    Beijos
    intoxicadosporlivros.blogspot.com.br

  9. Pingback: Resenha: O Vilarejo – Raphael Montes | Infinitas Vidas

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