Resenha: Persépolis – Marjane Satrapi

Oi, pessoal!

Pro post de hoje eu trago a resenha de uma HQ muito bacana: Persépolis, a auto-biografia da artista iraniana Marjane Satrapi. Meu amigo me emprestou o livro e, apesar de inicialmente não se tratar de uma leitura pela qual costumo optar, gostei muito de ter saído da zona de conforto e ter tido essa experiência. Eu tava precisando de uma história diferente! 😀

persepolis

Sinopse: Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita – apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares.
Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor se infiltra no drama – e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar.

Persépolis é um livro que, apesar de falar em sua maior parte sobre um assunto denso como política, trata o tema de maneira doce e muito leve. Conhecemos Marjane, filha de um casal moderno e politizado. Desde pequena, a menina entra em contato com ideais revolucionários e liberais, graças à mente aberta de seus pais e à oportunidade de estudar. Porém, a vida de Marjane muda radicalmente quando a Revolução Iraniana, que derrubou o regime monárquico, torna-se uma república islâmica extremamente religiosa e conservadora – trazendo consigo as características que a maior parte dos ocidentais têm do Irã: o uso do véu, a repressão do pensamento contrário ao regime, a submissão feminina etc. Com essas mudanças, somos apresentados à vida no Irã sob o ponto de vista de uma iraniana, incluindo o medo dos bombardeios e a revolta contra as medidas extremas do governo, por exemplo.

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A obra é carregada de um humor muito inocente e agradável, tornando a leitura muito fácil e fluida. Mesmo quando a temática é mais pesada – principalmente quando se trata da guerra em si – as ilustrações e a escolha das palavras fazem com que seja possível ler a HQ sem muita sobrecarga. Aliás, as ilustrações são muito bacanas! Elas me lembram um pouco do estilo de ilustrações que retratam os cangaceiros. 😛

A única coisa que talvez eu não tenha gostado tanto no livro foi a própria Marjane. Quando criança, ela era curiosa, corajosa e engajada em aprender mais sobre as causas pelas quais sua família (grande parte revolucionária) lutava. Porém, na adolescência, ela é enviada pelos pais à Áustria para fugir da guerra no Irã e acompanhamos toda a sua trajetória por lá. Marjane foi uma adolescente muito chata! E, infelizmente, eu continuei não simpatizando com a sua versão adulta. A personagem não me conquistou e parece ter perdido muito da sua essência, que era tão carismática. Em contrapartida, eu tenho que falar da família da Marjane, principalmente dos pais dela: eles eram incríveis com ela! Sempre buscaram o melhor para a filha, tanto na educação quanto na segurança, além de confiarem plenamente nela e a apoiarem incondicionalmente. O relacionamento deles foi o que mais gostei, no âmbito dos personagens!

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O mais interessante ao longo da adolescência e da vida adulta da Marjane foram seus conflitos psicológicos e sua crise de identidade: na Áustria, ela sofria preconceito por não se encaixar nos padrões de beleza, por ter uma postura mais conservadora em determinados aspectos e sentia-se totalmente não pertencente; ao voltar para o Irã, já adulta, ela era uma mulher que viveu a liberdade do Ocidente e que tinha que se readaptar à própria cultura. O sentimento de deslocamento persegue a personagem por muito tempo. Esse ponto de vista é uma das questões mais bacanas da HQ, onde acompanhamos uma mulher que viveu diversas experiências fortes ao longo da vida e, no fim, precisou buscar sua real essência.

persepolis1

Persépolis é um livro fácil e rápido de ser lido, traz uma abordagem muito instigante sobre o Irã e me tirou da zona de conforto. Foi bom ler algo que eu não costumo procurar por conta própria e eu gostei da experiência. Recomendo a todos que buscam uma boa história, contada em um tom leve e que desejam conhecer mais dessa cultura!

Título Original: Persepolis
Autor: Marjane Satrapi
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 352

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29 comentários sobre “Resenha: Persépolis – Marjane Satrapi

  1. Oi Pri, tudo bem ???
    Menina, eu morro de vontade de ler essa HQ !!! Logo que ela foi lançada aqui no Brasil eu já estava de olho, mas ainda não tive a chance de comprar um exemplar para chamar de meu.
    Fiquei feliz que você fez essa resenha, nunca tinha lido nenhuma resenha sobre essa HQ e estava super curiosa para saber como era, o que as pessoas estavam achando. Gostei que você destacou os pontos que não te agradaram tanto, e gostei ainda mais de ver algumas partes da HQ !!!
    Quero comprar o meu exemplar o mais rápido possível, rsrsrs

    Beijinhos
    Hear the Bells

  2. Não costumo ler ler HQs e não conhecia a obra, mas achei muito interessante! Comecei a ler recentemente aquele livro “Eu dou Malala” e, desde então, ando curiosa sobre a vida no oriente médio sendo contado pelo ponto de vista dos próprios habitantes. Espero poder adquirir este HQ em breve~

    The Fat Unicorn

  3. Olá Pri,td bem? Eu acho que o bacana da literatura é isso poder sair de nossa zona de conforto e conhecer coisas que jamais pensávamos ler, acho isso bem legal. Em relação ao livro eu gosto muito de HQ’s que contam a vida de alguém, a última que li foi sobre a história de Nietzsche, não era uma autobiografia, mesmo assim eu percebo que nas HQ’S eles dão um tom mais leve e descontraído em coisas mais tensas, são uma leveza de leitura para os adultos e uma ótima oportunidade de contato com a leitura para as crianças.

    Beijos

    http://redandvintage.blogspot.com.br

  4. Oi Pri! Eu olho HQ e penso em algo superficial, mas lendo sua resenha vi que a história é bem densa e aborda temas sérios. Eu entendi sua opinião sobre a protagonista e pensei que ela mesmo sendo uma pessoa não tão agradável, era alguém que carregava um grande peso nas costas, às vezes esta dificuldade de saber nossa essência nos torna pessoas complicadas.

    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

  5. Olá!!

    Não conhecia a obra e achei muito interessante o fato de um tema tão pesado, tão serio e denso ter sido tratado de uma maneira leve. EU confesso que não sou fã de politica e tals e acho que esse tema é tratado de uma forma muito complicada, acaba afastando as pessoas;
    Gostei das imagens que você selecionou e justamente pela sua resenha eu daria uma chance para conhecer a história.
    Mesmo com a personagem não te cativando muito.

    Beijinhos,
    http://www.entrechocolatesemusicas.com

  6. Oiê!
    Estou doida para ler Persepolis e também sair da minha zona de conforto! Só comentários positivos.
    Mas pena que ela adolescente e adulta é meio chata. Eu sabia que era biográfico, mas não que era da vida toda, pensei que era só infância mesmo.
    Tem filme, não tem?
    🙂

    Beijoooos

    http://www.casosacasoselivros.com

  7. Oie Pri =)

    Estou curiosíssima para ler esse livro *-*
    São tantas resenhas positivas e a temática do livro me chamou muito atenção que espero poder ler ele o mais rápido possível.

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias…
    @mydearlibrary

  8. Oi Priih!
    Sair da zona de conforto é ótimo. Às vezes isso nos rende as melhores experiências de leitura.
    O tema parece ser bem interessante. Pena que você não simpatizou com a personagem em nenhuma das fases dela.
    Beijos
    alemdacontracapa.blogspot.com

  9. E aí, Pri! 😀
    Gostei muito de Persépolis! ^^
    Achei que apesar do tema denso (interessante), justamente por ser em quadrinhos tornou a leitura muito agradável! ❤
    Ótima resenha!

  10. Adorei sua resenha! Tenho visto muita coisa de qualidade sobre o Oriente ultimamente, principalmente em literatura. Infelizmente, autores iranianos, iraquianos e de outros países pra nós desconhecidos não são tão divulgados no Brasil quanto deveriam, na minha opinião. Mas valeu muito a pena seu ponto de vista sobre a HQ! Vou procurar, com certeza! E vc sabia que há um filme baseado no livro? Acho que vale a pena dar uma olhada! 😀

  11. Oiii
    Já vi esse livro em vários lugares, mas nunca parei para ler uma resenha dele. Nem sabia que era HQ. Eu gosto bastante de HQ, talvez por ter crescido lendo, e essa parece bem interessante. Gosto bastante de ler a respeito de outras culturas, principalmente em forma de literatura, já que mostra a verdade de forma maias leve. Fiquei bastante interessada e o livro já foi pra minha listinha de desejados.
    Beijos e uma ótima semana

    Vidas em Preto e Branco 

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